O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 28 de Janeiro de 2018

Ainda há pouco, ouvimos o Evangelho

e daqui a pouco vamos para o mundo viver o Evangelho.

 

O Evangelho é a nossa vida,

o nosso trabalho, o nosso ser.

 

«Ai de mim se não anunciar o Evangelho!».

Este é o grito de S. Paulo.

Esta há-de ser a nossa preocupação.

 

Que o Evangelho seja a nossa respiração,

o nosso acordar, o nosso viver e o nosso entardecer.

 

Leva-nos para o mundo, Senhor,

semear o Evangelho da esperança,

o Evangelho da justiça

e o Evangelho da paz.

 

Cura-nos, Senhor, da nossa febre,

como curaste a febre da sogra de Simão.

 

Que não haja nada nem ninguém a impedir-nos

de fazer do Evangelho a estrela do nosso firmamento,

a cintilar nos passos do nosso caminho.

 

Ajuda-nos, Senhor,

a ser eco do Teu Evangelho,

a levarmos a todos

a Tua presença de amor,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:52

A. A orar antes de o dia começar

 

  1. «Como seria o dia-a-dia de Jesus?» Este Domingo começa a responder à nossa pergunta e a satisfazer a nossa curiosidade. No âmbito da chamada «Jornada de Cafarnaum», São Marcos oferece-nos a descrição de um dia típico na vida de Jesus.

Refira-se, a propósito, que Cafarnaum («aldeia de Naum») situava-se a norte do mar da Galileia. Era uma espécie de cidade adoptiva de Jesus, a Sua residência mais frequente e o local de tantas maravilhas por Ele realizadas. Não espanta, pois, que Cafarnaum fosse vista como «a Sua cidade» (Mt 9, 1). Era lá que Jesus Se sentia em casa (cf. Mc 2, 1).

 

2. Ficamos, assim, a saber que dia-a-dia de Jesus era composto, basicamente, por quatro actividades: 1) oração; 2) acolhimento; 3) ajuda aos mais necessitados e 4) ensino. São estas as principais ocupações de Jesus. Pelo que hão-de ser estas também as ocupações de todo o discípulo de Jesus.

No começo de tudo, está a oração. A oração vem logo no início do dia ou até antes do início, pois Jesus começa a orar antes de o dia começar. Ele começa o dia de madrugada, «ainda muito escuro», num lugar solitário, em oração (cf. Mc 1, 35). Depois da oração pessoal, vem a oração comunitária. Jesus aparece na sinagoga para rezar em comunidade. Nem a oração pessoal dispensa a oração comunitária nem a oração comunitária dispensa a oração pessoal. As duas requerem-se, postulam-se e abastecem-se. A oração comunitária nasce da oração pessoal e a oração pessoal alimenta a oração comunitária.

 

B. Novas não eram as palavras; nova era a vida

 

3. A sinagoga, que significa «assembleia reunida», é o lugar de encontro por excelência da comunidade judaica. Aqui se fazia a profissão de fé (cf. Deut 6, 4-9). Aqui se proclamavam os textos da Lei e dos Profetas. Vinha, depois, a explicação dos textos, uma espécie de homilia. Seguiam-se as bênçãos. Como qualquer israelita cumpridor da Lei, Jesus frequentava a sinagoga. Foi na sinagoga que Jesus deu início à Sua missão e foi na sinagoga que ensinou muitas vezes. Aliás, os apóstolos farão o mesmo mais tarde (cf. Act 13, 14-44).

Desta forma, Jesus leva o novo ao antigo. Ele é o novo que renova o antigo. Como refere o Apocalipse, Jesus é aquele que faz novas todas as coisas (cf. Ap 21,5). Não ignora — nem subestima — o antigo. Pelo contrário, Jesus vai ao encontro do antigo para o renovar, para o completar, para o levar à plenitude.

 

  1. Toda a gente ficou encantada com Jesus. As pessoas maravilhavam-se com a Sua doutrina (cf. Mc 1, 22), que consideravam «nova» (cf. Mc 1, 27). Mas qual era a novidade de Jesus? A Sua novidade não estava tanto no que dizia; estava sobretudo no modo como dizia e agia. Como notou Walter Kasper, o que era novo em Jesus era, acima de tudo, «a Sua conduta», isto é, a Sua vida.

Jesus preocupou-Se sempre mais com o porte do que com a pose, mais com a verdade do que com a mera aparência. São Marcos não se esquece de vincar que «Jesus ensinava como quem tem autoridade» (Mc 1, 22), em total contraste com os doutores da Lei. Estes eram mestres, mas sem dar testemunho. E, já naquele tempo, a humanidade (como notou Paulo VI) seguia mais as testemunhas que os mestres.

 

C. Jesus tem sempre sabor a novidade

 

  1. Jesus sempre denunciou os que dizem e não fazem (cf. Mt 23, 3), os que dizem o contrário do que fazem, os que fazem o contrário do que dizem. Um dizer sem fazer cansa e um dizer contrário ao fazer afasta.

Percebe-se, então, que Jesus fosse uma autêntica lufada de ar fresco, sacudindo o bafio das atitudes incoerentes dos que alardeavam uma sabedoria sem vivência no dia-a-dia.

 

  1. Compreendemos, assim, porque é que a autoridade de Jesus era notada. É que Jesus dizia o que fazia e fazia o que dizia. Em Jesus, a palavra dos lábios estava sempre em sintonia com a palavra da vida.

O que vinha de Jesus soava a diferente e sabia a novo. Daí o efeito da Sua presença e a eficácia da Sua palavra. A palavra de Jesus não é meramente indicativa; é uma palavra performativa: diz o que realiza e realiza o que diz. Diz ao «espírito impuro» para sair do homem que entretanto aparecera na sinagoga e o «espírito impuro» sai imediatamente (cf. Mc 1, 25-26).

 

D. Em Cristo, nenhum poder será capaz de nos vencer

 

  1. Para os judeus, as doenças eram provocadas por «espíritos maus», que aprisionavam as pessoas. Estas ficavam impossibilitadas de cumprir a Lei e, nessa medida, caíam numa situação de «impureza». Daí que tais espíritos sejam qualificados como «impuros».

Só Deus, com o Seu poder absoluto, era capaz de vencer estes «espíritos». Acontece que os ritos para invocar a libertação de Deus eram muito demorados. Daí o espanto quando as pessoas vêem Jesus resolver tudo com uma única frase: «Cala-te e sai desse homem» (Mc 1, 25).

 

  1. Mais do que descrever a natureza do mal que afectava aquele homem, o que o texto sagrado nos mostra é a autoridade de Jesus sobre o próprio mal. Jesus é mais forte que o mal. É por isso que só em Jesus seremos capazes de vencer o mal. Aliás, sem Jesus que poderemos fazer (cf. Jo 15, 5)?

Não nos preocupemos, pois, com os «espíritos». Não há nada — nem ninguém — mais forte que Jesus. Ele veio para nos libertar. Se Ele está por nós, alguém terá qualquer poder contra nós? (cf. Rom 8, 31). Até pode haver quem esteja contra nós. Mas, quando estamos com Cristo, nenhum poder será capaz de nos vencer.

 

E. No nosso coração, a Sua salvação

 

  1. Jesus é mesmo diferente, é único, é inteiramente novo. Entende-se, portanto, que as pessoas se questionem: «O que vem a ser isto?» (Mc 1, 27). E não admira que a «fama de Jesus se tenha espalhado por toda a parte» (Mc 1, 28). Aliás, a «fama de Jesus» nunca cessa de se espalhar. Dois mil anos depois, Jesus continua a ser novo e a renovar. É sempre nova a Sua presença, é sempre nova a Sua palavra, é sempre novo o Seu mandamento (cf. Jo 13, 34), é sempre nova a Sua Lei, enfim é sempre nova a Sua vida.

É esta a novidade que dá sentido à nossa vida de cada dia. Ao contrário do que se ouve por aí, o profeta não é aquele que adivinha o futuro; é, sim, aquele que anuncia um sentido para o presente. Mas o profeta não tem discurso próprio. Deus põe na boca do profeta as Suas palavras para que ele diga sempre — e apenas — o que lhe mandar (cf. Deut 18, 18).

 

  1. Do profeta espera-se fidelidade. De todos nós, aliás, não se espera senão fidelidade. Como exorta São Paulo, a fidelidade é para todos: para os que se casam e para os celibatários por amor do Reino de Deus (cf. 1Cor 7, 32-35). No fundo, a fidelidade entre os esposos é também uma realização da fidelidade a Deus. O marido, ao ser fiel à sua esposa, está a ser fiel a Deus e a esposa, ao ser fiel ao seu marido, está a ser fiel a Deus. Foi diante de Deus que ambos prometeram fidelidade.

Nada nos pacifica tanto como ser fiel. As adversidades podem ser grandes, mas o Deus sempre fiel é imensamente maior. E Deus ajuda-nos a sermos fiéis: a sermos fiéis a Deus, a sermos fiéis às pessoas e a sermos fiéis aos compromissos para com Deus e para com as pessoas. Escutemos sempre a voz de Deus. E nunca Lhe fechemos o nosso coração (cf. Sal 95, 8). É até ao mais fundo do nosso coração que chegará a Sua salvação!

publicado por Theosfera às 05:32

Hoje, 28 de Janeiro (Quarto Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Tomás de Aquino e S. Valério.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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