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Sábado, 03 de Setembro de 2016
  1. O sábado sempre foi um dia especialmente dedicado a Maria. Esta tradição deve-se ao facto de ter sido um sábado — o Sábado Santo — o primeiro dia que Maria passou com o Seu Filho morto. Foi, portanto, um sábado de solidão, de pranto e de luto. Foi o dia em que Maria chorou, sofreu e penou pela morte de Seu Filho. Foi certamente nesse sábado que vieram à memória de Maria as proféticas palavras de Simeão: «E uma espada trespassará a Tua alma» (Lc 2, 35).

Só que, além da dor e do luto, esse foi também o sábado da espera e da esperança. Nesse sábado, Maria manteve-se firme na fé, aguardando, no Seu Imaculado — e muito dorido — Coração, a alvorada da Ressurreição.

 

  1. Em homenagem à dor e à esperança de Maria, a Igreja decidiu dedicar-Lhe especialmente este dia. O sábado funciona, assim, como a aurora: ele antecede e anuncia o surgimento do Domingo, o Dia do Sol, o Dia da Luz, o Dia de Jesus. Neste sentido, depressa começaram a surgir muitos actos de piedade em honra da Virgem Santíssima, tais como as «Mil Ave-Marias», o Terço do Rosário, o Ofício da Imaculada Conceição etc.

O Papa Paulo VI, reconhecendo a existência e o valor desta «memória antiga e discreta», incentivou a comemoração litúrgica de «Santa Maria no Sábado». E a própria Virgem Maria, em Fátima, pediu expressamente «a devoção reparadora dos primeiros sábados» de cada mês.

 

  1. Dizem os documentos que, ainda antes de haver o Santuário, já a este lugar acorriam muitas pessoas para «rezar e [também] espairecer». Vinham de toda a parte e vinham praticamente todos os dias. Mas, pelos vistos, era sobretudo aos sábados que a cidade «quase se despovoava» para que os seus habitantes pudessem aqui «vir ouvir Missa e rezar a ladainha da Senhora».

Este lugar bendito começou a ser frequentado por quem se sentia aflito. Mas era também com alegria que aqui muitos vinham para visitar Maria. Foi certamente toda esta devoção que deu origem à Festa de Nossa Senhora dos Remédios.

 

  1. Não sabemos ao certo quando começou a Festa, mas sabemos que no início do século XVIII já era muito conhecida e estava muito divulgada. Em 1711, na sua famosa obra «Santuário Mariano», Frei Agostinho de Santa Maria indica não um, mas dois dias de festa: «Duas vezes ao ano se festeja esta soberana Senhora, a primeira no dia de Nossa Senhora dos Prazeres [segunda-feira após o II Domingo da Páscoa] e a segunda no dia de Nossa Senhora das Neves, a cinco de Agosto». Em ambos os dias, havia «muita solenidade com Missas Cantadas e Sermões».

Após a Novena, o dia principal da Festa constava de: 1) exposição do Santíssimo e 2) Missa com sermão, «das 5 horas às 6 horas da manhã». No final, «as pessoas retiravam-se para suas casas, depois de terem cumprido os seus deveres religiosos, com a alma cheia de Deus, fervor, devoção e confiança em Nossa Senhora dos Remédios». Foi em 1778 que a Festa passou para 8 de Setembro, dia em que se comemora o Nascimento de Nossa Senhora.

 

  1. Quer aos sábados, quer nas alturas da Festa, os peregrinos vinham, sem dúvida, louvar, mas também vinham suplicar. As súplicas incidiam, acima de tudo, sobre problemas de saúde. Como nos diz Frei Agostinho de Santa Maria, as pessoas sempre acreditaram que tudo o que se pede a Nossa Senhora dos Remédios, «Ela o concede liberalmente».

Foi por isso que, durante muitos anos, uma das imagens existentes no Santuário «andava por casa dos doentes». E foi por isso que as procissões que se fizeram antes do começo da «procissão de triunfo» tiveram como motivo pedir a cura para as doenças das pessoas e dos campos. Deste modo, fez-se procissão em 1752, por causa da seca, em 1866, por causa da febre tifóide, em 1874, por causa da varíola, em 1878, por causa da filoxera, e em 1885, por causa da cólera.

 

  1. O próprio cancioneiro de Lamego mostra a confiança que o povo tinha na intercessão de Nossa Senhora dos Remédios. Basta olhar para esta quadra muito antiga: «Ó Senhora dos Remédios,/Vinde ver a Vossa gente;/Senhora, dai-lhe saúde,/Que ela toda vem doente».

Aliás, etimologicamente, a palavra «remédio» vem do latim «remedium», o qual por sua vez deriva de «res» (coisa, realidade)+«medeor» (curar). Ou seja, «remédio» é aquilo, aquele ou — neste caso — aquela que traz a cura. Sucede que a cura que traz Maria não é parcial, é total: não é cura só para as doenças que temos na vida, é cura para toda a nossa vida.

 

  1. Acresce que, em latim, «remediare» e «redimere» têm uma significação semelhante. Remediar e redimir são verbos intimamente ligados. No fundo, o grande remédio que todos nós procuramos é a redenção. E a redenção encontra-se no regaço de Maria. O nosso verdadeiro remédio é Jesus.

Neste sentido, importará saber que o culto de Nossa Senhora dos Remédios não surgiu apenas para responder aos pedidos de saúde. No seu começo, Nossa Senhora dos Remédios foi invocada até para as questões do dinheiro. Por muito que nos espante, a imagem mais antiga de Nossa Senhora dos Remédios — que está em Marselha — apresenta-nos Maria com uma bolsa de dinheiro na mão direita.

 

  1. É que, no século XII, quando surgiu o culto de Nossa Senhora dos Remédios, já havia muitos cristãos feitos reféns. Os raptores exigiam quantias avultadas de dinheiro para os resgatar. Foi então que dois santos — São João de Mata e São Félix de Valois — fundaram a Ordem da Santíssima Trindade com o propósito de libertar os cristãos raptados. Como não tinham dinheiro, recorreram à intercessão de Nossa Senhora, pedindo-Lhe que fosse o «remédio» naquela aflição. E Nossa Senhora apareceu-lhes entregando-lhes uma bolsa cheia.

A partir dessa altura, começaram a dar à Virgem Maria o nome de Nossa Senhora do Bom Remédio, do Remédio ou dos Remédios. Por aqui se vê que, para os nossos corações, Nossa Senhora é remédio em todas as aflições.

 

  1. A pessoa agradecida sente-se no dever de dar algo de si Àquela de quem recebe tudo para si. Como os nossos antepassados, sozinhos ou em multidão, aqui estamos a recorrer à Sua intercessão. Aqui estamos para pedir e aqui estamos para agradecer. Há muitas formas de mostrar reconhecimento. Até finais do século passado, eram muitos os peregrinos que subiam o Escadório de joelhos e que de joelhos davam várias voltas ao Santuário. Eram muitas as mães que aqui subiam com os seus filhos nos braços. Hoje, esse número é mais reduzido, mas o hábito ainda se mantém.

Nossa Senhora não exige certamente tão grande sacrifício, já que a maior gratidão é sempre a conversão. Mas aceita seguramente o que Lhe é dado com amor, em copiosas doses de despojamento e simplicidade.

 

  1. Aqui muitos partilham sonhos e mágoas. E é Ela, a Mãe dos Remédios, que suaviza dores e afaga lágrimas. É Ela, a Mãe dos Remédios, que acende sorrisos e fortalece os ânimos. Nossa Senhora dos Remédios tornou-se uma espécie de enclave do Céu na nossa terra. Nossa Senhora dos Remédios é o rosto de Lamego para o mundo. Como cantavam os nossos maiores, também hoje os nossos lábios entoam: «Nossa Senhora, ó Virgem Pura/Toda bondade e formosura/Dai harmonia à nossa voz/ E lá do alto velai por nós».

Mas tende a certeza de que a nossa prece é atendida. Tende a certeza de que Ela vela por nós. Lá do alto Ela está sempre a velar por quem anda, cansado e doente, cá em baixo. No Seu regaço está o Remédio. No seu colo está Jesus. É Ele que nos cura. É Ele quem nos conduz!

publicado por Theosfera às 08:00

Hoje, 03 de Setembro, é dia de S. Gregório Magno e S. Remáculo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:15

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