O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 01 de Abril de 2018

            

Já é Páscoa no tempo,

há alegria e esplendor,

vivacidade e contentamento.

Os foguetes vão estourar,

as flores vão brilhar,

as pessoas vão vibrar,

as casas vão encher

para Te acolher, Senhor.

Há dois mil anos,

removeste a pesada pedra do Teu sepulcro.

Pedimos-Te, Senhor,

que, hoje mesmo,

removas alguma pedra que ainda endureça os nossos corações:

a pedra do pecado,

a pedra do egoísmo,

a pedra da falsidade,

a pedra da injustiça, do ódio e da violência.

Aqui nos tens, Senhor,

não queremos ser sepultura mas berço.

Queremos que nasças sempre em nós

e queremos renascer sempre para Ti.

É tempo de Páscoa.

Exulta a natureza.

Vibram as crianças.

Cantem as multidões.

Que a Páscoa traga Paz,

Amor, Partilha e Felicidade.

Que os rostos sorriam,

que as mãos se juntem,

que os passos se aproximem,

que os corações se abram.

Obrigado, Senhor,

por morreres por nós.

Obrigado, Senhor,

por ressuscitares para nós.

Voltaste para o Pai e permaneces connosco.

Na Eucarista, és sempre o Emanuel.

Que Te saibamos receber

e que Te queiramos anunciar.

Hoje vais entrar em nossas casas.

Que nós nunca Te afastemos da nossa vida.

É Páscoa no tempo.

Que seja Páscoa na vida,

na nossa vida,

na vida da humanidade inteira.

publicado por Theosfera às 10:23

A. As novidades transmitem-se a correr 

  1. A manhã da Ressurreição foi uma manhã de agitação. A manhã daquele dia foi uma manhã de correria. Maria Madalena corre até junto de Pedro e do Discípulo Amado para lhes dizer que tinham tirado a pedra do túmulo (cf. Jo 20, 2). Por sua vez, Pedro e o Discípulo Amado também correm para conferir o que, efectivamente, se tinha passado no túmulo (cf. Jo 20, 4). Quando souberam que Jesus tinha ressuscitado, Maria Madalena e a «outra Maria» foram igualmente a correr dar a notícia aos discípulos (cf. Mt 28, 8).

Compreende-se que assim tenha sido. Compreende-se que tenha havido toda esta «correria pascal». As novidades transmitem-se a correr. E tudo era novo naquela manhã. São João tem o cuidado de anotar que aquele era não um «outro dia», mas o «primeiro dia» (cf. Jo 20, 1). Tratava-se do «primeiro dia» não de uma nova semana, mas de uma nova vida.

 

  1. À semelhança do que aconteceu na primeira criação (cf. Gén 1, 3-5), também a primeira obra de Deus na nova criação é a luz. Segundo o relato do Livro do Génesis, a terra no início estava escura (cf. Gén 1, 2). Também agora e apesar de já ser manhã — altura em que já costuma haver alguma luz —, «ainda estava escuro» (Jo 20, 1).

Só que onde estava escuro não era no exterior; era no interior. Era dentro de Maria Madalena — e de todos os outros — que persistia a escuridão.


 

B. Não houve um assalto, mas um salto

 

  1. Maria Madalena e os outros discípulos ainda não se tinham apercebido de que o dia já começara a brilhar. Naquele momento, ainda não lhes tinha ocorrido que aquele túmulo não estava vazio, mas aberto.

Vazios pareciam estar eles: vazios de fé, vazios de ânimo, vazios de esperança. Ainda era noite no seu íntimo. Para eles, a pedra retirada do túmulo (cf. Jo 20 1) era sinal de um assalto, não de um salto. Mas o que tinha havido não era o assalto ao corpo de um morto, mas um salto da morte para a vida.

 

  1. Só que continuava a ser escuro para todos, como se deduz do plural usado no relato de João: «Levaram o Senhor do túmulo e não sabemos onde O puseram» (Jo 20, 2). O estado de desorientação é total.

Sem Jesus ou com um Jesus morto, não há orientação possível. De resto, é impressionante notar como, nestes nove versículos, a palavra «túmulo» é mencionada sete vezes. O que domina é, pois, a ideia de que Jesus está morto. Há uma atitude de procura, mas trata-se da procura de um Jesus morto.

C. O túmulo não estava vazio, mas aberto

 

  1. Eis o que nos pode acontecer: anunciar Jesus, mas um Jesus sem vida. Nessa altura, é preciso correr ao encontro do próprio Jesus (cf. Jo 20, 4). Só junto de Jesus se faz luz. Só junto de Jesus se faz luz sobre Jesus. Não é Jesus a luz (cf. Jo 8, 12)? Por conseguinte, só junto de Jesus aprendemos a crer em Jesus e a conhecer Jesus.

O Discípulo Amado, que estivera com Jesus até ao fim (cf. Jo 19, 26), vai à frente. Pedro, que não esteve com Jesus até ao fim, vai atrás. É por isso que, como bem notou D. António Couto, Pedro tem de seguir quem seguiu Jesus. Na Igreja inteira, o amor tem a dianteira. O Discípulo Amado chega primeiro ao túmulo: inclina-se, vê, mas não entra (cf. Jo 20, 6). Porque o amor é paciente (cf. 1Cor 13, 4), é capaz de esperar até por aqueles que vacilam no amor.

 

  1. Os dois discípulos, em correria, perceberam, finalmente, o que acontecia. No túmulo, os panos que envolveram o corpo de Jesus estavam no chão e o lenço que Ele tivera na cabeça encontrava-se cuidadosamente dobrado, noutro sítio (cf. Jo 20, 5.7). Vêem e acreditam (cf. Jo 20, 8). Começam, finalmente, a entender o que, até então, não tinham entendido (cf. Jo 20, 9). No fundo e como observa D. António Couto, o túmulo não estava vazio, mas cheio, cheio de sinais: não cheio de sinais de morte, mas cheio de sinais de vida. Os ladrões não teriam o cuidado de dobrar o lenço da cabeça de Jesus. Não é costume dos ladrões deixar as coisas em ordem quando assaltam.

    Mas há ainda outra razão para que os discípulos tenham entendido o que se passou. É que a posição do lenço na mesa constituía uma mensagem do senhor para o seu servo. Este nunca tocava na mesa antes de o senhor ter terminado a refeição. E como é que ele saberia que o senhor terminou? Precisamente pela posição do lenço. Se o senhor colocasse o lenço amarrotado queria dizer: «Eu terminei». Mas se deixasse o lenço dobrado ao lado do prato, o servo continuava a não tocar na mesa, porque aquele lenço dobrado queria dizer: «Eu voltarei!»

     

     D. Foi Deus que tirou a pedra do túmulo

     

    7. Os discípulos viram, acreditaram e perceberam a mensagem que vinha do túmulo. Jesus tinha voltado. Isto significa que aquilo que se passou no túmulo não foi acção humana, mas obra divina. O túmulo foi aberto por Deus. A pedra foi removida por Deus. A morte foi vencida por Deus. Não esqueçamos que, segundo Mateus, foi um anjo do Senhor que desceu do Céu e retirou a pedra (cf. Mt 28, 2)Foi Deus que tirou a pedra do túmulo

Deus «desamarra» Jesus de todas as «amarras». É Deus que «desliga» Jesus de todas aquelas «ligaduras». É então que se faz luz nas escuras vidas dos discípulos. Faz-se luz sobre a Ressurreição e faz-se até luz sobre a morte. Nem a morte eliminou Jesus. A Sua vida não foi interrompida, mas transfigurada. A morte de Jesus é uma morte «morticida», uma morte que mata a morte. Não elimina a vida; ilumina a vida.

 

  1. Os discípulos ainda não tinham entendido que Jesus devia ressuscitar dos mortos. Também lhes fora difícil perceber que Jesus tinha de morrer para ressuscitar. Ou seja, só agora começavam a abarcar o sentido daquela morte e desta ressurreição. Compreenderam, finalmente, o sentido das palavras do Mestre. Ninguém Lhe tinha tirado a vida; era Ele que dava a vida (cf. Jo 10, 18).

Aquela morte não era um termo da vida, mas uma oferta da vida. Esta ressurreição não era um regresso à vida, mas um ingresso na Vida: na vida que vence a morte. Nós que, tantas vezes, sentimos que vamos morrendo na vida, encontramos assim sentido na própria morte.


 

E. Sempre em Páscoa

 

  1. Vivamos, por isso, em Páscoa e não apenas no dia de Páscoa. Não basta haver um dia de Páscoa. É preciso que haja toda uma vida de Páscoa. É urgente que todas as nossas vidas sejam vidas de Páscoa.

É a vida de Páscoa que dá sentido ao dia de Páscoa, ao tempo de Páscoa.

 

  1. A Páscoa está no tempo para nunca deixar de estar na vida. A Páscoa não cansa. Não cansa nem dá descanso. É preciso fazer como os discípulos da primeira hora. É preciso sair e correr, a toda a pressa, para anunciar Jesus.

Digamos, então, a todos que aquele que foi à morada dos mortos continua vivo. Até aos mortos Ele dá vida. É Jesus que nos faz viver. É por Jesus que nem na morte havemos de morrer!

 

publicado por Theosfera às 05:42

Hoje, 01 de Abril (Páscoa da Ressurreição), é dia de S. Hugo de Grenoble e S. Macário.

Um santo e abençoado dia de Páscoa para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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