O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 31 de Março de 2019

Obrigado, Senhor, pelo Teu amor,

pelo Teu imenso amor.

 

Ninguém ama como Tu.

Amar assim, como Tu,

só ao alcance de Deus,

só ao alcance de Ti, que és Deus.

 

Tu amas dando a vida,

dando o sangue,

dando tanto,

dando tudo.

 

Tu, Senhor, não vens condenar.

Tu, Senhor, só vens salvar.

 

Tu sabes tudo,

Tu és a sabedoria.

 

Só não sabes conjugar o verbo «mandar»,

o verbo «impor», o verbo «oprimir».

 

Tu, Senhor, só sabes conjugar

o verbo «dar»,

o verbo «oferecer»,

o verbo «entregar»,

o verbo «servir»,

o verbo «amar».

 

Obrigado, Senhor, pela Luz.

Tu és a Luz.

Ilumina os nossos passos,

os passos do nosso caminho.

 

Que caminhemos na verdade.

que caminhemos na luz,

na luz que vem de Ti,

na luz que és Tu,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:31

A. A sílaba tónica de Deus

  1. Deus é teimoso, santamente teimoso. Ele nunca desiste de nós, mesmo quando nós desistimos d’Ele. Deus está sempre a vir ao nosso encontro. Está sempre a bater à nossa porta (cf. Ap 3, 20), mesmo quando encontra a nossa porta fechada. Os Seus olhos estão sempre voltados para nós. Quanto mais nós estamos afastados d'Ele, tanto mais perto Ele está de nós.

O Evangelho deste dia mostra o quanto Deus gosta da nossa companhia. Ele está sempre à nossa espera com vista a uma conversão sincera. A cada um de nós Ele inunda com a oferta do Seu perdão.

 

  1. Acerca de Deus, a Bíblia pode ser vista como uma longa palavra com 73 sílabas, tantas quantos são os livros que a compõem. Dessas 73 sílabas, 46 são soletradas no Antigo Testamento e 27 são entoadas no Novo Testamento. Em relação à imagem de Deus, muitas dessas sílabas serão completamente átonas: quase O desfiguram. Basta pensar no «Terror de Isaac», como Deus chega a ser apresentado numa passagem do Génesis (31, 42).

E é assim que, entre desfiguramentos e aproximações, vamos gaguejando, sílaba a sílaba, até chegar a São Lucas, sobretudo ao formoso capítulo 15 do seu Evangelho. Aqui encontramos verdadeiramente a sílaba tónica de Deus. Aqui vemos claramente quem é Deus e como é Deus.

 

B. A festa do reencontro após o desencontro

 

  1. O que São Lucas descreve é o mesmo que São João afirma: «Deus é amor» (1Jo 4, 8.16). Deus é amor para todos e diria que é ainda mais amor para os que andam perdidos.

É por isso que Jesus retrata Deus no homem que se alegra por reencontrar a ovelha perdida (cf. Lc 15, 4-7), a dracma perdida (cf. Lc 15, 8-10) e o filho perdido (Cf. Lc 15, 11-24). Dir-se-ia que Deus Se perde pelos que andam perdidos.

 

  1. O coração de Deus tem esta maneira de funcionar. Trata-se de um coração literalmente compassivo. Trata-se de um coração que sofre o nosso sofrimento. Deus nunca é a-pático; Deus é sempre em-pático e sim-pático. Deus sofre em nós, sofre connosco e sofre por nós. Não há amor maior. Haverá amor igual?

Deus não condena. Deus abraça e festeja. Deus não é um polícia a escrutinar os nossos erros. Deus é o Pai que Se alegra com o nosso regresso. A maior festa não é quando se dá o encontro. A maior festa é quando ocorre o reencontro após o desencontro.

 

C. A ilusão de ser feliz longe do Pai

 

5. Sendo assim, porque é que continua a ser tão difícil falar correctamente de Deus? Porque é que, acerca de Deus, continuamos a carregar mais nas sílabas átonas do que nesta magnífica sílaba tónica? Bem notou o Papa Bento XVI que, «depois de Jesus nos ter falado do Pai misericordioso, as coisas já não são como dantes». A partir de agora «conhecemos Deus: Ele é o nosso Pai que por amor nos criou livres e dotados de consciência, que sofre se nos perdemos e que faz festa quando voltamos».

 O nosso mal é quando pensamos que a nossa felicidade e a nossa realização estão no afastamento do Pai. Foi o que aconteceu ao filho mais novo desta parábola: deixou a casa do Pai e foi para longe (cf. Lc 15, 13). Mas, atenção, não foi apenas este filho que se afastou. O filho mais velho, no fundo, também estava longe, mesmo parecendo perto. Ele estava longe do Pai e do irmão. O seu coração estava distante, estava obtuso, estava fechado (cf. Lc 15, 28).

Também por nós passa a ilusão do filho mais novo e também por nós pode passar a tentação do filho mais velho.

 

D. Deus está sempre pronto para o reencontro

 

7. Por um lado, pensamos que somos felizes longe de Deus. E começamos a viver como se Deus não contasse. Acontece que nada corre bem quando nos afastamos de Deus. Como assinalou Santo Agostinho, fomos criados para Deus. Por isso, andamos inquietos enquanto não voltamos para Deus.

Mas, por outro lado, também podemos pensar que já não precisamos de mudar, de nos converter. A tentação do filho mais velho é presumir que já possui o Pai, que o Pai é só dele. Não o Pai meu também é Pai teu: é Pai nosso. Deus está sempre perto de nós, mas o nosso egoísmo nem sempre nos deixa estar perto de Deus.

 

  1. É claro que quando estamos com Deus também temos necessidades e também enfrentamos adversidades. Só que sentimos sempre a Sua presença reconfortante e a Sua mão protectora. O mesmo não sucede quando estamos longe de Deus. Nessa altura, ocorre o que ocorreu ao filho que se afastou do Pai. Quando as provações vieram, não teve quem o ajudasse. Ninguém lhe dava nada (cf. Lc 15, 16). Restou-lhe guardar porcos, mas sem permissão para comer sequer do que os porcos comiam (cf. Lc 15, 15-16).

E, no entanto, as portas da Casa do Pai permaneciam abertas. Deus está sempre pronto para o reencontro. Deus perde-Se de amor pelos Seus filhos perdidos. Deus corre para nós para Se lançar ao nosso pescoço e para nos cobrir de beijos (cf. Lc 15, 20). Não são necessárias muitas palavras até porque Deus conhece antecipadamente tudo o que dizemos e tudo o que fazemos (cf. Lc 15, 21).

 

 E. A festa que Deus faz quando regressamos

 

  1. É preciso ser Deus para amar tanto o homem. Nem nós nos amamos tanto como Deus nos ama. Mas é indispensável procurar este amor. Se o filho perdido não fosse ao encontro do Pai, como é que poderia receber os Seus beijos? É isto o que parece faltar, hoje em dia. Deus tem muita misericórdia para dar. Mas será que nós temos vontade de a receber? Se não vamos recebê-la, ela fica em Deus, mas não chega até nós. A misericórdia tem, na Igreja, o nome de Perdão. O beijo de Deus chega até nós através da Confissão.

É urgente, por conseguinte, reconhecer, como este filho, que estamos perdidos. E que, longe de Deus, ninguém nos dá nada. Longe de Deus, é só ilusão, inquietação e perturbação. Não tenhamos medo de voltar para Deus. Não tenhamos qualquer receio de reencontrar Deus. Deus tem tudo preparado para a festa. Vamos deixar Deus de mão estendida?

 

  1. A misericórdia é oferecida. Mas só nos poderá ser dada se por nós for procurada. No nosso tempo, fala-se muito de misericórdia, mas não se procura muito a misericórdia e, o que é pior, celebra-se pouco a misericórdia. A misericórdia é uma palavra que muito se ouve, mas uma realidade que pouco se vê. O mais sintomático é que existe uma grande oferta de misericórdia por parte de Deus e uma reduzida procura de misericórdia por parte de nós.

Na Sua misericórdia, Deus não nos deixa como estamos, mas abre-nos sempre ao novo, ao diferente, ao melhor. Sejamos tão ousados na procura da misericórdia como Deus é generoso na oferta da misericórdia. Uma coisa é certa. Sem misericórdia, não temos solução, sem misericórdia, não teremos salvação («extra misericordiam, nulla salus»). Se não a formos receber, como é que Deus no-la poderá oferecer? Nunca hesitemos, pois, em procurar a misericórdia que Deus sempre nos quer dar!

publicado por Theosfera às 05:00

Hoje, 31 de Março (Domingo Laetare), é dia de Sto. Acácio de Antioquia, Sta. Balbina, S. Benjamim e S. Daniel.

É permitido o paramento cor-de-rosa.Faltam 21 dia para a Páscoa da Ressurreição.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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