O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 25 de Setembro de 2013

1. Nada do que o Papa diz é novo. E, no entanto, tudo o que o Papa diz parece diferente.

Na extensa entrevista concedida à «La Civiltà Cattolica», nenhuma doutrina é suprimida. E, ao mesmo tempo, todos os ensinamentos como que aparecem reinventados.

 

2. Onde tendemos a ver uma infracção para corrigir, o Papa vê uma ferida para curar.

A missão da Igreja não é julgar nem, muito menos, condenar. É acolher, é procurar.

 

3. É por isso que o seu lugar não é apenas o templo. O seu lugar é o caminho das pessoas, não excluindo sequer os descaminhos de tantas pessoas.

É nesses caminhos — ou descaminhos — que Deus nos precede. «Deus é como a flor da amendoeira, que floresce sempre antes. Portanto, encontramos Deus caminhando, no caminho».

 

4. Os que estão feridos têm de ser ajudados, não repelidos.

A Igreja tem o direito — e até o indeclinável dever — de se pronunciar sobre o casamento homossexual, o aborto ou o uso de contraceptivos. O que não deve é falar apenas sobre isso.

 

5. O anúncio tem de começar pelo global, «que é também aquilo que mais apaixona e atrai, aquilo que faz arder o coração»: o Evangelho.

É desta proposta que «vêm, depois, as consequências morais».

 

6. Há uma certeza que o Papa transporta: «Deus está na vida de cada pessoa».

 Mesmo se essa vida foi um desastre, «se se encontra destruída pelos vícios, pela droga ou por qualquer outra coisa, Deus está na sua vida».

 

7. E, afinal, quem não precisa de conversão? O próprio Papa confessa-se pecador, «um pecador para quem o Senhor olhou»: «Sou alguém que é olhado pelo Senhor».

Deus olha para nós com misericórdia. É preciso aprender a misericórdia, reaprendendo a misericordiar.

 

8. Para o Santo Padre, «os ministros da Igreja devem ser misericordiosos».

Devem ser capazes de «aquecer o coração das pessoas, de caminhar na noite com elas».

 

9. Aliás, o povo de Deus «quer pastores e não funcionários ou clérigos de Estado».

Para isso, não basta ter as portas abertas. Temos de ser uma «Igreja que encontre novos caminhos, que seja capaz de sair de si mesma indo ao encontro de quem não a frequenta, de quem a abandonou ou lhe é indiferente».

 

10. Enfim, não é uma «outra Igreja» que tem de nascer.

É uma «Igreja outra» que (já) está a surgir. No coração do Papa. E na vida de muitas pessoas!

publicado por Theosfera às 19:04

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