O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2017

O que fazemos acaba por mostrar o que somos.

É por isso que, quando não estamos, estamos através daquilo que fazemos.

Respeitar o que fazemos é respeitar o que somos. E é deste modo que a ausência se torna presente.

Era assim que pensava Santo Isidoro, ao escrever a São Bráulio: «Quando receberes algum escrito do teu amigo, abraça-o como se fosse o próprio amigo, pois esta é a única consolação entre os ausentes. Envio-te um anel e um manto que sirva como que para proteger a nossa amizade».

No fundo, o que vem da parte de alguém é sempre a pessoa desse alguém!

publicado por Theosfera às 12:08

 

  1. Sofremos pela ausência, mas conspiramos contra o silêncio.

O livro de Shusaku Endo, levado ao cinema por Martin Scorsese, surge atravessado pela identificação entre o silêncio e a ausência.

 

  1. Deus é directamente interpelado: «Senhor, porque Te calas?»

Os clamores são «atirados ao Céu». Todavia, paira «a sensação de que Deus Se mantém de braços cruzados».

 

  1. Deus aparece como o supremo responsável pelo sofrimento.

É especialmente para Ele que, nas horas de tormenta, são encaminhadas as culpas: «Porque é que Deus nos impõe o sofrimento?»

 

  1. Só que a Sua presumida responsabilidade não está no que faz, mas no facto de não impedir que outros façam.

Quem faz sofrer são os homens. E, contudo, o questionado acaba por ser Deus. Questiona-se mais Deus por (alegadamente) deixar que se sofra do que os homens pelo que (notoriamente) fazem sofrer.

 

  1. A suposta inacção divina é mais perturbadora do que a manifesta intervenção humana.

Em permanente conspiração contra o silêncio, temos dificuldade em reconhecer nele não uma ausência, mas uma presença alternativa. Que nem sempre é menos efectiva e que até pode ser mais afectiva.

 

  1. Deus não precisa de ruidar para falar. Como percebeu Kierkegaard, Ele «fala mesmo quando Se cala».

O próprio Sushaku Endo conclui que Deus não está em silêncio; sofre ao nosso lado.

 

  1. A Sua linguagem não é necessariamente uma linguagem vocal. É sobretudo uma linguagem cordial.

O que Deus diz vem pelo coração sofredor de Seu Filho (cf. Jo 19, 34) até ao coração sofrido de tantos Seus filhos.

 

  1. Na Cruz, Deus faz Seu o que é nosso.

A paixão de Cristo revela a com-paixão de Deus pelo nosso sofrimento. Não o evita, mas assume-O.

 

  1. Como bem notou São Bernardo, Deus é impassível, mas não quer ser incompassível.

Enquanto impassível, não está sujeito ao padecer. Recusando ser incompassível, mostra que não é incapaz de Se compadecer (cf. Heb 4, 15).

 

  1. Em «A Noite», Elie Wiesel avista Deus nos sofredores. O que é feito a eles é o que continua a ser feito a Ele (cf. Mt 25, 40).

Esta é a beleza maior, a única que salvará o mundo. Deus está com os últimos tornando-os primeiros. Os que subvivem na dor sobreviverão, para sempre, no Seu amor!

publicado por Theosfera às 10:21

Hoje, 28 de Fevereiro (último dia antes da Quaresma), é dia de S. Torcato, S. Romão, S, Lupiccino, Bem-Aventurado Daniel Brottier e Bem-Aventurado Augusto Chapdelaine.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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