O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

Não sei o que se passa. Só sei que me dói o que vejo.

 

Às vezes, tento resistir. Mas acabo sempre por desistir.

 

A televisão, nos seus diversos canais, tem-se desmultiplicado em entrevistas e debates com dirigentes políticos. Alguns deles têm pouca idade.

 

A expectativa é grande. Mas, volvidos os primeiros minutos, a desolação é maior.

 

Não se descortina uma linha de pensamento. O uso da língua é pobre.

 

Divisa-se um deslumbramento com a própria imagem. Os gestos são enfatuados.

 

Repete-se uma cartilha gasta. Eleva-se o tom de voz.

 

Não há uma estrutura. Há frases feitas.

 

Tudo é vulgar.

 

Parece que há um guião que alguém fez e todos se preocupam com a sua execução.

 

Invariavelmente, o botão desliga-se.

 

E o íntimo do cidadão fica desalentado com o que vê.

 

Não haverá melhor para mostrar?

publicado por Theosfera às 11:13

De António a 22 de Outubro de 2010 às 13:13
Eu vejo a tv 2 e programas sobre História, científicos ou sobre vida animal. Nos restantes canais, só desporto. Do resto já sei do que a casa gasta.É confrangedora a tecla da banalidade invariavelmente tocada nos debates políticos. Mas esta temática levanta, a meu ver,a questão essencial da Educação e da Cultura. Existe um pensamento padronizado, acrítico e repetitivo que é fruto de múltiplas circunstâncias. Todas as instituições têm grandes culpas no cartório e não apenas o Estado e as famílias. Ando a ler encantado " Na Cova dos Leões" de Tomás da Fonseca, esse livro " maldito" e tão esconjurado. Mas, para mim, não há livros malditos. Já li o " Mein Kampf" de Hitler para tentar perceber a mente desse louco. Tomás da Fonseca, ex- seminarista, foi um homem de alta polémica, extremamente contundente. Mas de uma cultura e erudição notáveis.Tinha o seu lado panfletário e ressabiado mas ninguém é perfeito. Poucos passaram incólumes pelo fogo avaliador da sua apreciação. Mas os raros justos conseguiram. Um deles, Santo Ambrósio, um dos homens mais notáveis de toda a Cristandade, almejou a referência altamente elogiosa de Tomás da Fonseca, que passo a citar:

" Santo Ambrósio, tão grande no saber e na virtude como a famosa catedral que os vindouros lhe ergueram, em memória das lutas que travara em defesa do rebanho que Deus lhe havia confiado"...

De Theosfera a 22 de Outubro de 2010 às 15:55
Também li esse livro e confesso que me fez pensar bastante, apesar da acritude. O pensamento padronizado em todos os níveis é algo confrangedor. No limite, põe em causa um dos valores fundamentais: a sinceriddae. Dá a impressão de que muitos não dizem o que acreditam e não acreditam no que dizem.
Abraço amigo no Senhor.

De António a 22 de Outubro de 2010 às 16:27
Como sabe, estimado Padre João António, melhor do que eu, acreditar ou não que Maria de Nazaré apareceu em Fátima não é dogma de fé católico. Ou seja: é tão legítimo a um católico acreditar na alegada veracidade dos acontecimentos de Fátima como não acreditar. Depois de um estudo atento e pormenorizado das alegadas aparições marianas de La Sallete, Lurdes, Fátima e Garabandal, eu não acredito. O respeito que é devido a Maria de Nazaré não é maior por parte dos que acreditam em Fátima do que por aqueles que não acreditam. Para mim, enquanto cristão, é teologicamente insuportável admitir que uma religião fatimista se sobreponha a aspectos estruturantes do Cristianismo e do próprio Catolicismo. Cristo nunca ensinou que nós rezássemos obcecadamente, bem pelo contrário. Nunca determinou que desfiássemos contas infindas de terços e rosários. E, sobretudo, nunca alguma vez afirmou que Deus poderia aplicar castigos colectivos a toda a Humanidade. Isso é com Sodoma e a história mítica do Dilúvio, onde um demiurgo antropomorfizado pela mediocridade humana se disfarçou de Deus, para não poupar ninguém à sua fúria inclemente. O que é que isso tem a ver com Deus ? Nada de nada, Pois bem, toda a narrativa do AT é retomada nessas aparições marianas em termos que chocam frontalmente com a Doutrina de Cristo, em pontos teológicos e escatológicos fundamentais. O que é que, segundo a dogmática católica,se segue à morte de cada um de nós ? Não é o juízo particular ? E esse juízo não é determinado apenas pelas nossas boas ou más acções ? É concebível, como recentemente afirmou o arcebispo de Viena, que a sida seja um castigo de Deus pelos pecados do mundo ? Mas que é isso de " pecados do mundo" ? Um bébé que tenha apanhado sida de uma eventual transfusão de sangue merece receber a suposta " cólera" de Deus por haver seres humanos que cometem graves pecados ? Mas a Cristandade endoideceu ? Perdeu o tino ? Não consegue discorrer sobre questões teológicas fundamentais da Doutrina de Cristo ? A mim não me passa sequer pela cabeça que homens que admiro e respeito, como D. Manuel Clemente, Padre Carreira das Neves ou D. Januário Torgal Ferreira acreditem em Fátima. Só não entendo porque é que, não sendo Fátima dogma de fé católico, haja tanto silêncio cúmplice com a religião fatimista, em detrimento da verdadeira religião de Cristo...

De Theosfera a 22 de Outubro de 2010 às 16:37
Bom Amigo: Esta é uma reflexão séria e pertinente. As aparições particulares não são dogma de fé. Eu, por sinal, acredito na veracidade das aparições em Fátima. Como disse João Paulo II, o grande critério é sempre o Evangelho. Partilho da sua percepção quanto o juízo final. O amor que se põe nas atitudes é que é determinante. E é nisso que as religiões falham. Cristo é que é o critério para a Igreja. Não é a Igreja que é o critério para Cristo. O apelo de Jesua à mudança também é dirigido à Sua Igreja. Muito há, sem dúvida, a reflectir (e a inflectir) neste campo.
Abraço amigo no Senhor.

De António a 22 de Outubro de 2010 às 20:42
Estimado Padre João António

Grato pela sua resposta. Não entendo como é que é possível conceber Deus a enviar castigos colectivos, nem entendo como seja razoável admitir que Maria Santíssima tenha descido à Terra como uma menina de cerca de 15 anos, com olhos negros, com vestido curto pelos joelhos, com soquetes brancas, brincos nas orelhas e uma estranha medalha aos bicos no pescoço, como asseverou Lúcia nos primeiros interrogatórios, conforme descrição desse homem, intelectualmente sério, chamado Moisés Espírito Santo.Também não entendo porque é que na descrição de Lurdes, Maria Santíssima é apresentada como aparentando 18 anos e tendo olhos azuis. Mas provavelmente sou eu que não consigo discernir as profundas justificações destas incoerências. Abraço amigo...

De Theosfera a 22 de Outubro de 2010 às 21:00
A linguagem das religiões nem sempre é linear. Daí a importância da hermenêutica. Também não acredito que Deus envie castigos. O Seu amor é a âncora da nossa salvação, da nossa felicidade.
Obrigado por tudo. Abraço amigo.


mais sobre mim
pesquisar
 
Outubro 2010
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2

3
4
5
6
7
8
9






Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
online
Number of online users in last 3 minutes
vacation rentals
citação do dia
citações variáveis
visitantes
hora
Relogio com Javascript
relógio
pela vida


petição

blogs SAPO


Universidade de Aveiro