O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 01 de Novembro de 2010

Neste dia, tudo parece ungido com uma certa timidez. Até o sol espreitou e a chuva se conteve. O vento pulava pelos cemitérios, enxugando as lágrimas que batiam a face e se sepultavam no coração.

 

Neste dia de todos os santos, recordamos tantos que surgem ante nós como modelos de bondade e referências de vida.

 

Foram nossos pais, vizinhos, amigos. Tornaram-se as vértebras do nosso caminhar.

 

Hoje, os sorrisos, sinceros, despontam um pouco feridos.

 

A nossa história mora já, em grande parte, debaixo da terra.

 

Lá cumpri também o meu ritual. Com toda a minha família, fui à Senhora da Guia.

 

E, no cemitério, além de orar por meu querido Pai, lembrei o que minha amada Avó me disse no dia 1 de Novembro de 1974: «Meu neto, para o ano, já me vens visitar aqui também».

 

Não estava sequer doente. Mas viria a falecer logo no mês seguinte, a 30 de Dezembro.

 

Os meus nove anos de então ficaram atordoados.

 

Uma vez mais, gostei de rever aquela gente que sempre me disse muito e que recordo tanto!

publicado por Theosfera às 18:53

De Maria da Paz a 1 de Novembro de 2010 às 22:34
Rev.mo Senhor Doutor:
« Os meus nove anos de então ficaram atordoados.»
Tive exactamente a mesma experiência ... aos nove anos de idade. Estava na Escola Primária, de Vila Verde, e a má notícia chegou: brutal e definitiva, vinda... do outro lado do Mundo. Perante o meu atordoamento bem sentido, um Coleguinha de carteira - o João, o João Silva (hoje a morar, creio, em São João de Fontoura) - passou-me a mão pelos cabelos longos e disse-me, quase chorando comigo, numa voz muito terna: -«Então, Menina, agora reze por alma da sua Avozinha!»
Não sei se o João lerá estas palavras. Gostaria que sim.
A verdade é que a sua atitude ficou, na minha memória, como um dos mais belos gestos de ternura e de Caridade que recebi na minha vida.
E é em pensamento que coloco ramos de flores na sepultura de minha Avó materna: um túmulo de mármore na ilha de Moçambique.
Maria da Paz





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