O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 17 de Setembro de 2017

Dois dias depois de ter estado no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, Dois dias antes de estar no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, Tu, Mãe, vieste buscar o Teu filho António Francisco.

Ouvimos o que ele de Ti disse na Cova da Iria. Preparávamo-nos para ouvir o que sobre Ti ele iria dizer, aqui, em Lamego. Mas foi nesse dia que o seu corpo desceu à terra, Quando a sua vida já tinha entrado no Céu.

À Tua beira, ele ficará a eternidade inteira. Porque é que não nos alegramos com esta passagem? Porque é que choramos com esta viagem?

Entrar na eternidade devia encher-nos de felicidade. Perdoa, Mãe, a nossa fragilidade. Mas somos humanos e gostamos de sentir a presença dos que amamos.

António Francisco era uma pessoa que amava a todos e por todos era amado. O seu coração não se cansou de amar. O seu coração «explodiu» com tanto amor.

Já não cabia na terra o seu amor. Por isso, vieste buscá-lo com tanto ardor.

Sentimos a sua falta. Mas sentiremos, ainda mais, a sua presença.

Não foi longa a sua vida, Mas é eterno o seu legado. Não deixemos que ele passe ao nosso lado.

Nestas horas, difícil é evitar lugares comuns, ainda que estejamos perante um homem notavelmente incomum. Mas D. António era mesmo um homem bom, que gostava de estar com as pessoas, levando-lhes a contagiante bondade de Deus.

Aonde chegava, parecia que sempre lá tinha estado, tal era a empatia que gerava.

A sua morte foi um belo retrato da sua bela vida. Nem a morte afastou aquele que, em vida, de todos se aproximou. Não se apagou em nós quem sempre se apegou a nós. Amando a todos durante a vida, foi por todos amado até à morte.

Nas mãos de Deus se entregou desde o início da sua missão.  Nas mãos de Deus se entregou até ao fim da sua vida.

Obrigado, Mãe, por nos teres dado uma pessoa assim. Ajuda-nos a, como ele, sermos sinais do Teu amor sem fim.

O senhor D. António deixou muito de si.  O senhor D. António leva seguramente muito de nós.

Nunca estará longe porque sempre soube ser próximo. Não lhe dizemos adeus porque o sentimos cada vez mais perto. Em Deus!

publicado por Theosfera às 15:41

Obrigado, Senhor,

pela largueza do Teu coração.

 

Na Tua Casa, ao pé de Ti,

há lugar para todos.

 

Na Tua Casa, ao pé de Ti,

não há preferidos nem preteridos.

 

Todos têm um lugar,

todos são tratados pelo nome,

todos são acolhidos com delicadeza e alegria.

 

Junto de Ti, Senhor,

é sempre festa,

é sempre alegria, contentamento e paz.

 

Porquê, então, Senhor,

a inveja e o ciúme,

o ressentimento e o rancor?

 

Porque é que queremos tudo para nós?

Porque é que fazemos da Igreja um clube onde só alguns parecem ter lugar?

 

Que o nosso coração seja como o Teu

e como o de Tua (e nossa) Mãe.

 

Que no nosso coração,

haja lugar para todos,

especialmente para os pobres e os que sofrem.

 

Que na nossa língua só haja amor,

que no nosso olhar só haja paz,

que na nossa alma só haja esperança.

 

Que aquilo que celebramos cá dentro, no templo,

possa ser vivido lá fora, no tempo.

 

Nós já sabemos que podemos contar conTigo

hoje, amanhã e sempre,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:04

A. Deus não quer a ofensa, mas também não aprova a vingança

 

  1. Neste mundo, não faltam «profissionais da ofensa». Também abundam «profissionais da vingança». O que escasseia são os «profissionais do perdão».

Há, de facto, quem não perdoe o mal e há até quem não perdoe o bem. Há mesmo quem perdoe menos o bem que se faz do que o mal que se pratica. Tão contaminados estamos pelo mistério da maldade que até o bem nos causa perplexidade.

 

  1. Deus não suporta o mal. Mas também não aprova a vingança, que, no fundo, só contribui para alastrar o mal. Algum mal é extinto pela vingança? Custa, sem dúvida, sofrer o mal. Mas fazer mal a quem nos faz mal apaga o mal que nos é feito? Como alerta a Primeira Leitura, Deus não aprova a vingança (cf. Eclo 28, 1). Para Ele, «o rancor e a ira são coisas detestáveis» (Eclo 27, 30).

Acresce que, como refere a Escritura, «o mau prejudica-se a si mesmo» (Eclo 27, 24). Não é necessário, pois, afundar no mal quem já está no mal. O que todos deveríamos fazer era ajudar quem está no mal a sair do mal. É por isso que já a sabedoria do Antigo Testamento nos exorta a perdoar ao próximo pelo mal que nos fez (cf. Eclo 28, 2).

 

B. Não podemos confundir vingança com justiça

 

3. Perdoar a quem faz o mal não é branquear o mal. Perdoar é, desde logo, não ficar dominado pelo mal que nos é feito. E é também contribuir para que quem faz o mal possa sair do mal que faz. Não é fácil, mas não podemos presumir que seja impossível. E mesmo se for impossível para nós, nunca é impossível para Deus. É neste sentido que devemos responder à maldade dos homens com a bondade de Deus.

Daí a pertinência do apelo de São Paulo: «Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, é ao Senhor que pertencemos» (Rom 14, 8). Se pertencemos ao Senhor, é o Seu amor que nos deve possuir. Não é o nosso ressentimento que nos há-de nortear. Até podemos ter mil razões para a vingança. Mas não podemos invocar a aprovação de Deus para nos vingarmos.

 

  1. Não podemos confundir vingança com justiça. Para muitos, a justiça não passa de vingança. A justiça consiste em reparar o mal realizado urgindo a sua substituição pelo bem. Daí o carácter pedagógico de muitas penas, como é o caso do serviço cívico. Quem praticou algum mal à comunidade é instado, pela autoridade, a praticar o bem na mesma comunidade. Se o bem não é praticado por iniciativa própria, a autoridade impõe a sua prática.

Já a vingança é apenas devolver o mal a quem faz o mal. Isso pode satisfazer durante uns instantes. Mas não muda nada a longo prazo. Vingar-se do mal não atrai o bem. Vingar-se do mal não é bem. Vingar-se do mal é resignar-se a permanecer no mal.

 

C. O perdão é sobretudo para quem o não merece

 

5. É em todo este contexto que percebemos a insistência de Jesus para que perdoemos sempre e de forma ilimitada. O que Pedro pergunta a Jesus é se deve, ou não, perdoar sempre. E Jesus responde que não só deve perdoar sempre, mas de forma ilimitada. De facto, ao dizer a Pedro que não deve perdoar «sete vezes, mas setenta vezes sete» (Mt 18, 22), Jesus não está a recomendar que se perdoe 490 vezes. Indo mais longe, o que Jesus quer não é que se perdoe muito, mas que se perdoe sempre e de forma ilimitada: se «sete vezes» quer dizer sempre, «setenta vezes sete» quer dizer sempre e ilimitadamente.

Para Jesus, o perdão é para todos, especialmente para quem o não merece. De facto, se alguém tem méritos, não necessita de ser perdoado. Pelo que o perdão é para quem o não merece. É claro que o perdão pode não ser pedido nem aceite. Mas, mesmo assim, tem de ser disponibilizado e oferecido.

 

  1. Enquanto discípulos de Jesus, somos também discípulos do Seu perdão. Ser cristão é, pois, o mesmo que ser «profissional do perdão», «esbanjador de perdão». Segundo o ensinamento de Jesus, a grandeza de uma pessoa está na sua disponibilidade para perdoar. Não é maior quem mais se vinga; maior é quem mais perdoa.

O credor de dez mil talentos (o equivalente, talvez, a 350 toneladas de ouro e a 400 milhões de dólares) perdoou ao seu devedor (cf. Mt 18, 23-27). Perdoou-lhe porque foi sensível à sua súplica e porque era generoso, magnânimo e misericordioso. No fundo, estamos perante uma eloquente imagem de Deus. Deus é Senhor porque dá, porque doa, porque «per-doa». Sucede que aquele que foi perdoado não perdoou uma pequena dívida (cf. Mt 18, 28-30). Com efeito, «cem denários» não correspondia a mais de 800 dólares. Tratava-se, portanto, de uma insignificância em comparação com a quantia que lhe foi perdoada.

 

D. Não é fácil — mas é sumamente belo — perdoar

 

7. Na vida, há quem seja assim. Há quem reclame o perdão de muito e há quem não seja capaz de perdoar nada. Acresce que, pelo desenvolvimento do texto do Evangelho, dá a impressão de que não terá o perdão de Deus quem não for capaz de perdoar ao seu próximo. «Não devias ter compaixão do teu companheiro como eu tive compaixão de ti? Então o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que lhe devia» (Mt 18, 32-33).

Sabemos que perdoar é difícil para o homem. E, olhando para a Bíblia, parece (insisto: «parece») que também não é fácil para Deus. Após o pecado original, Deus surge a «expulsar o homem do paraíso» (Gén 3, 23). Quando a corrupção corroeu a humanidade, decidiu «eliminar» o homem da terra (cf. Gén 6, 8). Na própria enunciação do Pai-Nosso, o apelo ao perdão contém uma ressalva: «Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai não vos perdoará as vossas faltas» (Mt 6, 14-15).

 

  1. Parece que só há perdão de Deus se houver perdão da parte do homem. Se não houver perdão entre os homens, parece que não haverá perdão da parte de Deus. E a verdade é que foi preciso Jesus pedir a Deus que perdoasse a quem O ia matar: «Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 24).

Tendo, porém, em conta que Jesus é o rosto definitivo de Deus (cf. Jo 14, 9), então salta à vista que o Deus de Jesus (o nosso Deus) nunca devolve o mal; derrama sempre o bem. É por isso que propõe o amor aos amigos, mas sem excluir os inimigos. Ele fala de um Deus que «faz com que o sol se levante sobre bons e maus» (Mt 5, 45).

 

E. Aprendamos a perdoar com Deus

 

9. A esta luz, a entrega aos verdugos do servo que não perdoou (cf. Mt 18, 34) não é uma imagem de um Deus sem perdão. Não se trata de que Deus pague na mesma moeda e castigue quem não for capaz de perdoar. Olhemos para Deus como Ele é. Não é preciso muito para concluir que a vingança não faz parte maneira de ser de Deus. Se Deus é infinito, perdoa infinitamente. Aliás e como dizia Heinrich Heine, «é o trabalho d’Ele».

O que o Evangelho faz é usar imagens fortes (quase no limite da contradição) para sublinhar que o perdão é absolutamente necessário e urgente. É tão necessário e tão urgente o perdão que dele depende a construção de uma vida nova. Nada é novo sem perdão.

 

  1. Diante de tantos «profissionais da ofensa e da vingança», disponhamo-nos, então, a sermos «profissionais do perdão». Não deve haver coisa que custe tanto como perdoar. Mas não há nada tão belo como o perdão. É preciso aprender a perdoar com o Mestre do Perdão. Perdoar, como notou Isaac de l' Étoile no século XII, é próprio de Deus. Só com Deus aprenderemos a perdoar.

Ao contrário do que se diz, perdoar não é esquecer. Como é possível perdoar o que não lembramos? Acresce que esquecer — ou lembrar — não depende da nossa vontade; depende da nossa memória. Perdoar o que recordamos é que depende da nossa vontade, da nossa vontade em aprender com o perdão de Deus. Aprendamos, pois, a perdoar com Deus. Ele também está sempre a perdoar-nos, como filhos Seus. Não fiquemos na «lama» que nos queiram atirar. E nunca aceitemos que o «veneno» da vingança nos possa dominar. É pelo perdão que nos será aberta a porta da salvação!

publicado por Theosfera às 05:18

Hoje, 17 de Setembro (24º Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Roberto Belarmino, Sta. Hildegarda, Sto. Alberto de Jerusalém e Impressão das Chagas de S. Francisco.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:40

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