O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 03 de Julho de 2016

Espantados continuamos todos nós, Senhor.

Estamos cheios de espanto como as pessoas do Teu tempo.

 

Estamos cheios de espanto conTigo,

com a Tua Palavra, com o Teu amor,

com os Teus milagres.

 

Tu, Senhor, nunca deixas de nos espantar.

Nunca deixas de nos surpreender.

 

É claro que continua a haver quem não aceite,

quem não adira, quem não reconheça a luz que vem de Ti.

 

Nós somos fracos e pequenos.

mas, com diz S. Paulo, é «quando nos sentimos fracos, que somos mais fortes».

 

É nessa altura de fraqueza que mais sensíveis somos à força de que vem de Ti.

É uma força que não esmaga, mas fortalece,

que não asfixia, mas liberta.

 

Tu, Senhor, és o profeta definitivo que está no meio de nós.

Desinstala-nos do nosso egoísmo, da nossa falsidade, da nossa superficialidade.

 

«Os nossos olhos estão postos em Ti, Senhor».

Sabemos que os Teus (divinos) olhos estão sempre postos em nós.

 

Obrigado, Senhor, pela Tua presença,

pela Tua interpelação,

pela Tua permanente dádiva e pelo Teu infinito amor.

 

Liberta-nos, Senhor, do orgulho,

da auto-suficiência e da falta de solidariedade.

 

Que nós imitemos a Tua proximidade com os simples.

Ensina-nos, Senhor, a ser simples, puros e humildes.

 

Obrigado, Senhor, por tanto.

Obrigado, Senhor, por tudo.

 

Obrigado por seres o nosso descanso,

a nossa confidência e e nossa paz.

 

Leva-nos para Ti.

Que fiquemos sempre conTigo,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:54

A. Na missão a iniciativa é (sempre) de Cristo

  1. Acabamos de ouvir um texto que reconduz à sua natureza a vocação, tantas vezes torpedeada por não poucos equívocos. Fica claro, por exemplo, que ser padre não é questão de candidatura, mas de chamamento. A iniciativa não é nossa, é de Cristo.

Não existe, pois, autarquia vocacional. Na raiz, ninguém é padre porque quer, mas porque Cristo quer que ele seja. Não é alguém que decide ser padre; é Cristo que decide que alguém seja padre. É Cristo que, através do Seu novo Corpo que é a Igreja, faz uma proposta e espera uma resposta. Aquele que quer ser padre decide querer o que Cristo quer para ele. Ou seja, faz sua a vontade de Cristo.

 

  1. São várias as vezes em que o Evangelho refere que Jesus chamou e enviou em missão. São Lucas, no texto que escutámos, diz que Jesus «designou setenta e dois discípulos» (Lc 10, 1). Não restam, portanto, quaisquer dúvidas. A iniciativa é de Jesus, não dos discípulos. De resto, se assim não fosse, ficaria em causa o conceito de discípulo. Discípulo é o que segue o Mestre, é o que obedece ao Mestre, é o que faz o que diz o Mestre.

Curiosamente, já no Antigo Testamento sobejam várias expressões desta livre — e sumamente libertadora — dependência. O profeta Isaías, escutando o chamamento, põe-se à disposição de Deus: «Eis-me aqui, Senhor; podeis enviar-me» (Is 6, 8).

 

B. Não é o discípulo que escolhe o Mestre;

o Mestre é que escolhe o discípulo

  1. Ninguém é discípulo porque quer ou para fazer o que quer. O discípulo existe porque Deus quer e para fazer o que Deus quer. É por isso que, às vezes, Deus contraria frontalmente as pretensões dos discípulos. Basta olhar para o pedido que, através de sua mãe, Tiago e João fizeram a Jesus (cf. Mt 20, 20-23). Jesus recusa o que eles querem (o poder) e propõe-lhes algo completamente diferente (o serviço).

Só assim se compreende que a Igreja seja de Jesus. Pertencer à Igreja significa pertencer a Jesus. Fazer parte da Igreja significa fazer parte do novo Corpo de Jesus (cf. 1Cor 12).

 

  1. Nunca esqueçamos, pois, a origem, a raiz e a matriz da relação entre Mestre e discípulo. Não é o discípulo que escolhe o Mestre; é o Mestre que escolhe os discípulos. Uma vez mais, Jesus tornou tudo muito claro: «Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e vos destinei» (Jo 15, 16).

A relação entre o Mestre e o discípulo não é meramente funcional. Trata-se de uma relação verdadeiramente simbiótica. O discípulo não é apenas aquele que faz o que o Mestre manda. O discípulo é aquele que incorpora em sua vida a vida do Mestre. O discípulo é aquele que procura ser como o Mestre (cf. Lc 6, 40). O discípulo é o que ama como o Mestre; é o que serve como o Mestre; é o que está disposto a morrer como o Mestre, com o Mestre e pelo Mestre.

 

C. Porquê 72 discípulos? E porquê dois a dois?

 

5. O número 72 não está aqui por acaso. Note-se que, segundo a tabela do Livro do Génesis 10, o número de povos era 72 (embora haja contagens que se cifram nos 70). Assim sendo, a mensagem que Jesus pretendia passar era a Sua vontade de chegar a todos os povos. Daí o sinal de um discípulo por cada povo.

Jesus sempre quis chegar a todos os lugares (cf. Lc 10, 1). Por conseguinte, depois de ressuscitar, deixou bem vincada a universalidade da missão: «Ide por todo o mundo» (Mt 28, 19). É por isso que Jesus compara o mundo a uma seara, para a qual os trabalhadores são poucos (cf. Lc 10, 2).

 

  1. Neste caso, porquê a necessidade de pedir ao «Dono da seara que mande trabalhadores para a Sua seara» (Lc 10, 2)? Precisamente para que cada um veja a realidade e mostre disponibilidade para ser enviado se for essa a vontade do «Dono da seara».

Uma vez mais, fica bem claro que é ao «Dono da seara» que cabe mandar trabalhadores para a «seara». Não é a nós que cabe decidir quem vai trabalhar na «seara»; é a Deus: só a Deus, sempre Deus.

 

D. Os obstáculos na missão

 

7. E porque é que enviou os discípulos dois a dois? São Gregório Magno dá uma explicação muito expressiva. Segundo ele, Jesus enviou os Seus discípulos dois a dois por que «dois são os mandamentos, a saber, o amor de Deus e o amor do próximo». Jesus manda os discípulos em missão dois a dois para nos dizer que «quem não tiver amor para com os outros, de modo algum deve assumir o ofício da pregação». De facto, sem amor, não pode haver missão. Afinal, quem não ama o irmão que vê, como pode amar a Deus que não vê? (cf. 1Jo 4, 20)?

No plano simbólico, encontramos nesta entrada do capítulo 10 de São Lucas uma poderosa afirmação da universalidade e do conteúdo da missão. A missão em nome de Cristo é para chegar a toda a gente. E, junto de toda a gente, é para levar o amor a Deus e o amor ao próximo.

 

  1. Seguidamente, Jesus avisa acerca das dificuldades da missão. Ninguém esteja à espera de aplausos. Se houver muitos aplausos, é sinal de que talvez a missão não esteja a seguir os critérios de Jesus. Jesus faz questão de notar que os discípulos são enviados «como cordeiros para o meio de lobos» (Lc 10, 3). Trata-se de uma imagem que, no Antigo Testamento, descreve a situação do justo no meio dos pagãos (cf. Eclo 13,17). Neste caso, expressa a situação do discípulo fiel no meio da hostilidade do mundo.

Aparece, depois, uma exigência de pobreza e simplicidade: os discípulos não devem levar consigo nem bolsa, nem alforge, nem sandálias (cf. Lc 10, 4). Isto significa que a força da missão não reside nos meios materiais, mas no testemunho. Por sua vez, a indicação de não saudar ninguém pelo caminho (cf. Lc 10, 4) indica a urgência da missão. O apelo a que não andar de casa em casa (cf. Lc 10, 7) sugere que a preocupação fundamental dos discípulos deve ser a dedicação total à missão e não procurar condições de conforto.

 

E. O discípulo não trabalha; deixa Cristo trabalhar nele

 

9. Qual deve ser, entretanto, o primeiro anúncio dos discípulos? Eles devem começar por anunciar “a paz” (cf. Lc 10, 5-6). Não se trata aqui, apenas, da saudação habitual entre os judeus, mas do anúncio da paz messiânica do Reino. É o anúncio de um mundo novo de fraternidade, de harmonia com Deus e com os outros, de bem-estar, de felicidade. Ou seja, é tudo aquilo que está incluído na palavra hebraica «shalom».

Sintomaticamente, Jesus usa palavras muito severas para quem rejeitar a mensagem e os seus mensageiros (cf. Lc 10, 11-12). É uma forma de dizer que a rejeição do Evangelho traz consequências negativas para a nossa vida.

 

  1. Os discípulos partiram e voltaram. Partiram com determinação e voltaram «cheios de alegria» (Lc 10, 17). A missão traz sempre alegria. Levar Jesus em cada dia é levar a maior alegria. No entanto e apesar do êxito da missão, Jesus põe os discípulos de sobreaviso. O êxito da missão não se deve aos discípulos, deve-se a Cristo que vai com os Seus discípulos.

Não hesitemos, pois. Ponhamo-nos à disposição de Cristo. Mais do que trabalhar, deixemos que Cristo trabalhe em nós. Sejamos o Seu eco, a Sua voz. É a Sua presença que, na vida, faz toda a diferença!

publicado por Theosfera às 07:08

Hoje, 03 de Julho (14º Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Tomé e Sto. Anatólio de Laodiceia.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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