O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 24 de Março de 2010

Foi uma figura que me marcou bastante depois de morto.

 

Pois foi só depois da sua morte que o conheci. D. Óscar Romero, intrépido defensor dos mais pobres em El Salvador, foi assassinado neste dia, em 1980, quando celebrava a Eucaristia.

 

D. Óscar foi morto por causa da sua verticalidade. Porque nunca tergiversou.

 

Recebeu ameaças sucessivas para que se calasse. Mas não se calou. Humilde, considerava não ser digno da «graça do martírio».

 

Só que as balas surgiram e irromperam, cruéis, pela Igreja em que oficiava.

 

O seu exemplo marcou-me bastante. Na minha vida de padre, o seu testemunho interpela-me constantemente.

 

Um Homem de Deus é sempre um Homem para os Homens.

 

D. Óscar Romero levou a Eucaristia à vida e à morte.

 

Foi alguém que leu o Evangelho nos livros e o reescreveu na vida.

 

Morreu com um tiro no coração. Porque era o seu coração que mais incomadava.

 

Curiosamente é no coração das pessoas que D. Óscar sobrevive.

 

E é no coração de Deus que D. Óscar se mantém vivo e vivificante.

 

Vale a pena viver assim. Vale a pena morrer assim. Tanto mais que quem assim morre nunca falece. Permanece para sempre!

 

publicado por Theosfera às 09:47

De António a 24 de Março de 2010 às 13:29
“O cristão, se não viver este compromisso de solidariedade com o pobre, não é digno de chamar-se cristão. Por isso, os pobres marcaram o verdadeiro caminho da Igreja. Uma Igreja que não se une aos pobres para denunciar, a partir deles, as injustiças que se cometem contra eles, não é a verdadeira Igreja de Jesus Cristo” (Homilia, 23 de Setembro de 1979) .Creio que fazer esta denúncia, na minha condição de pastor do povo que sofre a injustiça, seja meu dever.”


"Isto me impõe o Evangelho, pelo qual estou disposto a enfrentar o processo e a prisão” (Homilia, 14 de Maio de 1978)
“Se nos cortarem a rádio, se nos fecharem o jornal, se não nos deixarem falar, se matarem todos os sacerdotes e até o arcebispo, e ficar um povo sem sacerdotes, cada um de vocês deve converter-se em microfone de Deus, cada um de vocês deve ser um mensageiro, um profeta”.

“As circunstâncias desconhecidas, devo vivê-las com a graça de Deus, que assistiu os mártires e, se for necessário, senti-la-ei vizinha a mim quando der o último respiro. Porém, mais importante que o momento de morrer, é oferecer a Deus toda a minha vida, viver por Ele”.

“Fui frequentemente ameaçado de morte. Devo dizer-lhe que, como cristão, não creio na morte sem ressurreição: se me matarem, ressuscitarei no povo salvadorenho.
“Digo isso sem nenhum ostentação, com a maior humildade. Como pastor, sou obrigado, por mandado divino, a dar a vida por aqueles que amo, que são todos os salvadorenhos, até por aqueles que me assassinarem. Se chegarem a cumprir-se as ameaças, desde agora ofereço a Deus meu sangue pela redenção e ressurreição de El Salvador. O martírio é uma graça de Deus, que não me sinto na situação de merecer, porém, se Deus aceitar o sacrifício de minha vida, que meu sangue seja semente de liberdade e sinal de que a esperança se transformará logo em realidade.”

“Minha morte, se for aceita por Deus, que seja pela libertação do meu povo e como testemunho de esperança no futuro. Você pode escrever: se chegarem a me matar, desde já eu perdoo e abençoo aquele que o fizer”

“Rezo ao Espírito Santo, para que me faça caminhar nas estradas da verdade e me mantenha sempre guiado unicamente por Nosso Senhor; jamais pelos elogios, nem pelo temor de ofender” (13/03/80). Tais palavras, pronunciadas dez dias antes da sua morte, resumem o seu projecto de vida. Respondendo a alguns jornalistas, que elogiavam uma homilia feita por ele na catedral, afirma: “Eu sei apenas que a graça do Espírito Santo guia sua Igreja e torna fecunda sua palavra. A isso eu credito o sucesso que vocês atribuem à minha homilia.”

“Todo o meu trabalho pastoral é feito com esse espírito. Confio no Espírito Santo e procuro ser seu instrumento, amando e servindo sinceramente o povo, a partir do Evangelho” (27/11/79). Esse amor coloca-o literalmente no meio do povo: “Das pessoas que vieram às audiências de hoje, a maioria era muito pobre. Muitas dessas pessoas estavam angustiadas por causa da situação de injustiça. Algumas eram mães de desaparecidos. Procurei lhes dizer palavras de conforto, ou dar-lhes orientações que as ajudassem a enfrentar as dificuldades” (19/09/79).

“Quero correr os mesmos perigos que o meu povo corre”
Poucos minutos antes do crime, disse na sua última homilia, D. Óscar Romero:

“Neste cálice o vinho se torna sangue, que foi o preço da salvação. Possa este sacrifício de Cristo nos dar a coragem de oferecer nosso corpo e nosso sangue pela justiça e pela paz do povo”.




De António a 24 de Março de 2010 às 14:57
Hoje, as minhas palavras não deverão suscitar as habituais querelas no domínio da Fé, que normalmente provocam o aparecimento dos seus pretensos guardiões, habitualmente muito pressurosos a intervir neste blogue quando aqui venho pôr em causa a absurdez de uma concepção justicialista de Deus. Hoje, provavelmente, também não será o dia em que D. Óscar Romero será invectivado com chavões de " marxista", " relativista" ou apóstolo da " teologia da libertação" por se ter colocado incondicionalmente ao lado do povo mais pobre e sofredor de El Salvador, massacrado pelos esquadrões da morte dos torcionários da organização terrorista de extrema - direita da " Arena". Hoje, o decoro deve falar mais alto e o caceteirismo pseudo - católico mais brando. O dia 24 de Março ficará na História da Igreja Católica como a comovente dedicação de um dos seus filhos mais ilustres e mais honrados e mais santos. Óscar Romero sabia que ia ser assassinado e perdoou antecipadamente aos seus assassinos. Mas também sabia que iria ressuscitar no seio do povo salvadorenho. Como e em que termos essa ressuscitação ocorreu ou ocorrerá, Deus saberá. O tempo de Deus é sereno mais infalível. Seja como for, em El Salvador, nasceu, viveu e morreu um Profeta. Que, como Santo, ressuscitou. Junto ao altar onde D. Óscar Romero tombou, esvaído em sangue, ao pé da Cruz de Cristo, estava também o Sangue de Cristo, embebido com o sangue de Óscar Romero.
Um dos momentos mais altos da História da Santidade...


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