O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 08 de Maio de 2010

Desde há muito que penso que um dos melhores colunistas do país escreve num (quase) escondido suplemento de um semanário.

 

Não sei se José Manuel dos Santos é muito ou pouco lido. Mas merece ser apreciado. Pelo conteúdo, sempre pertinente. E pela forma, bastante elegante e, não raras vezes, sublime.

 

O texto de hoje assume traços cortantes de pertinência. «Aquilo que mais assusta nestes dias em que tudo corre mal é o rio de lugares-comuns e frases feitas».

 

Mas o enquadramento dá, desde logo, que meditar: «Os deuses, cruéis quando não são ausentes, nisto foram bondosos para os homens. Deram aos que têm génio o conhecimento de o terem, mas privaram os medíocres da consciência da sua mediocridade. Por isso os ouvimos dizer tudo o que os mostra nulos e vazios, como se estivessem a dar a solução para o problema e o remédio para o mal. Afinal, no ser isto assim, talvez esteja a prova mais cruel da crueldade dos deuses: recusam a estes cegos a escuridão que lhes revelaria a cegueira, trocando-a por uma luz falsa que lhes falseia os próprios olhos».

 

Sucede que que esta mediocridade tende a ocupar o espaço todo e a anular a presença de quem quer que seja.

 

Só a mediocridade consegue o pavoroso prodígio de se deslumbrar consigo mesma.

 

A mediocridade não sabe que é medíocre e não suporta que alguém a avise.

 

Daí o panorama desolador que o articulista não se exime de descrever: «Não há uma ideia a que se possa dar esse nome. Não há uma análise a que se junte uma descoberta. Tudo é repetição e resto. Tudo se escuta, nada se retém, senão o tédio de ter escutado aquilo que não adianta nem atrasa. Tudo o que levou ao desastre continua igual ao que era. Enquanto prossegue o espectáculo da avidez que mata a galinha e do impudor que a quer continuar a pôr ovos de ouro, ensaiamos um marcar-passo que, dando-nos a sensação de movimento, não é marcha nem avanço. Esta é a hora dos fantasmas: assistimos ao desfile dos mesmos rostos mortos, num filme que acelera a sua passagem, tentando, em vão, dar-lhes um simulacro de vida».

 

Talvez a conclusão seja demasiado contundente. Mas alguém negará que estamos diante de uma leitura coada de suprema acutilância?

publicado por Theosfera às 11:55

De António a 8 de Maio de 2010 às 14:11
O discurso de José Manuel dos Santos, que entendo e genericamente subscrevo tem um lado perigoso: a falta de contextualização do que ele pretenderá dizer.As ideias podem ser repetitivas e justas,ou não. Quando aqui invocamos Cristo estamos muitas vezes a repeti-LO. Isso é bom ou mau ? O mal está na ausência de debate democrático. Se a Igreja Católica sustenta que Fátima não é mistério de fé, qualquer católico é " livre" de contestar. Mas, se contesta, corre o risco de ser insultado por aqueles que entendem que, apesar de não ser dogma de fé, não se discute. Hoje, o sofismo eclesial tem práticas muito refinadas de dizer, ao mesmo tempo, que algo pode ser discutido, mas não pode..Ou seja: Fátima pode não ser reconhecida pelos católicos mas ai daqueles que não reconhecerem na Senhora de Fátima Maria de Nazaré...


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