O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

Penso que ninguém contava com esta indefinição que o país está a atravessar.

 

Uma coisa é certa. Aconteça o que acontecer, os que nada fizeram para que esta crise surgisse são os que mais vão pagar por causa dela: os pobres.

 

As negociações entre o Governo e o PSD falharam.

 

O próximo passo é ouvir o líder do PSD (que, por sinal, se chama Passos) após a reunião do seu partido, ainda hoje.

 

O presidente da república convocou também, para sexta-feira, o Conselho de Estado.

 

Imaginemos, entretanto, que o orçamento é chumbado.

 

Parece estar fora de hipótese que o Governo apresente um outro já que faz tanta questão na aprovação deste.

 

Nesse caso, o Parlamento poderia propor um alternativo. Mas alguém acha possível um acordo, sobre esta matéria, entre PSD e CDS de um lado e PCP e BE do outro?

 

Caindo o Governo e não podendo haver eleições, não se afigura viável um novo Governo do PS pois é este partido que insiste tanto nesta política orçamental.

 

Uma alternativa no actual quadro parlamentar também aparenta ser totalmente irrealizável pois seria preciso que todos os outros partidos se entendessem. E entendimento é coisa que, pelos vistos, nos falta.

 

Esperemos que, logo à noite ou sexta-feira, se faça alguma luz.

 

Seria bom que pensássemos na máxima de Raymond Aron segundo a qual «a democracia é obra comum de partidos iguais».

 

O entendimento nunca é impossível quando, abdicando do interesse próprio, nos concentramos no interesse comum.

 

E se alguém há-de ser alvo de atenção especial, que o sejam os mais desfavorecidos.

 

Não percamos (de vez) a esperança. 

publicado por Theosfera às 16:22

De António a 27 de Outubro de 2010 às 19:05
Na rádio ouvi há pouco que o que separa o Governo do PSD são 200 milhões de euros.Tudo por causa de o PSD aceitar a subida do IVA para os 23% e o Governo, alegadamente, não estar disponível para, em contrapartida, baixar a taxa social única. Ouvi Catroga e o Ministro das Finanças confirmarem isto. Ou seja:para o PSD um orçamento péssimo já passaria por acordo se fosse menos péssimo em 200 milhões de euros. É dinheiro mas, à escala nacional de um orçamento, nada que altere substancialmente a distância entre os dois interlocutores. Moral da história: o PSD deve pensar que os portugueses são estúpidos e que não vão perceber que se trata de mera manobra eleiçoeira. Querem agradar à sua clientela política e não pretendem sair mal desta novela. Presumo que vão abster-se mas,se estivessem no Governo, ficamos desde já a saber que subscreveriam praticamente o mesmo orçamento, mantendo 23% de taxa do IVA e diminuindo alguma referência percentual da taxa social única.É o arco central da governação a discutir questões menores. Os patrões dos bancos, esses, continuam a esfregar as mãos de contentes.Governo e PSD nada têm a objectar a que um cidadão possa sofrer retenção de IRS de 21,5% e a banca financeira especulativa pagar a " brutalidade" de 5%...

De Theosfera a 27 de Outubro de 2010 às 19:54
Mais uma vez, muito pertinente a sua análise.
Abraço amigo.

De António a 27 de Outubro de 2010 às 21:46
Estes dados são infelizmente verdadeiros:

a) 2 submarinos oneram o país com 2.000 milhões de euros:

b) A nossa frota pesqueira está no estado decadente que se sabe;

c) No BPN,segundo a Moody,s, a CGD já colocou 4,6 mil milhões de euros;

c) Os bancos, sobre os lucros do ano passado, segundo a Associação Portuguesa de Bancos terão pago cerca de 74 milhões de euros de IRC+derrama, para lucros de cerca de 1,7 mil milhões de euros. Se tivessem pago à taxa normal (26,5%), teriam pago cerca de 457 milhões de euros.

d) Só nesta diferença, estaria encontrada a diferença que separa o Governo e o PSD para a redução da taxa social única.

Agora é só fazer contas e tirar conclusões...

De Theosfera a 27 de Outubro de 2010 às 21:51
Toda a razão, uma vez mais.

Há quem aceite ser fraco com os fortes e forte com os fracos.

Assim, não vamos a bom porto.

No fundo, continuamos a ser um estado corporativo.

As grandes corporações, que gerem o dinheiro, são quem põe e dispõe.

Que saída?

Abraço amigo.

De António a 27 de Outubro de 2010 às 22:07
Estimado Padre João António:

Saída ? Menos egoísmo, menos ganância, mais partilha, mais cooperação, mais contenção em despesas supérfluas. Mais Cristianismo de Jesus de Nazaré.E mais consequente, firme e clara doutrina social da Igreja Católica. Abraço amigo...

De Theosfera a 27 de Outubro de 2010 às 22:29
É verdade, bom Amigo. Mas quem está disposto a seguir Cristo, a começar pela própria Igreja que Ele fundou?
Obrigado. Abraço amigo.

De António a 27 de Outubro de 2010 às 23:48
Estimado Padre João António

Quando um país, durante os vários anos de crise,que já perduram, só em 2 submarinos e na estatização dos prejuízos do BPN, onera as suas contas públicas em 6,6 mil milhões de euros, a loucura instalou-se nos sucessivos governos. Quando a Banca nacional pagou 74 milhões de euros quando seria equitativamente razoável que tivesse pago, pelo menos, 457 milhões. Quando os sucessivos governos despenderam balúrdios com os pagamentos às diversas consultadorias externas, substituindo-se à normal actividade da Administração Pública, isto revela bem o ponto de ganância e de insanidade que se instalou ao nível do poder e dos diversos grupos de interesses associados. Se pensarmos agora que muita gente pobre não vai receber aumentos de pensões, para suportar a sua quota - parte do esforço nacional na contenção desse desvario nos 4,6% do défice, veremos a que ponto de iniquidade chegou Portugal.
Ou seja: é muita dessa gente, já no limiar da sobrevivência, que vai pagar os jogos de interesses dos submarinos e quejandos e da mais variada ganância financeira especulativa.Um polvo enorme e tentacular. Não serão nem os especuladores, nem os gananciosos, nem a banca " generosamente" poupada ao esforço nacional de superação da crise. Agora olhemos para a nossa frota pesqueira e que vemos ? Barcos a cair de podres numa zona económica exclusiva marítima de enorme extensão e potencialidades de riqueza.A agricultura e a indústria nas ruas da amargura. A terrível deflação a espreitar-nos pelo canto do olho. Não há, a meu ver, outra saída para as crises económicas mundiais senão a evocação dos princípios da generosidade, da solidariedade, do altruísmo, da opção preferencial pelos pobres. E a mudança clara de paradigma. Tudo o que afinal Jesus de Nazaré ensinou.Gandhi, sozinho, arrastou multidões. Precisamos, sim, de profetas de palavra forte, justa e incisiva. Mas só Deus sabe se e quando vão aparecer.Abraço amigo...

De Theosfera a 28 de Outubro de 2010 às 05:38
Uma vez mais, tem toda a razão. No meio deste cenário labiríntico e desnorteante, falta alguém que mostre ter a búsola para reencaminhar o país no sentido da justiça. No actual quadro, as difrenças são acidentais. à esquerda e à direita, movem-se todos no mesmo quadro: o dos interesses e das ambições. Assim, a Lei de Murphy tenderá a realizar-se: tudo o que pode correr mal correrá. Ainda mais?
Abraço amigo.

De António a 28 de Outubro de 2010 às 12:36
Ainda e mais e pior, infelizmente. Até que os homens percebam esta frase de Brecht: " Do rio que tudo arrasta dizem que é violento, mas ninguém diz que são violentas as margens que o comprimem"

A Noruega é um dos países mais avançados do mundo. Mas é também aquele que possui menor rede de auto - estradas. O que possui a maior quantidade de museus. Na Noruega também não são permitidos os chamados " hipermercados". Os supermercados, na Noruega, só têm um piso e são relativamente pequenos Nos países escandinavos, fugir aos impostos é considerado socialmente repulsivo. Mas não imagino esses países a gastar dinheiros públicos à tripa forra.Nem os empresários a comprar ferraris com dinheiros comunitários. Nesses países, é vulgar um ministro circular de bicicleta. Cá o nosso primeiro- ministro só anda de metro quando se quer publicitar. Tudo isto conta e muito para o progresso ou declínio de um país. O equilíbrio das contas públicos assenta num princípio simples: escassa economia paralela e regrado uso dos dinheiros púbicos. Só não se poupa nas exigências imperiosas do Estado Social. A Noruega rejeitou, por duas vezes, em referendos nacionais, a adesão à UE, assim exercendo a sua plena soberana nacional, sem se sujeitar à imposição, tantas vezes iníqua, das regras comunitárias. Exporta para os países que necessitam dos seus produtos e importa o que precisar do estrangeiro.Para a Noruega, todo o mundo é mercado potencial. Chega-lhe e sobra-lhe para ser um país próspero e harmónico. Na Noruega, foram os cidadãos que decidiram se queriam ou não aderir à UE. Em Portugal, Mário Soares decidiu por 10 milhões de portugueses. À Noruega no vamos buscar o bacalhau mas não os restantes ensinamentos. Agora é só fazer as contas e tirar as devidas conclusões...

De Theosfera a 28 de Outubro de 2010 às 14:04
Mais um óptimo texto, bom Amigo. Temho pensado muito no caso da Noruega. Não é preciso ser um país grande para ser um grande país. Trata-se de um país com personalidade, com vontade própria e espinha dorsal. Não vivem «orgulhosamente sós». Sabem determinar a sua conduta. Têm uma estratégia e assumem-na.
Abraço amigo.


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