O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 09 de Julho de 2010

1. Poucas serão as coisas que nos têm transformado como a net.

 

Tão habituados estamos a ela que já mal nos lembramos de como era a nossa vida antes dela.

 

E, no entanto, não falta quem vaticine o seu fim. Ainda recentemente, Prince Rogers Nelson declarou ao jornal britânico Daily Mail que «a internet está completamente acabada».

 

É tal a panóplia de alterações que a net introduz que a saturação não podia ficar de lado.

 

Com efeito, tudo é diferente desde o aparecimento da net. Nem o acto de pensar lhe escapa.

 

Também aqui o consenso não é fácil. Nicholas Carr acha que estamos menos inteligentes. Já Don Tapscott entende que estamos a ficar cada vez mais inteligentes.

 

 

2. Estudando as implicações da net no cérebro, Nicholas Carr assinala que a nossa capacidade de concentração e de assimilação de informação está seriamente afectada.

 

A quantidade como que devora a qualidade. Muita coisa nos chega, mas muito pouca coisa retemos.

O paradigma que a net inaugura, segundo Carr, é o de um pensamento distraído.

 

Os nossos olhos estão voltados para um texto, mas dificilmente conseguem abstrair-se da parafernália de links que acabamos por abrir.

 

Eles são o suficiente para quebrar o raciocínio e para nos atirarem para os temas mais inúteis ou, então, para nos afogarem na angústia do saber do hipertexto.

 

O cérebro é modificado pela repetição ou pela negligência. A net não estimula, consabidamente, a capacidade reflexiva.

 

Não espanta, por isso, que a zona do cérebro ligada ao pensamento linear e crítico se encontre crescentemente desactivada.

 

Com a net, a nossa preocupação cimeira passou a ser armazenar informação.

 

 

3. Nos antípodas desta visão situa-se Don Tapscott, que considera infundadas muitas das críticas feitas à net.

 

Para ele, «os jovens são mais espertos do que nunca, o QI está ao nível mais alto de sempre».

 

Reconhece, no entanto, que há perigos que não podem ser ignorados como a dependência e a perda da privacidade.

 

Por exemplo, «há pessoas que nunca vão conseguir o emprego dos seus sonhos porque alguém os viu bêbados no facebook ou a dizer algo que não deviam».

 

As pessoas estão a disponibilizar demasiada informação nas redes sociais. Tal informação pode ser, muitas vezes, usada contra as próprias pessoas.

 

 

4. Não admira que, para o bem e para o mal, o acto intelectual esteja a mudar de feição.

 

O livro já não tem a centralidade que tinha. Os interesses também são diferentes.

 

Alberto Manguel entende que «estamos a destruir o valor do acto intelectual».

 

Não diria tanto. Mas que há uma mutação acelerada, disso não tenhamos a menor dúvida.

 

Como reconhece este escritor, hoje em dia, praticamente ninguém fica chocado quando assume passar o tempo entretido com jogos de vídeo ou a pesquisar assuntos de moda. Dantes, «tínhamos vergonha de dizer coisas dessas».

 

 

5. No fundo, estamos a assistir a uma mudança de perfil de cidadania.

 

De certa forma, já não somos cidadãos. Acima de tudo, tornamo-nos consumidores. «É essencial reflectirmos sobre isso porque estamos a perder uma liberdade que define a nossa condição humana».

 

O problema não está tanto na net, mas «na ilusão de possuirmos toda a informação que ela contém. Temos de saber procurá-la, saber se é fiável ou não, saber utilizar as informações que fazemos».

 

A apetência para ler um texto (seja um artigo seja um livro) até ao fim é muito reduzida.

 

 

6. Não podemos descrer, porém.

 

O gosto pela leitura continua presente. Há que, sem desligar da net, não perder de vista a importância do livro.

 

O conhecimento aprendido dos livros tem de ser revalorizado. Não pode ser visto como um anacronismo.

 

publicado por Theosfera às 11:35

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