O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 04 de Setembro de 2016

Senhor Jesus,

Nós Te louvamos no começo deste dia

e no início de um tempo que, conTigo, queremos que seja novo.

 

Agradecemos o dom da vida

e pedimos-Te pela saúde, pela paz e pela justiça entre todos.

 

Agradecemos especialmente

o dom de Tua Mãe,

que nos deste como nossa Mãe também.

 

Ela é, para nós, a Senhora dos Remédios,

a senhora da Luz em tempos de escuridão,

a senhora da Esperança em tempos de desespero,

a senhora da Alegria em tempos de tristeza,

a senhora da Fé em tempos de descrença.

 

Adoramos, Senhor, a Tua presença eucarística

e louvamos-Te no Teu primeiro Sacrário que foi o ventre de Tua Mãe.

 

Acompanha-nos, Senhor, nesta oração da manhã

e ajuda-nos a viver na Tua presença ao longo do resto do dia.

 

Que cada passo que dermos

possa ser uma irradiação do Teu amor e da Tua (infinita) paz!

publicado por Theosfera às 10:56

A. Em contramão com a «civilização do conforto»

  1. Nesta «civilização do conforto», em que nos encontramos, parece provocatório falar de renúncia. Regra geral, só renunciamos por imposição; nunca renunciamos por opção. Quem não faz tudo para impor a sua vontade e para seguir os seus impulsos? Em total contramão com esta tendência, Jesus propõe todo um outro tipo de vivência. Jesus não hesita em propor a renúncia e até a renúncia ao que nos é mais caro, mais querido: «Se alguém quiser seguir-Me, sem renunciar ao amor para com o pai, a mãe, a esposa, os filhos, os irmãos, as irmãs e até a própria vida, não pode ser Meu discípulo» (Lc 14, 26).

À primeira vista, Jesus parece «ciumento», indisposto a repartir a opção por Ele. Mas Jesus está a ser, como sempre foi, verdadeiro. A opção por Ele tem de ser integral e determinada, sem «mas», «talvez», «possivelmente» ou «vamos ver». Ser discípulo tem de ser em «full time», nunca em «part time». Mas será que é isso o que acontece na nossa vida?

 

  1. A Liturgia deste Domingo convida-nos a tomar consciência de quanto é exigente o caminho de Jesus. Seguir Jesus não é um caminho de facilidade, mas um caminho de renúncia e de doação da vida. Como é óbvio, quem opta por Cristo não é obrigado a odiar os seus familiares, mas deve perceber que seguir a Cristo está antes de todos e acima de tudo. Seguir a Cristo deve ter prioridade sobre as pessoas, sobre os nossos bens, sobre os nossos interesses e sobre as nossas ambições.

A Primeira Leitura lembra a todos aqueles que não são capazes de se decidir que só em Deus é possível encontrar a verdadeira felicidade e o autêntico sentido da vida. Pelo contrário, «os pensamentos dos homens são inseguros e os nossos conceitos são frágeis» (Sab 9, 14). Como bem percebeu Tony Blair, «ser humano é ser frágil». Só Deus fortalece a nossa fraqueza. Só Deus nos humaniza, só Deus nos plenitudiza. Só Deus torna o homem totalmente homem. Só em Deus somos capazes de ver, como São Paulo, que todos os homens têm a mesma dignidade. É por isso que o Apóstolo pede a Filémon que olhe para Onésimo não como escravo, mas como irmão «irmão muito querido» (Flm v.16).

 

B. Precisamos de uma «Evangelhoterapia»

 

3. Para que tudo isto se concretize na nossa vida, é mister passar por um profundo caminho de conversão, de purificação. A nossa simples natureza é insuficiente para um caminho tão exigente. Como dizia Zubiri, «viver é optar» e, como reconhecia Henri Bergson, «escolher é [também] renunciar».

Ser cristão significa pôr Cristo no centro de tudo. Jesus não admite meios-termos nem meias tintas. Ou aderimos inteiramente a Cristo ou não podemos apresentar-nos como cristãos. Piores que os não-cristãos são os «cristãos mornos»: não chegam a ser cristãos.

 

  1. O que mais nos impede de aderir totalmente a Cristo é o nosso «eu». O egoísmo é o maior adversário do Cristianismo. É por isso que outrora se valorizava muito a ascese.

Evágrio de Ponto advogava um método chamado «antirrético», pelo qual cada pensamento ou impulso contrários ao Evangelho eram superados com atitudes baseadas no Evangelho. Era uma espécie de «Evangelhoterapia», pela qual o cristão se ia vencendo a si mesmo até chegar à plena identificação com Jesus Cristo.

 

C. As exigências de Jesus

 

5. Quais são, então, as exigências fundamentais para seguir Jesus? Jesus coloca-nos três exigências, todas elas inseridas no tema da renúncia. A primeira exigência, talvez a mais incompreensível para a nossa sensibilidade, preceitua que se prefira Jesus à própria família (cf. Lc 14, 26).

A este propósito, Lucas põe na boca de Jesus uma expressão muito dura. Significando literalmente o verbo «miséô», poderíamos inferir que Jesus estava a propor que odiássemos o pai, a mãe e toda a família. Ora, isto chocaria frontalmente com o que o mesmo Jesus defende no mesmo Evangelho de São Lucas, quando recorda o dever de «honrar pai e mãe» (Lc 18, 20).

 

  1. Aqui, «odiar» não tem o sentido que lhe costumamos atribuir. Aqui, «odiar» significa sobretudo «preferir». De facto, de acordo com a maneira oriental de falar, «odiar» significa pôr algo em segundo lugar quando aparece um valor mais importante.

Ou seja, o que Jesus exige é que as relações familiares não nos impeçam de aderir ao Evangelho. Aliás, aderir ao Evangelho é a melhor maneira de fortalecer as relações com a própria família.

 

D. Quem não carrega com a Cruz não pode ser discípulo de Jesus

 

7. A segunda exigência implica a renúncia à própria vida (cf. Lc 14, 27). O discípulo de Jesus não pode fazer opções egoístas, colocando em primeiro lugar os seus interesses e aquilo que é melhor para ele. Ele é chamado a colocar a sua vida ao serviço do Evangelho e fazer da sua vida um dom de amor aos irmãos. Foi esse, de facto, o caminho de Jesus: o «caminho da Cruz».

É por isso que quem não carrega com a Cruz não pode ser discípulo de Jesus. Não adianta imaginar um «Cristianismo açucarado» já que o seu perfil está definitivamente traçado. Quem o traçou foi Jesus.

 

  1. A terceira exigência passa pela renúncia aos bens (cf. Lc 14, 33). Jesus sabe que os bens têm um grande poder de sedução. Facilmente são idolatrados. Facilmente ocupam o lugar central na vida das pessoas, tornando-se uma prioridade, escravizando o homem e levando-o a viver em função deles. Neste caso, que espaço fica para o Evangelho?

Acresce que dar prioridade aos bens leva a viver de forma egoísta, indiferente às necessidades dos outros. Aderir ao Evangelho implica viver o mandamento novo do amor e orientar a vida para que esta seja orientada para a partilha e doação.

 

E. O nosso alicerce é Jesus

 

9. Fica claro que ser cristão, sendo um caminho de felicidade, não é um caminho de facilidade. É talvez por isso que se trata de um caminho que nem todos aceitem seguir. Jesus deixa tudo muito claro. Ele quer instruir, não iludir.

As três exigências de Jesus podem resumir-se a duas. Jesus quer que renunciemos ao nosso «ter» e ao nosso «ser». O «ter» conduz, quase sempre, a um esvaziamento do «ser». E o «ser» a que somos chamados não é o nosso, é o «ser» de Cristo. Desde o Baptismo, estamos «cristificados». Não somos nós, é Cristo em nós (cf. Gál 2, 20). Daí que a nossa vida tenha de ser sempre uma «Cristovida».

 

  1. Olhemos, agora, brevemente, para as duas parábolas. A parábola do homem que, antes de construir uma torre, pensa se tem com que terminá-la (cf. Lc 14, 28-30) e a parábola do rei que, antes de partir para a guerra, pensa se pode opor-se a outro rei com forças superiores (cf. Lc 14, 31-32) convidam os candidatos a discípulos a tomar consciência da sua decisão em corresponder às implicações do Evangelho e em assumir, com inteira radicalidade, as respectivas exigências.

Escutemos, então, o que Jesus nos diz. Ele continua a atravessar-Se no nosso caminho como, há dois mil anos, Se atravessou no caminho das multidões (cf. Lc 14, 25). Só estando ancorados em Cristo é que estaremos em condições de cumprir o que nos é pedido e em fazer o que nos é solicitado. Como cantávamos no Salmo Responsorial, só Ele é o nosso refúgio. Sozinhos nada conseguimos. Sozinhos nada somos. A presunção só degenera em ilusão. O nosso alicerce é Jesus Cristo. Só n’Ele conseguiremos mudar a nossa vida e a vida do mundo.

publicado por Theosfera às 08:33

  1. Eis que chegámos ao Domingo, ao «Dia do Senhor», ao Dia da Páscoa do Senhor. Nunca é demais recordar: antes da celebração anual, a Páscoa teve sempre uma celebração semanal.

Antes de celebrarem a Páscoa todos os anos, os cristãos celebraram sempre a Páscoa todas as semanas. E celebraram-na ao Domingo, no dia em que Jesus ressuscitou. De que modo? Através da proclamação da Palavra de Deus e da «fracção do Pão», ou seja, através da Eucaristia.

 

  1. Aliás, a Eucaristia é um dos três grandes «mandamentos» de Jesus. A par do mandamento do amor («amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei», Jo 15, 12) e do mandamento missionário («ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho», Mc 16, 15), Jesus deixou-nos o mandamento eucarístico: «Fazei isto em memória de Mim» (1Cor 11, 25).

E, como facilmente podemos ver, a Eucaristia é a condensação de todos estes preceitos. A Eucaristia é a celebração máxima do amor maior. Pelo que quem se sente amado só pode amar e envolver os outros no mesmo amor. É por isso que o «ide em paz» não é uma despedida, mas um envio. Quando termina a Missa, mistério de amor, começa a Missão, expansão do mesmo — e único — amor.

 

  1. Só que este corre o risco de ser também o mandamento mais esquecido. Para muitos, o Domingo é apenas dia de descanso. E, de facto, o Domingo é dia de descanso, mas este descanso é para ser vivido — antes de mais e acima de tudo — na presença de Deus. Como acontecia com o Sábado para o Povo de Israel, o Domingo é o grande dia do encontro com Deus para os cristãos.

Por isso, nunca é demais repetir neste local: o Domingo é um dia pascal. E a Páscoa semanal é celebrada na Eucaristia. Este é, pois, o dia por excelência da Eucaristia. Compreende-se também que a Eucaristia seja o centro da nossa romaria. Nunca esqueçamos que a Eucaristia é o primeiro — e o maior — louvor a Maria. Basta pensar que o ventre de Maria foi o primeiro sacrário da história. E, neste Santuário, a Sua imagem está igualmente à porta do Sacrário. Neste lugar, Ela conduz os Seus filhos para o corpo de Seu Filho.

 

  1. Já agora, é curioso notar que este dia 4 de Setembro também está carregado de tons de festa na história do Santuário. Foi, de facto, a 4 de Setembro de 1778 (completam-se hoje 238 anos), que se procedeu à segunda bênção do Santuário, já recheado com os retábulos e os altares. E foi a 4 de Setembro de 1904 (completam-se hoje 112 anos) que aqui entrou a imagem que, nas procissões, acompanha a fé das multidões. É ela que, na Sacristia, está à nossa espera em cada dia.

Tinha chegado a Lamego dois dias antes, a 2 de Setembro de 1904. Os sinos repicaram os sinos e os foguetes estouraram. Ficou dois dias na Sé até vir para a Sua casa, o Santuário. Extasiada perante esta «obra de arte», a imprensa da época não hesitou em qualificar logo esta imagem como «formosíssima».

 

  1. Houve quem lhe chamasse a «Senhora Nova» e não tem faltado quem a trate por «Imagem Peregrina». É esta, de facto, a imagem que costuma sair e que nos vê chegar. É esta a imagem que nos visita e que, desde há muito, passou a ser a imagem mais visitada, mais olhada, mais contemplada. Sem desdouro para as outras imagens, esta passou a ser «a» imagem de Nossa Senhora dos Remédios.

Quando se fala de Nossa Senhora dos Remédios, é nesta imagem que muitos pensam, é para esta imagem que muitos se voltam. Ela é a Senhora das Procissões, a Senhora de Todos os Corações. Ela tornou-Se, pois, o «rosto de Lamego». É Ela que traz tanta gente do mundo até Lamego. É Ela que leva o nome de Lamego até ao mundo.

 

  1. Permiti que vos convide a olhar para que aquele olhar, para o olhar desta imagem da nossa Mãe dos Remédios. Se a imagem que está no trono tem as feições de Senhora do Leite, a imagem da Sacristia cativa-nos plenamente como Senhora do…Deleite. Se repararmos bem, verificaremos que, nesta imagem, Nossa Senhora não está só a oferecer o leite ao Menino. Ela está a olhar, totalmente deleitada, para o Menino que sorve o leite. O realce não está apenas na maneira como aleita; está sobretudo na forma como olha enquanto aleita.

Tudo, naquela imagem, sabe a leite puro e a puro deleite. O deleite não flui menos que o leite. Dir-se-ia até que, nesta imagem de Nossa Senhora dos Remédios, acima do leite sobressai o deleite.

 

  1. Esta é uma Mãe que ama enquanto amamenta. Esta é uma Mãe que amamenta e não só com o peito. Esta é uma Mãe que amamenta com a alma, com o coração, com o olhar. O olhar profundamente intimista que a Mãe aleitante deposita no Filho aleitado é o que torna esta imagem única e irresistível como, porventura, nenhuma outra.

Parece que não existe mais ninguém. O olhar da Mãe está todo voltado para o Filho. Mais do que Nossa Senhora do Leite, Nossa Senhora dos Remédios será, por isso e para sempre, Nossa Senhora do Deleite, Nossa Senhora inteiramente deleitada.

 

  1. Acontece que, nós, que olhamos com emoção, esquecemos, muitas vezes, a lição. Olhamos para a Mãe deste Filho, mas parece que esquecemos o Filho desta Mãe. Esta imagem de Nossa Senhora dos Remédios apresenta-nos Maria totalmente absorvida por Jesus. O peito da Senhora nos lábios do Menino certifica que aquelas duas vidas nunca se separam. Tal como o leite da Mãe foi sorvido pelo Filho, também o cálice do Filho será integralmente bebido pela Mãe (cf. Mc 10, 39; Jo 19, 25).

Por conseguinte, não estamos em presença de um mero acto de aleitação. Verdadeiramente, estamos em presença de um acto de adoração. E se adorar («proskineo») é, muitas vezes, entendido como «encostar os lábios», aqui pode ser visceralmente visto como «encostar o peito aos lábios». Maria, nesta imagem, convida-nos a fazer como Ela, isto é, a inclinarmo-nos diante de Jesus, a olhar fixamente para Jesus, a nunca retirar os olhos de Jesus.

 

  1. Acontece que, frequentemente, os nossos olhos fixam-se n’Ela, mas raramente acompanham o olhar d’Ela. O nosso olhar facilmente é atraído por aquele olhar, mas nem sempre os nossos olhos se deixam conduzir por aqueles olhos. Não notamos que os olhos de Maria só param em Jesus. Maria adora enquanto aleita e aleita enquanto adora.

Nossa Senhora dos Remédios aparece à nossa frente como Nossa Senhora da Aleitação e, acima de tudo, como Nossa Senhora da Adoração. Ela não quer ser adorada. Ela sempre quis ser adorante e, nessa medida, quer ajudar-nos a adorar.

 

  1. Assim sendo, o fundamental, não é olhar para a Mãe; é olhar com a Mãe. Nossa Senhora dos Remédios não quer que nos ajoelhemos diante d’Ela, mas que nos ajoelhemos sempre com Ela, diante de Jesus. Nunca esqueçamos que o lugar mais importante do Santuário é o Altar com o Sacrário.

Muitas vezes, os nossos passos apressados despedem-se da Senhora daquele Menino sem repararem, um pouco que seja, no Menino daquela Senhora. Tantos se ajoelham diante da Mãe daquele Filho e não esboçam a mais leve inclinação quando passam diante do Filho daquela Mãe. Afinal, quando compreenderemos que o acontecimento mais importante na Casa de Maria é — e será sempre — a Eucaristia? Aprendamos com Maria a olhar para Jesus. Olhemos para Maria que nos oferece Jesus, sem nunca deixar de adorar o Jesus oferecido por Maria!

publicado por Theosfera às 08:00

Hoje, 04 de Setembro (23º Domingo do Tempo Comum), é dia de Nossa Senhora da Consolação, S. Moisés, Sta. Rosa de Viterbo, Sta. Rosália e Sta. Maria de Santa Cecília Romana.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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