O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 21 de Abril de 2010

Jesus nunca vacilou mesmo no limite da Sua reputação e da Sua coerência.

 

Ele, que tanto rezou pela unidade da Igreja, não teve medo de vaticinar divisões. Ou seja, a unidade só faz sentido se for assente n’Ele. Mais vale, portanto, a divisão por causa d’Ele do que a unidade sem Ele ou contra Ele.

 

Para nossa surpresa (e quase para nosso escândalo), Ele chega a dizer que não veio trazer a paz, mas a separação (cf. Lc 12, 51-53).

 

Christian Duquoc, num registo igualmente provocatório, assinala que «a divisão não se opõe, inevitavelmente, à comunhão».

 

Às vezes, o que nos parece comunhão pode não passar de um minimalismo agregador de interesses que, no limite, conflituam com a verdade.

publicado por Theosfera às 10:18

De António a 21 de Abril de 2010 às 13:18
Cristo, quando falou em eclésia, não estava a referir-se à institucionalização de qualquer igreja. Mas ao conjunto de cristãos que seguiam a Sua Doutrina. Os homens é que se arvoraram em edificadores de instituições que, alegadamente, O representariam melhor do que outras. E, ao longo da História, o que temos visto é, nos mais diversos sectores religiosos, exacerbadas soberba e intolerância. As diversas igrejas passaram a competir pela absurda demonstração de que era aqui e não ali que o Cristianismo melhor estaria representado. Mas Cristo disse que, onde estivessem dois ou três congregados em Seu Nome, aí Ele estaria Presente. A única porta da salvação é, como sempre foi, o Amor. Todos somos filhos de Deus, independentemente de sermos ou não baptizados, com todo o respeito por quem assim não pensa. Agostinho da Silva dizia que era estulta a pretensão de proselitismo, porque iremos sempre pensar de forma distinta. O " relativismo" é a expressão absoluta da liberdade de pensar. Nenhuma prédica, nenhuma ideia, de propósitos universalistas, irá, alguma vez, postergar essa íntima liberdade de consciência. A comunhão faz-se na fraterna congregação com o que une as divergências e não com o que abafa as diferenças. A divisão, não só não se opõe à comunhão, como esta só será verdadeiramente cristã se for assente, não no proselitismo absolutista, mas na união fraternal. Permito-me citar, a este propósito, as eloquentes palavras da pessoa maravilhosa que foi Chico Xavier: “Se Allan Kardec tivesse escrito que "fora do Espiritismo não há salvação'", eu teria ido por outro caminho. Graças a Deus ele escreveu 'Fora da Caridade', ou seja, fora do Amor não há salvação...”

De Mª Amélia a 21 de Abril de 2010 às 14:23
Meu caro irmão António!
Deixe-me que lhe diga que o seu discurso é o típico argumento, por sinal, já muito desgastado, do protestantismo que costuma dizer assim: "placa de igreja não salva ninguém"...

Claro que eles referem-se à "igreja" de paredes e não ao Corpo Místico de Jesus Cristo, escrito, obviamente com maiúscula "IGREJA"!
De certa forma eles, protestantes até têm razão: De facto a "igreja" deles não salva mesmo!...

Ora o membro que estiver separado do Corpo seca...morre...mirra! A Igreja foi entregue aos Apóstolos...não sei porque é que as pessoas sempre duvidam disso?!

Cordialmente, em Cristo!
Mª Amélia!

De António a 21 de Abril de 2010 às 16:47
Estimada Maria Amélia:

É certamente livre de pensar como entender. Respeito a sua opinião, mas, como sabe, não sou católico, não me revejo na maior parte dos dogmas católicos, que considero construções teológicas forçadas e ficcionadas. Por isso divirjo. Tal como Hans Kung, também não aceito o dogma da infalibilidade papal.Com todo o respeito, das correntes teológicas e doutrinárias sobre a interpretação do Evangelho, penso que é o Catolicismo que mais se afasta da sua correcta interpretação. Poderia dar uma série vasta de exemplos e, se quiser debater comigo estas questões, de forma fraternal e amiga, fá-lo-ei com todo o gosto. Desejo deixar mais uma vez claro que, na ICAR, como em todas as Igrejas de Cristo, nada me afasta humanamente das pessoas de Bem. Há-as em todas as correntes de pensamento, sejam crentes, ateias ou agnósticas. Divergirmos ideologicamente não significa mais do que isso. Em muitos pontos concordo com a visão protestante, embora considere Martinho Lutero uma personagem tenebrosa pela perseguição que moveu aos judeus. Mas João Crisóstomo e muitos mais fizeram o mesmo na ICAR. No Espiritismo, identifico-me com a validade da teoria da reencarnação, da multiplicidade das existências, e da eternidade da alma. Nada que se afaste sequer de muitas passagens bíblicas e de muitos elementos associados à ICAR, como, por exemplo, Agostinho de Hipona. Cristo, o fundador do Cristianismo, não instituiu a Igreja Católica Apostólica Romana e nunca foi católico. O Catolicismo é apenas o produto de uma visão respeitável, mas não exclusiva, como muitos méritos e deméritos incorporados, com muita Santidade, mas também muitos crimes hediondos. Entre S. Francisco de Assis e o Papa Inocêncio III todo um mundo de bondade e maldade os separava. As pessoas duvidam do que muito bem entendem. A isso se chama liberdade de expressão de pensamento. Fora do Amor não há salvação. Abraço amigo.

De António a 21 de Abril de 2010 às 20:24
Estimada Maria Amélia:

Na sequência da minha resposta e já depois de a ter inserido, tive acesso a este vídeo sobre o posicionamento do bispo católico Richard Williamson, cujas posições teológicas são conhecidas e que obviamente respeito, embora discorde. O que me choca nesse vídeo é arrogância e o tom chocarrreiro que perpassa dessa intervenção, mormente quando escarnece daqueles que sentem Deus pela imediação do Sentimento Religioso. São atitudes destas, e já nem sequer falo das mais escandalosamente pedófilas, que contribuem para que a Igreja Católica se vá esvaziando de crentes.Se este rumo permanecer, já esteve mais longe o dia em que, na ICAR, existirá uma Igreja de sacerdotes mas sem fiéis a quem pregar.Abraço amigo.

http://www.youtube.com/watch?v=n3tzpBxR23o

De Mª Amélia a 22 de Abril de 2010 às 12:27
Meu querido irmão
Veja...não quero tecer comentários ao vídeo...

Apenas...vou referir o que entendo por "Sentimento Religioso"...porque considero importante:

O que acontece...por vezes é que muitas pessoas pensam que a Fé é um sentimento...e não é! A Fé é uma adesão profunda a Jesus Cristo...a convicção clara de que ELE é o Nosso Salvador...e aceitá-Lo, como tal! A Fé é ter a certeza de que Jesus é Verdadeiramente Deus e Verdadeiramente Homem...Quer eu O sinta ou não!

Posso, até estar durante muito tempo, sob uma "aridez" de espírito, no qual me parece que Jesus se afastou...me abandonou....e continuo com a mesma Fé...com a mesma convicção!

Jesus é o Caminho a Verdade e a Vida...e se eu, creio, efectivamente nisto...vou procurá-Lo sempre, independentemente de O sentir ou não! Pelo contrário...a referida aridez vai fazer com que eu tenha, ainda mais "sede" d'Ele!

Por vezes é complicado...porque, em nossos dias...ter uma visão mais clara da Fé...é considerado...por muitos...fundamentalismo ou fanatismo religioso...

Condialmente, em Cristo!
Mª Amélia!

De António a 22 de Abril de 2010 às 16:16
Estimada Maria Amélia

Gosto imenso da sua afabilidade de trato, mas estamos em total discordância. Temos visões teológicas completamente distintas,e , no entanto, respeitamo-nos recíproca e fraternalmente.Para mim, tenho totalmente consolidado este entendimento: não há Deus mais certo do que Aquele que nos fala ao coração. E fora do Amor não há salvação. É Tudo e tanto é. Abraço amigo.

De Mª Amélia a 22 de Abril de 2010 às 23:55
Muito obrigada, querido irmão pela sua amabilidade e respeito! Realmente, a educação cabe em todo o lugar e o amor pelo próximo, tb!
Se existe algo que sempre me preocupou foi a Salvação de todos...pois acredite que, (parafraseando alguém...) "a minha maior tentação é o silêncio"

Então peço, apenas que tente ler o seguinte artigo:
http://www.veritatis.com.br/apologetica/solascriptura/518-a-necessidade-do-magisterio-e-da-tradicao-da-igreja

Reitero os meus agradecimentos!
Cordialmente, em Cristo!
Mª Amélia

De António a 23 de Abril de 2010 às 13:35
Estimada Maria Amélia:

Sei que é uma pessoa de Bem. E muito grato pela gentil referência apologética que me sugeriu e que, com o maior interesse li. Mas mantenho firme as minhas convicções. O Deus em que acredito não condena nenhum dos Seus filhos a um Inferno eterno.Peço-lhe também que faça este exercício simples: pense na pessoa mais bondosa que conhece. Depois imagine Deus como o Ser Mais Infinitamente Bondoso de todos nós. Depois pergunte-se se esse Deus seria capaz de permitir que algum dos Seus filhos se auto condenasse por toda a Eternidade a um braseiro físico de chamas ardentes. Se achar que seria, não temos a mesma concepção de Deus.E nenhuma apologética contrariaria o Deus que me fala ao coração.abraço amigo.

De Mª Amélia a 23 de Abril de 2010 às 15:00
Meu muito querido irmão!
Por saber que o António, tb é uma pessoa de bem e que toma a sério o Evangelho é que eu, ainda lhe respondo o que não costumo fazer, com toda a gente...porque muitas vezes...sabemos que não adianta falar para "surdos"

Nem preciso de fazer esse exercício...basta pensar no meu filho e ter a certeza de que sempre o perdoaria...fosse qual fosse o seu suposto "pecado", mesmo respeitando as suas opções...Eu faria tudo, o que estivesse ao meu alcance para o salvar, nem que, para isso eu tivesse que dar a minha vida...

Agora imagine, tb que um filho seu tomasse a liberdade de se auto condenar de fazer algo muito grave a, menos que o atasse com uma corda e que o impedisse de o fazer! Provavelmente iria chorar com grande amargura mas teria de o deixar livre...

Lógico que Deus é imensamente superior a nós, em tudo: Sabedoria, Bondade, Amor, Verdade, Omnipotência, Misericórdia...! É aqui que reside a minha enorme Esperança...pois sei que lá no fundo da minha alma limitada, sempre esteve presente uma chama que vai crescendo e me diz que, no final...todos se salvarão!

Com as nossas orações e, pela Infinita Misericórdia do Senhor, chamar-nos-á, a todos como fez com Saulo...nem que, para isso tenhamos que "cair do cavalo"

Acredito, sim que, a Deus tudo é possível...muito embora o próprio Jesus tenha dito, no Evangelho, aos fariseus que, os pecados contra o Espírito Santo não terão perdão!

Então...é preferível dizer a toda a gente que é melhor prevenir que remediar...e não fazer pouco caso da nossa alma...Porque quem não vai a Jesus por amor terá de ir por temor! Claro que, ao evangelizar precisamos de mostrar que sempre é muito melhor, o amor incondicional!

Agora eu faço uma pergunta? E para quem não quiser acreditar?!...

Não é fácil reflectir sobre estes assuntos...Oremos por todos nós, pecadores!...

Cordialmente, em Cristo!
Mª Amélia!

De António a 23 de Abril de 2010 às 17:43
Estimada Maria Amélia

Também sei que jamais iremos estar de acordo quanto à nossa divergência teológica, mas nunca considero que conversar com alguém fraternalmente seja tempo perdido. A conversa fraternal tem sempre um ganho: o da própria Fraternidade. " Surdos" somos todos, que ainda somos imperfeitos. Ninguém se pode arrogar ter a Verdade Absoluta. Porque só Deus é a Verdade Absoluta. Jesus falava por metáforas, algumas delas destacaram - se pela veemência do seu discurso. A minha querida e bondosa mulher, que é ateia, confessou-se me cristã, porque, embora não reconhecendo a Divindade de Cristo, reconhece a grandeza ética da Sua Doutrina. E, às vezes, dizia-me: " acho que aqui Cristo foi muito duro..."( eu olhava para ela, não dizia nada, mas , lá no fundo, concordava: “ também acho”). Referia-se a minha querida mulher a certas passagens do Evangelho onde a contundência de Cristo é evidente. Mas Jesus também era plenamente humano e certamente teria o Seu próprio temperamento. Cristo foi o Homem que apregoou o eterno perdão, como sabe. Quantas vezes devemos, perdoar, aí umas 7 ou 70X7 ? Se eu tomasse à letra certas passagens do Novo Testamento, em que essa contundência aparece transcrita, não reconheceria a Divindade de Cristo. Conhece certamente aquela passagem em que Ele foi severíssimo contra quem abusasse de crianças. " Que mais valeria que lhes pusessem uma mó de moinho ao pescoço e os deitassem ao fundo do mar". Agora, diga-me: que se deve fazer aos padres abusadores sexuais ? Colocar-lhes múltiplas pedras ao pescoço e deitá-los ao fundo do mar ou perdoar-lhes?...

De Mª Amélia a 21 de Abril de 2010 às 14:33
Rv.mo Sr. Padre João António
Concordo com o seu texto, em género, número e grau! É isso exactamente...às vezes ou, quase sempre... mais vale a divisão e optar pela VERDADE!

O Papa Bento XVI tem deixado, precisamente...bem claro que a Caridade...só é, realmente "Caridade", na "Verdade"! Uma não existe sem a outra!...Ora a Verdade de Jesus será sempre imutável!
Cordialmente em Cristo!
Mª Amélia!


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