O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010

1. Por estes dias, o país está inundado de números. De números que faltam. De números que fazem falta. De números que ferem. De números que, no limite, chegam a matar.

 

O Orçamento de Estado transformou-se numa titânica luta entre o mercado e as pessoas.

 

Atestam-nos que é mau se ele for aprovado. Mas asseguram-nos que será péssimo se ele for chumbado. Não haverá opção mais entusiasmante?

 

Num mundo globalizado e num país dependente, há ditames a acolher e regras a cumprir.

 

O espaço de manobra dos governos nacionais é cada vez mais reduzido.

 

E, como é óbvio, entre o mercado e as pessoas, estas é que acabam por ser sacrificadas.

 

Há uma sensação de impotência que está a transformar Portugal numa gigantesca jeremiada.

 

Os lamentos multiplicam-se. Os protestos avolumam-se. O desespero apodera-se dos espíritos.

 

2. Falta criatividade. Insiste-me no mesmo. No mesmo que já provou não resultar.

 

A austeridade ameaça eternizar-se. Há gente com fome. Há casas onde mingua o pão. Há crianças que só comem uma refeição por dia. Outras nem isso.

 

O combate à pobreza vai-se adiando e comprometendo. A impressão que prevalece é a de que, em vez de combater a pobreza, passamos a vida a combater os pobres.

 

É claro que a pobreza é uma amálgama. Muitas causas a desencadeiam. Muitos factores a explicam. Todos a conhecem. Mas parece que todos nos sentimentos impotentes.

 

Ela passa à nossa frente. E nós não sabemos fazer-lhe frente.

 

Ela não consiste apenas na carência de bens. Ela reside também — e bastante — na ausência de rumo, de critérios.

 

Há, de facto, quem não saiba gerir. Há quem não consiga poupar. Há quem não tenha para o essencial e gaste no acidental, no acessório.

 

Mas será que esta é uma falha exclusiva dos pobres? Não se tratará de uma endémica chaga nacional?

 

Será que o nosso país é gerido em razão das prioridades e em função das pessoas?

 

Não será que a gestão comunitária também cede à tentação do superficial?

 

 

3. Se estas medidas não resultarem, haja coragem para dizer lá fora que não é possível sacrificar mais cá dentro.

 

Não consintamos que o mercado funcione de uma forma automática, desregulada e destemperada.

 

Há que pôr um travão na vaga de despedimentos e na mancha do desemprego.

 

Há rostos cada vez mais sofridos, que despejam torrentes de lágrimas e escondem toneladas de dor.

 

Esta até pode ser uma oportunidade de refundarmos uma política assente em valores e, particularmente, centrada na pessoa.

 

Não se penalize o acesso à saúde nem à educação. Não se dificulte a vida a quem só pretende contribuir para o crescimento do país.

 

 

4. Para os cristãos, esta tem de ser uma urgência.

 

Bruno Forte avisou, há tempos, que o interlocutor do crente não é tanto o descrente ilustrado, mas o homem sofredor.

 

Trata-se daquele que sobrevive, penosamente, nos subterrâneos da vida.

 

É importante atender às suas necessidades imediatas, mas impõe-se também não esquecer as suas aspirações mais fundas. Em síntese, é preciso assegurar-lhe o pão e dar-lhe voz.

 

Na hora que passa, continua a haver energias por explorar, capacidades por estimular, caminhos por trilhar.

 

Há muita chama tolhida e muito talento sufocado. O povo dispersa-se entre o pranto e a evasão.

 

Há, pois, que reflectir sobre o presente e inflectir para o futuro. O que mais dói é sentir, perante a crueza da situação, a ausência de alternativas.

 

Dizem-nos que andámos a gastar muito. Mas não era esse o convite que se fazia? Que se consumisse em força?

 

Agora, parece que tudo se transtornou. A economia não está bem. E a alma não parece melhor.

 

Não deixemos adormecer a esperança. Nas horas difíceis, o melhor de nós mesmos há-de (re)aparecer.

 

A nossa alma vencerá as nossas angústias. E, por cada porta que se fecha, uma janela se há-de reabrir!

publicado por Theosfera às 11:32

De António a 18 de Outubro de 2010 às 14:30
Porque é que os bancos continuam a ser fiscalmente desonerados de comparticipação nos sacrifícios da crise, alguém entende ? Quando chegamos aqui ,sabendo eu que a Segurança Social anda a cortar verbas às IPSS, está tudo podre em Portugal...


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