O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 28 de Abril de 2019

Páscoa não foi. Páscoa é. A Páscoa não passa. A Páscoa é passagem, mas nunca é passado.



A Páscoa não foi apenas há oito dias. A Páscoa também é hoje.



Também hoje, Senhor, vens ter connosco. Também hoje nos dás a Tua paz, o Teu perdão, o Teu amor.



O Teu mandamento não é pesado, o Teu jugo é suave, a Tua carga é leve.



Quando Te amamos, amamos também as pessoas. Quando amamos as pessoas, amamos-Te também a Ti.



Também hoje, queremos ter um só coração e uma só alma.



Também hoje, queremos pôr tudo em comum.



Também hoje, queremos que ninguém passe necessidade, que ninguém tenha fome.



Também hoje, queremos conjugar, com os lábios e com a vida, o verbo «dar», o verbo «repartir», o verbo «amar».



O que é de cada um queremos que seja de todos.



Ajuda-nos, Jesus, a vencer a pior doença: o egoísmo.



Ensina-nos, Jesus, a vencer a falsidade e a mentira.



Envolve-nos, Jesus, com a Tua misericórdia e habita-nos com a Tua bondade.



Obrigado, Jesus, por morreres por nós.



Obrigado, Jesus, por ressuscitares para nós.



Obrigado por vires sempre ao nosso encontro.



Como S. Tomé, também hoje Te adoramos, também hoje Te dizemos:



«Meu Senhor e meu Deus!»

publicado por Theosfera às 11:33

A. Em casa, nos caminhos e até junto ao sepulcro

  •  

    1. A primeira visita pascal não foi feita por homens transportando a Cruz. A primeira visita pascal foi feita pelo próprio Jesus que morreu na Cruz. Das doze visitas que Jesus fez depois de ressuscitar, cinco foram feitas no próprio dia em que ressuscitou. Estas «visitas pascais» de Jesus ocorrem em casa, nos caminhos e até perto do sepulcro.

    O Evangelho de hoje apresenta-nos a visita que Jesus fez aos discípulos em Jerusalém, na tarde do dia da Ressurreição (cf. Jo 20, 1). Este não foi, porém, o único — nem o primeiro — encontro que Jesus teve com os Seus discípulos. Nessa mesma tarde, antes deste encontro, já tinha vindo ter com outros dois discípulos que iam «a caminho de uma aldeia chamada Emaús» (cf. Lc 24, 13).



    1. Estes, apesar do cansaço e do adiantado da hora, vão fazer mais doze quilómetros — certamente a pé — e regressam a Jerusalém para contar aos companheiros o sucedido (cf. Lc 24, 35).

    É então que Jesus lhes aparece (cf. Lc 24, 36-40). Só faltava Tomé. Pela reacção, ficamos a saber que Jesus já tinha aparecido a Pedro: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão» (Lc 24, 34).


    B. Quem a primeira pessoa a ver o Ressuscitado?



    1. Mas as aparições do Ressuscitado não se ficaram por estas três. Antes, houve provavelmente mais duas — e quase de certeza — pela manhã. São Mateus fala de uma aparição de Jesus a Maria Madalena e a «outra Maria» quando, depois de terem estado no sepulcro, iam a correr para dar aos discípulos a notícia da Ressurreição (cf. Mt 28, 9-10).

    São Marcos, por sua vez, indica que Jesus apareceu primeiramente a Maria Madalena (cf. Mc 16, 9), apesar de referir que ela tinha ido ao sepulcro na companhia de Maria, mãe de Tiago, e de Salomé (cf. Mc 16, 1).



    1. E o certo é que a primeira aparição que João relata é justamente a Maria Madalena junto ao sepulcro (cf. Jo 20, 11-17).

    Não deixa de ser surpreendente verificar que as duas primeiras aparições de Jesus tenham tido como destinatários mulheres.


    C. A «hora das discípulas»



    1. Salta, portanto, à vista que as mulheres assumiram uma posição singular — e até liderante — neste momento decisivo. Se repararmos, os Evangelhos não mencionam uma única mulher que tivesse aprovado a condenação de Jesus. Até a mulher de Pilatos tentou evitar a Sua morte (cf. Mt 27, 19).

    Junto à Cruz de Jesus, tirando os soldados, só um discípulo se manteve até ao fim: o Discípulo Amado (cf. Jo 19, 26). De resto, apenas mulheres ali permaneceram: Maria, Mãe de Jesus, e mais três mulheres (cf. Jo 19, 25; Mc 15, 40; Mt 27, 56). Ao funeral de Jesus, feito por José de Arimateia e Nicodemos (cf. Jo 19, 38-42), também só compareceram mulheres (cf. Mc 15, 47; Mt 27, 61; Lc 23, 55).



    1. Enquanto os discípulos se recolhem e encolhem, as discípulas avançam sem medo. Ao regressarem do funeral, vão preparar aromas e perfumes já com a ideia de voltarem ao sepulcro (cf. Lc 23, 56).

    E assim fizeram, pelo que esta se tornou a «hora das discípulas». Não espanta, por isso, que as notícias em primeira mão da manhã da Ressurreição tenham sido dadas por elas. Foi, desde logo, uma discípula a dar a dois discípulos a notícia de que teriam levado o corpo de Jesus (cf. Jo 20, 2). E foram as discípulas a dar aos discípulos a notícia de que, afinal, Jesus tinha ressuscitado (cf. Mt 28, 7-8).


    D. Em louvor da «miróforas»



    1. Quando receberam o alerta de que teriam levado o corpo de Jesus, os dois discípulos avisados foram ao sepulcro. Registaram o que se estava a passar e voltaram para casa (cf. Jo 20, 10). Só uma discípula (Maria Madalena) permaneceu (cf. Jo 20, 11).

    Por tal motivo, é lícito concluir — como fez a Tradição — que as mulheres foram as «apóstolas dos apóstolos», aquelas que deram aos apóstolos a maior — e a mais bela — notícia. E o certo é que, ainda hoje, o Evangelho da Vigília Pascal começa com a referência às mulheres e ao seu papel na divulgação da Ressurreição.



    1. Na Liturgia Ortodoxa, elas são comemoradas no segundo Domingo da Páscoa. São exaltadas como «miróforas», que significa «aquelas que transportam aromas ou perfumes». Fazem-lhes homenagens com orações e cânticos. Elas são elogiadas pela sua coragem, pelo seu destemor e sobretudo pelo seu amor. É claro que elas ainda pesaram as dificuldades que iriam encontrar: «Quem nos irá tirar a pedra da entrada do sepulcro?» (Mc 16, 3). Mas nem isso as demoveu. Não é o amor mais forte que a própria morte (cf. Ct 8, 7)?

    A Liturgia Ortodoxa intenta figurar a cena: «Ao amanhecer, as “miróforas”, tomando consigo os aromas, foram ao sepulcro e, notando coisas que não esperavam, pasmas ao ver a pedra removida, diziam: “Onde estão os lacres do túmulo? Onde estão os guardas que Pilatos enviou?” Mas os seus temores cessaram ao ver o anjo dirigir-se a elas: “Porque procurais em pranto Aquele que está vivo? Cristo ressurgiu dos mortos”. Então, as santas mulheres derramaram óleos perfumados e lágrimas no sepulcro e a sua boca encheu-se de júbilo ao proclamar: “O Senhor ressuscitou!”». Outro hino bizantino resume o que aconteceu: «Às piedosas “miróforas” o Anjo disse: “Os aromas são para aos mortos! Cristo, porém, está vivo”».


    E. Melhor do que «ver para crer» é «crer para ver»



    1. E, de facto, elas anunciaram que Jesus estava vivo. Só que não foram muito bem sucedidas no seu anúncio. Marcos diz que os discípulos não acreditaram (cf. Mc 16, 11). Lucas, por sua vez, anota que o anúncio das mulheres parecia um desvario, pelo que os discípulos não lhes deram crédito (cf. Lc 24, 11). Só passaram a acreditar quando Jesus apareceu a Pedro (cf. Lc 24, 34).

    Haveria aqui alguma ponta de rivalidade ou — quem sabe — de misoginia? Marcos declara que os discípulos não acreditaram que Jesus fosse visto por Madalena (cf. Mc 16, 11). É por isso que Tomé não foi o único a ser afogado pelas dúvidas. Os outros discípulos também se mostraram cépticos antes de saberem da aparição de Pedro e de serem, também eles, visitados por Jesus.



    1. Deixemo-nos, pois, visitar por Jesus. Ele bate à nossa porta e chama por nós (cf. Ap 3, 20). Jesus, que não desiste de Tomé, também não desiste de nós. Como fez a Tomé, também hoje vem ao nosso encontro, também hoje Se deixa tocar por nós. Também hoje nos convida a meter a nossa mão no Seu lado (cf. Jo 20, 27).

    Digamos a todos o que os discípulos disseram a Tomé: «Vimos o Senhor» (Jo 20, 25). E que felizes nós somos porque vemos o Senhor! Estamos sempre a vê-Lo na fé. Por conseguinte, melhor do que «ver para crer» é «crer para ver». Feliz não é quem crê porque vê. Feliz é quem vê porque crê. Nós não acreditamos porque vemos. Nós vemos porque acreditamos. Na fé conseguimos ver até o invisível. Em vez de «ver para crer», habituemo-nos, então, a «crer para ver». Quem acreditar nunca deixará de encontrar. São os «óculos da fé» que nos guiarão pelas estradas do mundo. São os «óculos da fé» que nos iluminarão com um amor sempre mais profundo!Quem foi a primeira pessoa a ser visitada pelo Ressuscitado?

publicado por Theosfera às 05:01

Hoje, 28 de Abril (II Domingo da Páscoa ou da Divina Misericórdia), é dia de Sta. Teodora, S. Dídimo, S. Pedro Maria Chanel, S. Luís Maria Grignion de Monfort, S. Pusquésio e Sta. Maria Luísa Trichet.

Um santo e abençoado dia pascal para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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