O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

Só uma palavra.

Só uma palavra para Ti, Senhor.

Só uma palavra para Te agradecer,

para Te louvar.

 

Hoje, Senhor, apareces com uma mensagem de alento,

com uma proposta com sabor a novidade.

 

Tu queres, Senhor, que olhemos para a frente,

que não fiquemos dominados pelo passado.

 

Obrigado, Senhor, por fazeres algo de novo,

por fazeres tudo de novo.

 

Essa novidade já começa a aparecer,

essa novidade és Tu:

a Tua palavra e a Tua presença.

 

Tu, Senhor, és o caminho aberto no deserto,

o rio lançado na terra árida.

 

Tu és aquele que junta multidões,

que faz andar os paralisados.

 

Tu és aquele que perdoa,

que transforma e revigora.

 

Como há dois mil anos,

também hoje nunca vimos nada assim,

nunca vimos nada igual.

 

Tu, Senhor, és incomparável,

Tu, Senhor, és único.

 

Por isso, nós Te dizemos «sim»,

sim com os lábios,

sim com a vida.

 

Recebe o sim do nosso amor,

do amor que vem de Ti,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:36

A. «Quem é Deus?», «Onde está Deus?»

  1. Acerca de Deus, duas são as perguntas que mais fazemos: «Quem é?» e «Onde está?»; «Quem é Deus?», «Onde está Deus?». Sucede que as respostas nunca nos satisfazem. Cada resposta parece não fechar as portas a mais perguntas. Pelo contrário, cada resposta é uma porta aberta a um novo vendaval de perguntas.

«Quem é Deus?» Aprendíamos, outrora, na catequese, que «Deus é um espírito puro, eterno e criador». «Onde está Deus?» Ouvíamos, na mesma — e saudosa — catequese, que «Deus está no céu, na terra e em toda a parte».

 

2. Curiosamente, a Oração Colecta da Eucaristia deste Domingo também nos oferece uma resposta para esta última pergunta. (Refira-se, a propósito, que a oração que antecede a Primeira Leitura chama-se colecta porque colecciona os nossos pedidos elevando-os até Deus). «Onde está Deus», então? Segundo a Oração Colecta deste Domingo — e desta semana —, Deus está presente «nos corações rectos e sinceros». É nos corações rectos e sinceros que Deus faz a Sua morada.

A rectidão e a sinceridade são fundamentais. Não são as palavras que convencem. Ser recto é seguir em frente, é não andar às curvas, ora para um lado, ora para o outro. E sincero quer dizer — etimologicamente — sem cera, ou seja, sem enfeites artificiais. Pelo que ser recto e ser sincero é ser liso, é ser transparente, é ser autêntico.

 

B. A pior lepra — hoje — é a falsidade

 

 

3. Entende-se, então, que Deus Se deixe encontrar na rectidão e na sinceridade. Deus deu-nos um só rosto, não duas caras. Devemos ter, por isso, uma personalidade única e não uma personalidade dupla, ou múltipla. A nossa personalidade não deve variar conforme as ocasiões ou os interesses. Em cada situação, devemos ser inteiros e limpos. Não devemos ser integristas, mas devemos ser íntegros. Caso contrário, nunca nos conheceremos nem nos conhecerão.

Não podemos ser uns em casa e outros fora de casa. Não podemos ser uns na igreja e outros fora da igreja. Há que ser coerente. A mentira dos lábios faz mal, mas a falsidade da vida faz muito pior.

 

4. A falsidade é, hoje em dia, a grande lepra de que padecemos. Como sabemos, a lepra já não é uma doença incurável. Mas é uma doença de que muitos não se querem curar. Há quem não queira curar-se da lepra da falsidade, da lepra da corrupção, da lepra da injustiça. É uma lepra que todos reconhecemos, mas que poucos assumem.

Jesus, que Se apresentou como sendo a Verdade (cf. Jo 14, 6), é o médico — e o medicamento — para vencermos esta lepra da falsidade.

 

C. Curar é salvar, salvar é curar

 

 

5. Não é por acaso que, na Bíblia, o verbo que significa curar («sozô») também significa salvar. Do mesmo modo, o latim «salus» tanto significa saúde como salvação. E a experiência confirma que, quando se vêem livres de uma doença grave, as pessoas não dizem «Aquele médico curou-me», mas «Aquele médico salvou-me». De facto, curar é salvar e salvar é curar. A cura é salvação e a salvação é cura, a definitiva cura.

Não é, pois, em vão que o Evangelho coloca a cura de um leproso nos começos da missão pública de Jesus. A lepra era não só um facto, mas também um sinal. Além de uma doença, a lepra era um estigma que acarretava exclusão. O Evangelho quer mostrar que Jesus vem para incluir os que estão excluídos, atraindo para o centro os que são atirados para as margens.

 

  1. Tenhamos em conta que, naquela altura, a lepra era uma doença incurável e, ainda por cima, contagiosa. O leproso era privado do convívio com as outras pessoas sendo remetido para um lugar isolado. Como ouvimos na Primeira Leitura, o leproso tinha de usar «vestuário andrajoso» e «cabelo desalinhado». Era obrigado a gritar: «Impuro, impuro». Era como impuro que costumava ser visto pelos outros (cf. Lev 13, 44-46).

Se um leproso viesse ao encontro das outras pessoas, teria de tocar um sino, para se fazer anunciar e, assim, manter as distâncias. Podemos dizer que se tratava de uma espécie de morte antes da morte. A lepra era uma morte antecipada. No caso — muitíssimo raro — de um leproso se curar, teria de ir ao Templo de Jerusalém para se mostrar ao sacerdote, que o examinava e lhe permitia voltar a conviver com qualquer pessoa. Foi por isso que Jesus, que conhecia as apertadas normas do Judaísmo, determinou que este leproso, agora curado, se fosse apresentar ao sacerdote (cf. Mc 1, 44).

 

D. Jesus é o Deus-abraço

 

 

  1. Ao curar o leproso, Jesus sinaliza que está no mundo para nos curar da grande lepra que é o pecado. A cura está, portanto, à nossa disposição. Mas é fundamental assumir que estamos doentes. Tal como sucede com a lepra, também o pecado pode criar em nós alguma insensibilidade. A zona do corpo atingida pela lepra vai caindo aos bocados, tornando-se insensível. Também nós vamos decaindo no pecado e, a certa altura, pode acontecer que já nem nos apercebamos do pecado.

«O pecado do nosso tempo — alerta Pio XII — é a perda do sentido do pecado». É preciso, por conseguinte, ter a lucidez e a coragem deste leproso. Tal como o primeiro passo para reaver a saúde é reconhecer que estamos doentes, também a primeira atitude para recuperar a graça é assumir que somos pecadores.

 

  1. Neste contexto, o afastamento do sacramento da Confissão não certifica, necessariamente, que as pessoas tenham uma vida mais santa. Pode indicar, antes, que muitos já nem sequer têm consciência do pecado em que vivem. É importante «cair de joelhos» como o leproso (cf. Mc 1, 40). O leproso venceu as barreiras do estigma e as barreiras da multidão. Ele tinha a certeza de que Jesus era o Emanuel, o Deus-connosco, o Deus em nós. O leproso percebeu — como nós devíamos perceber — que só em Jesus encontramos a cura e, portanto, a salvação.

Jesus é o Deus próximo, o Deus compadecido, o Deus que estende a mão, o Deus que abraça, o Deus-abraço. Jesus é o Deus que (nos) toca. Nunca é demais recordar que Jesus curava tocando nas pessoas e deixando-se tocar pelas pessoas. Em Jesus, Deus não age à distância. Ele supera a estranheza ontológica, que nos distancia de Deus, através de uma entranheza pessoal, que nos amarra definitivamente a Deus.

 

E. Deixemo-nos limpar por Jesus

 

 

  1. Estaremos nós dispostos a vencer as barreiras que erguemos dentro de nós e que construímos fora de nós? O nosso olhar ainda se mostra muito insensível e o nosso coração ainda se mantém bastante fechado. Mas não tenhamos medo de nos aproximar de Jesus.

Ele é luz para o nosso olhar e limpidez para o nosso coração. Jesus quer-nos limpar. Como ao leproso, também a cada um de nós Ele diz: «Quero, fica limpo!» (Mc 1,41). Deixemo-nos limpar sempre por Jesus.

 

  1. Depois de limpos, já não precisamos de gritar, como os leprosos, que estamos impuros. Agora, o grito é outro. Já não gritamos para denunciar a impureza, mas para anunciar a beleza: a beleza da Boa Nova de Jesus. O que era leproso — desobedecendo à ordem de Jesus (cf. Mc 1, 44) — começou a anunciar a boa nova da cura da sua lepra (cf. Mc 1, 45). Nós somos chamados a anunciar a boa nova da cura de todas as lepras. Evangelizar é gritar que estamos curados, que estamos limpos, que estamos salvos.

Foi o que fez São Paulo que, depois de perseguir Jesus, dedicou toda a sua vida a seguir Jesus. Tal como Paulo imitou Jesus, também nós somos convidados a imitar Paulo (cf. 1Cor 11, 1), anunciando Jesus. Muita gente está à espera, mas o Evangelho não pode esperar. É connosco que Jesus conta, hoje, para levar o Evangelho. Não faltemos à chamada. Tudo pode ser diferente se cada um de nós não for indiferente. Que o «não» nunca se solte dos nossos lábios. E que um imenso «sim» se faça ouvir nas nossas vidas!

publicado por Theosfera às 05:34

Hoje, 11 de Fevereiro (Sexto Domingo do Tempo Comum e Dia Mundial do Doente), é dia de Nossa Senhora de Lourdes, Sto. Adolfo e S. Bento de Aniano.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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