O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 19 de Outubro de 2010

Um dos maiores expoentes do ateísmo militante, ao longo do século XX, foi Bertrand Russell.

 

A sua opção terá sido ditada não tanto pela razão, mas pelo testemunho (ou, melhor, pela falta dele) de alguns crentes.

 

É como se Deus tivesse sido arrastado pela decadência de certos modos de conceber e viver a religião.

 

Quem o certifica é alguém que conheceu bem o filósofo inglês: a sua própria filha Katharine.

 

Com o pai não conseguia sequer falar sobre a existência de Deus ou a religião.

 

No entanto, ela crê «que toda a vida de Russell foi uma procura de Deus. Algures, no fundo da mente do meu pai, no âmago do seu coração, nas profundezas da sua alma, havia um espaço vazio que fora um dia preenchido por Deus, e ele nunca encontrou uma outra coisa para pôr nesse lugar».

 

Katharine assume gostar de ter convencido o pai «de que tinha encontrado aquilo que procurava, aquela coisa inefável que ele, durante toda a vida, desejara ardentemente. Gostaria de o ter persuadido de que a procura de Deus podia não ser uma coisa vã. Mas era inútil».

 

Sabem porquê?

 

Porque, prossegue, Russell «tinha conhecido demasiados cristãos fanáticos, moralistas depressivos, daqueles que tiram a alegria e perseguem os seus opositores. Ele nunca seria capaz de ver a verdade que essa gente escondia».

 

É estranho verificar como é que nós, crentes, podemos ser os maiores fornecedores de argumentos para os ateus. É claro que Deus transcende infinitamente as formas em que é apresentado. O problema é que nem sempre há condições para se fazer tal ressalva.

 

Recordo a reacção de Carlos Casares a um livro de Andrés Torres Queiruga: «Se eu tivesse lido este livro quando tinha 15 anos, não me teria tornado ateu».

 

O ateísmo é, quase sempre, reactivo. Não oculta o incómodo provocado pelo vazio. Russel disse um dia: «Nada pode penetrar a solidão de um coração humano, excepto a profunda intensidade daquele género de amor que os mestres religiosos pregaram».

 

No fundo, não será o ateu alguém com uma intensa saudade de Deus?

publicado por Theosfera às 00:03

De António a 19 de Outubro de 2010 às 01:38
Minha querida mulher ateia, quando adolescente, pensou em devotar-se à vida religiosa e contemplativa. Mas depois de reflectir sobre o que pensou serem contradições insanáveis sobre as mais comuns concepções sobre Deus, tornou-se ateia.Um dia disse-me que se reconhecia como cristã, embora sem admitir a Divindade de Cristo. Mas aceitando os valores éticos afirmados por Jesus de Nazaré. Fez-me essa revelação de forma muito simples e eu fiquei estupefacto. Depois disse-me que gostaria de acreditar em Deus mas que não conseguia. A sua razão impedia-lhe a adesão teísta.Ela, contudo, tem o angelical dom da clarividência em termos que não devo, no entanto, revelar.Mas coloca sempre entraves lógicos às explicações óbvias, para mim, que decorrem dessa excepcional faculdade e das suas impressionantes captações cognitivas.Com a minha querida mulher ateia aprendi a aprimorar a minha concepção teísta e foi com ela que mais me aproximei de Deus.A vida tem destas enormes ironias e Deus também fala por linhas só aparentemente tortas

De Mª Amélia a 19 de Outubro de 2010 às 14:09
Muito interessante esse percurso da sua querida mulher (percurso que ainda está longe de terminar, assim creio).

É curioso verificar que, inicialmente essa trajectória é muito semelhante à minha: na infância e adolescência tive forte inclinação para seguir, também a vida religiosa e contemplativa, estudei, durante 7 anos no Colégio do Sagrado Coração de Maria, em Lisboa. Não segui por várias razões, das quais desejava imenso ter um filho e, por isso casei.

Houve, a partir daí, altos e baixos na minha Fé. Quando faço uma retrospectiva vejo que várias vezes me interroguei sobre Deus e, sobretudo sobre a Igreja.

Foi, precisamente a razão que me levou a aderir, mais fortemente a Jesus Cristo.

Consigo, perfeitamente filtrar as atitudes e falhas dos crentes e das pessoas consagradas. Todos estamos numa luta. Ninguém é perfeito...

Quando alguém fala que precisa de ver para crer respondo que nada há de mais falso do que essa ideia. Existem imensos acontecimentos, factos…em que fazemos e acreditamos sem nunca termos visto.

Aliás, não damos um passo, no dia-a-dia, sem que tenhamos de acreditar sem ver.

O meu caminho de conversão também ainda não terminou.

Tive a graça de conhecer uma obra, cujo conteúdo, por sinal mudou a vida do Papa João Paulo II, desde a juventude: O Tratado da Verdadeira Devoção à SS Virgem Maria de S. Luís Maria de Montfort.
Esse livro caiu-me nas mãos e transformou-me. Arriscaria a dizer que a minha vida divide-se em "antes e depois" de fazer a Consagração a Jesus Cristo por Maria SS., proposta nesse livrinho.

No próximo fim-de-semana seguirei para Fátima com a Legião de Maria, onde renovarei a referida Consagração, se Deus quiser.

Há um sublime poema de Santo Agostinho que significa, em parte o "drama" de todos nós:
“Tarde Te amei, Beleza tão antiga e tão nova, tarde Te amei! Tu estavas dentro de mim e eu Te buscava fora de mim. Como um animal buscava as coisas belas que Tu criaste. Tu estavas comigo, mas eu não estava conTigo. Mantinham-me atado, longe de Ti, essas coisas que, se não fossem sustentadas por Ti, deixariam de ser. Chamaste-me, gritavas-me, rompeste a minha surdez. Brilhaste e resplandeceste diante de mim, e expulsaste dos meus olhos a cegueira. Exalaste o Teu Espírito e aspirei o Seu perfume, e desejei-Te. Saboreei-Te, e agora tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me, e abrasei-me na Tua Paz."
Santo Agostinho ( 354 - 430)

Entregarei, nas Mãos da Mãe de todos nós, a sua querida esposa e a si também, querido irmão.

Aceite um abraço de sincera amizade!
Maria Amélia!



De António a 19 de Outubro de 2010 às 19:05
Estimada Maria Amélia:

Muito grato pela partilha das suas igualmente confessionais revelações.Na minha vida conheci três seres especialmente bondosos. E a minha querida mulher ateia é uma dessas especiais pessoas, que veio ao mundo com uma particular missão. A de mostrar, nela própria, a Grandeza Humana na sua plenitude. Deus também elege anjos ateus. Aqueles que não acreditam na Sua Existência, mas que se comportam socialmente como os melhores e mais perfeitos dos cristãos. A minha mulher é,para mim, um grande sinal de Deus. No fundo, o que julgo que Ele me quer dizer é que, na religiosidade, importa sobremaneira a nossa conduta ética. Deus não necessita de ser adorado.Ou que cumpramos ritualísticas muito formais. Mas que observemos na no nossa acção diária, de forma consequente, os valores do altruísmo e da generosidade humanas.
Gostaria muito de poder concretizar o dom de clarividência da minha querida mulher ateia, mas julgo que não o devo fazer. É, no entanto, curioso como alguém que, como ela, que consegue constantemente tocar a Transcendência, permanece a afirmar a sua condição ateísta. Deus fala de forma muito subtil.Abraço amigo...


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