O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 01 de Setembro de 2019

 

  1. Aqui estamos, uma vez mais, num lugar «vestido» de festa. Efectivamente, Lamego aparece «vestida» de festa em honra da Sua Padroeira, Aquela que nos acompanha a vida inteira. Há quase quatro séculos — com segurança o podemos dizer — assim costuma ser.

A festa começou precisamente aqui, em cima, para extravasar lá em baixo. É por isso que a Festa que nos faz mexer lá em baixo começa a mover-nos — e a comover-nos — cá em cima, onde «mora» a nossa querida Mãe.

 

2. É uma festa bela porque é «em honra» d’Ela, da nossa Mãe, Nossa Senhora dos Remédios. Aliás, o que torna a nossa terra singular é o que neste monte temos para mostrar. Lamego seria sempre uma cidade carregada de história, de património e de beleza. Mas esta beleza não avultaria tanto sem esta fonte de encanto que dá pelo nome de Nossa Senhora dos Remédios.

Poderia até haver festa na cidade, mas não teria a mesma identidade. Estas — desde há muito e para sempre — são as festas «em honra» de Nossa Senhora dos Remédios.

 

3, Sendo festas com uma exuberante policromia de expressões, é Ela que polariza o palpitar dos nossos corações. Esta festa é mais bela porque toda ela decorre por causa d’Ela.

As festas começaram aqui, no alto, acabando por invadir de alegria toda a cidade. Mas as festas não são só da cidade. Elas são do país e de toda a humanidade. De facto, as festas já são (desde há muito) património de toda a humanidade. É na humanidade que está o Santuário. E é de toda a humanidade que ao Santuário acorrem — de diferentes destinos — milhares e milhares de peregrinos.

 

4. Mesmo nos dias mais invernosos, posso testemunhar o ar feliz de gente que vem de todo o país: do Minho ao Algarve, passando pelo Grande Porto, pela Grande Lisboa, pelo Alentejo, pela Madeira e pelos Açores. Mas também são muitos os que chegam da Europa, dos Estados Unidos, do Canadá, de Israel, de Angola, de Moçambique, do Brasil, da Argentina, da Colômbia, da Austrália, do Japão, das Filipinas e até da China.

Já aqui esteve um peregrino que disse ter nascido, em Buenos Aires, no mesmo bairro que o Papa Francisco. E lá já sabia da existência, em Lamego, de Nossa Senhora dos Remédios.

 

5. Alguém duvidará de que estamos perante um destacado — e entranhado — património da humanidade? Só falta estar formalmente declarado. A declaração pertence à UNESCO que, tendo aqui estado, entendeu não avançar com a candidatura.

Mas mais importante do que a declaração como património da humanidade não será a vivência de tão assombroso património oferecido a toda a humanidade?

 

6. Uma coisa é certa. Na Festa — e para lá da Festa —, em Lamego não há casa como esta. E esta casa é bela porque tem a Mãe dentro dela. Nossa Senhora dos Remédios está sempre aqui, à nossa espera. E são muitos os que, em romaria, A procuram em cada dia.

Importa, entretanto, perceber que aquilo que faz Maria feliz é fazer o que Seu Filho diz (cf. Jo 2, 5). E foi Seu Filho Jesus que, na última refeição que tomou com os discípulos, os convidou a fazerem o mesmo em Sua memória: «Fazei isto em memória de Mim» (1Cor 11, 25).

 

7. É por isso que, no Santuário, o lugar mais importante é o Altar com o Sacrário. E é pelo mesmo motivo que a romaria deve incluir sempre a participação na Eucaristia.

O que no olhar da Mãe mais acende o brilho é ver-nos voltados para o Seu Filho. Maria não quer ser adorada. Ela quer ajudar-nos — e ensinar-nos — a adorar a razão de ser da Sua — e da nossa — vida: Jesus.

 

8. Até José Saramago notou que nenhum de nós descansa enquanto não vencer esta «longa e alta escadaria». Só no colo da Mãe encontramos «a promessa da salvação, ou a esperança». No colo da Mãe, a salvação ilumina e a esperança reluz. No colo da Mãe, espera-nos sempre Jesus.

O Santuário de Nossa Senhora dos Remédios é — com toda a propriedade — Património Mundial da Humanidade. Apesar de tal estatuto não estar declarado, basta olhar para a gente que para aqui vem de todo o lado.

 

9. Neste lugar, são muitas as peregrinações. E a nossa Mãe toca em todos os corações. Muitas lágrimas aqui são vertidas. São as confidências de tantas — e tão sofridas — vidas. Há dores que só junto da Mãe se partilham. E é perto d’Ela que as esperanças de cura cintilam. Nada disto se explica. Tudo isto — aqui — se sente.

Aqui estaremos em peregrinação durante a Novena. Aqui viremos, com grata vibração, para a Eucaristia na manhã do dia 8 de Setembro. E as nossas ruas percorreremos na majestosa procissão. Nossa Senhora dos Remédios é mesmo a nossa «Primeira — e mais bela — Dama». É Ela quem mais gente para aqui chama. Pelos degraus do Escadório e pelo Parque Florestal, não deixemos de celebrar a Mãe nesta época sem igual.

 

10. Mas não esqueçamos que, nos outros dias, Nossa Senhora também espera por nós. Visitemo-La e, no nosso coração, não deixemos de escutar a Sua voz.

Depois de a festa terminar, Ela, a Mãe, por todos nós continua a esperar. No Santuário, em cada dia, é sempre tempo de romaria. Que este seja um tempo de paz e união. E que, à volta da Mãe, vibremos de alegria no nosso coração!

publicado por Theosfera às 05:05

A. O caminho d’Ele ou a carreira nossa?



  1. Jesus apontou-nos o caminho, mas nós, Seus discípulos, andamos, quase sempre, ocupados com a carreira. Em vez do Seu caminho, o que nos (pre)ocupa é a nossa carreira. Daí que as nossas prioridades sejam, muitas vezes, as destes convidados, referidos no Evangelho: os lugares, os primeiros lugares (cf. Lc 14, 7).

A opção de Jesus não é pelos primeiros, mas pelos últimos lugares. O que Ele nos quer dizer é que Deus vem buscar para os primeiros lugares os que estão nos últimos lugares. E coloca nos últimos lugares os que se atropelam pelos primeiros lugares.



  1. Decididamente e como muito bem percebeu Maria, Deus escreve a história ao contrário. Derruba os poderosos, exalta os humildes, sacia os famintos e deixa os ricos de mãos vazias (cf. Lc 1, 52-53). Os preteridos do mundo são sempre os preferidos de Deus.

Deus não faz discriminação, mas também não fica indiferente. Deus é para todos, mas não é para tudo. Deus é para todos, para que todos se convertam a Ele e deixem os descaminhos que afastam da direcção certa. Deus é para todos, para que todos tenham a possibilidade de optar por Ele.


B. Verdadeiramente grande é quem é humilde



  1. É neste contexto que a Liturgia deste Domingo nos exorta sobre alguns valores que acompanham a opção pelo Evangelho: a humildade, a gratuidade, enfim, a ausência de calculismo e ambição.

Na Primeira Leitura, um sábio do século II a.C. recomenda a humildade como caminho para Deus e, consequentemente, para ser feliz. A humildade surge aparentada com a inteligência e a verdadeira grandeza: «Quanto maior fores, mais deves humilhar-te» (Eclo 3, 19). É por isso que «a desgraça do soberbo não tem cura» (Eclo 3, 21). Está demasiado centrado em si, sem disposição para se centrar nos outros e em Deus.



  1. A Segunda Leitura convida os crentes instalados numa fé cómoda a redescobrirem a centralidade do Cristianismo. É por isso que insiste em que o encontro com Deus é uma experiência de comunhão, de proximidade, de amor, de intimidade, que dá sentido à vida do cristão.

No fundo, esta reflexão está intimamente ligada ao tema central da liturgia deste Domingo: a humildade. É que a comunhão com Deus alicerça uma vida que exige de nós determinados valores e atitudes, entre os quais avultam a humildade, a simplicidade e o amor.


C. Todos são convidados, ninguém é excluído



  1. O Evangelho situa-nos no ambiente de um banquete em casa de um fariseu. Este ambiente serve de pretexto para Jesus falar do «banquete do Reino». A quantos pretenderem participar nesse «banquete», Ele recomenda a humildade, não a encenação.

Ao mesmo tempo, Jesus verbera a atitude daqueles que conduzem as suas vidas numa lógica de ambição, de luta pelo poder e pela carreira, de superioridade em relação aos outros. Jesus não quer nada disso. Jesus quer a humildade, o despojamento, a simplicidade. Só quem for humilde, despojado e simples estará em condições para se esvaziar de si e incorporar em si o Evangelho de Jesus.



  1. Para este «banquete», todos são convidados, ninguém é excluído nem discriminado. Este texto apresenta duas partes. A primeira (cf. Lc 14, 7-11) aborda a questão da humildade. A segunda parte (cf. Lc 14, 12-14) trata da gratuidade e do amor desinteressado. Ambas estão vinculadas pelo tema do Reino. Isto significa que a humildade e a gratuidade são as atitudes fundamentais para quem quiser participar no «banquete do Reino».

As palavras que Jesus dirigiu aos convidados que disputavam os primeiros lugares não são novidade, pois já o Antigo Testamento aconselhava a não ocupar os primeiros lugares (cf. Prov 25,6-7). O Reino de Deus é uma fraternidade e uma comunhão, pelo que nele têm de prevalecer a partilha e o serviço.


D. Não superiores, mas servidores



  1. No Reino de Deus não pode haver qualquer atitude de superioridade, de sobranceria, de ambição ou de domínio sobre os outros. Na vida cristã não deve haver superiores, pessoas que se julguem estar por cima. Superior é, por definição, quem está em cima. Acontece que Jesus identifica-Se com quem está em baixo.

Os responsáveis pelas comunidades não devem, pois, ser vistos como superiores, mas como servidores. Os responsáveis pelas comunidades não existem para exercer um poder, mas para executar um serviço: o serviço de conduzir para Cristo.



  1. Assim sendo, quem quiser entrar no Reino anunciado por Jesus tem de fazer-se pequeno, simples e humilde não se julgando mais importante que os outros. Esta foi sempre a lógica de Jesus. Foi isso o que Ele sempre propôs aos seus discípulos. Ele mesmo, na Ceia Pascal, lavou os pés aos discípulos, constituindo-os em comunidade de amor e de serviço. O apelo foi muito claro: «Como Eu fiz, fazei vós também» (Jo 13, 15).

Na segunda parte deste texto, Jesus recusa abertamente a prática de convidar para o banquete apenas os amigos, os irmãos, os parentes ou os vizinhos ricos. Os fariseus, à semelhança de muitos de nós aliás, escolhiam cuidadosamente os seus convidados para a mesa. Nas suas refeições, não convinha haver alguém pobre ou humilde. Por outro lado, os fariseus tinham a tendência de convidar aqueles que podiam retribuir da mesma forma.


E. Respeito para com todos, proximidade (apenas) com os humildes



  1. A questão é que, desse modo, tudo se transformava num tráfico de favores e de influências. Fica bem claro que Jesus não quer nada disto. Para Jesus, o respeito é para todos, mas a opção é pelos humildes e pelos simples: pelos «pobres, pelos aleijados, pelos coxos e pelos cegos» (Lc 14, 13).

Note-se que os cegos, os coxos e os aleijados eram considerados pecadores públicos, amaldiçoados por Deus e por isso estavam proibidos de entrar no Templo (cf. 2 Sam 5,8). Apesar disso, são esses que devem ser os convidados para o «banquete». São eles os que mais precisam.



  1. Importa ter presente que Jesus já não está especificamente a falar desta refeição, em casa de um fariseu. Ele já está a falar do «banquete do Reino». Daí que trace as características do Reino. Ele é apresentado sob a forma de um «banquete», onde os convidados estão unidos por laços de familiaridade e de comunhão.

Para este «banquete», todos, sem excepção, são convidados. Até os habitualmente excluídos são incluídos As relações entre os que aderem ao «banquete do Reino» não serão marcadas por interesses, mas pela doação. Os participantes do «banquete» devem despojar-se de qualquer atitude de superioridade, de orgulho ou de ambição, colocando-se numa atitude de humildade, de simplicidade, de serviço. Eis o que falta. Eis o que urge. Ninguém se considere superior. Consideremo-nos todos apenas — e sempre — como irmãos!

publicado por Theosfera às 04:19

Hoje, 01 de Setembro (Vigésimo Segundo Domingo do Tempo Comum e 3º Dia da Novena de Nossa Senhora dos Remédios), é dia de S. Miguel Ghébré e Sta. Margarida de Riéti.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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