O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

Um escritor é, quase sempre, visto como um émulo para outro escritor. Mas Miguel Torga bem pode servir de fonte de inspiração para qualificar a trajectória (a)teologal de José Saramago: «Deus. O pesadelo dos meus dias. Tive sempre a coragem de O negar, mas nunca a força de O esquecer».

 

Saramago sempre se assumiu como ateu. No fundo, não deixava de ser crente. Acreditava que Deus não existe. Mas, a seu modo, mantinha uma relação intensa, embora tumultuosa, com o divino.

 

A crença não é um exclusivo da atitude teísta. Ela abrange também (e bastante) a posição ateísta. Mas, apesar de tudo, há pontos de contacto.

 

Zubiri tematizou, abundante e magistralmente, esta questão. A relação com Deus pode fazer-se pela via da afirmação, pela via da negação e até pela via da indiferença.

 

E, nesta diversidade, os pontos de contacto não escasseiam. Miguel de Unamuno percebeu isto muito bem quando rubricou a célebre frase: «Nada nos une tanto como as nossas discordâncias».

 

Dava para ver que o ateísmo de Saramago era particularmente reactivo e assaz virulento. Notava-se que o problema era sobretudo com a Igreja. Deus era, portanto, a vítima das imagens desfocadas e dos discursos obscuros de muitos crentes.

 

Mas já o Vaticano II responsabiliza a debilidade do testemunho e muitos crentes como um dos factores que mais contribui para o alastramento do ateísmo.

 

Por vezes, penso que o ateísmo é o irmão gémeo, embora desavindo, da fé.

 

À superfície. nada os aproxima. Mas, na profundidade, há muito que os vincula.

 

 Deus é, sem dúvida, a questão mais humana. Deve ser também a mais humanizante.

 

Na morte de José Saramago, curvo-me perante a sua memória e a sua obra. Não me revejo em tudo. Mas reconheço um grande fidelidade aos valores que sempre professou.

 

  

publicado por Theosfera às 16:24

De Evágrio Pôntico a 19 de Junho de 2010 às 01:03
Com todo o respeito, Sr. Padre João, não posso concordar com as elogiosas apreciações que faz a Saramago.

O homem era ácido e vingativo. Talvez o Sr. Padre João desconheça um episódio marcante da actividade política do escritor: ajudou a sanear, quando director do DN, no imediato do 25 A, colegas de profissão, só porque não perfilhavam as suas ideias comunistas. Deixou assim, no desemprego, pessoas que eram o único sustento das suas famílias. E isso causou-lhe algum problema de consciência? Claro que não.

Quanto ao prémio Nobel, tem mais que se lhe diga... Sabe-se que foi o lóbi comunista que lhe preparou o prémio. Aliás, de há 20 ou 30 anos a esta parte que o dito prémio não merece a mínima confiança, pois está politizado, e deixou de ter qualquer credibilidade.
A sua sanha contra a Igreja (e o clero?) fica bem expressa nalgumas obras cujos títulos quase todos conhecem, porque a máquina propangadísitica disso se encarregou, embora duvide que muitos ( a não ser os indefectíveis admiradores) as tenham lido de fio a pavio.

Saramago quis discorrer sobre assuntos religiosos sem perceber nada ou quase nada do assunto. Penso que o que o movia não era um honesto interesse intelectual, mas apenas ocasião de zurzir contra os livros sagrados e o próprio Deus. Por isso, não o posso qualificar sequer como ateu. A sua atitude é mais baixa, mais grosseira. A sua última (?) incursão no domínio da profanação do sagrado (o conto ou novela?), "Caim", é um autêntico nojo. Perpassei os olhos por 2 ou 3 folhas, e o que li deu-me vómitos... e vontade de apostrofar o autor, por escrever coisas tão abjectas e miseráveis!
Creio que Saramago ainda terá causado maiores estragos, ao incutir a mentira e a confusão em espíritos débeis que se terão deixado envolver pelas suas ideias perversas.

As suas qualidades de escritor nunca me seduziram. Sou incapaz de ler aqueles amontoados de escrita, sem sintaxe estruturada. Problema meu, de ignorância, decerto.
Nunca percebi por que razão Miguel Torga, Vergílio Ferreira, Agustina Bessa-Luís, Jorge de Sena... foram substituídos, nos programas escolares, por Saramago... Será que as luminárias da Educação se renderam aos encantos da escrita "moderna" do Nobel...?
Enfim, mais um "bluff" que ainda vão transformar em gigante da literatura portuguesa...!

Como católico, peço por Saramago, como por qualquer alma que já deixou este mundo: que Deus lhe perdoe os pecados que cometeu e, na Sua infinita misericórdia, lhe dê o eterno descanso.








De Nova Evangelização Católica a 19 de Junho de 2010 às 23:23

Caro Amigo Evágrio Pôntico:

Subscrevo inteiramente este seu curial e relevante comentário, assim como os demais em geral que felizmente costuma publicar, contra os ventos e marés relativistas, dissidentes e heréticos.
Admiro assim as suas exemplares rectidão e coragem cristãs e católicas, ao contrário, lamentavelmente, do que acontece com muitos clérigos e religiosos, não obstante as suas/deles 'total consagração' a Deus, a 'promessa de fidelidade' ao Santo Padre, os seus 'votos religiosos', etc., transgressões e incumprimentos esses que, por isto mesmo, agravam imensamente esses seus pecados e infidelidades, sobretudo quanto ao terrível escândalo e descrédito que provocam.

Sei que também ainda tenho, infelizmente, muitos defeitos e limitações, não sendo assim um bom exemplo para ninguém, mas graças a Deus que tento corrigi-los o mais que posso, embora com grandes sacrifícios e privações, como é da minha estrita obrigação.
Talvez por este meu esforço normal e obrigatório ser cada vez maior ou mais exigente (suponho eu, graças a Deus), ou pelo menos cada vez menos imperfeito, menos pecaminoso, aliás como Deus exige de todos nós, sobretudo dos Bispos, Presbíteros e Irmãos consagrados, custa-me deveras saber que muitos ou alguns destes (consoante os casos) são mais ou menos dissidentes, rebeldes, e até mesmo, por vezes, sacrílegos...

Que Deus e a Virgem Maria tenham compaixão de todos nós, até porque ninguém (a começar por mim) está livre de ser mau cristão, péssimo católico, traidor ou escandaloso, como tragicamente já tantos há, o que cada vez desacredita e afunda mais a nossa Santa Igreja, embora o Senhor Jesus tenha prometido a Sua contínua assistência e que «as portas do Inferno jamais prevaleceriam contra ela».
No entanto e entretanto, como aliás revelou Nossa Senhora de Fátima (para além de inúmeras outras revelações semelhantes reconhecidas pela Igreja), muitas almas pecadores condenam-se eternamente «por não terem quem reze e se sacrifique por elas»...; pelo que, assim mesmo, todos nós somos de certo modo responsáveis por tais auto-condenações, dado que fazemos todos parte do Corpo Místico de Cristo, ou pelo menos de Deus Criador.

Quanto ao José Saramago, assim como a tantos outros ateus obstinados e pecadores públicos, apenas limito-me a fazer, no mínimo, uma sincera oração pela sua eterna salvação, em atenção aos infinitos Méritos e à imensa Misericórdia - para além da Divina Justiça, claro - de Cristo Nosso Senhor e Salvador.

Queira aceitar os meus melhores e respeitosos cumprimentos, fraternal e reconhecidamente, em Jesus e Maria.
José Mariano


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