O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 07 de Setembro de 2016
  1. A Novena está a chegar ao fim, mas não para ti nem para mim. Para nós, a Novena nunca termina; ela é um farol que sempre nos ilumina. A Novena parece desgastante, mas torna-se muito reconfortante. A Novena nunca de nós sai; é uma vivência que sempre connosco vai. Quando daqui saímos, acompanha-nos o que aqui sentimos. Os nossos pés podem aqui não estar, mas o nosso coração aqui está sempre a regressar.

A Novena é uma contínua viagem, que só nesta Casa tem paragem. Para nós, a Casa da Mãe não é um mero lugar de passagem. Para todos nós, esta Casa é cada vez mais um lugar de paragem. Aqui, paramos — e reparamos — para prosseguir um caminho em que ninguém se sente sozinho. Se, alguma vez, nos empurram para o chão, eis que a Mãe nos estende a Sua mão. Por isso, é para Ela que o nosso olhar se levanta. Por isso, é em honra d’Ela que a nossa alma canta.

 

  1. A Novena traz-nos até à Festa de Maria e projecta-nos para a vivência cristã de cada dia. Poderia ser diferente a Festa? Poderia. Mas é desta forma que ela se torna única.

Esta oração matutina muito nos ensina. Começamos de noite e acabamos ao amanhecer. Grande é a lição que nos vem desta multidão: é possível superar a obscuridade quando enchemos o tempo com a luz da eternidade. É preciso, a esta hora, aqui subir para tudo isto se poder sentir. Nada disto se explica, mas tudo isto se sente.

  1. Amanhã, 8 de Setembro, é o Natal de Maria. O ponto alto é o que vai acontecer neste lugar alto. O ponto alto do dia dos anos da Mãe é a refeição em que o Seu Filho nos é dado como Pão. No aniversário de Maria, esta Sua Casa enche-se para a Eucaristia. Durante muitos anos, houve Festa sem Procissão, nas nunca houve Romaria sem Eucaristia. Como aqui já dissemos, a Festa começou pela Novena que culminava com a Eucaristia do grande dia. É o que continua a acontecer hoje. A Procissão nasceu como o belo corolário de quanto se vive dentro do Santuário.

Como poderia faltar a Eucaristia no aniversário de Maria? A Eucaristia é não só o primeiro grande momento do dia 8. Ela é o principal momento de todo o dia 8. A melhor homenagem a Maria é, sem dúvida, a Eucaristia. Aliás, São João Paulo II apresentou-nos Maria como «mulher eucarística». Como bem notou Frei Amador Arrais, Ela é «a perfeita Capela de Deus». É que «se o corpo do Senhor foi formoso, não podia o desta Senhora ser feio».

 

  1. A beleza de Maria resplandece maximanente na Eucaristia. O Corpo e o Sangue que Jesus nos deu é o Corpo e o Sangue que em Maria cresceu. Assim sendo e como perguntava o já mencionado São João Paulo II, «quem pode, melhor do que Maria, fazer-nos saborear a grandeza do mistério da Eucaristia?».

Maria ofereceu o Seu corpo para formar o Corpo de Deus. Por conseguinte, Maria não está apenas no Céu; está também no mundo, acompanhando-nos a cada segundo. Quem recebe Jesus em forma de Pão recebe também Sua Mãe no coração.

 

  1. Acontece que a Casa da Mãe não está aberta apenas nos grandes dias. Aqui, não há somente o «Mês de Maria»; aqui procuramos oferecer todo um «Ano com Maria». É que, acompanhados ou estando sós, a nossa Mãe espera sempre por nós. Por isso, tão importante como a peregrinação dos grandes dias é a romaria de cada dia.

E o certo é que, faça sol ou esteja frio, o Santuário nunca está vazio. A riqueza da peregrinação não está só na multidão; está, desde logo, no que se acende em cada coração. É impossível, pois, falar de peregrinações no total sem valorizar cada peregrinação pessoal.

 

  1. A «peregrinação silenciosa» é, sem dúvida, menos vistosa, mas não é menos valiosa. Até pode ser — só Deus sabe — mais proveitosa. A «peregrinação solitária» não tem necessariamente menos valor que a «peregrinação multitudinária». E, no fundo, nunca está isolado quem a Mãe tem a seu lado. Nós temos sempre Maria ao nosso lado, à nossa beira, como Mãe e fiel companheira.

 

  1. Só Deus e Sua Mãe são capazes de olhar para aquilo em que mais ninguém consegue reparar. O que não vem nos jornais é o que, no fundo, acontece mais. A peregrinação de cada dia tem, indiscutivelmente, uma enorme valia. Deus dá muito valor a quem, todos os dias, entra no Santuário com fé e amor.

É à volta do Altar e do Sacrário que decorre toda a acção do Santuário. Maria é para venerar, não para adorar. A adoração é só — e sempre — para Deus. Aliás, é de Maria nos vem a melhor instrução na arte da oração. É por isso que, em cada dia, adoramos a Deus com Maria.

 

  1. Nossa Senhora dos Remédios, Mãe de Misericórdia, está sempre presente na nossa história. Desde que a Lamego chegou, nunca mais Lamego deixou. A devoção deste povo pela sua Senhora é imensa. É por isso que nem por instantes A dispensa. Alguém, hoje em dia, imagina Lamego sem os Remédios de Maria?

É lá em baixo que corre a cidade, mas é neste alto que escorre a sua identidade. Foi por isso que Lamego se ergueu quando a Sacristia do Santuário ardeu. E foi por isso que Lamego entrou em convulsão quando, por algum motivo, não saiu a Procissão.

 

  1. Quem pensa em Lamego pensa logo na Senhora dos Remédios. É como se de um pacto se tratasse. Lamego pertence a Nossa Senhora dos Remédios e Nossa Senhora dos Remédios pertence a Lamego. Lamego é da Senhora dos Remédios e a Senhora dos Remédios é de Lamego. As estradas da cidade fundem-se com os caminhos do Santuário. Os peregrinos de Nossa Senhora dos Remédios acabam por ser hóspedes de Lamego. É por Ela que Lamego tem chegado ao local mais longínquo. É por Ela que há-de chegar ao futuro mais distante. Todos sabem que Lamego seduz porque, nela, a Senhora reluz.

Verdadeiramente, Nossa Senhora dos Remédios é o rosto de Lamego. Ela é a «primeira Dama» de Lamego. É Ela que lhe dá fama. É Ela que mais gente para aqui chama. Dir-se-ia que, entre a Senhora da cidade e a cidade da Senhora, «existe um namoro antigo que não conhecerá fim».

 

  1. Nós vamos partir, hoje. Mas havemos de voltar amanhã. E não deixaremos de vir depois de amanhã. Afinal, quando aqui não estamos, para aqui caminhamos. Digamos, então, com os lábios e voltemos a dizer com a alma: «Nossa Senhora dos Remédios/Padroeira de Lamego/ Eis-nos aqui peregrinos/À espera do Vosso aconchego». Todos nós sabemos, todos nós sentimos que Nossa Senhora dos Remédios, Padroeira de Lamego, nunca nos faltará com o Seu aconchego. No aconchego da Mãe, a manhã ressurge e a esperança reluz. No aconchego da Mãe, (re)encontramos Jesus.

Na jornada da nossa vida, toda a nossa prece será atendida. Em cada dia, Maria estará na nossa companhia. É por tudo isto que vale sempre a pena participar na Novena. Vale sempre a pena levantar-nos cedo para honrar a Senhora de Lamego. Se Deus quiser, continuaremos sempre a honrar esta Mulher. Da Novena não nos afastaremos. Para o ano, aqui estaremos!

publicado por Theosfera às 08:00

Hoje, 07 de Setembro, é dia de S. Vicente de Santo António e S. Clodoaldo.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 06 de Setembro de 2016

Hoje, 06 de Setembro, é dia de Sto. Eleutério e S. Magno.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 19:19

Segunda-feira, 05 de Setembro de 2016
  1. Pela sétima vez, aqui vimos ao encontro da Mãe. Amanhã, no oitavo dia da Novena, a Mãe, que vem sempre ao nosso encontro, também vai connosco. Ela, que nunca deixa de estar em nós, vai, uma vez mais, visitar a nossa cidade.

Após a inauguração, em 1761, a primeira procissão festiva de que há memória ocorreu precisamente no dia 6 de Setembro de 1885. As outras procissões que estão registadas foram «procissões de penitência» e de súplica. Faz, portanto, amanhã 131 anos que Nossa Senhora dos Remédios veio em apoteose de fé, devoção e muita vibração.

 

  1. Tal procissão começou na Sé e terminou no Santuário. Nessa altura, ainda não havia a imagem da Sacristia. Foi esta imagem, que está no trono, que daqui saiu a 2 de Setembro em direcção à Sé. Ao longo desse percurso, pediu-se a intercessão da Virgem Mãe para que o surto de cólera, que grassava na Espanha, não atingisse Portugal e a região de Lamego.

Quatro dias depois, a 6 de Setembro, Nossa Senhora dos Remédios percorreu as ruas da cidade, sendo aclamada por uma grande multidão de fiéis e devotos.

 

  1. Nos oito anos seguintes, não há notícia de qualquer procissão. A primeira «procissão de triunfo» propriamente dita ocorreu em 1894 e, curiosamente, também esteve programada para o dia 6 de Setembro. A decisão de introduzir a Procissão na Festa foi tomada a 15 de Agosto desse ano. Faltava, portanto, menos de um mês para a sua efectivação.

No entanto, a 28 de Agosto, por determinações «superiores», a data da Procissão foi alterada. Em vez de decorrer no dia 6, iria decorrer no dia 7 de Setembro, a partir das 16h. Nesse ano, além do andor de Nossa Senhora dos Remédios, veio também o andor da Sagrada Família, ambos puxados já por juntas de bois. Só a partir de 1895 é que a «procissão de triunfo» passou para o dia 8 de Setembro.

 

  1. Já agora, será interessante referir que, nos três primeiros anos, a Procissão vinha directamente da Igreja das Chagas para o Santuário, depois de percorrer as principais artérias da cidade.

Foi a partir de 1897 que o cortejo processional começou a fazer uma paragem na Igreja de Santa Cruz. Aliás, durante muitos anos, a imagem de Nossa Senhora dos Remédios ficava lá alguns dias, regressando ao Santuário em procissão no Domingo a seguir à Festa.

 

  1. Até 1905, só havia Procissão no dia principal da Festa. Provavelmente, a imagem de Nossa Senhora dos Remédios era transportada discretamente para a Igreja das Chagas. Foi a partir de 1906 — há 110 anos, portanto — que Nossa Senhora dos Remédios começou a ser conduzida em procissão, desde o Santuário até à Igreja das Chagas.

Essa procissão ocorria no dia 6 de Setembro, ao fim da tarde, início da noite. Os milhares de devotos que se incorporaram traziam uma luz simbolizando a Fé recebida no Baptismo. Esta luz vinha dentro de uma lanterna, que dava ao cortejo um colorido indescritível. Daí que esta fosse conhecida como a «Procissão das Lanternas», que tão gratas recordações deixou nos lamecenses e em todos os peregrinos. Houve até um ano em que as melhores lanternas foram distinguidas com prémios. A partir de 1921, esta procissão de 6 de Setembro passou a ser feita pela manhã, logo após a Novena, embora houvesse um ano ou outro em que voltasse a ser à noite.

 

  1. É neste espírito que nos preparamos, uma vez mais, para acompanhar a imagem de Nossa Senhora dos Remédios até às Chagas. Ela vai aos nossos ombros, Ela vai no nosso coração, Ela vai sempre na nossa vida. No dia 8, Ela sairá da Igreja das Chagas, percorrerá a nossa cidade e, após uma paragem em Santa Cruz, voltará à Sua morada, neste Santuário.

Se repararmos bem, não estamos em presença de duas procissões, mas de uma mesma — e única — Procissão, que começa na manhã do dia 6 e termina pela tarde do dia 8. É uma procissão circular, que termina no local onde começa. Nossa Senhora sai do Santuário no dia 6 e reentra no Santuário no dia 8. Esta procissão tem três etapas: uma etapa no dia 6 e duas etapas no dia 8. A primeira etapa vai do Santuário até à Igreja das Chagas, a segunda etapa vai da Igreja das Chagas até ao Largo de Santa Cruz e a terceira etapa vai do Largo de Santa Cruz até ao Santuário.

 

  1. A Procissão vale muito, mas não vale só por si. O valor da Procissão advém do seu ponto de partida e do seu ponto de chegada. O valor da Procissão advém, portanto, da sua causa e do seu efeito. Como uma vez mais iremos ver, a Procissão começa a seguir à Eucaristia. Isto significa que a Procissão não é algo para lá da Eucaristia; a Procissão é uma emanação da Eucaristia; a Procissão é gerada na Eucaristia.

Daí que só à luz da Eucaristia nos apercebamos da inteireza — e da imensa beleza — da Procissão. Se pensarmos bem, não há duas procissões, uma na manhã do dia 6 e outra na tarde do dia 8. Existe uma única Procissão que começa precisamente no final da Eucaristia do dia 6 e prossegue algumas horas após a Eucaristia do dia 8.

 

  1. A Procissão, que nasce da Eucaristia, volta assim ao local da celebração da Eucaristia. Como expressão genuína da religiosidade popular, a Procissão apresenta uma relação íntima entre a Romaria e a Liturgia.

É certo que nem todos advertem esta intimidade e, por vezes, há quem aproxime a Procissão de «um mero espectáculo ou de um desfile». Não raramente, ouve-se mais o aplauso do que a oração, à passagem da Procissão. Às vezes, o adereço que aparece é mais a máquina de fotografar do que o terço para rezar. Parece que prevalecem «as manifestações exteriores sobre as disposições interiores».

 

  1. Perante isto, é fundamental não esquecer o que cada procissão tem de ser: um público «testemunho de fé». Este público «testemunho de fé» não substitui a celebração da fé. Todo o cristão deve saber que o momento culminante em qualquer dia é a Eucaristia. Assim sendo, percebe-se que seja preciso viver a celebração para se conseguir vivenciar a Procissão. O que se celebra no templo é para testemunhar no tempo. Da celebração sacramental passa-se, pois, à celebração existencial da Eucaristia.

Procissão vem do latim «procedere», que significa «seguir em frente». E a Procissão de Nossa Senhora dos Remédios segue sempre em frente, num duplo sentido: em sentido descendente e em sentido ascendente. Ela é um sinal da condição peregrina da Igreja, enquanto povo de Deus a caminho. E, para Deus, subimos quando descemos e só depois de descer conseguiremos voltar a subir.

 

  1. A Procissão da Senhora dos Remédios após a Eucaristia sinaliza a presença de Maria na nossa missão de cada dia. Nesta medida, a Procissão configura uma eloquente ilustração da «tarefa missionária da Igreja». Maria não sai só para ser vista; Ela sai sobretudo para ser acompanhada. Ela percorre os caminhos da nossa cidade e nunca deixa de percorrer os passos da nossa vida.

A Procissão assinala «a caminhada da comunidade viva no mundo para a comunidade viva que está nos céus». Daí que a Procissão deva transcorrer em ambiente de oração, animada pelo canto. Apoiando-nos mutuamente, ajudaremos a crescer a fé de toda a gente. Uma vez mais, Nossa Senhora dos Remédios connosco vai descer. Uma vez mais, com Nossa Senhora dos Remédios haveremos de continuar a subir. Para a salvação. Para a felicidade. Para Deus!

publicado por Theosfera às 08:00

Hoje, 05 de Setembro, é dia de Sta. Teresa de Calcutá, S. Bertino e S. Vitorino.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 04 de Setembro de 2016

Senhor Jesus,

Nós Te louvamos no começo deste dia

e no início de um tempo que, conTigo, queremos que seja novo.

 

Agradecemos o dom da vida

e pedimos-Te pela saúde, pela paz e pela justiça entre todos.

 

Agradecemos especialmente

o dom de Tua Mãe,

que nos deste como nossa Mãe também.

 

Ela é, para nós, a Senhora dos Remédios,

a senhora da Luz em tempos de escuridão,

a senhora da Esperança em tempos de desespero,

a senhora da Alegria em tempos de tristeza,

a senhora da Fé em tempos de descrença.

 

Adoramos, Senhor, a Tua presença eucarística

e louvamos-Te no Teu primeiro Sacrário que foi o ventre de Tua Mãe.

 

Acompanha-nos, Senhor, nesta oração da manhã

e ajuda-nos a viver na Tua presença ao longo do resto do dia.

 

Que cada passo que dermos

possa ser uma irradiação do Teu amor e da Tua (infinita) paz!

publicado por Theosfera às 10:56

A. Em contramão com a «civilização do conforto»

  1. Nesta «civilização do conforto», em que nos encontramos, parece provocatório falar de renúncia. Regra geral, só renunciamos por imposição; nunca renunciamos por opção. Quem não faz tudo para impor a sua vontade e para seguir os seus impulsos? Em total contramão com esta tendência, Jesus propõe todo um outro tipo de vivência. Jesus não hesita em propor a renúncia e até a renúncia ao que nos é mais caro, mais querido: «Se alguém quiser seguir-Me, sem renunciar ao amor para com o pai, a mãe, a esposa, os filhos, os irmãos, as irmãs e até a própria vida, não pode ser Meu discípulo» (Lc 14, 26).

À primeira vista, Jesus parece «ciumento», indisposto a repartir a opção por Ele. Mas Jesus está a ser, como sempre foi, verdadeiro. A opção por Ele tem de ser integral e determinada, sem «mas», «talvez», «possivelmente» ou «vamos ver». Ser discípulo tem de ser em «full time», nunca em «part time». Mas será que é isso o que acontece na nossa vida?

 

  1. A Liturgia deste Domingo convida-nos a tomar consciência de quanto é exigente o caminho de Jesus. Seguir Jesus não é um caminho de facilidade, mas um caminho de renúncia e de doação da vida. Como é óbvio, quem opta por Cristo não é obrigado a odiar os seus familiares, mas deve perceber que seguir a Cristo está antes de todos e acima de tudo. Seguir a Cristo deve ter prioridade sobre as pessoas, sobre os nossos bens, sobre os nossos interesses e sobre as nossas ambições.

A Primeira Leitura lembra a todos aqueles que não são capazes de se decidir que só em Deus é possível encontrar a verdadeira felicidade e o autêntico sentido da vida. Pelo contrário, «os pensamentos dos homens são inseguros e os nossos conceitos são frágeis» (Sab 9, 14). Como bem percebeu Tony Blair, «ser humano é ser frágil». Só Deus fortalece a nossa fraqueza. Só Deus nos humaniza, só Deus nos plenitudiza. Só Deus torna o homem totalmente homem. Só em Deus somos capazes de ver, como São Paulo, que todos os homens têm a mesma dignidade. É por isso que o Apóstolo pede a Filémon que olhe para Onésimo não como escravo, mas como irmão «irmão muito querido» (Flm v.16).

 

B. Precisamos de uma «Evangelhoterapia»

 

3. Para que tudo isto se concretize na nossa vida, é mister passar por um profundo caminho de conversão, de purificação. A nossa simples natureza é insuficiente para um caminho tão exigente. Como dizia Zubiri, «viver é optar» e, como reconhecia Henri Bergson, «escolher é [também] renunciar».

Ser cristão significa pôr Cristo no centro de tudo. Jesus não admite meios-termos nem meias tintas. Ou aderimos inteiramente a Cristo ou não podemos apresentar-nos como cristãos. Piores que os não-cristãos são os «cristãos mornos»: não chegam a ser cristãos.

 

  1. O que mais nos impede de aderir totalmente a Cristo é o nosso «eu». O egoísmo é o maior adversário do Cristianismo. É por isso que outrora se valorizava muito a ascese.

Evágrio de Ponto advogava um método chamado «antirrético», pelo qual cada pensamento ou impulso contrários ao Evangelho eram superados com atitudes baseadas no Evangelho. Era uma espécie de «Evangelhoterapia», pela qual o cristão se ia vencendo a si mesmo até chegar à plena identificação com Jesus Cristo.

 

C. As exigências de Jesus

 

5. Quais são, então, as exigências fundamentais para seguir Jesus? Jesus coloca-nos três exigências, todas elas inseridas no tema da renúncia. A primeira exigência, talvez a mais incompreensível para a nossa sensibilidade, preceitua que se prefira Jesus à própria família (cf. Lc 14, 26).

A este propósito, Lucas põe na boca de Jesus uma expressão muito dura. Significando literalmente o verbo «miséô», poderíamos inferir que Jesus estava a propor que odiássemos o pai, a mãe e toda a família. Ora, isto chocaria frontalmente com o que o mesmo Jesus defende no mesmo Evangelho de São Lucas, quando recorda o dever de «honrar pai e mãe» (Lc 18, 20).

 

  1. Aqui, «odiar» não tem o sentido que lhe costumamos atribuir. Aqui, «odiar» significa sobretudo «preferir». De facto, de acordo com a maneira oriental de falar, «odiar» significa pôr algo em segundo lugar quando aparece um valor mais importante.

Ou seja, o que Jesus exige é que as relações familiares não nos impeçam de aderir ao Evangelho. Aliás, aderir ao Evangelho é a melhor maneira de fortalecer as relações com a própria família.

 

D. Quem não carrega com a Cruz não pode ser discípulo de Jesus

 

7. A segunda exigência implica a renúncia à própria vida (cf. Lc 14, 27). O discípulo de Jesus não pode fazer opções egoístas, colocando em primeiro lugar os seus interesses e aquilo que é melhor para ele. Ele é chamado a colocar a sua vida ao serviço do Evangelho e fazer da sua vida um dom de amor aos irmãos. Foi esse, de facto, o caminho de Jesus: o «caminho da Cruz».

É por isso que quem não carrega com a Cruz não pode ser discípulo de Jesus. Não adianta imaginar um «Cristianismo açucarado» já que o seu perfil está definitivamente traçado. Quem o traçou foi Jesus.

 

  1. A terceira exigência passa pela renúncia aos bens (cf. Lc 14, 33). Jesus sabe que os bens têm um grande poder de sedução. Facilmente são idolatrados. Facilmente ocupam o lugar central na vida das pessoas, tornando-se uma prioridade, escravizando o homem e levando-o a viver em função deles. Neste caso, que espaço fica para o Evangelho?

Acresce que dar prioridade aos bens leva a viver de forma egoísta, indiferente às necessidades dos outros. Aderir ao Evangelho implica viver o mandamento novo do amor e orientar a vida para que esta seja orientada para a partilha e doação.

 

E. O nosso alicerce é Jesus

 

9. Fica claro que ser cristão, sendo um caminho de felicidade, não é um caminho de facilidade. É talvez por isso que se trata de um caminho que nem todos aceitem seguir. Jesus deixa tudo muito claro. Ele quer instruir, não iludir.

As três exigências de Jesus podem resumir-se a duas. Jesus quer que renunciemos ao nosso «ter» e ao nosso «ser». O «ter» conduz, quase sempre, a um esvaziamento do «ser». E o «ser» a que somos chamados não é o nosso, é o «ser» de Cristo. Desde o Baptismo, estamos «cristificados». Não somos nós, é Cristo em nós (cf. Gál 2, 20). Daí que a nossa vida tenha de ser sempre uma «Cristovida».

 

  1. Olhemos, agora, brevemente, para as duas parábolas. A parábola do homem que, antes de construir uma torre, pensa se tem com que terminá-la (cf. Lc 14, 28-30) e a parábola do rei que, antes de partir para a guerra, pensa se pode opor-se a outro rei com forças superiores (cf. Lc 14, 31-32) convidam os candidatos a discípulos a tomar consciência da sua decisão em corresponder às implicações do Evangelho e em assumir, com inteira radicalidade, as respectivas exigências.

Escutemos, então, o que Jesus nos diz. Ele continua a atravessar-Se no nosso caminho como, há dois mil anos, Se atravessou no caminho das multidões (cf. Lc 14, 25). Só estando ancorados em Cristo é que estaremos em condições de cumprir o que nos é pedido e em fazer o que nos é solicitado. Como cantávamos no Salmo Responsorial, só Ele é o nosso refúgio. Sozinhos nada conseguimos. Sozinhos nada somos. A presunção só degenera em ilusão. O nosso alicerce é Jesus Cristo. Só n’Ele conseguiremos mudar a nossa vida e a vida do mundo.

publicado por Theosfera às 08:33

  1. Eis que chegámos ao Domingo, ao «Dia do Senhor», ao Dia da Páscoa do Senhor. Nunca é demais recordar: antes da celebração anual, a Páscoa teve sempre uma celebração semanal.

Antes de celebrarem a Páscoa todos os anos, os cristãos celebraram sempre a Páscoa todas as semanas. E celebraram-na ao Domingo, no dia em que Jesus ressuscitou. De que modo? Através da proclamação da Palavra de Deus e da «fracção do Pão», ou seja, através da Eucaristia.

 

  1. Aliás, a Eucaristia é um dos três grandes «mandamentos» de Jesus. A par do mandamento do amor («amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei», Jo 15, 12) e do mandamento missionário («ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho», Mc 16, 15), Jesus deixou-nos o mandamento eucarístico: «Fazei isto em memória de Mim» (1Cor 11, 25).

E, como facilmente podemos ver, a Eucaristia é a condensação de todos estes preceitos. A Eucaristia é a celebração máxima do amor maior. Pelo que quem se sente amado só pode amar e envolver os outros no mesmo amor. É por isso que o «ide em paz» não é uma despedida, mas um envio. Quando termina a Missa, mistério de amor, começa a Missão, expansão do mesmo — e único — amor.

 

  1. Só que este corre o risco de ser também o mandamento mais esquecido. Para muitos, o Domingo é apenas dia de descanso. E, de facto, o Domingo é dia de descanso, mas este descanso é para ser vivido — antes de mais e acima de tudo — na presença de Deus. Como acontecia com o Sábado para o Povo de Israel, o Domingo é o grande dia do encontro com Deus para os cristãos.

Por isso, nunca é demais repetir neste local: o Domingo é um dia pascal. E a Páscoa semanal é celebrada na Eucaristia. Este é, pois, o dia por excelência da Eucaristia. Compreende-se também que a Eucaristia seja o centro da nossa romaria. Nunca esqueçamos que a Eucaristia é o primeiro — e o maior — louvor a Maria. Basta pensar que o ventre de Maria foi o primeiro sacrário da história. E, neste Santuário, a Sua imagem está igualmente à porta do Sacrário. Neste lugar, Ela conduz os Seus filhos para o corpo de Seu Filho.

 

  1. Já agora, é curioso notar que este dia 4 de Setembro também está carregado de tons de festa na história do Santuário. Foi, de facto, a 4 de Setembro de 1778 (completam-se hoje 238 anos), que se procedeu à segunda bênção do Santuário, já recheado com os retábulos e os altares. E foi a 4 de Setembro de 1904 (completam-se hoje 112 anos) que aqui entrou a imagem que, nas procissões, acompanha a fé das multidões. É ela que, na Sacristia, está à nossa espera em cada dia.

Tinha chegado a Lamego dois dias antes, a 2 de Setembro de 1904. Os sinos repicaram os sinos e os foguetes estouraram. Ficou dois dias na Sé até vir para a Sua casa, o Santuário. Extasiada perante esta «obra de arte», a imprensa da época não hesitou em qualificar logo esta imagem como «formosíssima».

 

  1. Houve quem lhe chamasse a «Senhora Nova» e não tem faltado quem a trate por «Imagem Peregrina». É esta, de facto, a imagem que costuma sair e que nos vê chegar. É esta a imagem que nos visita e que, desde há muito, passou a ser a imagem mais visitada, mais olhada, mais contemplada. Sem desdouro para as outras imagens, esta passou a ser «a» imagem de Nossa Senhora dos Remédios.

Quando se fala de Nossa Senhora dos Remédios, é nesta imagem que muitos pensam, é para esta imagem que muitos se voltam. Ela é a Senhora das Procissões, a Senhora de Todos os Corações. Ela tornou-Se, pois, o «rosto de Lamego». É Ela que traz tanta gente do mundo até Lamego. É Ela que leva o nome de Lamego até ao mundo.

 

  1. Permiti que vos convide a olhar para que aquele olhar, para o olhar desta imagem da nossa Mãe dos Remédios. Se a imagem que está no trono tem as feições de Senhora do Leite, a imagem da Sacristia cativa-nos plenamente como Senhora do…Deleite. Se repararmos bem, verificaremos que, nesta imagem, Nossa Senhora não está só a oferecer o leite ao Menino. Ela está a olhar, totalmente deleitada, para o Menino que sorve o leite. O realce não está apenas na maneira como aleita; está sobretudo na forma como olha enquanto aleita.

Tudo, naquela imagem, sabe a leite puro e a puro deleite. O deleite não flui menos que o leite. Dir-se-ia até que, nesta imagem de Nossa Senhora dos Remédios, acima do leite sobressai o deleite.

 

  1. Esta é uma Mãe que ama enquanto amamenta. Esta é uma Mãe que amamenta e não só com o peito. Esta é uma Mãe que amamenta com a alma, com o coração, com o olhar. O olhar profundamente intimista que a Mãe aleitante deposita no Filho aleitado é o que torna esta imagem única e irresistível como, porventura, nenhuma outra.

Parece que não existe mais ninguém. O olhar da Mãe está todo voltado para o Filho. Mais do que Nossa Senhora do Leite, Nossa Senhora dos Remédios será, por isso e para sempre, Nossa Senhora do Deleite, Nossa Senhora inteiramente deleitada.

 

  1. Acontece que, nós, que olhamos com emoção, esquecemos, muitas vezes, a lição. Olhamos para a Mãe deste Filho, mas parece que esquecemos o Filho desta Mãe. Esta imagem de Nossa Senhora dos Remédios apresenta-nos Maria totalmente absorvida por Jesus. O peito da Senhora nos lábios do Menino certifica que aquelas duas vidas nunca se separam. Tal como o leite da Mãe foi sorvido pelo Filho, também o cálice do Filho será integralmente bebido pela Mãe (cf. Mc 10, 39; Jo 19, 25).

Por conseguinte, não estamos em presença de um mero acto de aleitação. Verdadeiramente, estamos em presença de um acto de adoração. E se adorar («proskineo») é, muitas vezes, entendido como «encostar os lábios», aqui pode ser visceralmente visto como «encostar o peito aos lábios». Maria, nesta imagem, convida-nos a fazer como Ela, isto é, a inclinarmo-nos diante de Jesus, a olhar fixamente para Jesus, a nunca retirar os olhos de Jesus.

 

  1. Acontece que, frequentemente, os nossos olhos fixam-se n’Ela, mas raramente acompanham o olhar d’Ela. O nosso olhar facilmente é atraído por aquele olhar, mas nem sempre os nossos olhos se deixam conduzir por aqueles olhos. Não notamos que os olhos de Maria só param em Jesus. Maria adora enquanto aleita e aleita enquanto adora.

Nossa Senhora dos Remédios aparece à nossa frente como Nossa Senhora da Aleitação e, acima de tudo, como Nossa Senhora da Adoração. Ela não quer ser adorada. Ela sempre quis ser adorante e, nessa medida, quer ajudar-nos a adorar.

 

  1. Assim sendo, o fundamental, não é olhar para a Mãe; é olhar com a Mãe. Nossa Senhora dos Remédios não quer que nos ajoelhemos diante d’Ela, mas que nos ajoelhemos sempre com Ela, diante de Jesus. Nunca esqueçamos que o lugar mais importante do Santuário é o Altar com o Sacrário.

Muitas vezes, os nossos passos apressados despedem-se da Senhora daquele Menino sem repararem, um pouco que seja, no Menino daquela Senhora. Tantos se ajoelham diante da Mãe daquele Filho e não esboçam a mais leve inclinação quando passam diante do Filho daquela Mãe. Afinal, quando compreenderemos que o acontecimento mais importante na Casa de Maria é — e será sempre — a Eucaristia? Aprendamos com Maria a olhar para Jesus. Olhemos para Maria que nos oferece Jesus, sem nunca deixar de adorar o Jesus oferecido por Maria!

publicado por Theosfera às 08:00

Hoje, 04 de Setembro (23º Domingo do Tempo Comum), é dia de Nossa Senhora da Consolação, S. Moisés, Sta. Rosa de Viterbo, Sta. Rosália e Sta. Maria de Santa Cecília Romana.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 03 de Setembro de 2016
  1. O sábado sempre foi um dia especialmente dedicado a Maria. Esta tradição deve-se ao facto de ter sido um sábado — o Sábado Santo — o primeiro dia que Maria passou com o Seu Filho morto. Foi, portanto, um sábado de solidão, de pranto e de luto. Foi o dia em que Maria chorou, sofreu e penou pela morte de Seu Filho. Foi certamente nesse sábado que vieram à memória de Maria as proféticas palavras de Simeão: «E uma espada trespassará a Tua alma» (Lc 2, 35).

Só que, além da dor e do luto, esse foi também o sábado da espera e da esperança. Nesse sábado, Maria manteve-se firme na fé, aguardando, no Seu Imaculado — e muito dorido — Coração, a alvorada da Ressurreição.

 

  1. Em homenagem à dor e à esperança de Maria, a Igreja decidiu dedicar-Lhe especialmente este dia. O sábado funciona, assim, como a aurora: ele antecede e anuncia o surgimento do Domingo, o Dia do Sol, o Dia da Luz, o Dia de Jesus. Neste sentido, depressa começaram a surgir muitos actos de piedade em honra da Virgem Santíssima, tais como as «Mil Ave-Marias», o Terço do Rosário, o Ofício da Imaculada Conceição etc.

O Papa Paulo VI, reconhecendo a existência e o valor desta «memória antiga e discreta», incentivou a comemoração litúrgica de «Santa Maria no Sábado». E a própria Virgem Maria, em Fátima, pediu expressamente «a devoção reparadora dos primeiros sábados» de cada mês.

 

  1. Dizem os documentos que, ainda antes de haver o Santuário, já a este lugar acorriam muitas pessoas para «rezar e [também] espairecer». Vinham de toda a parte e vinham praticamente todos os dias. Mas, pelos vistos, era sobretudo aos sábados que a cidade «quase se despovoava» para que os seus habitantes pudessem aqui «vir ouvir Missa e rezar a ladainha da Senhora».

Este lugar bendito começou a ser frequentado por quem se sentia aflito. Mas era também com alegria que aqui muitos vinham para visitar Maria. Foi certamente toda esta devoção que deu origem à Festa de Nossa Senhora dos Remédios.

 

  1. Não sabemos ao certo quando começou a Festa, mas sabemos que no início do século XVIII já era muito conhecida e estava muito divulgada. Em 1711, na sua famosa obra «Santuário Mariano», Frei Agostinho de Santa Maria indica não um, mas dois dias de festa: «Duas vezes ao ano se festeja esta soberana Senhora, a primeira no dia de Nossa Senhora dos Prazeres [segunda-feira após o II Domingo da Páscoa] e a segunda no dia de Nossa Senhora das Neves, a cinco de Agosto». Em ambos os dias, havia «muita solenidade com Missas Cantadas e Sermões».

Após a Novena, o dia principal da Festa constava de: 1) exposição do Santíssimo e 2) Missa com sermão, «das 5 horas às 6 horas da manhã». No final, «as pessoas retiravam-se para suas casas, depois de terem cumprido os seus deveres religiosos, com a alma cheia de Deus, fervor, devoção e confiança em Nossa Senhora dos Remédios». Foi em 1778 que a Festa passou para 8 de Setembro, dia em que se comemora o Nascimento de Nossa Senhora.

 

  1. Quer aos sábados, quer nas alturas da Festa, os peregrinos vinham, sem dúvida, louvar, mas também vinham suplicar. As súplicas incidiam, acima de tudo, sobre problemas de saúde. Como nos diz Frei Agostinho de Santa Maria, as pessoas sempre acreditaram que tudo o que se pede a Nossa Senhora dos Remédios, «Ela o concede liberalmente».

Foi por isso que, durante muitos anos, uma das imagens existentes no Santuário «andava por casa dos doentes». E foi por isso que as procissões que se fizeram antes do começo da «procissão de triunfo» tiveram como motivo pedir a cura para as doenças das pessoas e dos campos. Deste modo, fez-se procissão em 1752, por causa da seca, em 1866, por causa da febre tifóide, em 1874, por causa da varíola, em 1878, por causa da filoxera, e em 1885, por causa da cólera.

 

  1. O próprio cancioneiro de Lamego mostra a confiança que o povo tinha na intercessão de Nossa Senhora dos Remédios. Basta olhar para esta quadra muito antiga: «Ó Senhora dos Remédios,/Vinde ver a Vossa gente;/Senhora, dai-lhe saúde,/Que ela toda vem doente».

Aliás, etimologicamente, a palavra «remédio» vem do latim «remedium», o qual por sua vez deriva de «res» (coisa, realidade)+«medeor» (curar). Ou seja, «remédio» é aquilo, aquele ou — neste caso — aquela que traz a cura. Sucede que a cura que traz Maria não é parcial, é total: não é cura só para as doenças que temos na vida, é cura para toda a nossa vida.

 

  1. Acresce que, em latim, «remediare» e «redimere» têm uma significação semelhante. Remediar e redimir são verbos intimamente ligados. No fundo, o grande remédio que todos nós procuramos é a redenção. E a redenção encontra-se no regaço de Maria. O nosso verdadeiro remédio é Jesus.

Neste sentido, importará saber que o culto de Nossa Senhora dos Remédios não surgiu apenas para responder aos pedidos de saúde. No seu começo, Nossa Senhora dos Remédios foi invocada até para as questões do dinheiro. Por muito que nos espante, a imagem mais antiga de Nossa Senhora dos Remédios — que está em Marselha — apresenta-nos Maria com uma bolsa de dinheiro na mão direita.

 

  1. É que, no século XII, quando surgiu o culto de Nossa Senhora dos Remédios, já havia muitos cristãos feitos reféns. Os raptores exigiam quantias avultadas de dinheiro para os resgatar. Foi então que dois santos — São João de Mata e São Félix de Valois — fundaram a Ordem da Santíssima Trindade com o propósito de libertar os cristãos raptados. Como não tinham dinheiro, recorreram à intercessão de Nossa Senhora, pedindo-Lhe que fosse o «remédio» naquela aflição. E Nossa Senhora apareceu-lhes entregando-lhes uma bolsa cheia.

A partir dessa altura, começaram a dar à Virgem Maria o nome de Nossa Senhora do Bom Remédio, do Remédio ou dos Remédios. Por aqui se vê que, para os nossos corações, Nossa Senhora é remédio em todas as aflições.

 

  1. A pessoa agradecida sente-se no dever de dar algo de si Àquela de quem recebe tudo para si. Como os nossos antepassados, sozinhos ou em multidão, aqui estamos a recorrer à Sua intercessão. Aqui estamos para pedir e aqui estamos para agradecer. Há muitas formas de mostrar reconhecimento. Até finais do século passado, eram muitos os peregrinos que subiam o Escadório de joelhos e que de joelhos davam várias voltas ao Santuário. Eram muitas as mães que aqui subiam com os seus filhos nos braços. Hoje, esse número é mais reduzido, mas o hábito ainda se mantém.

Nossa Senhora não exige certamente tão grande sacrifício, já que a maior gratidão é sempre a conversão. Mas aceita seguramente o que Lhe é dado com amor, em copiosas doses de despojamento e simplicidade.

 

  1. Aqui muitos partilham sonhos e mágoas. E é Ela, a Mãe dos Remédios, que suaviza dores e afaga lágrimas. É Ela, a Mãe dos Remédios, que acende sorrisos e fortalece os ânimos. Nossa Senhora dos Remédios tornou-se uma espécie de enclave do Céu na nossa terra. Nossa Senhora dos Remédios é o rosto de Lamego para o mundo. Como cantavam os nossos maiores, também hoje os nossos lábios entoam: «Nossa Senhora, ó Virgem Pura/Toda bondade e formosura/Dai harmonia à nossa voz/ E lá do alto velai por nós».

Mas tende a certeza de que a nossa prece é atendida. Tende a certeza de que Ela vela por nós. Lá do alto Ela está sempre a velar por quem anda, cansado e doente, cá em baixo. No Seu regaço está o Remédio. No seu colo está Jesus. É Ele que nos cura. É Ele quem nos conduz!

publicado por Theosfera às 08:00

Hoje, 03 de Setembro, é dia de S. Gregório Magno e S. Remáculo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:15

Sexta-feira, 02 de Setembro de 2016

Hoje, vieram mais peregrinos que ontem e vieram menos que amanhã.

O «caudal» vai enchendo e alastrando.

Vale sempre a pena participar na Novena.

Dia a dia, manhã cedo, continuaremos a louvar a Senhora de Lamego!

publicado por Theosfera às 09:44

  1. Sexta-feira é o dia da Paixão, é o dia da Cruz, é, portanto, o dia da misericórdia. Jesus entrega a Sua vida ao Pai da Misericórdia, na companhia da Mãe da Misericórdia. Recordamos que na primeira vez que Nossa Senhora dos Remédios saiu à rua foi invocada como «Mãe das Misericórdias».

Mas já muito antes — aliás, desde sempre — o povo crente habituou-se a invocar Maria como Mãe da Misericórdia. Quem não se sente misericordiado no regaço desta Mãe?

 

  1. Se Deus é a fonte donde a Misericórdia vem, Maria é a Mãe por onde a mesma Misericórdia nos chega. É por isso que estamos sempre a ir ao encontro do Pai da Misericórdia e da Mãe da Misericórdia. E o certo é que o povo está sempre a recorrer à Mãe da Misericórdia.

Quem não conhece a «Salve, Rainha»? Quem não recita a «Salve, Rainha»? É uma oração muito popular, muito sentida e bastante dorida.

 

  1. A autoria desta oração é atribuída ao monge beneditino Hermano Contracto, que a terá escrito em meados do século XI, no mosteiro de Reichenau, no Sacro Império Romano-Germânico. Naquela altura, a Europa central era dizimada por calamidades naturais,  por muitas epidemias, por uma extrema miséria, pela fome e pela constante ameaça de invasões e saques.

Dizem que Frei Hermano Contracto nasceu raquítico e disforme, em 1013. Daí que o apelido «Contracto» lhe fosse acoplado ao nome «Hermano» pois «contracto» significa precisamente «contraído», «deformado».

 

  1. De acordo com a tradição, quando Frei Hermano Contracto nasceu e verificaram o seu raquitismo e má-formação, a sua mãe, Miltreed, consagrou-o logo a Maria. Foi, por isso, crescendo com uma grande devoção a Nossa Senhora.

Aos sete anos, foi confiado pelos pais aos monges do Mosteiro de St. Gallen para ser instruído nas ciências e nas artes. Posteriormente, foi admitido como monge nesse mesmo mosteiro e ficou famoso como astrónomo, físico, matemático, teólogo, poeta e músico. Já adulto, andava e escrevia com dificuldade. Anos mais tarde, foi transportado, numa liteira, até Reichenau, onde, com o tempo, chegou a ser mestre de noviços.

 

 

  1. A sua vida ficou tão marcada pelo sofrimento que chegou a escrever:

«De três modos se pode sofrer: estando inocente, como Nosso Senhor na Cruz; estando-se culpado, como o bom ladrão; e para fazer penitência. Eu quero carregar a minha cruz para pagar pelos meus pecados e pelos pecados dos outros. É este o meio mais seguro de chegar à glória do Céu. Mas, sinto-me muito fraco. O demónio quer fazer-me vacilar. Mãe do Céu, ajudai-me, para que, como Vós, eu não murmure e não me queixe, mas reconheça no sofrimento uma prova do amor de Deus».

 

  1. Foi neste contexto de vida que concebeu esta oração da «Salve, Rainha», que é um misto de sofrimento e de esperança. No dia 15 de Novembro de 1049, em que estava a sofrer de um modo especial, Frei Hermano rezou na sua cela, diante de um quadro de Nossa Senhora. No seu coração, nasceu esta prece: «Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva. A Vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas».

Pouco depois, entrou na sua cela o irmão enfermeiro. Então, Frei Hermano pediu-lhe que o ajudasse a ir à capela, dedicada precisamente a Nossa Senhora. Ali, continuou a sua meditação e a sua prece. E rezou assim: «Eia, pois, advogada nossa, esses Vossos olhos misericordiosos a nós volvei; e, depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do Vosso ventre».

 

  1. Quando se tornou conhecida pelos fiéis, a «Salve, Rainha» teve um sucesso enorme. Esta oração começou rapidamente a ser rezada e cantada em muitos locais. Um século mais tarde, foi cantada também na Catedral de Espira, por ocasião de um encontro de personalidades importantes, entre elas, o imperador Conrado III e São Bernardo, conhecido como o «cantor da Virgem Maria».

Recorde-se que São Bernardo foi um dos primeiros a denominá-La «Nossa Senhora». Há quem diga que, ao ouvir cantar a «Salve Rainha» naquela Catedral, São Bernardo ter-lhe-á acrescentado as últimas palavras. É que, inicialmente, a oração terminava com a petição: «Mostrai-nos Jesus, bendito fruto do Vosso ventre». No silêncio que se seguiu, São Bernardo terá gritado sozinho no meio da Catedral: «Ó clemente, ó piedosa, ó doce e sempre Virgem Maria». A partir dessa data, estas palavras foram incorporadas na «Salve, Rainha».

 

  1. Dizem que os primeiros Cruzados cantavam a «Salve, Rainha» em 1099, o que mostra que o povo já então a conhecia. Durante os séculos XII e XIII, espalhou-se cada vez mais o costume de a cantar logo depois da Oração de Completas, a última oração do dia. Assim faziam os Cistercienses desde 1218 e os Dominicanos desde 1226. Em 1239, o Papa Gregório IX introduziu esse cântico nas igrejas de Roma. Encaminhavam-se os monges, de velas acesas, para um altar lateral e aí o entoavam. Por um piedoso costume popular, a «Salve, Rainha» é recitada no final do Terço, como que servindo de corolário à meditação dos mistérios do Rosário.

Esta terá sido uma das primeiras orações entoadas no Novo Mundo. Sabe-se, com efeito, que a «Salve, Rainha» foi cantada por Cristóvão Colombo, com os seus marinheiros, ao desembarcarem na pequena ilha das Baamas, que denominaram São Salvador, em Outubro de 1492.

 

  1. Podemos, sem sombra de dúvida, dizer que esta é uma das mais belas orações marianas. A seguir à «Ave, Maria», é a oração mariana mais recitada todos os dias pelos católicos no mundo inteiro. Trata-se de uma oração bela pela sua simplicidade e, ao mesmo tempo, pela sua profundidade. Ela transporta-nos para o incomensurável valor da intercessão de Nossa Senhora junto de Seu Filho.

Aquilo que os nossos lábios estão a dizer, o nosso coração sabe que está a acontecer. Nós bem sabemos que somos pobres pecadores, necessitados da misericórdia de Deus. Nós bem sabemos que Maria Se preocupa em socorrer as nossas necessidades.

 

  1. A «Salve, Rainha» tem uma cadência cheia de eloquência. Tantas são as vezes em que a recitamos, de lágrimas nos olhos, diante de Nossa Senhora dos Remédios. Aqui, nós A saudamos como «Mãe de Misericórdia». Aqui, nós A sentimos como «vida e doçura» no meio desta caminhada dura. Aqui, tanto quanto a nossa voz possa, nós A proclamamos como «esperança nossa». Aqui, por Ela bradamos, isto é, gritamos. Aqui, por Ela suspiramos enquanto gememos e choramos.

Este Santuário é, muitas vezes, um infindável «vale de lágrimas». Por isso aqui vimos ao encontro de Nossa Senhora dos Remédios «nossa advogada». Nós sabemos — e sentimos — que Ela para nós volta os Seus «olhos misericordiosos». Nós que aqui chegamos, vindos do nosso «desterro», pedimos — à Senhora de Lamego — que nos mostre «o bendito fruto do Seu ventre». E Ela, a nossa Mãe, aqui está, «clemente, piedosa e doce». E, se mais preciso fosse, Ela voltaria a dar-nos o que sempre nos deu: o Filho Seu. O ventre de Maria é, Ele próprio, um Santuário e o primeiro Sacrário. Aos pés d’Ela, a nossa vida é muito mais bela!

publicado por Theosfera às 08:00

Hoje, 02 de Setembro, é dia de S. Luís José François, S. João Henrique Gruyer, S.Pedro Renato Rogue, S. Francisco Luís Hebert, S. Francisco Lefranc, S. Pedro Cláudio Pottier, S. Justo, S. Viator e S. João Beyzim.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 01 de Setembro de 2016

Uma criança perguntou ao pai: «Qual é o tamanho de Deus?»

Olhando para o céu, o pai avistou um avião e perguntou ao filho: «Que tamanho tem aquele avião?»

O menino disse: «Pequeno, mal se pode ver».

Então, o pai levou o filho a um aeroporto e, ao chegar perto de um avião, perguntou: «E agora, qual é o tamanho deste?»

O menino respondeu: «Oh, é enorme!»

O pai disse então: «Assim é Deus. O tamanho depende da distância a que estiveres d'Ele. Quanto mais perto, maior Ele será na tua vida!»

publicado por Theosfera às 09:13

  1. Ao longo deste Ano Santo da Misericórdia — como sucede aliás em todos os anos santos —, a Igreja disponibiliza vários lugares nos quais se pode obter uma indulgência plenária.

Já agora, convém recordar que a indulgência é a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada. Trata-se de uma remissão que o fiel, nas devidas condições, obtém pela acção da Igreja, a qual, enquanto dispensadora da redenção, distribui o tesouro das graças de Cristo e dos santos.

 

  1. Cada pessoa pode lucrar uma indulgência para si mesmo ou para os defuntos. A indulgência é parcial ou plenária, consoante liberta parcial ou totalmente da pena temporal devida ao pecado. De acordo com o «Manual das Indulgências», para se ganhar uma indulgência plenária, deve-se: 1) fazer uma Confissão individual rejeitando todos os pecados; 2) receber a Sagrada Comunhão; e 3) rezar pelo Santo Padre ao menos um Pai-nosso e uma Ave-Maria.

Além disso, é preciso escolher uma destas práticas: 1) adoração ao Santíssimo Sacramento pelo menos durante meia hora; 2) leitura espiritual da Sagrada Escritura pelo menos durante meia hora; 3) exercício da Via-Sacra; 4) recitação do Terço do Rosário numa igreja, oratório, comunidade religiosa ou em piedosa associação. No âmbito deste Ano Santo da Misericórdia, foram propostas outras práticas para alcançar a indulgência plenária. Foi o caso da peregrinação à Porta Santa e da vivência de, pelo menos, uma das 14 obras de misericórdia.

 

  1. Acontece que, neste Santuário, é possível alcançar uma indulgência plenária todos os dias de todos os anos. Podemos, pois, dizer que neste lugar — meu e teu — estamos sempre em Jubileu.

Já no século XVII, o Papa Urbano VIII concedeu, «para sempre, muitas indulgências, aos membros da Irmandade de Nossa Senhora dos Remédios. No século seguinte, tais indulgências foram alargadas a todos os peregrinos que visitassem o Santuário. De facto, foi a 14 de Maio de 1777, que o Papa Pio VI emitiu um documento em que concedia indulgência plenária num dia a ser designado pelo Bispo de Lamego, «desde as primeiras Vésperas até ao pôr-do-sol». A 19 de Julho de 1778, o Bispo de Lamego fez uso da faculdade que lhe foi atribuída. Foi nessa data que designou 8 de Setembro como o dia para obter essa indulgência e também como o dia da Festa de Nossa Senhora dos Remédios.

 

  1. Os estatutos de 1779 deram cabal cumprimento a esta concessão: «Todo o fiel cristão que, confessando-se e comungando, visite a Capela de Nossa Senhora dos Remédios desde as primeiras Vésperas do dia 7 até ao pôr-do-sol do dia 8 de Setembro e aí reze pela paz e concórdia entre os príncipes cristãos, extirpação das heresias e exaltação da Santa Madre Igreja, pode lucrar a sobredita indulgência plenária e remissão dos seus pecados».

Para facilitar o acesso dos peregrinos, a porta do Santuário estava aberta desde a tarde do dia 7 até ao começo da noite do dia 8 de Setembro. O altar de Nossa Senhora devia ter, pelo menos, duas velas acesas. Nos dias anteriores, seriam colocados editais nos lugares públicos da cidade e o sino tocaria para avisar os fiéis.

 

  1. Sucede que, pouco tempo depois, o mesmo Papa Pio VI haveria de estender esta concessão a todos os dias do ano. Num novo documento, datado de 15 de Janeiro de 1780, era dito:

«A todos e cada um dos fiéis de Jesus Cristo, estando verdadeiramente arrependidos, confessados e comungados, com pio amor lhes aplicamos dos celestiais tesouros da Igreja, para aumento da Religião dos mesmos fiéis e salvação de suas almas e concedemos, compadecidos no Senhor, indulgência plenária em qualquer dia do ano e remissão de todos os pecados, se ao mesmo tempo visitarem com devoção a Igreja ou Capela pública da Santíssima Virgem Maria e Senhora dos Remédios, sita nos arrabaldes da cidade de Lamego e nela rogarem a Deus pela paz e concórdia entre todos os príncipes cristãos, extirpação das heresias e exaltação da Santa Madre Igreja, sem que obste a esta graça qualquer inconveniente que se lhe oponha, e valerá para o tempo presente e para o futuro perpetuamente».

 

  1. Como se pode ver e como tem sido recordado ao longo dos tempos, este documento está em pleno vigor. Aliás, há um quadro na Sacristia que no-lo recorda a toda a hora.

Trata-se de mais um motivo para que «todas as pessoas da cidade ou que passem por Lamego não deixem de visitar muitas vezes o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios e aproveitem a ocasião para saudar a nossa Mãe do Céu».

 

  1. Refira-se que o impacto deste documento foi tal que a afluência de fiéis com o propósito de obter a indulgência plenária começou a crescer exponencialmente. Como essas pessoas pretendiam comungar e uma vez que frequentemente iam fora da hora da Missa, a Irmandade pediu autorização para que o Santíssimo Sacramento estivesse permanentemente no Sacrário.

Tal pedido foi formulado a 12 de Novembro de 1874 e foi atendido no dia 17 do mesmo mês pelo Bispo de Lamego, D. António da Trindade.

 

  1. Por aqui se vê como este é, por excelência, um lugar de misericórdia. Mesmo quando este Jubileu terminar, aqui é sempre possível a divina misericórdia celebrar.

É neste sentido que, todos os dias, aqui se oferece o que está preceituado pela Santa Igreja para obter a indulgência plenária. Todos os dias, aqui se disponibiliza o Sacramento do Perdão e o Sacramento da Eucaristia. Todos os dias, aqui se reza pelas intenções do Santo Padre. Todos os dias, aqui se proporciona tempo para a meditação da Sagrada Escritura. Todos os dias, aqui se promove a adoração ao Santíssimo Sacramento. Todos os dias, aqui se recita o Terço do Rosário.

 

  1. Para o Santuário, o sentido da sua existência é constituir, todo ele, um lugar de indulgência. É por isso que cada dia é tão importante como os chamados «grandes dias». A peregrinação de cada dia tem uma enorme valia. No âmbito dessa peregrinação, é fundamental que não desliguemos o que Jesus Cristo, através da Sua Igreja, quis ligar. A participação no Sacramento da Comunhão não deve ser separada do Sacramento da Reconciliação. Os dois sacramentos interagem profundamente: a Reconciliação alenta para a Comunhão e a Comunhão alimenta a Reconciliação.

É bom notar que a participação na Comunhão cresce. Mas é muito preocupante verificar que a participação na Confissão vai decrescendo. É importante ter presente que o Jesus que vem até nós em forma de Pão também vem até nós em forma de perdão. O mesmo Jesus que mandou à Igreja distribuir o Pão também confiou à mesma Igreja a distribuição do Seu Perdão. Será legítimo buscar o Pão se recusamos o Perdão? Quem não precisa de ser perdoado?

 

  1. Venhamos, pois, ao encontro de Jesus no Pão. Mas não deixemos de vir também ao encontro do mesmo Jesus no Perdão. Nunca seremos plenamente dignos de O receber. Mas, pelo menos, preparemo-nos o melhor que pudermos para O acolher. Os maiores santos consideravam-se os maiores pecadores. O segredo da sua santidade foi querer vencer o pecado. Os grandes santos confessavam-se muitas vezes. Outrora, recomendava-se: «Muitas confissões, poucas comunhões». Hoje, parece que estamos no extremo oposto: «Poucas confissões, muitas comunhões». O importante é que haja uma simetria: «Muitas confissões e muitas comunhões».

Venhamos, então, receber o Pão, mas não deixemos de celebrar o Perdão. Este santuário quer ser sempre a Casa do Pão e o lugar do Perdão. Para todos. E para sempre!

publicado por Theosfera às 08:00

Hoje, 01 de Setembro, é dia de S. Miguel Ghébré e Sta. Margarida de Riéti.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

mais sobre mim
pesquisar
 
Setembro 2016
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3

4
5
6
7
8
9





Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
online
Number of online users in last 3 minutes
vacation rentals
citação do dia
citações variáveis
visitantes
hora
Relogio com Javascript
relógio
pela vida


petição

blogs SAPO


Universidade de Aveiro