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Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010

Os jornais trazem hoje um escalonamento das escolas. O referido escalonamento é, estranhamente, conhecido pelo anglicismo ranking.

 

Para as escolas que ficaram nos primeiros lugares, a sensação é, sem dúvida, reconfortante.

 

Mas existe uma panóplia de factores no processo educativo que dificilmente será mensurável.

 

Estes escalonamentos incidem sobre o modo como se acaba. Importante é que se fizesse um levantamento acerca do modo como se começa.

 

Avaliar uma escola só pelos exames é inevitável, mas é redutor. É fundamental estar atento ao modo como se inicia o percurso escolar, ao esforço que é feito. 

 

Não se pode comparar o plantel do Real Madrid com o plantel do Ramaldense. Quem tem os melhores elementos tem maiores possibilidades de alcançar o êxito.

 

É igualmente verdade que a arte está, muitas vezes, na formação dos melhores. Tal como sucede com os melhores jogadores, também os melhores alunos têm de ser formados, estimulados.

 

A educação de um aluno é uma acção totalizante, autenticamente holística. Os resultados são, obviamente, imprescindíveis, mas não bastam para aferir a personalidade.

 

Uma certa mentalidade competitiva não será, pois, muito saudável.

 

Não há dúvida de que há muitas capacidades disseminadas pelo país. Fundamental era que não houvesse tanta pressão em torno dos exames.

 

A qualidade tem de ser aferida com horizontes mais vastos.

 

Há alunos com excelentes resultados e que, por vezes, têm dificuldades na expressão escrita. Nem sempre, com efeito, a sobre-avaliação é sinal de sobre-rendimento.

 

Tempos houve em que as escolas com as notas mais baixas eram as mais respeitadas. Eram tidas como as mais exigentes. Regra geral, o aluno, quando mudava de escola, subia nas classificações.

 

Há dias, o reitor de uma universidade lamentava-se porque os alunos, que chegavam com altas notas, tinham tendência para descer bastante.

 

Não defendo o regresso, puro e simples, ao passado. A nota não é propriedade do professor nem do aluno. Ela é serva da verdade, da justiça e da qualidade. Quem merece uma nota distinta deve tê-la.

 

Mais necessário, pois, do que seriar escolas é estimular todos os agentes para que consigam o essencial: formar alunos motivados, pessoas de eleição e cidadãos excelentes.

 

As grandes mentes hão-de fazer brilhar um grande coração. 

publicado por Theosfera às 10:59

De Theosfera a 15 de Outubro de 2010 às 16:02
O problema não está obviamente no seu filho. Está em todo um sistema defenestrado pela pressão e pelo imediato, que não deixa que a ciência seja assimilada como sabedoria.
Aconteceu-me algo similar há cerca de dois anos. Estava a fazer uma oral a um aluno que a outra disciplina tinha tido uma nota excelente. Como àquela a que eu o examinava ele titubeava imenso, optei por fazer-lhe perguntas acerca da outra, em que ele obtivera excelente classificação. Pois continuava a titubear. Fiquei perplexo e meditei imenso.
Estas deviam ser oportunidades para reflectir e, se possível, inflectir.
Obrigado por tudo. Abraço amigo.

De António a 15 de Outubro de 2010 às 22:58
Estimado Padre João António:

Se há desafio que Portugal tem de vencer é o da Educação e Cultura. É um lugar comum mas é verdade.Hoje, decorridos já dezenas de anos sobre o 25 de Abril, o país mantém-se intelectualmente apático. Os 48 anos de regime salazarista e marcelista foram certamente muito responsáveis pelo desincentivo à livre expressão de pensamento. E, em grande parte, devemos à censura institucional,a letargia pensante que se foi instalando em significativas camadas da população portuguesa. Mas já é tempo de pensarmos livremente. De assumirmos a condição de seres racionais como Deus também nos criou.No meu caso pessoal, a grelha de correcção da prova escrita que, genericamente, referenciei, estava inquinada por um erro palmar. E, na instituição pública que o submeteu a exame público, ninguém se deu conta desse erro supino.No pedido de revisão de prova, o erro acabou por ser corrigido,com a revalorização da nota, nos termos que sustentei, mas só depois de ter ido a exame oral, onde o denunciei às individualidades presentes. Na situação respeitante ao meu filho, firmei a convicção, que já pressentira de anteriores abordagens, que o ensino continua assente naquela menoridade intelectual que já era no tempo de Salazar e de Caetano: uma mera repetição memorizada de lições debitadas.O resultado desta ausência de debate aberto e amplo de ideias conduziu-nos à indigência cultural que todos conhecemos. E, nestas mais recentes 8 décadas de apatia, ninguém tem as mãos limpas de responsabilidade. Muito menos Salazar e Caetano...


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