O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 30 de Agosto de 2017
  1. Não é só pelo espaço que se caminha. É também pelo tempo que se viaja. Eis-nos, uma vez mais, a iniciar um caminho até este lugar. Eis-nos, uma vez mais, a começar uma viagem pelo tempo destes dias e pelos dias deste tempo. Vamos começar mais uma viagem de nove dias. É uma viagem que nos vai levar até à Festa de Nossa Senhora dos Remédios. É uma viagem que sobretudo nos há-de levar, na companhia de Maria, até mais perto de Jesus.

A Novena não é só preparação para a Festa. A Novena já constitui, em si mesma, uma bela vivência da Festa. Alegremo-nos, então, porque a Festa já entrou no nosso coração. Os sinos já repicaram e os foguetes já estouraram. Há 92 anos tem sido sempre assim. Até 1925, só havia foguetes na véspera da Novena e nos dois últimos dias da Novena. A partir de 1925, há foguetes no início de cada dia, como que a despertar a nossa alegria.

 

  1. Mais um ano em que cedo nos levantamos. Mais um ano em que cedo aqui estamos. Trazemos algum cansaço, mas nenhuma fadiga transborda deste espaço. A Novena pode cansar por fora, mas faz repousar muito por dentro. A Novena exige muito exteriormente, mas compensa muito mais interiormente. Todos nos sentimos bem neste aconchego para festejar a Senhora de Lamego. Ela, que tanto nos ama, para este lugar nos chama. E nós, que aqui nos encontramos, para a nossa vida sempre A levamos.

Que maior festa pode haver do que para junto desta Mãe correr? Que festa mais bela podemos ter do que o Filho desta Mãe receber?

 

  1. Compreendemos, assim, que o Dia da Festa seja inseparável destes dias (já) de festa. Os nossos antepassados não celebravam a Festa depois da Novena. Até 1777, a Festa coincidia com o último dia da Novena. É este espírito que, também hoje, nos anima. É esta a luz que, também hoje, nos ilumina. A Festa tem outro brilho quando, de Maria, acolhemos o Seu Filho. É Jesus que aqui nos traz. É sempre Jesus que a nossa vida refaz. Que somos nós sem Ele?

Neste lugar, é para Jesus que Maria está sempre a apontar. Nunca o esqueçamos: o centro do Santuário é o Altar com o Sacrário. Lá do alto do trono, Maria indica-nos onde está o Dono. O dono de tudo isto é Nosso Senhor Jesus Cristo. É ele o centro da nossa vida e a razão maior da nossa festa. É para Jesus que nos devemos voltar. É Jesus que, com Maria, devemos sempre adorar.

 

  1. Tal como não conhece Lamego quem não conhece o Santuário, também não consegue viver a Festa quem não vive a Novena. Como sabemos, foi com a Novena que a Festa começou. Foi com a Novena que a Festa até nós chegou.

A Novena pertence, pois, ao mais original, ao mais genuíno e ao mais puro da Festa. De toda a Festa, a Novena é o mais comovente. Como não há-de ser comovente ver a fé de tanta gente? Na Novena, não há folia, mas nela sentimos verdadeiramente alegria.

 

  1. A Novena, embora muito marcada pelos anos, não parece estar desgastada pelo tempo. Há uma tradição que faz remontar a primeira novena ao intervalo entre a Ascensão e o Pentecostes. A Ascensão ocorreu 40 dias após a Ressurreição (cf. Act 1, 3) e o Pentecostes é celebrado 50 dias depois da Páscoa (cf. Act 2, 1).

Os cristãos, com Maria, terão ficado reunidos no mesmo lugar (cf. Act 2, 1). Foi, portanto, a primeira novena cristã. Aliás, Jesus tinha pedido expressamente aos Apóstolos que não se afastassem de Jerusalém enquanto não viesse o Prometido do Pai, ou seja, o Espírito Santo (cf. Act 1, 4-5). Daí que a Novena do Pentecostes seja considerada, ainda hoje, a «mãe de todas as novenas».

 

  1. Como há dois mil anos, eis-nos de novo reunidos com Maria, à espera — e à escuta — do Espírito Santo. Como não sentir o Espírito Santo nestes silêncios e nestas vozes? Como não sentir o Espírito Santo nestas lágrimas e nestes sorrisos? Como não sentir o Espírito Santo em tantos abraços e sobretudo naquele materno regaço? Como não sentir o Espírito Santo em tanta comunhão, em tanta doação?

A Novena faz-nos sentir peregrinos e não apenas turistas. Turista vem de «tour», que significa «volta». Nenhum de nós se limita a andar à volta do Santuário. Para cada um de nós, o Santuário é lugar de paragem e não somente de passagem. Peregrino vem de «per agros», isto é, refere-se àquele que «anda pelos campos». Era assim que se fazia outrora e continua a ser assim que nos sentimos agora: andamos pelos campos da nossa terra e pelo grande campo da nossa vida. São os passos da nossa vida que nos trazem para junto da nossa Mãe querida.

 

  1. Há quem diga que o número 9 da Novena possui ainda um significado adicional por ser o quadrado de 3, o número da Santíssima Trindade. Assim sendo, ao longo dos nove dias da Novena, louvamos por três vezes cada uma das três Pessoas Divinas.

A Novena centra-nos na família divina, de quem somos imagem e semelhança (cf. Gén 1, 26). É por isso que a Novena nos liga ao Céu sem nos desligar da Terra. Olhamos para o Céu com a esperança de melhorar a nossa vida na Terra. No fundo, vamo-nos sentindo não só habitantes da Terra, mas também cidadãos do Céu.

 

  1. A Novena é, por conseguinte, o símbolo maior da nossa peregrinação pela Terra a caminho do Céu. Ela sinaliza o nosso percurso e a nossa meta. Ela é também um símbolo de comunhão, que ajuda a superar a (tão dolorosa) solidão.

É esta alegria que dá sentido à romaria. Gera-se aqui um contágio de pessoa para pessoa, de dia para dia e de ano para ano. A Novena é como um caudal que nos arrasta e que nunca nos afasta. Sentimo-nos irmãos porque nos sabemos filhos. Somos filhos de Deus e filhos da Mãe de Deus. Como não há-de crescer a fraternidade?

 

  1. Nossa Senhora dos Remédios está sempre à nossa espera. Este ano, vamos procurar ouvir o que, há cem anos, Ela nos disse em Fátima. Sim, porque apesar de ser conhecida por muitos nomes, Nossa Senhora é só uma e sempre a mesma. De facto, uma só é Maria, embora sejam muitos os nomes que Lhe fazem companhia. Todos os nomes Lhe ficam bem, mas nenhum diz tudo o que Ela é, o que Ela tem.

Em Fátima, Ela apresentou-Se como a Senhora do Rosário. E os pastorinhos viram-Na também em forma de Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora do Carmo. Curiosamente, o «nosso» Fausto Guedes Teixeira entreviu uma outra figuração de Maria na Cova da Iria. Para ele, quem desceu a Fátima foi…Nossa Senhora dos Remédios. Eis o que ele escreveu: «Caminho d’oiro que nos leva ao Céu/Foi esse, a alma cheia d’esperanças,/Que a Virgem dos Remédios percorreu/P’ra Se mostrar em Fátima às crianças»!

 

  1. É por isso que, «em Lamego, neste Santuário, vamos estar unidos a Fátima no centenário». Todos os meses, entre Maio e Outubro, estamos — em peregrinação e com grande participação — a assinalar os 100 anos das aparições. Esta Novena dá continuidade a todo este itinerário celebrativo em torno de Fátima. É que, naquele local sagrado, Maria falou para toda a humanidade. E a Senhora que em Fátima apareceu é a mesma que, desde sempre, em Lamego nos acolheu. Em Fátima e em Lamego, sentimos sempre o mesmo aconchego.

Vamos, pois, fazer desta Novena um tempo de mudança e de fortalecimento da esperança. Vamos fazer desta Novena um tempo de conversão, de penitência e de perdão. Não deixemos de nos abeirar do Sacramento da Reconciliação. É para Jesus que Maria sempre nos guia. É centrados em Jesus que teremos a melhor romaria. É em Jesus que estão os remédios da Senhora. É Jesus que nos é (sempre) dado pela Senhora dos Remédios!

publicado por Theosfera às 08:00

Hoje, 30 de Agosto (1º Dia da Novena de Nossa Senhora dos Remédios), é dia de Sta. Joana Jugan e S. João Juvenal Ancina.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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