O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

Há quem, nos Estados Unidos, queira processar o Papa por causa da pedofilia na Igreja.

 

Com todo o respeito, este é o género de notícia a que nem vale a pena dispensar grande atenção. Sobretudo porque desfoca totalmente o problema.

 

No fundo, equivale a tomar por adversário quem é aliado.

 

A pedofilia é crime. Tem de ser tratada como tal. Quem a pratica deverá assumir as respectivas consequências.

 

No que concerne ao encobrimento, o Cardeal Joseph Ratzinger e o actual Papa Bento XVI figuram entre as pessoas que mais fizeram para que nada se ocultasse.

 

Há que fazer justiça. Em nome da verdade.

 

Sobra, entretanto, um enorme trabalho pela frente: a nível retrospectivo e no plano prospectivo.

 

Não bastam, como é óbvio, medidas punitivas, já previstas aliás.

 

É importante que se reflicta sobre um aspecto que vai avultando por entre os meandros miasmáticos de toda esta tormenta: porque é que a sexualidade é, tão frequentemente, remetida para a esfera de uma clandestinidade prolongada, asquerosa e violenta?

 

Porque é que, em muitos casos, se torna tão difícil viver o celibato de modo equilibrado e feliz?

 

O que levará a que se abuse de uma criança?

 

Será tudo uma mera questão de distúrbios pessoais? Mas como entender que eles sejam tantos?

 

Que fazer para tudo isto seja, o mais possível, evitado?

publicado por Theosfera às 10:42

De António a 23 de Abril de 2010 às 12:42
A pedofilia é uma obsessão sexual compulsiva. Uma doença,como tal referenciada por muitos especialistas da área da saúde mental. E o crime de pedofilia não existe, estimado Padre João António, mas sim o do abuso sexual de menores.O pedófilo é quem tem orientação sexual por crianças pré - púberes e não consegue dominar esses impulsos.Mas ,se não cometer o acto, não comete nenhum abuso sexual, apesar da sua pedofilia. Abusos sexuais de menores são cometidos por todo o género de orientação sexual e não apenas por pedófilos. Porque é que a sexualidade é uma força tão poderosa ? Porque a vida foi criada por Deus e nós não temos que nos substituir à Obra da Sua Criação. Nem devemos diabolizar o que só pode vir de Deus. A sexualidade humana é tão sagrada como a castidade.Se não houvesse sexualidade humana, nós não existíamos. A questão é saber se o celibato sacerdotal deve ser imposto ao sacerdócio ou se uma mera opção de quem se sinta em condições de escrupulosamente a observar.Mas o escândalo sexual que está a abalar a Igreja Católica existiu mesmo ? É que o Cardeal Sodano disse publicamente, na presença de Bento XVI, que tudo não passava de " mexericos" ...

De Theosfera a 23 de Abril de 2010 às 16:38
Obrigado, bom Amigo, pela precisão. Mas como calcula, o sentido técnico de pedofilia foi absorvido pelo sentido comum. Para a generalidade das pessoas (incluindo os comentadores), pedofilia envolve não apenas a obsessão compulsiva por crianças, mas também o respectivo abuso.

Aliás, em tempos também escrevi que, etimologicamente, seria mais correcto dizer «pederastia» do que «pedofilia», já que esta significa amor pela criança. E uma obsessão compulsiva dificilmente será assimilável ao amor.

Na verdade, as palavras são de uma elasticidade que nos desconcertam.

Muito obrigado, uma vez mais.

Abraço amigo no Senhor Jesus.

De Maria da Paz a 24 de Abril de 2010 às 01:34
Ex.mo Senhor:
Acredito que neste assunto tão melindroso e tão repugnante haja "mexericos"; mas acredito firmemente, também, e com muita mágoa, que sejam verdadeiros muitos dos crimes que têm sido noticiados. (E, decerto, outros haverá que nem foram e nem serão denunciados.) Por padres (indignos deste título e do sacramento da Ordem); por leigos de todas as condições sociais, celibatários ou (o mais comum) casados.
« A sexualidade humana é tão sagrada como a castidade.» O problema é mesmo o facto de alguns seres humanos "diabolizarem" (para usar a palavra de V. Ex.ª.) a sexualidade que Deus projectou para ser uma expressão sublime do Amor autêntico: exercida com afecto, com todo o respeito entre Homem e Mulher e com muita responsabilidade. De Um para com o Outro: de ambos para com os Filhos: em perspectiva, já concebidos, ou já nascidos. Como V. Ex.ª diz, a sexualidade, assim vivida, é sagrada; e eu acrescento que é casta, límpida fonte da Vida, querida e abençoada por Deus.
Os homens é que perverteram tudo. Precisamos de muita formação humana, de uma educação cuidada para cada criança, cada adolescente, cada jovem. Que, hoje, quase não existe. Fruto da demissão dos Pais e da "trapalhada" e aldrabice do Sistema Educativo que nos impuseram.

Quanto ao celibato sacerdotal (que nada tem a ver com os casos de pedofilia), é, na minha opinião, uma atitude de opção em toda a liberdade. O jovem (já com 25 anos, no mínimo, creio), que não se sinta com capacidade para viver o celibato como uma oferenda a Deus e aos Irmãos, tem a liberdade, o direito e, sobretudo, o dever de se recusar a receber o sacramento da Ordem. Além do mais, a Igreja, na sua solicitude maternal, permite a dispensa dos votos eclesiásticos aos Sacerdotes que, num determinado momento, queiram deixar o sacerdócio, optando pelo sacramento do Matrimónio. A liberdade humana não é, de modo nenhum, ferida.

Penso que o celibato sacerdotal é um dom e uma riqueza da Igreja. Como sabemos, "Padre" significa "Pai" - Pai espiritual, decerto, mas também com preocupações materiais em relação aos "Filhos" - através da Caridade exercida junto dos mais desfavorecidos - a nível material e espiritual.
Todos os Sacerdotes (só estou a falar daqueles que são mesmo bons) precisam de muito tempo de oração contemplativa, de meditação, de intimidade com Deus. Precisam de tempo e de disponibilidade para os Filhos de Deus que lhes estão confiados. Na Eucaristia, no confessionário e fora dele, no zelo pela conversão de todos e de cada um, na evangelização contínua e no exercício ena promoção da Caridade. Como conciliar tudo isto com o Matrimónio? Como conciliar tudo isto com a responsabilidade para com uma mulher e os filhos, com tudo o que isso implica? Tudo.

Não me imagino "filha (de sangue) de um Padre". Afinal, o meu "pai" ocupar-se-ia de mim, de mesu irmãos e de minha mãe, ou de um "rebanho" de filhos?
E agora falo da minha experiência de vida ( que é a de todos os filhos relativamente a seus Pais): meu querido Pai punha as Filhas e a Mulher no centro das suas preocupações. De ordem material e de ordem espiritual: desde a alimentação e o vestuário, até à educação rigorosa que nos deu - que passou por um acompanhamento desvelado, que lhe deu muitas (e às vezes fortes) "dores de cabeça" e uma entrega inteira. Sem, contudo, descurar as mais variadas e copiosas obras de Caridade para com os Irmãos.
E todo o bom Pai é um Sacerdote da sua "igreja doméstica". A Mãe (penso), ocupa (modestamente, embora) o lugar de Nossa Senhora.

O Sacerdócio não é uma "profissão", mas uma "Missão".

Ser Pai de família, implica uma profissão remunerada ou a existência de proventos que possam fazer face às inúmeras necessidades de um grupo restrito e especial de pessoas. O que não exclui a Caridade, a solicitude, para com o Próximo - mas de um modo diferente do Sacerdote. O que não exclui a oração e a intimidade com Deus - mas de modo diferente do Sacerdote. Ser um bom Pai é ser Santo - mas não Sacerdote.
Esta a minha modesta opinião. Queira V. Ex.ª rebater os meus argumentos, se assim o entender.
Os meus respeitosos cumprimentos.
Maria da Paz

De António a 25 de Abril de 2010 às 13:29
Estimada Maria Paz:

Pessoalmente, não vejo nenhum obstáculo teológico a que padres sejam casados. Simão Pedro era casado e tinha um filho e nem por isso deixou de ser um digno Apóstolo de Cristo.É certo que o sacerdócio é uma especial missão que só deve ser exercida por quem sinta e possa cumprir essa vocação. Mas hoje a questão já está ultrapassada no seio da própria Igreja Católica e,curiosamente,por iniciativa do Papa Bento XVI. Com efeito,com a aceitação da conversão de padres anglicanos à Igreja Católica, se a estimada Maria da Paz for assistir a uma homilia numa igreja da ICAR, em Inglaterra, muito provavelmente poderá assistir à sua celebração por um padre casado, com a respectiva mulher e filhos participando nesse acto religioso.Poderá confirmar nas referências que abaixo deixo inseridas.Se essa situação excepcional já é permitida na ICAR, porque razão da mesma deverão estar afastados os padres de formação sacerdotal católica ? Compreende e aceita esta absurda discrepância ? Os meus cordiais cumprimentos.

http://www.padrescasados.org/?p=286

http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=75905

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/vaticano-vai-aceitar-conversao-padres-anglicanos-casados-507034.shtml

De Maria da Paz a 1 de Maio de 2010 às 20:40
Ex.mo Senhor:
Peço desculpa do atraso desta minha resposta, motivada por razões de saúde;nada de grave.
Também, no problema que temos vindo a abordar, me parece não haver uma razão "teológica" para o celibato dos Padres. Há, contudo, uma razão disciplinar da Igreja. E apesar de todos os erros que tem cometido (porque é também humana e não apenas divina), a Igreja foi fundada por Cristo e é por Ele conduzida. Os erros são por conta dos desvios e infidelidades dos homens. Lemos em Mt.16-16: «Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu: 'Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.'
Jesus disse-lhe em resposta:'És feliz, Simão, (...), porque não foi não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu. Também Eu te digo: 'Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligardes na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu.»
Assim entendeu a Igreja a implementação do celibato dos Sacerdotes, pelas razões que sabemos e, no caso de um Sacerdote querer casar, pode fazê-lo, tomando para si uma nova Missão. Que é sagrada e altamente absorvente, com todos encargos inerentes.
No tocante aos Padres Anglicanos convertidos, penso que o problema se põe de modo diverso: não se afastaram das directrizes da Igreja: vêm a Ela - com a vida que têm. Não podem (nem devem) largar Mulher e Filhos. Não creio que lhes seja suave ou fácil conciliar as duas missões: a de Sacerdote e a de "pater familias"...
É curioso que tenho encontrado mais leigos preocupados com o celibato ou não celibato dos Sacerdotes, do que os próprios Sacerdotes.
Resumindo: penso que "se casarmos" os Padres, vamos metê-los em grandes e graves complicações; em verdadeiros "sarilhos" que os impedirão de se realizarem em plenitude.
Ex.mo Senhor: creia na humildade com que exponho a minha opinião que é expendida com toda a minha sinceridade.
Apresento os meus cordiais cumprimentos.
Maria da Paz

De António a 3 de Maio de 2010 às 17:49
Estimada Maria da Paz:

Bem haja por este fraternal diálogo, certamente estribado em perspectivas diferentes, mas ambas certamente fundadas em rectos e recíprocos propósitos.Cordiais cumprimentos.

De Maria da Paz a 4 de Maio de 2010 às 01:25
Ex.mo Senhor:
Muito obrigada pela gentileza. E, passo a citar, de cor, uma frase que o Rev.mo Senhor Doutor João António, Autor insigne deste "blog" magnífico, tem usado algumas vezes: «Nada nos aproxima tanto como as nossas diferenças».
Os meus cordiais cumprimentos.
Maria Irene

De Maria da Paz a 24 de Abril de 2010 às 01:40
Rev.mo Senhor Doutor:
Muito bem-haja por estas suas palavras de meridiana clareza que são um "farol": iluminam, esclarecem, edificam.
São palavras de Justiça: a defesa de um Inocente.
Afectuosamente,
Maria da Paz


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