O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Daquela vez, o Prof. Cavaco Silva terá sido demasiado contundente e talvez injusto. Mas não será que teve razão?

 

No célebre artigo sobre a Lei de Gresham, recordou que a má moeda acaba por expulsar a boa moeda.

 

Trata-se não só de um princípio económico, mas de uma tendência geral: a mediocridade revolta-se contra a qualidade e, no limite, acaba por eliminá-la.

 

Em toda esta discussão sobre o Orçamento do Estado, sente-se uma ausência de horizontes e uma falta de grandeza que faz pensar. E penar.

 

Há uma falta da lastro humanista que faz com que a imolação das pessoas no altar dos números seja tida como normal, inevitável.

 

Quem lê as crónicas de economia do Dr. Nicolau Santos, repara como ele insere sempre, em lugar de destaque, um texto de um escritor, geralmente um poeta.

 

À partida, nenhuma afinidade existirá entre a economia e a poesia.

 

Mas, a bem dizer, esta é uma proximidade muito necessária e cada vez mais urgente.

 

O que mais tem impressionado é todo este desfile de números, brandidos de um modo quase imperceptível ao cidadão comum, sem se descortinar um horizonte de sentido.

 

É esta economia descordializada (isto é, sem coração) que leva a impor sacrifícios sem fim aos mais pequenos.

 

Não será possível uma economia com alma?

 

A pressão dos acontecimentos é grande. Mas a ausência de alma é ainda maior, mais gritante.

 

Esta é uma questão transversal, que envolve as famílias e afecta as esciolas.

 

O processo educativo tem desguarnecido a dimensão humanista. Tudo se subordina aos ditames do mercado e às regras da competição.

 

Todos querem ser primeiros. Só que o importante é (tentar) ser melhor. Melhor na capacidade. Melhor no coração. Melhor na solidariedade.

 

As especialidades não podem abrir mão da globalidade. A verdade, como ensinava Hegel, está na totalidade.

 

A economia tem de ser mais do que contabilidade.

 

Sei que há economistas com um apurado sentido humanista. Não lhes cortem a palavra. Nem lhes fechem as portas.

publicado por Theosfera às 10:48

De António a 28 de Outubro de 2010 às 13:55
O Estado Social é uma conquista civilizacional e não deve ser abatido. Abatidos devem ser todos os gastos supérfluos, inúteis e sumptuários. E também aqueles que, embora podendo ser úteis, não se enquadrem numa hierarquia de prioridades. Alguém me consegue explicar para que servem dois submarinos que custaram ao erário público 2.000 milhões de euros quando temos uma frota pesqueira a cair de podre e uma ZEE de enorme extensão e de avultadas potencialidades de exploração económica ? No fundo dos mares existe metano que, devidamente aproveitado, pode servir para suprir necessidades energéticas de vários milhares de anos. E é apenas uma das hipóteses de exploração económica que os oceanos podem proporcionar, já para não falar nas riquezas imediatamente piscícolas. Mas em Portugal os nossos governantes endoideceram ? 2 submarinos para quê ? Para caçar eventuais fanáticos que atravessem a costa africana para Portugal em sofisticados barcos de guerra ? Ou para gerar compadrios, comissões ilegais e apropriação indevida de dinheiros públicos ? Cavaco Silva, e bem, suscitou ponderação na questão do novo aeroporto de Lisboa. Pena e que tenha ficado calado em relação ao escândalo dos submarinos. Sou dos que entendem que os investimentos púbicos podem constituir alavancas importantes da recuperação económica. Nada que John Keynes não tenha previsto. Mas tudo feito com critério rigoroso de reprodutibilidade económica...


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