O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 09 de Janeiro de 2018
  1. Às vezes, parece que nos resignamos a ser meros «cristãos da tarde», caminhando soturnamente para o ocaso.

Quem nos ouve fica com a sensação de que a «noite» é o nosso inevitável (e único) destino. Não haverá lugar para novas «manhãs»?

 

  1. É certo que a Bíblia nidifica, frequentemente, a nossa existência na «tarde» e na «noite».

Mas sempre com vista para a «manhã».

 

  1. Segundo alguns relatos da criação, o mundo não viaja da manhã para a tarde, mas da tarde para a manhã (cf. Gén 1,1-2,4). É por isso que, para Isaías, a função da sentinela é — na noite — anunciar a chegada da manhã (cf. Is 21, 11-12).

Assim sendo, não será missão do crente proclamar que a «noite» vai adiantada e que o «dia» já reluz (cf. Rom 13, 13)?

 

  1. O nosso mal é que, como assinala Ruy Belo, «já não sabemos donde a luz mana».

Portamo-nos como quem perdeu «a luta da fé; não é que no mais fundo não creiamos, mas não lutamos já firmes e a pé».

 

  1. Precisamos, pois, não só de uma «reforma perene» (de que fala o Vaticano II), mas também de um «renascimento contínuo».

Para Christoph Theobald, não basta que a Igreja esteja «em reforma». É fundamental — e cada vez mais urgente — que constituamos uma «Igreja em nascente», uma «Igreja em permanente gestação».

 

  1. Mais do que a preocupação pelas estruturas, o que tem de avultar é a paixão pelo anúncio de Cristo e pela vida em Cristo.

Tendo em conta que muitos já não vêm à procura, é imperioso que nós vamos ao encontro.

 

  1. Christoph Theobald sugere que apostemos numa «pastoral da visitação». Que batamos às portas e que, em casa das pessoas, promovamos a leitura das Escrituras.

Essa será uma oportunidade para propor uma abertura «à dimensão sacramental da fé em Cristo».

 

  1. É vital recuperar a chama, o viço e o encanto dos começos.

Não podemos apresentar a Igreja como se de uma «carcúndia» entorpecida se tratasse.

 

  1. Há que ser original na transmissão da fé.

E tenhamos presente que ser original não é (necessariamente) afastar-se do que tantos fizeram; até pode ser trilhar o que muitos andaram.

 

  1. Afinal, ser original é ser fiel às origens. É transportar o entusiasmo das origens para o nosso tempo.

Nunca envelhecerá quem, em cada momento, for capaz de renascer!

publicado por Theosfera às 11:02

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