O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 30 de Março de 2010

Foi Thomas Merton um dos espíritos mais vibrantes do século passado.

 

Luminosamente inteligente e desconcertantemente místico, teve a arte de dizer o que não é óbvio, mas de uma forma que poucos questionarão.

 

Monge trapista, faleceu já em 1968, mas estes mais de quarenta anos não lhe subtraíram actualidade. Ao invés, acrescentaram-lhe pertinência.

 

Eis o que ele escreveu sobre o que considerava ser um dos maiores paradoxos do cristianismo.

 

«O maior paradoxo da Igreja é que ela é, ao mesmo tempo, essencialmente tradicional e essencialmente revolucionária. Mas, no entanto, o paradoxo não é tão grande como parece, porque a tradição cristã, ao contrário de outras, é uma revolução viva e perpétua.

 

As tradições humanas tendem todas à estagnação e à decadência. Procuram perpetuar coisas que não podem ser perpetuadas. Prendem-se a objectos e a valores que o tempo destrói impiedosamente. Estão ligadas a uma série de coisas contingentes e materiais que mudam inevitavelmente e dão lugar a outras tantas.

 

A presença, na Igreja, de um forte elemento conservador não impede que a tradição cristã, sobrenatural na sua origem, seja uma realidade totalmente oposta ao tradicionalismo humano.

 

A tradição viva do catolicismo é como a respiração do corpo: renova a vida impedindo a estagnação. É uma revolução constante, serena e pacífica contra a morte».

publicado por Theosfera às 11:14

De António a 30 de Março de 2010 às 13:55
A " Tradição" é uma palavra equívoca, porque há boas e más tradições. Não é por isso uma expressão anódina. Quando Pio V, que foi um papa muito austero e moralista, (tanto que até mandou que fosse recoberta com roupa a nudez pintada por Miguel Ângelo na Capela Sistina), fez publicar a sua encíclica "De salutis gregis dominici", que proibia os cruentos espectáculos das touradas, estava a querer terminar com uma má tradição. Quando o Papa Paulo VI se insurgiu contra a tentativa de restaurar ou manter a missa no rito latino, terá proferido a seguinte afirmação:“Isso—liberar a Missa de São Pio V – jamais! (...) essa missa dita de São Pio V, como se a vê em Ecône, torna-se o símbolo da condenação do Concílio. Ora, jamais aceitaremos, em nenhuma circunstância, que se condene o Concílio por meio de um símbolo”. (Jean Guitton, Paulo VI Secreto). Porém, quando o Papa Bento XVI vier a Fátima, irá rezar o terço em latim, como já se encontra anunciado. Entre a Tradição de Paulo VI e a Tradição de Bento XVI há notórias diferenças de assunção. Isto porque, quer em política quer em teologia, não há tradições neutras. Todas elas comportam simbologias significativas. A Cruz de Cristo é um dos maiores e melhores símbolos tradicionalistas. Mas nem esse símbolo escapou a utilizações multiformes e abusivas. Entre a cruz usada e reverenciada por Francisco de Assis e a instrumentalizada por Inocêncio III, a carga simbólica foi usada diferentemente. Se o Papa Bento XVI decidir, como é do seu pleníssimo direito, rezar o terço em latim, certamente que existirão, pelo menos, quatro atitudes: a dos indiferentes, para os quais tanto faz que o terço seja rezado em latim ou aramaico. A dos fanáticos, para os quais só em aramaico é que a Tradição será plenamente cumprida, tanto mais que o latim foi a língua de um dos poderes que condenou Cristo à crucificação. Para estes, nem o latim e muito menos o hebraico seriam idiomas aconselháveis para rezar o terço. A terceira atitude seria a dos encomiastas de Pio X. Tudo o que lhes pareça "anti-modernismo" é bem-vindo. Mesmo que não percebam nada de latim. Para estes, a forma e aparato é bem mais relevante do que o conteúdo e a simplicidade franciscana. Na quarta atitude, estariam aqueles que, como eu, gostam de perceber o que é rezado. Quanto à apreciação que Paulo VI faria da reza do terço em Fátima por Bento XVI não é difícil imaginar qual seria a sua reacção. Isto de tradições e das suas nada inocentes cargas simbólicas tem muito que se lhe diga...


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