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Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

1. Em horas difíceis, como são as que estamos a viver, é fundamental que não desperdicemos duas atitudes fundamentais: humildade e coragem.

 

Precisamos, antes de mais, de humildade para reconhecer a debilidade da nossa natureza e a fragilidade dos nossos percursos.

 

A humildade, de resto, nada retira à grandeza. Já dizia Séneca, na antiguidade, que «um homem grande, mesmo quando cai, continua a ser grande ».

 

Mais próximo de nós, Rabindranath Tagore avisava com profunda sapiência: «Quanto maiores somos em humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza».

 

E  Emanuel Lévinas advertiu-nos com enorme pertinência: «Mais alta que a grandeza é a humildade».

 

2. A vida ensina-nos que nem sempre há humildade na grandeza. Mas ela mostra-nos também que há sempre grandeza na humildade.

 

É que a humildade, irmã gémea da verdade, faz-nos ver o que somos, sem artifícios nem rebuscamentos.

 

Ela é, pois, aliada da transparência. Faz parte do edifício que alicerça uma conduta pautada pela autenticidade.

 

Jesus, quando aponta para o Seu ensinamento, não esquece a humildade, fazendo-a acompanhar da mansidão. «Aprendi de Mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29).

 

É sabido que Nietzsche não gostou deste perfil. Achava que se tratava da base de uma moral de fracos. Optou por uma deslumbramento próximo da arrogância.

 

Mas, infelizmente, não é só Nietzsche que tem dificuldade em deixar-se acolher pelo manto da humildade. As resistências proliferam igualmente entre os discípulos do próprio Jesus.

 

3. Nos últimos dias, voltamos a ouvir de falar de ataques contra a Igreja.

 

E não há dúvida de que fortes ataques têm sido desferidos. Não, porém, a partir de fora.

 

Mesmo que haja algum ataque a partir de fora, ele não se compara à gravidade dos ataques que a Igreja tem sofrido a partir de dentro.

 

Estes é que são os ataques mais hostis, mais prejudiciais e com efeitos mais devastadores.

 

Não são as notícias sobre determinados factos que maculam a Igreja de Cristo. São os factos que estão na origem das notícias que a infectam.

 

São eles que ofuscam o brilho da luz que lhe vem de Cristo. De fora vêm as interpelações. Mas é de dentro que estão a vir os maiores obstáculos.

 

Aliás, o próprio Papa é o primeiro a reconhecer o seu pesar e a não ocultar sequer a sua vergonha por aquilo que se tem passado.

 

Nunca é demais recordar, por outro lado, que, pouco tempo antes de ser eleito, Bento XVI denunciou com inusitado vigor: «Quanta porcaria existe na Igreja! A Igreja parece uma barca que mete água por todos os lados. As vestes e os rostos da Igreja estão sujos. E somos nós mesmos a sujá-los».

 

Não são os outros.

 

4. É claro que, como já Henri de Lubac notava, «a Igreja não é uma academia de sábios, nem um cenáculo de intelectuais sublimes, nem uma assembleia de super-homens».

 

Por isso mesmo, ela tem de ser humilde, de aceitar os seus erros e, sobretudo, de não pactuar com a desumanidade.

 

Ninguém é forte por negar a fraqueza. Como escreve Tommy Hellsten, «a humildade é a força que não nega a fraqueza».

 

Mais. Se pensarmos bem, «a verdadeira força nasce da fraqueza, pois exige uma confissão de fraqueza».

 

Daí que «a verdadeira força seja a humildade, que consiste em enfrentar a nossa fraqueza». Por aqui se vê como a humildade mora tão perto da coragem.

 

Há muitas lições que o fracasso encerra. A primeira é, sem dúvida, não encobrir a realidade por muito dolorosa que seja.

 

A segunda é ter mais cuidado no carácter, na rectidão. É certo que a vida nem sempre se apresenta em linha recta. Mas será que ela tem de ter tantas curvas?

 

Como é possível pregar uma coisa aos outros e passar o tempo a negá-la com tamanha descontracção?

 

A comunicação social exagera nas informações? Talvez.

 

Mas o pior mal não está no que aparece escrito. O pior mal está no que acontece.

 

É a realidade (e não a sua notícia) que dói…

publicado por Theosfera às 11:54

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