O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 01 de Setembro de 2017

Seremos nós apenas em nós?

Seremos os melhores condutores para nós mesmos?

Há quem confunda autonomia com desligação.

Quem procura direcção espiritual hoje?

É curioso notar que um laico como Charles de Gaulle reconheceu que «ter um guia é tão necessário como comer, beber e dormir».

Acontece que nós temos um guia. Mas raramente nos dispomos a segui-Lo.

Quando perceberemos que só na divina luz encontramos a luz (cf. Sal 36, 10)?

publicado por Theosfera às 11:46

  1. Com os Seus remédios, Nossa Senhora tem descido à terra que, tão frequentemente, na maldade emperra. Ela vem, com os Seus remédios, ao mundo para a todos nos envolver com o Seu amor profundo.

Não é fácil compreender e, por isso, há quem não hesite em questionar. Se Nossa Senhora está no Céu, como pode ser vista na Terra? Se Ela subiu ao Céu com mais de 50 anos, como é que surge habitualmente com o aspecto de uma jovem? Se a Sua língua era o aramaico, como é ouvida a falar francês, espanhol ou português? Será que aquilo que nós classificamos como «aparições» serão mais que humanas projecções? Alega-se que, se Nossa Senhora tivesse realmente aparecido, todas as pessoas (e não apenas os pastorinhos) A teriam visto e ouvido.

 

  1. É preciso perceber, antes de mais, que Deus é Deus e que, por conseguinte, o que é impossível para nós não é impossível para Deus. Para Deus, «nada é impossível» (Lc 1, 37). É claro que nós estamos habituados a ver Deus a partir do homem. Mas não nos deveríamos habituar a reconhecer Deus a partir de Deus? Se Deus só conseguisse o que nós conseguimos, onde estaria a Sua diferença em relação a nós? Se Deus não conseguisse mais que o homem, onde estaria a Sua divindade? O reconhecimento da transcendência de Deus não será o mínimo para quem crê?

Estar no Céu e vir à Terra não está, de facto, ao alcance de nenhum ser humano. Do mesmo modo, estar num local com muitas pessoas e só ser visto por três delas não é concebível para nós. Mas é exequível para Deus e para quem está em Deus. Aliás, o povo, na sua sabedoria simples (e na sua simplicidade sábia), atesta o poder divino em Maria quando canta: «Tu podes; és Mãe de Deus». O que Maria pode é o que Deus Lhe concede, mesmo que nós não compreendamos.

 

  1. Sucede que, como é sabido, a Igreja costuma ser prudente ao falar de aparições. O seu discernimento é muito cuidadoso, muito ponderado, muito estudado e, acima de tudo, muito rezado. Salta, entretanto, à vistaque a Igreja rejeita duas posições extremas. Rejeita o tudo e rejeita o nada. Ou seja, olhando para tantas notícias de aparições, a Igreja não diz «todas» nem «nenhuma».

O que a Igreja faz — como, aliás, é seu estrito dever — é seguir o que está na Bíblia. E, com efeito, a Bíblia testemunha algumas aparições. Sabemos que «o Senhor apareceu a Abraão nos carvalhos de Mambré» (Gén 18, 1). Apareceu também a Moisés no episódio da sarça ardente (cf. Êx 3, 2-6) e na entrega da Lei (cf. Êx 19, 18; 20, 18). O Anjo do Senhor aparece várias vezes, quer no Antigo, quer no Novo Testamento, como aconteceu quando anunciou a Maria que ia ser Mãe (cf. Lc 1, 26-38). Aparece igualmente uma voz vinda do Céu, na companhia de uma pomba, no Baptismo de Jesus (cf. Mt 3, 16-17). Outra voz vinda do Céu faz-se ouvir na Transfiguração (cf. Mt 17, 5). E, no Pentecostes, ouve-se um som semelhante a uma rajada de vento vinda do Céu (cf. Act 2, 2).

 

  1. As aparições de Deus (ou «teofanias») são, portanto, manifestações visíveis de Deus através de uma forma que impressiona os sentidos. É Deus — não nós — quem determina as formas de Se manifestar. Pelo que nos diz a Bíblia, Deus, para Se manifestar, escolhe formas humanas ou fenómenos da natureza. Isto é, na Sua transcendência, Deus escolhe o que é mais imanente a nós para Se fazer entender por nós. Deus pode vir até nós de uma forma tão humana que alguns humanos nem O reconhecem como divino.

Se Deus pode aparecer no tempo testemunhado pela Bíblia, como é que não haveria de aparecer no tempo posterior à Bíblia? Neste caso, as aparições não vêm acrescentar nada. A Bíblia transmite-nos a Revelação definitiva de Deus ao homem. Daí que, como nota Constituição Dogmática «Dei Verbum» do Concílio Vaticano II, nós não esperamos «nenhuma outra revelação pública antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo».

 

  1. As aparições que têm ocorrido ao longo dos séculos não pretendem «aperfeiçoar» ou «completar» a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente. Não se trata de corrigir — nem de ultrapassar — a Revelação de que Cristo é a plenitude. Pelo contrário, trata-se de nos despertar para a sua vivência. O critério é sempre a Sagrada Escritura, sobretudo o Evangelho. Como exemplificou São João Paulo II, a Igreja aceita Fátima porque reconhece que Fátima está profundamente radicada no Evangelho.

Deus serve-Se de qualquer meio para nos alertar. Tendo em conta os dados da antropologia cristã, podemos dizer que há duas grandes formas de contacto entre o divino e o humano: as aparições e as visões. Nas aparições, as imagens encontram-se no exterior dos videntes, no seu espaço circundante. Nas visões, tudo acontece no interior, havendo visões com imagens (as chamadas «visões imaginativas») e as visões sem imagens (as denominadas «visões espirituais» ou «intelectuais»).

 

  1. Há quem diga que o que aconteceu em Fátima não foram visões espirituais nem aparições. Ou seja, foram vistas imagens, mas estas imagens não estariam no espaço exterior. Tratar-se-ia de uma situação intermédia, isto é, de uma visão interior com imagens. Acontece que, se fosse um fenómeno meramente interior, as crianças falariam apenas do que sabiam. Por exemplo, elas não faziam ideia do que era a Rússia. Pensavam que se tratavam de uma cadela que havia na aldeia, chamada «Russa»!

Por outro lado, a Igreja, a começar pelos Papas, tem-se referido ao que aconteceu em Fátima como tratando-se de «aparições» e não simplesmente de «visões». Reconhecendo que houve uma presença que se tornou sensível aos pastorinhos, o Papa Bento XVI, em 2010, falava de uma «visita feita pela Senhora “vinda do Céu”». E acrescentava: «Veio do Céu a nossa bendita Mãe oferecer-Se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no Seu».

 

  1. Estamos, assim, perante um «celeste contacto» (C.H. do Carmo Silva) de uma «realidade corporal» num «espaço exterior». A presença da Virgem foi tão exterior como a das árvores ou das casas. Com uma diferença, porém. Trata-se de uma presença sobrenatural, de origem milagrosa, mas inteiramente real. Tão real que Lúcia foi, por várias vezes, obrigada a baixar os olhos, para não cegar, tal era a intensidade da luz que vinha da Virgem Maria.

Acresce que, em Fátima, houve uma série de fenómenos físicos, presenciados por muita gente. Se fosse uma visão interior de apenas algumas pessoas, esses fenómenos não se teriam produzido.

 

  1. É certo que Nossa Senhora só foi vista por três pastorinhos. Mas os fenómenos que acompanharam as aparições foram testemunhados por milhares de pessoas. Se na segunda aparição, estavam cerca de 50 pessoas, na terceira já estavam quatro mil. E o número foi crescendo chegando a 70 mil na aparição de Outubro.

Estas pessoas advertiram diversos fenómenos que não podem ser provocados por visões meramente interiores. Tais fenómenos foram observados por um grande número de testemunhas.

 

  1. É o caso dos relâmpagos que antecederam sempre as aparições. É o caso dos trovões no momento — ou no fim — de cada aparição e cuja proveniência parecia vir da azinheira. É o caso, ocorrido na segunda aparição, da árvore inclinada, com todas as folhas viradas na mesma direcção. Outras ocorrências poderiam ser apontadas.

No Milagre do Sol, na última aparição, o Sol torna-se opaco, sem que tivesse havido nuvens ou qualquer eclipse. Assistiu-se a uma irradiação de cores. E foi visto um movimento do disco solar, dando a sensação de se precipitar sobre a terra.

 

  1. Tudo isto nos permite chegar à conclusão de que, em Fátima, houve uma Teofania de pendor mariofânico. Ou seja, houve uma manifestação de Deus através de Maria. Não pertencendo à Revelação pública (contida na Bíblia), é uma preciosíssima ajuda para a Sua vivência.

Não tenhamos, pois, receio de dizer o que aconteceu. Em Fátima foi Nossa Senhora que apareceu. É por isso que, também em Fátima, com nossos males e tédios, vamos à procura dos Seus remédios. Nossa Senhora, que em Fátima nos visitais, muito obrigado pelos remédios que nos dais. Tomai o nosso coração. Conduzi-o sempre pelos caminhos da conversão!

publicado por Theosfera às 08:00

Hoje, 01 de Setembro (3º Dia da Novena de Nossa Senhora dos Remédios), é dia de S. Miguel Ghébré e Sta. Margarida de Riéti.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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