O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 02 de Setembro de 2018

Senhor Jesus,

Nós Te louvamos no começo deste dia

e no início de um tempo que, conTigo, queremos que seja novo.

 

Agradecemos o dom da vida

e pedimos-Te pela saúde, pela paz e pela justiça entre todos.

 

Agradecemos especialmente

o dom de Tua Mãe,

que nos deste como nossa Mãe também.

 

Ela é, para nós, a Senhora dos Remédios,

a senhora da Luz em tempos de escuridão,

a senhora da Esperança em tempos de desespero,

a senhora da Alegria em tempos de tristeza,

a senhora da Fé em tempos de descrença.

 

Adoramos, Senhor, a Tua presença eucarística

e louvamos-Te no Teu primeiro Sacrário que foi o ventre de Tua Mãe.

 

Acompanha-nos, Senhor, nesta manhã

e ajuda-nos a viver na Tua presença ao longo do resto do dia.

 

Que cada passo que dermos

possa ser uma irradiação do Teu amor e da Tua (infinita) paz!

publicado por Theosfera às 11:26

  1. Neste primeiro Domingo do mês, eis-nos aqui pela quarta vez. À volta de Maria continuamos a «novenar» para em Cristo a nossa fé alimentar. A Novena simboliza a vida como caminho no qual nenhum de nós está sozinho. A Novena é oração, recolhimento e confissão. A Novena torna-se, assim, oportunidade de conversão. É por isso que, para a Festa ser plena, é fundamental participar na Novena. A nossa Mãe e Padroeira (ou «Madroeira») conta com todos os filhos à Sua beira.

O Domingo é sempre um dia especial: é o dia em que celebramos a Páscoa semanal. Nunca é demais insistir: antes de a Páscoa anual surgir, já os cristãos em cada semana se costumavam reunir. Em cada Domingo, ao romper da aurora, saíam estrada fora. Em cada Domingo, a Igreja sempre celebrou a Ressurreição proclamando a Palavra e repartindo o Pão.

 

  1. Assim sendo, o Domingo é um dia de louvor para agradecer a Deus todo o Seu amor. Foi o dia em que ressuscitou Jesus Cristo. Alguma vez agradeceremos devidamente tudo isto? Para todos, este é, pois, um dia de alegria. Mas é-o especialmente para Maria. Esta e outras alegrias de Maria estão contidas no título de Nossa Senhora dos Prazeres. E o maior prazer que Maria experimentou foi, sem dúvida, quando Seu Filho ressuscitou. Ela, que na Cruz tanto sofreu, uma enorme felicidade depois viveu.

Daí que, até 1777, um dos dias anuais da Festa de Nossa Senhora dos Remédios fosse precisamente o dia de Nossa Senhora dos Prazeres que se assinalava na segunda-feira após o II Domingo da Páscoa, igualmente conhecido como «Domingo de Pascoela».

 

  1. O Domingo é, pois, um belo dia para louvar, para bendizer e sobretudo para cantar. Também neste particular, Maria é um modelo a imitar. Afinal, Nossa Senhora mostrou ser uma profunda — e bela — cantora. E o povo, que tão bem canta a Maria, é convidado a cantar sempre como Maria. A proposta é que, em cada dia, cantemos sempre como Maria.

O cântico que Maria entoou por todas as gerações perdurou. É um cântico centrado em Deus, como deviam ser todos os cânticos dos filhos Seus. Se (como notou Aristóteles) a música à vida dá encanto, a música para Deus faz-nos perceber ainda mais como Ele é belo, como Ele é santo.

 

  1. O cântico de Maria é conhecido pelo nome de «Magnificat». Trata-se da terceira pessoa do presente do indicativo do verbo latino «magnificare», que significa «fazer grande», «engrandecer». E, de facto, Maria «engrandece» — isto é, reconhece como «grande» — o que Deus fez na Sua vida. Este reconhecimento da grandeza do que Deus realizou inunda de alegria o coração de Maria. Por isso Ela louva o Senhor e exulta de alegria em Deus Salvador (cf. Lc 1, 46).

E qual foi a realização de Deus que fez «explodir» de alegria os lábios de Maria? Foi, antes de mais, o facto de o «Todo-Poderoso» com Maria Se mostrar tão generoso. Deus «pôs os olhos na humildade da Sua Serva» (cf. Lc 1, 48). Maria percebeu que Deus é perito em mudar a história, olhando para os humildes com ternura e misericórdia. Deus engrandece os que são pequenos e, muitas vezes, «empequenece» os (que se consideram) grandes. É, sem dúvida, extraordinário como Deus vê tudo ao contrário. Daí que Maria exulte, compondo este cântico «revolucionário».

 

  1. Não falta quem diga que estamos em presença do mais belo poema de todos os tempos. Sophia de Mello Breyner não teve dúvidas em apontar o «Magnificat» como «o mais belo poema que existe». Porquê? Basicamente, porque «anuncia um mundo novo».

Trata-se de um mundo que traz os de baixo para cima e os de cima para baixo. Trata-se de um mundo que coloca os que estão nas periferias no centro, colocando os que estão no centro nas periferias. Trata-se de um mundo que transforma os últimos em primeiros e os primeiros em últimos. Haverá «revolução» maior»? Haverá «revolução» igual?

 

  1. Maria canta as maravilhas que o «Todo-Poderoso» — que, na verdade, é «Todo-Amoroso» — realiza na Sua vida e na vida do mundo. É em nome do Seu poder amoroso — e do Seu amor poderoso — que Deus dispersa os soberbos, derruba os poderosos e deixa os ricos de mãos vazias (cf. Lc 1, 51-53). E é também esse poder amoroso — e esse amor poderoso — que fazem com que Deus exalte os humildes e encha de bens os que têm fome (cf. Lc 1, 52-53).

Deus quer operar esta «revolução» através de nós. E, como Maria percebeu, os que têm menos só podem ter mais se os que têm mais se dispuserem a ter menos. Estaremos dispostos a participar nesta divina «revolução»?

 

  1. É perfeitamente notório que este é o cântico de alguém encantado, de alguém completamente apaixonado. Em cada palavra que diz, vê-se bem que Maria está feliz. E, como reparou São João da Cruz, é perceptível como Maria está apaixonada por Deus. À semelhança de todos os apaixonados, também Maria canta, também Maria encanta.

Aliás, ao longo dos séculos foram muitas as vidas que este cântico mudou porque foram muitos os corações que este cântico encantou. Paul Claudel confessa que foi ao ouvir este cântico que se desencadeou a sua conversão. Ao entrar na igreja de Notre-Dame, quando o «Magnificat» era entoado, o seu coração comoveu-se «como nunca». A partir de então começou a «acreditar por dentro e com todas as forças»!

 

  1. Maria, mulher eminentemente contemplativa, mostra-se aqui uma mulher bastante comprometida. Salta à vista que Maria é saudavelmente inconformista. Sem qualquer hesitação, este cântico poderia ser classificado como sendo de intervenção. Maria a Deus dá glória pelas transformações que opera na história.

Daí que não falte quem qualifique o «Magnificat» de Maria como «um cântico de rebeldia». Ela mostra que Deus não é imparcial. Ela revela que Deus toma partido por aqueles que passam mal. Se Deus é diferente, algum de nós pode continuar indiferente?

 

  1. Para Maria, a fé é o mais importante, mas nunca como um tranquilizante. Para Maria, a fé tem como função despertar-nos e não anestesiar-nos. A paz da fé não é a paz da mera satisfação; a paz de Deus é a paz da permanente inquietação. Ninguém pode estar acomodado enquanto a justiça e a paz não chegarem e todo o lado.

Eis como nós devemos cantar: louvando a acção de Deus dispondo-nos a nela participar. O cântico dos lábios há-de ser a expressão do cântico da vida. Cantamos melhor com os lábios quando o cântico que chega aos lábios nasce da alma e se derrama na vida.

 

  1. Assim sendo, em cada dia, não nos cansemos de cantar como Maria. Coloquemos o cântico de Maria nos nossos lábios e, ainda mais, na nossa vida. Cantemos com a nossa voz e não paremos de cantar com quem está ao pé de nós. Façamos da nossa vida um cântico de louvor, um cântico de gratidão e também um cântico de compromisso com a vida do nosso irmão.

São belos os cânticos que aqui cantamos. São belos os cânticos que daqui levamos. Esses cânticos são para na nossa vida ressoar. Que Nossa Senhora dos Remédios transforme a nossa romaria numa formosa — e interminável — melodia!

publicado por Theosfera às 08:00

A. Há muito bem no mundo

 1. Tenho uma notícia muito boa para vós, neste Domingo. É que, ao contrário do que se diz, existe muito bem neste mundo. Eu sei que não parece. O bem é continuamente silenciado, mas isso não significa que esteja inactivo. O bem vai fazendo o seu caminho no interior das pessoas. O Apóstolo aponta-nos o caminho a seguir. Trata-se de acolher docilmente a Palavra de Deus (cf. Tgo 1, 21). É esta Palavra que fecunda a nossa vida como fecundou a vida fiel de Maria Santíssima. É preciso, pois, ouvir — e cumprir — a Palavra. Não basta escutá-la (cf. Tgo 1, 22). A Palavra não se dirige apenas aos nossos ouvidos. A Palavra quer invadir toda a nossa vida.

 

2. É São Tiago quem no-lo garante na Segunda Leitura da Eucaristia deste Domingo: «Tudo o que de bom nos é dado […] desce do Pai» (Tgo 1, 17). Assim sendo, salta à vista que o nosso problema é andarmos longe de Deus. Quem está com Deus está com o bem.

Faço-me, pois, portador desta bela notícia, em contracorrente com a publicidade que muitos fazem ao mal e à maldade. O mal existe e a maldade alastra. Mas nada podem contra o bem. É que — e esta é a segunda parte da notícia que hoje vos trago — o bem vem de Deus.

 

B. O que mais agrada a Deus

 

3.  Palavra não pode entrar por um ouvido para sair pelo outro. A Palavra que entra pelos ouvidos almeja transformar a nossa existência. É a isto que se chama conversão, mudança. Esta conversão e esta mudança traduzem-se em gestos concretos nos quais São Tiago tipifica a «religião pura e sem mancha» (Tgo 1, 17). De facto, o que mais agrada a Deus é «visitar os órfãos e as viúvas» e «conservar-se limpo de toda a corrupção do mundo» (Tgo 1, 27).

A vontade de Deus consiste, portanto, em fazer o bem ao nosso semelhante e em não cedermos à maldade que nos ameaça. É preciso perceber que nenhum bem vem do mal. Só o bem faz bem.

 

  1. No fundo, é esta a lei maior, a que todas as leis devem estar sujeitas. Jesus debate-Se com alguns dos Seus contemporâneos que eram muito ciosos das leis até nas suas minudências mais pormenorizadas. Jesus não é obviamente contra as leis. O que Jesus quer é que o cuidado com estas leis não impeça a atenção que é devida à lei maior: a lei do amor.

De facto, há leis que asfixiam a liberdade das pessoas e há leis que promovem a liberdade das pessoas. Há leis que sufocam e há leis que libertam. A fé não é uma asfixia da liberdade, mas um transbordamento de liberdade.

 

C. Quando o exterior distorce o interior

 

5. As leis são necessárias, mas a fé tem ir mais além da lei. Temos de ter em conta, sobretudo, os três m's em que Ele insistiu: no m da mensagem (Reino de Deus), no m do mandamento (amor a Deus e ao próximo) e no m da missão (levar o Evangelho a todo o mundo).

Os judeus estavam muito apegados às leis, mas pouco atentos à vida. O principal, para eles, eram os rituais exteriores. A aparência contava mais que a essência. Jesus não Se revê nesta conduta e lamenta: «Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim» (Mc 7, 6).

 

  1. Estamos numa época em que o aparato exterior quase não deixa ver o que se passa no interior. É claro que a vida é feita de interior e exterior. Mas o importante é que o exterior seja o espelho do interior. Infelizmente, nem sempre isso acontece. Muitas vezes, o exterior é uma negação do que ocorre no interior.

Cuidamos muito do exterior e parece que descuidamos completamente o interior. No tempo de Jesus, a preocupação parecia ser «a lavagem dos copos, dos jarros e das vasilhas de cobre» (Mc 7, 4). No nosso tempo, a prioridade parecem ser os foguetes, as músicas, as marchas e as diversões. Nada disto, em si mesmo, é mal. Mas tudo isto é pouco. Acresce que tudo isto é supostamente realizado em honra da Virgem Maria e dos Santos. Mas que preocupação existe em aprender efectivamente com o exemplo deixado pela Virgem Maria e pelos Santos?

 

Que lugar para Cristo nas festas cristãs?

 

7. Os nossos lábios não parecem andar muito longe de Deus. Mas será que o nosso coração está possuído por Deus? Que lugar há para Cristo em tantas festas que se dizem cristãs? Que lugar há para Maria e para os Santos nas romarias que lhes são dedicadas?

Às vezes, dá a impressão de que a Virgem Maria e os Santos são meros pretextos para a festa. Se eles fossem o verdadeiro motivo da festa, o centro da festa seria a Eucaristia. Foi, na verdade, a Eucaristia que fermentou no seio de Maria e transformou a vida dos Santos. Uma festa genuinamente cristã pensaria mais nos pobres e nos que sofrem. Uma festa genuinamente cristã seria, por isso, menos gastadora e mais solidária. Ainda temos muito a aprender, muito a crescer.

 

  1. Os antigos procuraram cristianizar algumas festas pagãs. Não deixemos que, hoje, se repaganizem as festas cristãs. Grande deve ser a festa de alguns dias. Maior há-de ser a festa de todos os dias. É certo que, por natureza, a festa pertence ao excepcional, ao que foge à rotina do quotidiano. Mas não seria apaixonante tornar excepcional o quotidiano?

Não façamos da festa uma ocasião para degradar a natureza humana, obra de Deus. Não afoguemos o nosso corpo em álcool. Não nos embriaguemos com vinho; embriaguemo-nos, sim, mas de fé, de esperança e de amor.

 

E. Abandonamos o interior do país e, ainda mais, o interior das pessoas

 

9. A festa não é para esquecer a vida, mas para nos reabastecer para a vida. A essência da festa está no encontro, no sorriso, no abraço. A festa será tanto mais bela, quanto mais nela nos abrirmos ao Deus da festa. Bela é a festa da conversão. Habitualmente, queixamo-nos ao ver o interior abandonado. Mas só lamentamos o abandono do interior do território. E que achamos do abandono do interior da pessoa? Não será que abandonamos, tantas vezes, o nosso interior e o interior dos outros?

Maria é, toda Ela, um acontecimento de interioridade. Foi no Seu interior que encarnou o Filho de Deus. O interior de Maria é o primeiro sacrário da história. É por isso que importa olhar para Maria e sobretudo olhar com Maria. O olhar de Maria não prende. Pelo contrário, com o olhar de Maria aprende-se: aprende-se a seguir Jesus.

 

  1. Jesus quer que nos transformemos a partir do fundo, a partir de dentro, a partir do nosso interior. Jesus também vem do interior de Deus até ao interior de cada um de nós. É por isso que Ele nos ensina a não nos preocuparmos prioritariamente com o nosso exterior: «Não há nada fora do homem que, ao entrar nele, o possa tornar impuro» (Mc 7, 18). Do interior do homem é que «saem os pensamentos perversos, as imoralidades, os roubos, os assassínios, os adultérios, a cobiça, as más acções, a má-fé, a devassidão, o orgulho e a loucura» (Mc 7, 21-22). Por conseguinte, é pelo interior que temos de começar a conversão. Que adianta um exterior bem apresentado se o interior permanece descuidado?

Jesus não quer só um culto externo. Jesus quer que a oração dos nossos lábios seja a expressão da oração da nossa vida. Rezemos com os lábios, sim. Mas nunca nos esqueçamos de rezar também com a nossa vida: com a nossa vida inteira, com a nossa vida lisa, com a nossa vida (sempre) limpa!

publicado por Theosfera às 04:27

Hoje, 02 de Setembro (22º Domingo do Tempo Comum e 4º Dia da Novena de Nossa Senhora dos Remédios), é dia de S. Luís José François, S. João Henrique Gruyer, S.Pedro Renato Rogue, S. Francisco Luís Hebert, S. Francisco Lefranc, S. Pedro Cláudio Pottier, S. Justo, S. Viator e S. João Beyzim.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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