O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 05 de Agosto de 2010

1. No caleidoscópio de imagens que povoam este Verão quente, sobressaem as áreas ardidas e os ânimos exaltados.

 

Dir-se-ia que os incêndios devoram não apenas as paisagens e as casas, mas também as regras mais elementares da convivência.

 

A temperatura sobe, por fora e por dentro. O controlo parece impossível. Tudo surge transformado em cinza e reduzido a pó.

 

 

2. O cidadão regista que nem a Igreja prima pela diferença. Também na Igreja, por vezes, a serenidade é baixa e o tom de voz é alto.

 

É sintomático quando existe espanto. Da Igreja sempre se espera algo diferente. Mas é pior quando já nem espanto existe. Grave é quando se acha tudo normal, tudo «humano».

 

Aqui, o espanto transfigura-se em perplexidade. Como é que se invoca o «humano» quando é o humano que se degrada?

 

Não ouvimos dizer que a Igreja é perita em humanidade? Como entender, então, que se apele para o «humano» quando mais se sente a falta de humanidade?

 

 

3. É verdade que a Igreja é composta por homens. Ainda bem. Mas é preciso haver tumultos para que nos capacitemos disso?

 

Que fazemos, no dia-a-dia, para que a vida das comunidades cristãs brilhe (precisamente) pela humanidade?

 

As pessoas procuram, na Igreja, uma alternativa. Não só na mensagem, mas também nos comportamentos, nas atitudes.

 

 

4. Todos temos de estar onde a Igreja precisa, sem dúvida. Mas ela não é apenas um dos seus elementos. Não aprendemos que a Igreja (cuja etimologia significa assembleia) é a totalidade dos seus membros?

 

Nem todas as pretensões podem ser satisfeitas. Certo. Mas será que as diferentes sensibilidades não podem ser mais ouvidas?

 

Não terá de haver maior atenção ao Deus do Povo e ao Povo de Deus?

 

Não é o Mestre que recomenda a quem quer ser o primeiro que se faça servo de todos? (cf. Mt 20, 27).

 

 

5. Temos de ter consciência de que, hoje em dia, as imagens têm um peso maior que as palavras.

 

Quando se vai à procura do que a Igreja diz de si mesma, há quem se fixe mais no que é mostrado do que naquilo que é dito.

 

A resposta, aqui e ali, é desoladora. O que a Igreja mostra, não raramente, é o contrário de si mesma. Ou seja, o desencontro, os gritos, a polícia a ser chamada.

 

Tudo isto é, porventura, redutor. Mas é a realidade que mais vai entrando pelos nossos olhos dentro.

 

Onde está a espiritualidade que as pessoas procuram? Que é feito da paz que as pessoas desejam?

 

 

6. É claro que existe a lei. Mas não existe também o amor? E não deve aquela a ser pilotada por este?

 

Ninguém espera que todos estejam de acordo. Mas não hão-de as divergências ter um outro enquadramento, uma outra elevação?

 

No fundo, que espaço há, na Igreja, para a experiência de Deus?

 

 

7. No meio da tormenta, é importante que não falte a percepção do rumo a seguir e da direcção a tomar.

 

É fácil emitir juízos e apontar culpados. Só que isto é o menos necessário. Fundamental é encontrarmo-nos todos no caminho.

 

 

8. Um servidor tem de estar disponível para chegar e preparado para partir.

 

É claro que a fidelidade é, antes de mais e acima de tudo, para com Cristo. Mas não nos ensinaram que, em cada enviado de Cristo, é o próprio Cristo que está presente?

 

 

9. Por outro lado, não será bonito ver como um pastor está ligado ao seu rebanho?

 

Recorde-se que, nas origens, praticamente nenhum bispo mudava de comunidade.

 

A relação era de tipo conjugal. Cada bispo contraía uma espécie de fidelidade esponsal para com o seu povo. Era-lhe fiel para sempre.

 

Sto. Agostinho, o maior génio do seu tempo, nunca saiu de Hipona.

 

 

10. Dizia um apresentador televisivo que o que vale é que Deus nada tem a ver com esta Igreja.

 

Exagero seguramente. No ar fica a ideia de que esta Igreja nada tem a ver com Deus.

 

Continuo a crer na presença de Deus na Igreja e na presença da Igreja em Deus.

 

Com todos os defeitos que ela tenha, é esta a Igreja que vem de Jesus Cristo.

 

Que ela possa ser a transparência da mansidão do seu Fundador. Em todas as suas palavras. E em cada um dos seus gestos.

 

publicado por Theosfera às 14:20

De António a 5 de Agosto de 2010 às 17:06
Perfeito...

De António Eduardo a 5 de Agosto de 2010 às 20:24
Concordo plenamente.

De Theosfera a 5 de Agosto de 2010 às 22:42
Muito obrigado aos dois. «Ab imo corde». Abraço no Senhor Jesus.


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