O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 09 de Setembro de 2010

1. Mais um ano lectivo traz consigo um caudal de canseiras e um vendaval de esperança.

 

A educação, que já foi apontada como paixão por um governo, é erigida ao patamar de prioridade por qualquer responsável político. Aliás, já dizia Kant que «o Homem não pode tornar-se Homem senão pela educação».

 

E, no entanto, também neste domínio se sente um desconforto por parte dos mais diversos agentes.

 

É natural que, num mundo em contínua (e acelerada) mudança, também a educação passe por transformações.

 

2. Não há dúvida de que se tem apostado muito nas infra-estruturas e nas tecnologias.

 

As condições logísticas em que, hoje em dia, ocorre o acto de ensinar superam, de longe, as que se verificavam há anos não muito distantes.

 

Há uma maior quantidade de serviços de apoio. Há factores acrescidos de acolhimento e integração.

 

Tudo isto é importante. Tudo isto é necessário. Mas nem tudo isto é suficiente.

 

Há uma grande insistência na preparação de profissionais para o futuro. Urge, porém, que haja uma aposta mais decidida na formação de pessoas, de cidadãos.

 

Os valores não podem ser colocados numa posição inferior à dos conhecimentos. Sem eles, há uma amputação da personalidade que afectará, irremediavelmente, todo o percurso existencial.

 

É claro que a escola não pode ser vista como o único agente da educação. Ela pressupõe uma interacção com outras instituições com a família em lugar de destaque.

 

Dadas, contudo, as circunstâncias, a escola é chamada a exercer um papel liderante e uma missão insubstituível na estruturação da personalidade.

 

 

3. Acontece que a escola tende a replicar, cada vez mais, o que se passa na sociedade. Em vez de ser a alternativa, ela arrisca-se a ser a redundância.

 

Devia ser a sociedade a subir ao nível da escola. Mas é, frequentemente, a escola que desce ao nível da sociedade.

 

Dir-se-á que é inevitável. Cabe-nos, entretanto, apurar se é o mais correcto.

 

Há quem defenda que a escola deve retratar a sociedade. Creio, no entanto, que o fundamental é que a escola ajude a transformar a sociedade.

 

Os casos de violência na escola são um sinal de alerta e um indicador de algum alarme.

 

A recorrência deste fenómeno indicará que o crescimento não consegue evitar uma certa decadência.

 

 

4. A indispensável transformação passará por um renovado enfoque na relação.

 

O Estado tem de revitalizar a missão do professor como formador da pessoa.

 

A carga burocrática, a que se vê submetido, retira-lhe capacidade de iniciativa junto do aluno.

 

Os governos têm um papel importante na coordenação das políticas de educação. Mas seria bom que percebessem que o fundamental na educação não está no governo. Está no professor e no aluno. Em suma, está na escola.

 

Mesmo num país não muito grande como o nosso, não se deveria homogeneizar em excesso o processo educativo.

 

Há muitas variáveis que só quem está no terreno consegue apurar e logra compreender.

 

 

5. Está muito difundida a percepção de que, nos tempos que correm, há muita escolarização e não muita educação.

 

Impõe-se atender a este dado e debruçar-se sobre o que lhe subjaz. Apesar do aumento do tempo escolar, o curto prazo ainda condiciona bastante.

 

Os agentes vêem-se compelidos a pensar no fim do período, no fim do ano. É hora de olhar mais longe.

 

Não chega estudar para o teste. É urgente preparar para a vida. Até porque a vida é o maior teste e a permanente lição.

 

É ela, a vida, que, em último caso, vai aferir o que se recebe na escola.

 

Como adverte Augusto Cury, «o maior papel de um mestre não é educar para o mercado de trabalho, mas para a vida».

 

 

6. Há muita expectativa sobre a escola. Às vezes, também há pressão.

 

Espera-se muito da escola. É normal. Demos tempo à escola. Confiemos na escola. Deixemos respirar a escola.

 

Um feliz ano lectivo.

 

publicado por Theosfera às 15:52

De António a 9 de Setembro de 2010 às 20:59
Escola hoje é sinónimo de circo romano. Sei que a expressão é forte mas usei-a intencionalmente de forma simbólica. À saída da escola ou da universidade, espera o mercado competitivo. Os melhores ainda se poderão safar. Os menos aptos vão para o desemprego. A luta por um lugar ao sol é desenfreada e Portugal, segundo o último census, tem uma população de mais de 85 de católicos. Que andamos a fazer do Cristianismo ? Escolas e universidades como circos romanos ?...

De Anónimo a 10 de Setembro de 2010 às 09:51
Penso que os melhores nem sempre se safam. Safam-se, sim, os mais hábeis, menos aptos, aqueles que têm um nome sonante, provêm de pais famosos, bem colocados na sociedade e na política. Em muitos casos os melhores, filhos de pessoas modestas, sem títulos nobiliárquicos ou perfilhação partidária, têm de emigrar para procurar emprego noutros países. Conheço muitos casos desses. Neste país, quem não estiver inscrito em certos partidos não consegue emprego, porque é ultrapassado por aqueles que têm outras aptidões que não as intelectuais. O nosso país está assim!...

De António a 10 de Setembro de 2010 às 11:56
Em parte é verdade.Mas também é verdade que o acesso a muitas profissões só está reservado aos competitivamente muito aptos ou que consigam digerir toda a informação que lhes é ministrada. As actuais sociedades neo-liberais têm a sua intrínseca lógica avassaladora, quase assente nos postulados do Darwinismo Social. Os empregos são, em termos de acesso concursal, de facto para aqueles que tirem notas de topo.Para os outros não. O mercado dita as suas leis económicas de uma forma inexorável. Não é a economia que está ao serviço do Homem. São as mulheres e os homens que servem de bala para canhão dessa lógica economicista e nada cristã. Mas depois queremos conciliar o inconciliável e haverá sempre João César das Neves para conciliar Deus, Cristo e a dinâmica do liberalismo desenfreado...

De Anónimo a 10 de Setembro de 2010 às 14:46
Infelizmente, insisto, não é bem assim, e certamente sabe tão bem como eu que não estou a fantasiar . Quantos são efectivamente bons e estão a trabalhar além fronteiras, enquanto que outros, que se formaram com um mísero 10 ou pouco mais, são nomeados para assessores de grandes empresas ou de gabinetes ministeriais, etc ., etc ,....?!

De António a 11 de Setembro de 2010 às 13:40
Já disse que é verdade o que diz. Mas, do meu ponto de vista, o cerne da questão não está aí, nos termos que refere, e que são obviamente muito reprováveis. Talvez pensando porque é que nas sociedades das formigas e das abelhas todos os membros têm as suas ocupações e necessidades satisfeitas se possa ver como os humanos são tão primitivos nas suas formas de organização económica e social. As formigas e abelhas não reflectem filosoficamente sobre Deus ? Que importa se nem sequer equacionam conciliar Deus e o Diabo ? Deixemos isso para os arautos do neo-liberalismo económico...

De Anónimo a 10 de Setembro de 2010 às 14:18
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Muita paz no Senhor Jesus

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