O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 17 de Dezembro de 2017

Natal é a mesa farta,

mas é sobretudo a alma cheia.



Natal é Jesus, Natal é a família,

Natal é a humanidade e Natal também és tu.



Não fiques à espera do Natal,

sê tu mesmo o melhor Natal para os outros.



Constrói um Natal para todo o ano,

para toda a vida.



Tu és o Natal

que Deus desenhou e soube construir.



É por ti que Deus hoje continua a vir ao mundo.

É em ti que Ele também renasce.



Sê, pois, um Natal de esperança,

de sorriso e de abraços,

de aconchego e doação.



Também podes ser um Natal com algumas lágrimas.

São elas que, tantas vezes, selam o reencontro e sinalizam a amizade.



Eu vejo o Natal no teu olhar, no teu rosto, no teu coração,

na tua alma, em toda a tua vida.



Há tanta coisa de bom e de belo em ti.

Tanta coisa que Deus semeou no teu ser.



Descobre essa riqueza, celebra tanta surpresa,

partilha com os outros o bem que está no fundo de ti.



Diz aos teus familiares que os amas,

aos teus amigos que gostas deles,

aos que te ajudam como lhes estás agradecido.



Não recuses ser Natal junto de ninguém. Procura fazer alguém feliz.



Não apagues a luz que Deus acendeu em ti.

Deixa brilhar em ti a estrela da bondade e deixa atrás de ti um rasto de paz.



Que tenhas um bom Natal.

A partir de agora. Desde já. E para sempre!

publicado por Theosfera às 10:44

A. Não é a euforia que nos traz a alegria

  1. Hoje é o Domingo da Alegria. E até o celebrante se (re)veste de rosa para assinalar época tão gozosa. É tempo de alegria no meio de toda esta aragem fria. É tempo de alegria porque Deus nos «aquece» quando do Céu à Terra desce.

Alegremo-nos, pois, mesmo (ou sobretudo) quando a tristeza nos visita e o desalento nos possui. A alegria é terapia que nos rejuvenesce nos piores momentos. Não há só alegria quando o rosto sorri. Até pode chover alegria quando as lágrimas pelo rosto (es)correm. Na vida, a alegria mais bela é quando Deus está nela. Deixemos entrar Deus na nossa alma e, mesmo na tempestade, não perderemos a paz. Nem a calma.

 

  1. Hoje em dia, há um grande défice de alegria. Recorremos à euforia para compensar a ausência de alegria. Mas não é a euforia que nos traz a alegria. O que a euforia consegue é, por uns momentos, esconder a tristeza que nos invade. Basta ouvir a espantosa voz de Ana Moura no seu — e nosso — «(des)fado»: «Ai que tristeza, esta minha alegria. Ai que alegria, esta tão grande tristeza».

Na verdade, aquilo a que, quase sempre, chamamos «alegria» não passa da euforia que encobre — e tenta esconder — uma avassaladora tristeza. A verdadeira — e única — alegria é aquela que vem com Deus. É Deus que verdadeiramente nos alegra, a nós, filhos Seus. E que bela é a alegria de, em cada momento, poder celebrar o divino nascimento!

 

B. Na vida, a alegria mais bela é quando Deus está nela

 

 

  1. É por isso que, no meio do Advento, este é o chamado «Domingo mediano», mais conhecido, porém, como «Domingo da Alegria». Trata-se do Domingo «Gaudete», fórmula verbal latina que significa «alegrai-vos».

É a ressonância de um convite feito por São Paulo na Carta aos Filipenses: «Alegrai-vos sempre no Senhor» (Fil 4, 4). Ou seja, o que nos dá alegria não é o que nos vem do exterior. O que nos dá alegria é, em nós, a presença do Senhor.

 

  1. Haja o que houver, nada pode roubar esta alegria que Deus nos está sempre a dar. No Sermão da Montanha, mesmo a finalizar o elenco das Bem-Aventuranças, Jesus faz um enfático convite à alegria: «Alegrai-vos e exultai pois é grande nos céus a vossa recompensa» (Mt 5, 12).

Quem tem Deus, ainda que nada mais tenha, tem tudo. Já Isaías, no Antigo Testamento, se faz eco desta convicção ao dizer: «Exulto de alegria no Senhor» (Is 61, 10). É em Deus — e não no dinheiro ou no poder — que está a nossa alegria. Daí que São Paulo insista: «Vivei sempre na alegria» (1Tes 5, 16).

 

C. A alegria do Evangelho e o Evangelho da alegria

 

 

  1. Foi esta a alegria que Maria experimentou, apesar das contrariedades por que passou. O Salmo Responsorial faz-se eco do cântico do «Magnificat», em que Maria «exulta de alegria em Deus, Seu [e nosso] Salvador» (Lc 1, 46). Maria está alegre porque, como bem observou São João da Cruz, está apaixonada por Deus e «todos os apaixonados cantam».

Não espanta que Sophia de Mello Breyner tenha considerado o «Magnificat» como «o mais belo poema que existe». Porquê? Porque «anuncia» um mundo novo. Recorde-se que foi este cântico que provocou a conversão de Paul Claudel. Ao entrar em Notre-Dame, quando o «Magnificat» era entoado, o seu coração comoveu-se «como nunca». A partir de então começou a «acreditar por dentro e com todas as forças»!

 

  1. Foi para vincar a alegria pela presença de Deus que, em 1975, o Papa Paulo VI escreveu a exortação apostólica «Gaudete in Domino». E, em 2013, o Papa Francisco também nos brindou com uma exortação apostólica sobre a alegria, ligada ao Evangelho. É que só no Evangelho, a mais bela notícia que existe, reencontraremos a alegria para esta vida (tantas vezes) triste.

Daí que o Santo Padre tenha dado à sua exortação o título de «A alegria do Evangelho». No fundo, ele está a convidar-nos a que nos reaproximemos do Evangelho da alegria: «A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus». É por tal motivo que «os cristãos têm o dever de anunciar o Evangelho: não como quem impõe uma nova obrigação, mas sim como quem partilha uma alegria».

 

D. A alegria até pode vir regada pelas lágrimas

 

  1. A alegria pode não vir pelo riso. A alegria até pode vir profusamente regada com lágrimas. Jesus considerou felizes os que choram (cf. Mt 5, 4). E não guardamos nós memória de tantas lágrimas de alegria? A maior alegria está na seriedade. Não estamos longe da alegria quando estamos perto da seriedade. A alegria é mesmo uma coisa muito séria. E não será a seriedade a coisa mais alegre?

Paul Claudel afirmou que «onde há mais alegria, há mais verdade». A seriedade é, sem dúvida, alegre. A seriedade é, definitivamente, a coisa mais alegre deste mundo. E, com o nosso Almada Negreiros, acrescentaria que «a alegria é a coisa mais séria desta vida». O sustento da alegria encontra-se num coração puro, numa alma transparente e numa vida limpa.

 

  1. É neste espírito que devemos olhar para João Baptista como um modelo de alegria. À partida, ouvindo o que ele diz e reparando no que ele faz, seríamos tentados a deduzir que se trata de um homem circunspecto, às vezes um pouco ríspido até. Mas essa seria uma visão superficial e uma apreciação injusta.

João Baptista é profundamente alegre porque é intrinsecamente sério. A sua seriedade é o sustento da sua alegria. Homem corajoso, nunca recuou perante os obstáculos nem vacilou diante das ameaças. Era um homem liso e limpo: dizia as coisas próprias nos momentos certos. Foi sempre oportuno, ainda que as circunstâncias o fizessem parecer inoportuno. O que ele jamais quis ser foi oportunista. Nunca agiu em proveito próprio. Nunca pretendeu cavalgar ondas de popularidade, mesmo que tal lhe fosse fácil, já que tinha muitos seguidores.

 

E. Mesmo na solidão, Deus plantará sempre alegria no nosso coração

 

 

  1. A palavra de João foi sempre cortante: «Eu não sou o Messias» (Jo 1, 20). João era a voz de quem «clama no deserto» (Jo 1, 23). Ele diz «voz» e não «palavra», porque a Palavra não é João; é Jesus. João estava ao serviço do Messias que havia de vir (cf. Jo 1, 27). E o importante, para João, é que o Messias cresça, mesmo que ele diminua (cf. Jo 3, 30). A sua humildade nasce da sua coragem.

João é, todo ele, um programa: desde o seu nome até à sua vida. João significa «Deus faz graça» e não há dúvida de que ele se comportou sempre como um agraciado, enviado por Deus, como diz o quarto Evangelho: «Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João» (Jo 1,6). Faz, pois, sentido com esta grande figura estar em sintonia no Domingo da alegria. Só há alegria quando há seriedade, quando há autenticidade, quando há verdade.

 

  1. Alegremo-nos, então, à maneira de João. E, com João, enchamo-nos de luz para receber Jesus. Ele já está no meio de nós. Já saboreamos a Sua paz. Vós, sobretudo os que sentis o coração tingido pela tristeza, tende a certeza de que Ele enche a vossa vida de beleza. Deixai que as vossas lágrimas escorram. Mas não deixeis que as vossas alegrias morram. Basta saber que Deus está no meio de nós para que nunca nos sintamos sós. E, mesmo na solidão, Deus plantará sempre alegria no nosso coração.

Tenhamos isto presente e digamo-lo a toda a gente: «Onde mais alegria, há mais seriedade. Onde há mais seriedade, há mais alegria». A alegria não é a euforia de uma noite divertida. A alegria vem pela seriedade de uma vida limpa, ainda que sofrida. A alegria da seriedade e a seriedade da alegria são os mais belos ornamentos para o nosso contínuo Advento. E para o nosso eterno Natal!

publicado por Theosfera às 05:55

Hoje, 17 de Dezembro (Terceiro Domingo do Advento), é dia de S. João da Mata, Sta. Olímpia, S. José de Manyanet e Mártires de Gaza.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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