O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

Eis a carta que um pai do século XIX escreveu ao professor do seu filho. Há quem a atribua a Abraham Lincoln. Há quem conteste tal atribuição. Mas isso também é o que menos interessa. O que interessa mesmo é o seu (espantoso) conteúdo.

 

Caro professor, o meu filho terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, por cada vilão há um herói, que por cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que por cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu, as flores do campo, os montes e os vales.
 

Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.

 

Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando está triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

 

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

 

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

 

Eu sei que estou a pedir muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.

publicado por Theosfera às 20:23

De Sónia Teixeira a 27 de Outubro de 2010 às 21:50
O filho deste pai não precisará que o professor lhe incuta todos esses valores, ser-lhe-ão, com toda a certeza, transmitidos por seu pai.

Vou usar este texto na aula de Formação Cívica, decerto não se importará.
Veremos se alguns destes valores serão "ensinados". Não percamos a esperança!

Abraço amigo

Sónia Teixeira

De Theosfera a 27 de Outubro de 2010 às 21:55
Claro que não importo, Sónia.
É um texto que impressiona.
Quero acreditar que, como diz Maurice Blondel, tudo tende para o cume.
Mas os factos, por vezes, desmentem as nossas crenças e os nossos desejos.
Depois de tanyo tempo a regredir, urge que o Estado deixe (ou, pelo menos, não impeça) educar.
É a missão mais bela, mais nobre, mais decisiva.
Muito obrigado. Abraço amigo no Senhor.

De Cristina a 28 de Outubro de 2010 às 09:36
Vou seguir o exemplo da Sónia e levar este texto... no meu caso para o blogue... é simplesmente fantástico.

Muito obrigado pela sua partilha e pelos conhecimentos que nos transmite.

De Theosfera a 28 de Outubro de 2010 às 10:10
Este texto é, de facto, um repositório de toda uma carência que sentimos e de toda uma urgência que acalentamos. Educar alunos é, acima de tudo, formar cidadãos, pessoas de bem, com valores.
Graças a Deus, ainda há espaços onde isso é notório.
Um dia feliz. Muito obrigado.

De Maria da Paz a 24 de Outubro de 2011 às 23:35
Mais uma que seguirá o exemplo das Senhoras Dona Sónia e Cristina, agradecendo, muito reconhecida, a V. Rev.ª Senhor Doutor, a oportunidade desta extraordinária carta paterna! Urge fazer "inversão de marcha" e voltar a cultivar os valores, voltar a acreditar em Deus e voltar a seguir o Evangelho.
Urge voltar ao trabalho sério, honesto profícuo. Urge educar cada criança para salvar cada ser humano e todos os seres humanos. Urge salvar a Pátria e todas as Pátrias: o Mundo!
Só Deus nos poderá valer. Mas é preciso que queiramos com muita força.
Afectuosamente,
Maria da Paz

De Evágrio Pôntico a 26 de Outubro de 2011 às 01:57
Passado praticamente um ano, recupera-se este belo post, pela mão da Senhora D. Maria da Paz.

Este comentário trouxe-me à memória que me havia comprometido, em comentário próprio ao mesmo post, a transcrever aqui as recomendações de São Thomas More (o celebrado autor de "Utopia") aos professores de seus filhos, na sua ausência pelo estrangeiro, em missão diplomática.
O tempo foi passando, as vicissitudes do dia-a-dia foram-se sucedendo…. a promessa … talvez esquecida… Hoje, porém, o citado comentário fez-me recordá-la.

Durante as suas viagens, Thomas More escreve aos professores dos filhos dando-lhes instruções precisas acerca da educação que deveriam dar-lhes :

“que (os meus filhos) não se deslumbrem à vista do ouro, que não se lamentem por não possuírem o que erradamente admiram nos outros, que não se considerem melhores pelas suas vestes ou enfeites chamativos, nem piores por carecerem deles. Que ponham a virtude em primeiro lugar, e a instrução em segundo. Mediante tais ensinamentos, receberão de Deus o prémio para uma vida honesta, contemplarão a morte sem temor, e, tendo uma sólida alegria, enquanto viverem, nunca se deixarão inchar pela oca bajulação dos homens nem abater-se pelas más línguas.
Estes (continua More) são para mim os autênticos frutos do estudo, e estou certo de que os que a ele se entregam deste modo, facilmente conseguirão o que se propuserem e chegarão a ser perfeitos”.

Fossem estas recomendações erigidas em tratado de educação nas nossas escolas - e que gerações de jovens teríamos! Que Povo seríamos...!

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