O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 15 de Abril de 2010

O momento fundador e o alicerce fundante da Igreja e da sua missão no mundo é o mistério pascal.

 

É nesta base bipolar que o serviço eclesial exibe uma componente teófora e uma vertente antropofânica. Com efeito, o bispo e o padre são aqueles que, no seu agir e sobretudo no seu ser, que nos trazem Deus e que, nesse preciso instante, nos ajudam a desvelar o mistério do Homem.

 

Um pastor modelado pelas mãos do Pai não é um tarefeiro, mas alguém que transporta a imagem que, em Cristo, Deus esculpiu no Homem. No que diz e no que faz, ele como que iconiza o amor que Deus consagra à humanidade.

 

Enquanto «ministro da Trindade» (minister Trinitatis, na linguagem de S. Tomás), o apóstolo é o transmissor do amor por antonomásia. De um amor que tem Deus como absoluto e o Homem como prioridade. De um amor que constrói o Céu sem renunciar à incessante reconstrução da Terra. Tanto mais que, como adverte Paul Valadier, «só se chega mais acima assumindo o que está em baixo». De resto, já S. Gregório de Nazianzo asseverava há séculos que «aquilo que não é assumido não é salvo» (quod non est assumptum non est sanatum).

 

Não há amor sem entrega e não pode haver entrega que não seja ilimitada. É por tal motivo que entregar é o verbo fulcral da Eucaristia e o verbo decisivo da missão.

 

A entrega de Cristo é sacramentalmente actualizada para ser existencialmente reproduzida. No seguimento de Jesus, também o apóstolo se entrega ao Pai por todos os homens.

 

Ao depositar o seu ministério no altar da Cruz e no coração da Trindade, o discípulo certifica a sua disponibilidade para, em cada dia, ser homo Dei («homem de Deus») e homo homnibus («homem para os homens»).

 

O encontro com Deus não contende com o compromisso social nem com o vigor profético. Pelo contrário, aflora como a sua raiz, a sua autêntica alma e o seu permanente alimento.

 

É o amor a Deus que nos impele — imediata e imperativamente — para o amor ao próximo. Pelo que a oração não colide com a missão nem a espiritualidade conflitua com a acção social. Dir-se-ia que há uma espécie de sócio-espiritualidade estribada no duplo mandamento: «Quem ama a Deus, ame também o seu irmão» (1 Jo 4, 21).

publicado por Theosfera às 10:13

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