O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 03 de Novembro de 2015

Deus é sempre amigo. E mais que amigo. Deus é Pai.

Não sabemos tudo acerca d'Ele. Mas sabemos o principal sobre Ele.

E o principal é que Ele nunca falta.

E é quando mais parece ausente que mais está presente!

publicado por Theosfera às 20:06

  1. O homem acha-se quase tudo diante das outras criaturas. E sente-se quase nada diante do Criador.

Diante do Criador, o homem sente-se pouco mais do que «pó e cinza»(Gén 18, 27).

 

  1. Como sabemos, «pó» é uma palavra que sinaliza aquilo em que o homem se transforma depois da morte.

Empiricamente, o homem do pó vem e para o pó vai (cf. Gén 3, 19).

 

  1. É uma sensação de desconforto perante uma situação de autêntica miséria.

Só que é próprio de Deus ter o Seu coração voltado para a nossa miséria. Deus é, portanto, estruturalmente misericordioso.

 

  1. Que seria do homem sem a misericórdia de Deus?

Sem misericórdia, não teríamos solução. Sem misericórdia, não haveria salvação («extra misericordiam, nulla salus»).

 

  1. É por isso que, de entre tanta coisa que podemos dizer sobre Deus, a melhor de todas é, sem dúvida, a misericórdia.
  2. Tomás não hesitava: «A misericórdia é o que de melhor podemos dizer acerca de Deus».

 

  1. Deus usa sempre de misericórdia. Deus prefere a misericórdia a tudo o resto (cf. (Os 6, 3; Mt 9, 13).

Como sintetiza Jon Sobrino, «o princípio-misericórdia é o princípio fundamental da actuação de Deus e de Jesus; pelo que deve ser também o princípio fundamental da actuação da Igreja».

 

  1. Em Jesus, a misericórdia é a chave da missão.

É por isso que Ele propõe o amor aos amigos e também aos inimigos. É pela misericórdia que mostramos ser filhos de Deus, que «faz com que o sol se levante sobre bons e maus»(Mt 5, 45).

 

  1. Decididamente, este é o Deus das novas oportunidades, das infinitas oportunidades.

Deus só pode ser misericórdia porque — desde sempre e para sempre — é amor (cf. 1Jo 4, 8.16), amor que dá, amor que se doa, amor que per-doa. E onde há amor, pode haver dor, mas não poderá haver vingança.

 

  1. Deus perdoa sempre. Aliás e como dizia Heinrich Heine, «é o trabalho d’Ele».

Pode parecer pouco justo que Deus perdoe aos que cometem atrocidades, aos que andam envolvidos na corrupção, na intriga e na calúnia.

 

  1. Parece pouco justo. Mas, em Deus, a justiça nunca exclui a misericórdia.

Em Deus, a justiça é sempre misericordiosa. E a misericórdia é sempre justa!

publicado por Theosfera às 11:02

Numa altura como esta, não devíamos pôr os programas de lado. Mas era bom que colocássemos a situação das pessoas no centro.

Afinal, que é possível fazer pelos mais pobres?

Pode parecer a «quadratura do círculo», mas uma das primeiras condições para ajudar os mais pobres é não hostilizar os mais ricos.

É claro que quem tem mais deve contribuir mais. Acontece que é preciso ver até onde se deve exigir o seu contributo.

É que, a partir de um certo patamar (aumento de impostos e criação de novos impostos), a tendência quase certa é para deixar de investir ou para retirar para outras paragens os bens possuídos.

E, com isso, não são os ricos que perdem. Quem mais perde é quem mais poderia beneficiar do seu investimento.

Aos mais ricos, é preciso exigir, mas sem hostilizar.

Afinal, todos precisam deles, a começar pelos mais pobres!

publicado por Theosfera às 10:24

  1. O segredo de um caminho está, quase sempre, no seu começo.

Nem sempre termina bem quem bem começa. Mas quem não chega a começar é que jamais será capaz de terminar.

 

  1. O nosso problema com o saber é que não costumamos valorizar devidamente o primeiro saber.

Como é possível atingir qualquer saber se nem sequer prestamos atenção ao primeiro saber?

 

  1. Acontece que o primeiro — e tão subestimado — saber é o não-saber. Se não partimos deste primeiro saber, que sabedoria podemos esperar?

Quem sabe que não sabe ainda procurará bater à porta de algum saber. Pelo contrário, quem nem sabe que não sabe que sabedoria poderá alcançar?

 

  1. Mas o não-saber é mais que o saber primeiro. É também o saber constante.

Ou seja, quando sabemos, começamos por saber que não sabemos. E, quando vamos crescendo no saber, continuamos a saber que há sempre muito por saber.

 

  1. Este não-saber costuma ser qualificado como «douto». É douto porque nos previne da nossa primordial ignorância. E porque nos garante que, por muito que venhamos a aprender, há sempre muito mais que ficará por conhecer.

Como alertava um autor medieval, estaremos sempre envolvidos pela «nuvem do não-saber».

 

  1. Voltando-nos para Deus, notamos que vivemos cercados por um imenso «não-saber»: nem sempre sabemos pensar («agnosía») nem sempre sabemos falar («afasía»), nem sempre sabemos persistir («atonia») e nem sempre sabemos agir («apraxía»).

No fundo, estamos sempre a oscilar entre uma «agnosía teológica» e uma «apraxía teologal».

 

  1. É impossível vencer totalmente a nossa ignorância. Mas é possível — e, mais que possível, desejável — melhorar a nossa prática.

De Deus nunca saberemos o suficiente. Mas por Deus podemos — e devemos — fazer bastante.

 

  1. Deus pode ser pensado, mas nunca poderá ser prensado pelo pensamento.

Os conceitos indicarão alguma coisa sobre Ele, mas nunca mostrarão tudo acerca d’Ele.

 

  1. Assim sendo, não nos apresentemos na missão como quem já tudo sabe.

Comecemos sempre pela «pastoral da pergunta» e nunca esqueçamos a decisiva «pergunta da pastoral». É a pergunta que Paulo fez a Jesus: «Que queres que eu faça?»(Act 9, 6).

 

  1. É Jesus quem sabe o que devemos fazer. É precisar estar com Ele para poder agir em nome d’Ele.

A oração é, definitivamente, o «parto» da missão!

publicado por Theosfera às 10:15

1. Os tempos de incerteza trazem sempre alguma ansiedade, mas encerram também bastante fecundidade.

 

2. Estes são, de facto, tempos favoráveis à discussão, embora sejam também permeáveis a alguma perturbação.

 

3. Faz amanhã, dia 4, um mês que o povo se pronunciou.
E parece não haver consenso acerca do que o povo terá dito.

 

4. Há partidos que não gostam de que outros partidos ousem interpretar o sentido do voto nos seus partidos.
Mas será que algum partido está em condições de interpretar com plena segurança o que cada pessoa quis dizer ao confiar-lhe o seu voto?

 

5. Se repararmos, tudo se altera conforme se agregue um determinado partido à sua esquerda ou à sua direita.

 

6. Há quem junte o PS à sua esquerda.
Nesse caso, concluiremos que cerca de 52% dos eleitores quis um governo inteiramente novo.

 

7. E não falta quem associe o mesmo PS à Coligação.
Nessa altura, notaremos que cerca de 70% dos mesmos eleitores preferem: 1) ou o mesmo governo, mas mais escrutinado e fiscalizado ou 2) um governo que integre os partidos da Coligação e o principal partido da anterior Oposição.

 

8. As duas leituras não são descabidas, pelo que nenhuma opção é totalmente linear.
Importante é que haja moderação no debate e que prevaleça o interesse nacional.

 

9. Creio que nenhuma alternativa nos levará ao paraíso.
E espero que nenhum caminho nos arraste para o abismo!

publicado por Theosfera às 10:10

É sempre cedo para morrer, mesmo que a morte venha tarde.

A vida é curta, muito curta.

Assim sendo e como recomendava Victor Hugo, «não a encurtemos mais, desperdiçando tempo».

Este é o pior desperdício: o desperdício do tempo.

Aproveitemos para depositar neste pouco tempo muitas sementes de bem!

publicado por Theosfera às 09:40

Hoje, 03 de Novembro, é dia de S. Martinho de Porres, S. Huberto, S. Tito de Brandsma e S. Roberto Meyer.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 02 de Novembro de 2015

 Para quem crê, 2 de Novembro não é dia de «finados».

«Finado» vem de «fim», indicando que alguém se finou, que alguém acabou. Ora, nós acreditamos que a morte não é o fim da vida, mas a transformação da vida.

 

É por isso que chamamos a 2 de Novembro o dia dos «fiéis defuntos».

«Defunto» vem do latim «fungor», que quer dizer «cumprir». A esta luz, defunto é o que cumpriu a etapa temporal da vida e já sobrevive na dimensão intemporal da existência.

A Igreja sempre venerou os defuntos.

Já no século VII, havia um dia de oração pelos defuntos nos mosteiros e não só.

Mais tarde, um liturgista chamado Amalário Simpósio promoveu ofícios pelos mortos logo a seguir aos ofícios dos santos.

Foi, entretanto, o abade de Cluny Santo Odilon quem decidiu colocar, talvez no ano 998, a comemoração dos fiéis defuntos a 2 de Novembro.

Este é um tempo em que suspendemos o tempo para nos fixarmos para lá do tempo.

Daí que este seja o tempo em que o tempo se senta. Só a eternidade parece voar.

Há uma espécie de permuta.

O tempo aloja-se na eternidade e a eternidade como que decide acampar no tempo.

Numa lápide, foi encontrado este verso: «Ó tu mortal que me vês/ repara bem como estou./ Eu já fui o que tu és/ e tu serás o que eu sou».

Assim sendo, aproveitemos estes dias também — e sobretudo — para rezar. Os outros necessitam e nós também precisamos. Os outros necessitam de sufrágio e nós precisamos de conversão.

Os vivos como que se enlaçam com os mortos e os mortos como que se entrelaçam com os vivos.

Na oração, os mortos permanecem vivos sem que os vivos se sintam antecipadamente mortos.

Quem está com Jesus antes da morte estará em Jesus na vida para lá da morte.

Aparentemente, vivemos para morrer. Em Cristo, porém, morremos para viver.

É doloroso o caminho até à morte. Mas vale a pena atravessar a morte sabendo que vamos ao encontro definitivo d’Aquele que venceu a própria morte.

Aqueles que choramos nestes dias, do princípio ao fim, estão à nossa espera para a grande festa. No dia que não tem fim!

publicado por Theosfera às 11:05

O maior benefício da sabedoria não é só combater a ignorância. É também convencer-nos dos seus próprios limites.

Neste sentido, Bertolt Brecht entendia que a ambição maior da sabedoria não é tanto «abrir a porta ao saber infinito, mas pôr um limite à ignorância infinita».

Somos suficientemente sábios quando nos tornamos um pouco menos ignorantes.

Porque uma estrutural ignorância conviverá sempre connosco!

publicado por Theosfera às 09:13

Hoje, 02 de Novembro, é dia da Comemoração dos Fiéis Defuntos, de S. Malaquias e de S. Pio Campidelli.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 01 de Novembro de 2015

1. É natural que as pessoas tentem fazer o que querem.
E, até certo ponto, é aceitável que procurem convencer os outros a fazer o que elas acham.

 

2. Sendo tudo isto natural e até compreensível, será que é o melhor?
Não estará na hora de experimentar um caminho diferente?

 

3. E se o melhor estiver no que nós não queremos?
Os santos tiveram uma percepção muito aguda a este respeito.

 

4. Veja-se aquilo a que se propunha Santo António Maria Claret: «Diante de duas alternativas, procurarei escolher sempre a melhor, mesmo que seja contra a minha vontade».

 

5. Nesta hora que o país e o mundo atravessam, era importante que se partisse do princípio de que a vontade pode nem sempre ser aliada da inteligência.

 

6. Era bom que se procurasse o melhor para todos e não o que parece melhor para cada um.

 

7. Neste dia, dei comigo a pensar em como seria belo haver um «governo de santos».

 

8. É que, mesmo que não fossem crentes, ao cuidarem do bem dos outros, já estariam a fazer a vontade de Deus.
Ser santo não é isso? Que não restem dúvidas. Ser santo é sobretudo isto!

publicado por Theosfera às 17:54

Santo és Tu, Senhor,

 

Santo é o Teu ser,

 

Santo é o Teu amor,

 

Santa é a Tua generosidade.

 

Santos são os Teus gestos.

 

Tudo é santo em Ti, Senhor.

 

 

Hoje é, pois, o Teu dia,

 

Como Teus, Senhor, são todos os dias.

 

Mas Tu queres que também nós sejamos santos.

 

A nós parece-nos um sonho impossível.

 

Mas para Ti, Senhor, é tarefa realizável, é missão que está ao nosso alcance.

 

Não estás aí, no alto, à nossa espera.

 

Está connosco, aqui, ao nosso lado, dentro de cada um de nós.

 

 

Ser santo é, afinal, ser (ou procurar ser) como Tu:

 

Manso, humilde, despojado, puro, pacífico.

 

Ser santo não é deixar a vida: é colocar a Tua Palavra no centro da vida.

 

Ser santo não é deixar o mundo: é depositar o Teu amor no coração do mundo.

 

Ser santo não é ser desumano: pelo contrário, é ser autenticamente humano, inteiramente humano, plenamente humano.

 

Ser santo é ser irmão, é ser fraterno, é estender a mão, é abrir o coração.

 

 

A santidade está no Céu, mas não está ausente da terra.

 

Ser santo é ser feliz: não apenas depois, mas também agora, já.

 

E ser feliz não é só quando se ri; é também quando se chora.

 

Tu, Senhor, proclamaste felizes os que choram.

 

 

Ser feliz não é ser rico de bens materiais: Tu, Senhor, declaraste felizes os pobres.

 

Ser feliz não é vencer as guerras: Tu, Senhor, chamas felizes aos que constroem a paz.

 

Ser feliz não é passar por cima dos outros: Tu, Senhor, consideras felizes os que têm fome e sede justiça.

 

Ser feliz não é ter uma vida sem problemas: Tu, Senhor, até dizes que podemos ser felizes quando somos perseguidos e insultados.

 

 

Ser feliz é não ser fingido.

 

É ser autêntico.

 

É manter a serenidade.

 

É acender a luz da esperança por entre as nuvens do desespero.

 

 

Obrigado, Senhor, por todos os santos que estão no Céu.

 

De muitos sabemos o nome e conhecemos a vida.

 

Mas há mais, muitos mais, cujo nome ignoramos e cujo número nem sequer conseguimos imaginar.

 

Muitos pertenceram à nossa família.

 

Muitos foram nossos vizinhos.

 

Santos são aqueles que deixaram, no mundo, uma semente de bondade e um rasto de luz.

 

 

Obrigado também, Senhor, por todos os santos que continuam aqui na terra.

 

Obrigado por nos convidares a ser santos.

 

Apesar dos nossos defeitos, Tu, Senhor, continuas a acreditar em nós.

 

Grava, no mais fundo de nós, este texto maravilhoso das Bem-Aventuranças.

 

Ele é o programa a seguir, o caminho a trilhar e a meta a alcançar.

 

Que o conservemos na mente e o guardemos no coração para que o possamos aplicar na vida.

 

 

Nossa Senhora, Mãe da esperança,

 

Acompanha-nos na nossa jornada pelo tempo.

 

Faz brilhar em nós a luz do Teu sim.

 

Tu és a toda santa, a toda bela, a toda pura.

 

Dá-nos a graça de sermos simples e fiéis,

 

Persistentes e constantes.

 

Semeia em nós a santidade.

 

Que sejamos humildes como Tu.

 

Que deixemos Deus fazer através de nós as maravilhas que Deus realizou por meio de Ti.

 

 

Ajuda-nos no caminho,

 

Acompanha-nos na viagem.

 

Apoia-nos quando cairmos.

 

Enxuga as nossas lágrimas.

 

Dá-nos a Tu mão, agora,

 

E recebe-nos no Teu coração, depois, na eternidade.

 

Que sejamos santos

 

E, por isso, felizes.

 

E, por isso, cada vez mais amigos,

 

Cada vez mais unidos,

 

Cada vez mais irmãos!

publicado por Theosfera às 10:59

A. Importante é querer ser santo

  1. Haverá alguém que não queira ser rico? Haverá alguém que não faça tudo para ser rico? Nem todos conseguem ser ricos, mas não há ninguém que não queira ser rico. Os nossos problemas, muitas vezes, começam aqui: pela falta de vontade. O nosso problema é que nem sempre queremos. O nosso problema é que nem sempre queremos o que mais devíamos querer. Os nossos lábios dizem, ao recitar o Pai-Nosso, que queremos fazer a vontade de Deus (cf. Mt 6, 10). Ora, Deus quer que sejamos santos (cf. Lev 20, 7). Mas será que queremos mesmo ser santos? Será que fazemos tudo — ou, pelo menos, alguma coisa — para sermos santos?

    Nem sempre há santidade nas riquezas. Mas há sempre riqueza na santidade. Foi, aliás, por causa dessa riqueza que muitos, como São Bento José Labre ou São Pedro Alcântara, não quiseram outras riquezas. E foi por causa desta riqueza que muitos outros, como Santo Antão ou São Francisco, deitaram fora todas as riquezas. Acresce que enquanto as riquezas nem sempre abundam em quem as procura, a santidade abunda sempre em quem a busca. Querer ser santo já é ser santo. E, no fundo, é tão fácil ser santo. Ser santo é meter Deus na nossa vida e é metermo-nos na vida de Deus. Deus está disponível para viver connosco. Será que nós estamos disponíveis para viver com Deus? Já houve um tempo em que ser cristão era igual a ser santo (cf. Rom 1, 7). Será que, hoje, temos essa vontade, essa disponibilidade, essa ânsia?

 

  1. A santidade é natural em Deus e sobrenatural em nós. O que Deus é por natureza, nós somos chamados a ser por dom de Deus. Ser santo é, por conseguinte, tornar-se santo. E tornar-se santo é, no fundo, concretizar o desígnio primordial da criação.

Se o homem é imagem de Deus (cf. Gén 1, 26-27), e se Deus é santo, então o homem realiza a sua semelhança com Deus procurando ser santo. O homem procura ser santo não inventando uma qualquer santidade, mas incorporando a santidade de Deus na sua vida. Aliás, o próprio Deus deixa entrever que é pela santidade que o homem se torna Sua imagem. É o que encontramos no célebre preceito do Levítico, recordado por S. Pedro: «Sede santos, porque Eu, vosso Deus, sou santo»(Lev 11, 44; cf. 1Ped 1, 16).

B. Só há santidade pela santificação

3. Daí a necessidade da conversão, já que ainda estamos longe da santidade oferecida por Deus. É mediante o apelo à conversão que, segundo S. Marcos, Jesus começa a Sua missão: «Arrependei-vos e acreditai no Evangelho»(Mc 1, 15).

Só há santidade através de um percurso de santificação. A santificação é todo um processo de conversão, de transformação e de transfiguração. É no âmbito de tal processo que vamos passando da vida velha à vida nova, do pecado à graça. O santo é o pecador que não se resigna ao pecado. O santo, como afirmou Aan Su-Ky, «é o pecador que não desiste»: que não desiste de vencer o pecado.

 

  1. A santidade é uma prova de resistência e um caminho de persistência. Temos de ter consciência dos nossos limites e de perceber que, sem Deus, nada conseguimos, nada de bom podemos alcançar. De resto, o próprio Jesus já nos preveniu contra qualquer devaneio: «Sem Mim, nada podeis fazer»(Jo 15, 5). Foi n’Ele que S. Paulo viu todas as possibilidades em aberto: «Tudo posso em Cristo que me dá força»(Fil 4, 13). Os santos abdicam de ser eles para deixar que Cristo seja neles (cf. Gál 2, 20). Os santos escolheram não ter vida própria, optando pela vida de Cristo, pela vida com Cristo. Mas não é isso o que é suposto todos fazermos desde o Baptismo? O problema é que nem sempre o que é verdade no plano sacramental se torna verdade no plano existencial. O problema é que a palavra dos lábios diz uma coisa e a palavra da vida revela outra coisa, muito diferente.

Hoje, celebramos tantos que demonstraram que ser santo, afinal, é possível. Hoje, celebramos o que muitos (já) são e o que todos nós somos chamados a ser. Muitos já conseguiram o que nós também podemos alcançar. A santidade não é só a meta, há-de ser também o caminho. Aliás, só pode chegar à meta da santidade quem se esforça por percorrer caminhos de santidade.

C. Celebramos não só uma morte santa, mas toda uma vida santa

5. Desde sempre, houve cristãos que acolheram este desafio. Não admira, por exemplo, que o Livro dos Actos dos Apóstolos chame «santos» aos cristãos que estavam em Lida (cf. Act 9, 32). Ser cristão era ser santo e, como nos primeiros tempos havia perseguições, então ser cristão e ser santo era ser mártir.

Por tal motivo, a Igreja, desde muito cedo, teve um dia para assinalar todos os mártires. Curiosamente, esse dia chegou a ser o dia 13 de Maio. Foi em Roma, depois de o Papa Bonifácio IV ter convertido o panteão do Campo de Marte num templo dedicado à Virgem Santíssima e a todos os mártires. No século VIII, o Papa Gregório III erigiu, na Basílica de S. Pedro, uma capela ao Divino Salvador, a Nossa Senhora, aos Apóstolos e a todos os mártires e confessores. Foi, entretanto, o Papa Gregório IV quem, no século IX, fixou esta festa no dia 1 de Novembro.

 

  1. A festa de Todos os Santos é a festa da santidade, é a festa da santidade viva, é a festa da santidade em vida. Nos santos, não celebramos apenas uma morte santa. Em cada santo, celebramos toda uma vida santa. É vital perceber que, embora celebremos os santos depois da morte, eles foram santos durante a vida. Não é a vida que nos impede de sermos santos. O santo não é extraterrestre. Não é sobre-humano. É da nossa terra. Pertence à nossa condição. Tantos são os santos que foram da nossa família. Ser santo é ser verdadeiramente humano, é participar na construção de um mundo melhor. Ser santo é intervir na transformação da humanidade. É não pactuar com a injustiça. É falar com os lábios e testemunhar com a vida. A santidade está ao alcance de todos. É o que há de mais democrático e invasivo.

A santidade faz de nós irmãos. A santidade não é indiferença; é diferença. Santo não é aquele que se mostra indiferente ao que ocorre à sua volta. A santidade nunca é fria. A santidade é quente, calorosa. O santo abraça, ri, chora, grita, insiste, persiste e nunca desiste. A santidade é a surpresa da paz no meio da tempestade. A santidade não é estrepitosa. Muitas vezes, até é silenciosa, mas sempre interveniente, interpelante. A santidade acontece em casa, na estrada, no trabalho.

D. As (provocadoras) felicitações de Jesus

7. Os santos não estão apenas no altar nem figuram somente nos andores. Não há só santos de barro. Há muitos santos de carne e osso, às vezes, mais osso que carne. Há muitos santos com fome. Há muitos santos na rua. Há muitos santos de enxada na mão. Há muitos santos com lágrimas no rosto e rugas na face. É neste contexto que Jesus nos dirige várias felicitações que são outras tantas provocações. A felicidade não está onde costumamos pensar que ela esteja. As Bem-Aventuranças são provocações de felicidade. Afinal, é possível ser feliz chorando e sofrendo.

Feliz, por estranho que pareça, é o que começa por aceitar ser pobre de espírito (cf. Mt 5, 3). Ser pobre de espírito não é ser pobre de Espírito Santo nem falho de inteligência. Aqui, trata-se de ser pobre no espírito e de ter espírito de pobre. Ser pobre não é tanto não ter; é sobretudo partilhar o que se tem. Não esqueçamos que, como disse Bento XVI, Deus fez-Se homem e fez-Se homem pobre. No fundo, ser pobre é ser humilde, ou seja, é não querer afirmar-se pelo poder económico ou pelo poderio social. Ser pobre é ser último e querer estar ao lado dos últimos. São estes que Jesus chama para a frente. Ele próprio o disse: «Os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos»(Mt 20, 16).

 

  1. Até a circunstância mais dolorosa pode ser a mais felicitante porque Deus nos aparece nela. É por isso que felizes podem ser os que choram (cf. Mt 5, 4) porque Deus os consola. Num mundo de violência, Jesus proclama felizes os mansos (cf. Mt 5, 5). Num tempo pejado de injustiças, Jesus declara felizes os que têm fome e sede de justiça (cf. Mt 5, 6), bem como os perseguidos por causa da justiça (cf. Mt 5, 10). Numa época de vinganças, Jesus apresenta como felizes os misericordiosos (cf. Mt 5, 7).

Numa era em que a corrupção alastra e os jogos escuros compensam, Jesus garante que felizes são os puros de coração, os que não têm dois rostos, mas uma só cara (cf. Mt 5, 8). Numa altura em que a violência não pára de crescer, Jesus considera felizes os construtores da paz: não os passivos, mas os pacíficos e pacificantes (cf. Mt 5, 9). Finalmente e como corolário, Jesus assegura que felizes são os ultrajados e perseguidos e aqueles de quem é dita toda a espécie de mal por causa d’Ele, por causa do Evangelho (cf. Mt 5, 11). É a provocação suprema. Mas, no fundo, trata-se da felicidade total. Do exterior sobrevêm obstáculos, mas no interior encontra-se a força para os vencer: o próprio Deus.

E. Tudo se decide entre a pobreza e a perseguição

9. Hoje, continua a haver quem seja perseguido e morto por causa de Jesus. Há quem não vacile nem recue. No fundo, a associação entre santidade e martírio, típica dos primeiros tempos, mantém-se. Anote-se que ser mártir é ser testemunha, pelo que ser santo e ser mártir nunca deixaram de ser confinantes. Já Sto. Agostinho percebeu que, nesta vida, vamos caminhando entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus. Sucede que onde as perseguições abundam, as consolações superabundam. E, depois, como notou o Concílio Vaticano II, aprouve a Deus salvar o mundo pela pobreza e pela perseguição.

É por isso que a primeira e a última bem-aventurança se enlaçam mutuamente, entrelaçando todas as outras. A santidade começa pela pobreza, pelo despojamento e é acompanhada sempre pela perseguição. Não é a perseguição que nos há-de fazer desistir nem recuar. Afinal, o Apocalipse fala-nos da incontável multidão, composta pelos «que vieram da grande tribulação, pelos que lavaram as túnicas e as branquearam no Sangue do Cordeiro»(Ap 7, 14).

 

  1. A santidade não é um passeio; é um testemunho exigente. Pode não implicar derramamento de sangue, mas requer imperativamente a oferta da vida. Toda a santidade é feliz e toda a felicidade pode ser santa. A santidade leva-nos a tomar consciência de que somos filhos de Deus (cf. 1Jo 3, 1-2) e, portanto, irmãos uns dos outros.

O céu está cheio de santos. Não deixemos que o mundo fique vazio de santos. Cultivemos uma santidade feliz e uma felicidade santa. Não tenhamos medo de ser santos. Ser santo é felicitar e semear felicidade. Ser santo é ser feliz e colher felicidade.

publicado por Theosfera às 08:23

A crise económica provocou, sem dúvida, um agravamento da crise da valores.

Mas concordo com Rui Veloso quando diz que foi a crise de valores a arrastar-nos para a crise económica: «Se não houvesse crise de valores, não haveria crise económica».

Se  voltarmos aos valores, recuperaremos todos. Até da crise económica!

publicado por Theosfera às 08:22

Entre a elite e o etilo, prefiro mil vezes as raízes de uma boa elite.

Prefiro uma juventude que se «etiliza» a uma juventude que se «etiliza».

Dói-me ver jovens «etilizados», quando estamos sempre à espera de jovens «elitizados».

Mas sei que há ainda jovens de elite, jovens de escol, de bela extracção e com decidida determinação rumo ao futuro.

Ainda há jovens que entendem que, como avisava Ramalho Ortigão, «a pessoa sem educação, por mais alto que a coloquem, não passará de um subalterno».

Acredito que nem todos aceitam «naufragar» no mar do álcool e da boçalidade!

publicado por Theosfera às 08:18

A principal pergunta que se evola deste dia não devia ser «que é ser santo?», mas «queres ser santo?»

É na vontade que está o segredo.

Se tivermos vontade de ser santos, depressa saberemos em que consiste ser santo.

É pedir demais para que seja santo? Talvez.

Mesmo assim, imagine-se santo. Impossível? Já dizia Einstein: «Se podes imaginar, também podes conseguir».

Imaginar-se santo já é começar a conseguir.ser santo. E, depois, tentar ser santo é mesmo realizar a santidade.

A santidade é uma contínua tentativa. Que só tem fim no fim!

publicado por Theosfera às 08:03

Hoje, 01 de Novembro, é dia da Solenidade de Todos os Santos e de S. Benigno.
Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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