O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 26 de Maio de 2019

Páscoa não foi. Páscoa é. A Páscoa não passa. A Páscoa é passagem, mas nunca é passado.



A Páscoa não foi apenas há um mês. A Páscoa também é hoje.



Também hoje, Senhor, vens ter connosco. Também hoje nos dás a Tua paz, o Teu perdão, o Teu amor.



O Teu mandamento não é pesado, o Teu jugo é suave, a Tua carga é leve.



Quando Te amamos, amamos também as pessoas. Quando amamos as pessoas, amamos-Te também a Ti.



Também hoje, queremos ter um só coração e uma só alma.



Também hoje, queremos pôr tudo em comum.



Também hoje, queremos que ninguém passe necessidade, que ninguém tenha fome.



Também hoje, queremos conjugar, com os lábios e com a vida, o verbo «dar», o verbo «repartir», o verbo «amar».



O que é de cada um queremos que seja de todos.



Ajuda-nos, Jesus, a vencer a pior doença: o egoísmo.



Ensina-nos, Jesus, a vencer a falsidade e a mentira.



Envolve-nos, Jesus, com a Tua misericórdia e habita-nos com a Tua bondade.



Obrigado, Jesus, por morreres por nós.



Obrigado, Jesus, por ressuscitares para nós.



Obrigado por vires sempre ao nosso encontro,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:33

A. Onde está a cabeça de João?

 

  1. Todos o sabemos, mas não sei se alguma vez pensamos seriamente sobre isso. Onde está a nossa cabeça? Está em cima do nosso corpo. É inevitável, mas é também um problema. Isso significa que a nossa cabeça está em cima do nosso «eu». Está, portanto, condicionada — e fortemente limitada — por ele. Daí a nossa constante (e incoercível) tendência para o egoísmo.

É pelo nosso «eu» que vemos o mundo e a vida. É pelo nosso «eu» que vemos o próprio Deus. Nem nos damos ao trabalho de (procurar) ser como Deus. Deus é que acaba por visto como nós. É pelo nosso «eu» que fazemos as nossas leituras, as nossas avaliações, os nossos juízos sobre todos e sobre tudo. Serão sempre acertados os nossos critérios? Muitas vezes, nem sequer pomos isso em causa. O nosso conhecimento está tão «ego-centrado» — até porque literalmente «ego-sentado» — que nem nos damos ao cuidado de ir ao encontro dos outros «eus».



  1. O Apóstolo João — de quem ouvimos hoje dois belos textos (com a alternativa de podermos escutar outros dois) — oferece-nos um padrão diferente. A sua cabeça não está sobre o seu corpo, mas — como nos indica o capítulo 13 do quarto Evangelho — sobre o coração de Cristo (cf. Jo 13, 25).

O seguidor de Cristo é assim: «desegoíza-se» completamente, da cabeça aos pés. A cabeça do discípulo tem de estar onde esteve a cabeça do Apóstolo: sobre o coração de Cristo.


B. É preciso encostar a nossa cabeça ao coração de Cristo



  1. Neste sentido, é sempre com preocupação que ouvimos repetidamente dizer: «Eu cá penso sempre pela minha cabeça». É pena. É sinal de independência, mas também de auto-suficiência. Um cristão não pensa individualmente, mas cristãmente. Um cristão não tem vida — nem cabeça — própria. Parafraseando a Carta aos Gálatas, dir-se-ia que não é o cristão que pensa; é Cristo que pensa nele (cf. Gál 2, 20).

Habituemo-nos, pois, a ter a nossa cabeça onde o Apóstolo João teve a sua, isto é, no coração de Cristo (cf. Jo 13, 25). É curioso que os nossos irmãos da Igreja oriental valorizam muito este gesto, que a nós nos passa habitualmente despercebido. É por isso que se lhe referem, muitas vezes, com o título de «epistemios». Eles perceberam — como nós somos convidados a perceber — que o nosso conhecimento não vem de nós, mas de Cristo, do Seu coração.



  1. É preciso encostar a nossa cabeça ao coração de Cristo. É nele que verdadeiramente repousamos e nos rejuvenescemos. São Francisco de Sales — numa máxima que se tornou célebre — não diz que os lábios falam aos ouvidos nem que o pensamento comunica com outro pensamento. Para São Francisco de Sales, é o coração que fala ao coração («cor ad cor loquitur»).Assim sendo, façamos nossos os sentimentos de Cristo e, consequentemente, o pensamento de Cristo. Para isso, encostemos a nossa cabeça ao coração de Cristo. Aprendamos com Ele a ser mansos e humildes (cf. Mt 11, 29). Aprendamos os pensamentos d’Ele já que, frequentemente, eles estão muito distantes dos d’Ele: «Vossos pensamentos não são Meus» (cf. Is 55, 8). E porquê? Porque nos falta encostar a nossa cabeça ao coração de Cristo.


C. Nunca separemos o conhecimento do amor



  1. Que cada um de nós se torne — como João — «epistemios». Que o nosso conhecimento seja embebido — e bebido — na torrente que jorra do coração de Cristo. Ele é o verdadeiro sábio e é sábio na «cátedra do Seu coração». Só no Seu coração cresceremos na razão. Eis o que falta. Eis o que urge.

É encostando a nossa cabeça ao coração de Cristo que nos sentiremos invadidos pelos Seus sentimentos (cf. Fil 2, 5), pelas Suas prioridades e pelo Seu amor.



  1. Temos de compreender — de uma vez para sempre — que o conhecimento não pode estar separado do amor. Esse foi o «erro de Descartes» e é, tantas vezes, o erro de muitos de nós.

Mas também é certo que só conseguimos amar a partir da fonte do amor, que é o coração de Cristo Senhor. Não tenhamos, pois, medo do amor. E, em conformidade, não receemos encostar a nossa cabeça ao coração de Cristo. Hoje, ama-se pouco porque nos encostamos pouco a Cristo.


D. Dá duplamente quem se dá prontamente



  1. Por conseguinte, não esqueçamos isto: encostemos a nossa cabeça ao coração de Cristo. Façamos como o Apóstolo João e nunca nos afastemos daquele coração. As pessoas podem aplaudir quem conhece, mas só escutam verdadeiramente quem ama.

Antes de falar de Cristo, deixemo-nos amar por Cristo e levemos a todos o amor de Cristo. Deste modo, será realizado o sonho de Deus: transformar o mundo numa «filadélfia», ou seja, num povo de «amigos» e «irmãos».



  1. É sabido que este discurso nem sempre passa, mas não desperdicemos tantos oportunidades da Graça. É o amor de Cristo que mudará tudo isto. É esta a revolução que está por fazer. É esta a mudança que temos de promover. Não é mais inteligente quem muito conhece. É mais inteligente quem verdadeiramente ama.

Vamos começar hoje — agora, já — a encostar a nossa cabeça ao coração de Cristo. Aí beberemos o amor que levará ao mundo um poder transformador. Não adiemos mais o amor. Amemos e demo-nos: a Deus e aos outros. Não hesitemos nem calculemos. Como disse alguém, «dá duplamente quem se dá prontamente». Na verdade, dá a dobrar quem aos outros se dispõe a entregar(-se).


E. Jesus nunca fala para amanhã; é hoje que temos de amar



  1. Não sei se já reparastes, mas Jesus nunca fala para «amanhã». Nós falamos demasiado do futuro, talvez porque andemos muito hesitantes — e perdidos — no presente. Constrói belos futuros quem, no presente, derruba todos os muros: a começar pelos muros que resistem dentro de nós. Nunca estamos tão perto do abismo como quando nos «enterramos» no nosso egoísmo.

Por tal motivo, não comecemos amanhã. Não deixemos para amanhã o amor que é preciso repartir hoje. Para Jesus, o dia mais importante é hoje. O amor tem de estar pronto para hoje, para agora, para já. Como alertou Santa Teresa de Calcutá, «ontem já passou, amanhã ainda não chegou; resta-nos hoje para amar» e fazer o bem.



  1. Aquele que teve a cabeça no coração de Cristo — o Apóstolo João — transmite-nos algumas das Suas últimas mensagens antes de por nós padecer. Se amarmos o Senhor Jesus, poremos em prática as Suas palavras de bênção de luz (cf. Jo 14, 23). Nós próprios seremos a Sua habitação (cf. Jo 14, 23) e vê-Lo-emos também em cada irmão.

No amor, fiquemos com a paz de Jesus: «Deixo-vos a paz; dou-vos a Minha paz» (Jo 14, 27). É nesta paz que temos de viver. É esta a paz que temos de promover. Se os homens encostarem a sua cabeça ao coração de Cristo, deixaremos de ver o que temos visto. Não é só amanhã que a paz de Cristo há-de florir. É já hoje que a paz de Cristo tem de surgir. E que ela — a paz de Cristo — a todos (vos) faça sorrir. Que o amor do Seu coração semeie mais amor de mão em mão!

publicado por Theosfera às 05:57

Hoje, 26 de Maio (Sexto Domingo da Páscoa), é dia de S. Filipe de Néri e Sta. Maria Ana de Paredes.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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