O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 16 de Novembro de 2015

O justo raramente dispõe de força. E o forte dificilmente usa de justiça.

Não é fácil combinar a força com a justiça.

Pascal propunha um caminho: «Não sendo possível fazer-se com que aquilo que é justo seja forte, façamos com o que é forte seja justo». Pelo menos, não desistamos antes de tentar!

publicado por Theosfera às 09:31

Geralmente, é a duras penas que o mundo acorda. É a duras penas que o mundo acorda para o que se passa dentro de si próprio.

É preciso muita gente morrer para que haja muita gente a despertar.

O mundo oscila, hoje em dia, entre dois pólos: o consumismo e o fundamentalismo.

No consumismo, a preocupação é com cada um ao passo que no fundamentalismo há uma preocupação em impor-se aos outros.

Nenhum cenário é promissor.

Mesmo assim, antes um mundo onde, apesar dos seus defeitos, cada um pode viver como quer.

A este mundo todos são bem-vindos. Uma única coisa é pedida: que se respeite quem é diferente.

O respeito é o «parto» da convivência e a «fonte» da paz!

publicado por Theosfera às 09:26

Também se pode lutar por amor?

Diria que só se deve lutar por amor. O mal é quando se luta por ódio.

Chesterton estabeleceu a fronteira decisiva: «O verdadeiro soldado luta não porque odeia o que está à sua frente, mas porque ama o que deixou atrás de si»!

publicado por Theosfera às 09:11

Hoje, 16 de Novembro, é dia de Nossa Senhora da Saúde, Sta. Margarida da Escócia, Sta. Gertrudes, S. Roque González, Sto. Afonso Rodríguez e S. João del Castillo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:13

Domingo, 15 de Novembro de 2015

É um facto, já assinalado por Almeida Garrett: a sociedade já não é o que foi.

Mas avulta igualmente uma convicção, assinalada pelo mesmo escritor: a sociedade não pode continuar a ser o que é.

Se o presente teve lacunas, o presente continua a ter manchas.

O que será o futuro? Só Deus sabe.

Que seja diferente do passado. E que possa ser bem melhor do que o presente!

publicado por Theosfera às 21:47

Sabemos tanta coisa na vida. Parece que só não sabemos o que é viver.

Quando aprenderemos, de uma vez para sempre, que viver é conviver?

Quando perceberemos que, afinal, o outro faz parte de mim e que eu faço parte do outro?

Faltar ao respeito para com o outro é, no fundo, faltar ao respeito para comigo.

No limite, cada homicídio acaba por ser um suicídio. Quem mata também morre, mesmo que sobreviva.

A violência não se resolve com violência. A violência só se resolve com educação, com respeito, com paz!

publicado por Theosfera às 19:53

Tudo sobe para cima.
Tudo caminha para o alto.
Tudo tende para o fim.

 

E, na verdade, o que importa é o fim,
o fim para o qual nos chamas.

 

Tu, Senhor, chamas-nos para a felicidade,
para a alegria, para a justiça, para a paz.

Tu, Senhor, chamas-nos para Ti.

A vida é cheia de sinais.
É importante estar atento a eles.
É fundamental deixarmo-nos guiar por eles.

 

Neste mundo, tudo passa.
Nesta vida, tudo corre.
Neste tempo, tudo avança.
Só a Tua Palavra permanece, Senhor.

 

Obrigado por nos reunires,
por nos congregares,
por nos juntares.

 

De toda a parte Tu chamas,
Tu convocas,
Tu reúnes.

Obrigado, Senhor, pela esperança
e pelo ânimo,
Pelo vigor e pela presença.

 

O importante não é saber a hora do fim.
O fundamental é estar pronto, preparado, disponível.

 

Para Ti, Senhor, o fim não é destruição nem dissolução.
ConTigo, Senhor, o fim é plenitude, realização, felicidade.

Em Ti já sabemos o que nos espera.

Tu, Senhor, és a esperança e a certeza da esperança.

Tu já abriste as portas.
Tu já inauguraste os tempos últimos, os tempos novos.

 

ConTigo nada envelhece.
Em Ti tudo se renova.
Renova sempre a nossa vida,
JESUS!

publicado por Theosfera às 10:51

Há quem lute contra a tirania, mas sem revelar amor pela liberdade.

Já Platão notava que «muitos odeiam a tirania apenas para que possam estabelecer a sua».

Sem dúvida. Há quem lute contra a tirania para poder implantar a sua ditadura!

publicado por Theosfera às 08:19

Está visto que, neste mundo transformado em aldeia, não nos entendemos nem nos aceitamos. Nem quando nos entendemos nos aceitamos.

A globalização aproximou-nos e aproximou sobretudo as nossas distâncias. Estamos todos perto, mas sem que nos entendamos ou aceitemos.

O que, por estes dias se lê e se ouve, confirma que, por muito que viajemos, o nosso mundo parece terminar no nosso umbigo.

Émile Durkheim achava que «o nosso egoísmo era produto da nossa sociedade».

Talvez. Mas penso cada vez mais que a nossa sociedade é que está a ser um produto do nosso egoísmo.

Meditemos. E procuremos acordar!

publicado por Theosfera às 08:14

A. Neste mundo, tudo passa

  1. Sabemos que o mundo é feito de mudança. Mas não costumamos pensar que o mesmo mundo parece ser feito também de decadência. De facto, neste mundo tudo muda e tudo cai. Tudo se vai desgastando desde o princípio e tudo se gastará completamente no fim. O Evangelho avisa: até o sol deixará de dar luz, até a lua perderá o seu brilho, até as estrelas cairão (cf. Mc 13, 24-25). E a ciência não cessa de mostrar que, no universo, há estrelas a morrer e há estrelas que já morreram, arrastando na sua morte os corpos que delas dependiam.

O que é que não passa depois de tudo passar? Só Deus não passa. Tudo o resto passa, tudo o resto cai. Cai o pequeno, mas cai também o que se julga grande. Cai o pobre, mas cai também o rico. Cai o fraco, mas cai também o que se julga forte. Caem as vítimas, mas caem também os que oprimem as vítimas. Enfim, somos todos arrastados por uma corrente que nos leva para o fim. Somos todos chamados para um fim. E somos todos convidados para um bom…fim!

 

  1. Este discurso de Jesus não quer ser assustador. Pelo contrário, este discurso de Jesus só pretende ser mobilizador. Chamando a nossa atenção para a inexorável decadência de tudo quanto existe, proclama que só Deus subsiste. Como bem notou Santa Teresa, nesta vida «tudo passa, só Deus basta». Passarão todas as coisas que há na terra, passará a própria terra; só Deus — e Palavra de Deus — não passarão nunca (cf. Mc 13, 31).

Neste sentido, o grande apelo que Jesus nos faz é que não nos deixemos aprisionar por este mundo, mas que, neste mundo, nos fixemos em Deus. Quem está em Deus não acaba no fim já que, para o homem, Deus é o fim sem fim, é o fim que nunca terá fim.

 

B. Só em Deus existe o fim sem fim

 

3. Como bem percebeu Gandhi, «o que importa é o fim para o qual somos chamados». Deus é o fim para o qual todos nós somos — permanentemente — chamados. Nunca sossegaremos enquanto não encontrarmos este fim, enquanto não nos reencontrarmos na procura deste fim.

Sto. Agostinho confessou, com base na sua própria experiência: «Criastes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração anda inquieto enquanto não repousar em Vós». É que, como admiravelmente poetou o nosso Antero de Quental, «na mão de Deus, na Sua mão direita, descansa afinal o meu coração».

 

  1. Deste modo, salta à vista que fim não é destruição; é plenitude e há-de ser transformação. Ao vincar a decadência de tudo quanto existe, Jesus estabelece um contraste entre este mundo presente e o mundo futuro. E mais do que nos alertar para o inevitável fim de tudo quanto há no mundo, o que Jesus deseja é animar-nos na nossa peregrinação rumo à plenitude.

Cada um de nós é chamado a uma vida plena, a uma vida transformada. E nem sequer é preciso aguardar pelo fim dos tempos. Em cada momento, Deus oferece-nos uma vida plena, uma vida transformada. No fundo, enquanto no tempo caminhamos para a eternidade, vamos sentindo que o Eterno já habita no Tempo e que o Céu já mora na Terra.

 

C. O «Último» que nos leva até às «coisas últimas»

 

5. Jesus não nos esclarece apenas sobre as «coisas últimas» («éschata»). Acima de tudo, Jesus está sempre a oferecer-nos o que é «último» («éschaton»). Ele não nos deixa de instruir sobre as «coisas últimas» que acontecerão nos «últimos dias»(Mc 13, 24). Nessa altura, ocorrerá a última vinda de Jesus («parusia»), em que será consumada a transformação que Ele operou com o Seu mistério pascal: paixão, morte e ressurreição.

Mas o que é verdadeiramente último já está presente no meio de nós. Jesus é o «éschaton» que nos conduz até às «éschata». Ou seja, Jesus é «o Último» que nos conduz até às «coisas últimas». Dizendo ainda de outra maneira, Jesus é «o Fim» que nos conduz até ao fim e até para lá do fim.

 

  1. Assim sendo, não há motivos para andarmos alarmados com o fim do mundo. Há, sim, motivos — todos os motivos — para nos empenharmos no fim deste mundo. Quanto ao fim do mundo, Jesus tem o cuidado de ressalvar que ninguém sabe o dia e a hora; só o Pai sabe (cf. Mc 13, 32). O que Jesus quer é que nos envolvamos no fim deste mundo de injustiça, no fim deste mundo de mentira, no fim deste mundo de ódio, no fim deste mundo de corrupção.

Ele conta connosco para anteciparmos a eternidade no tempo e para trazermos o céu para a terra. Aliás, para nenhum de nós haverá céu sem terra: colheremos no céu o que formos semeando na terra. É o que decorre da parábola da figueira: quando os ramos ficam tenros e as folhas surgem, é sinal de que o Verão está perto e de que a colheita não está longe (cf. Mc 13, 28-29).

 

D. Não alarmados com o fim do mundo,

mas a trabalhar para o fim deste mundo

 

7. O céu é colheita, é transformação, é plenitude. Isto significa que alcançaremos o céu na medida em que nos formos transformando na terra. E uma vez que o céu é a felicidade, é importante que procuremos acabar com toda a infelicidade que ainda subsiste. Deus não quer que o mundo seja o contrário do céu. Deus não quer que passemos mal no mundo para passarmos bem no céu. Deus quer que sejamos felizes já neste mundo, para sermos inteiramente felizes no céu. Deus quer que o mundo seja o começo do céu, a sementeira do céu.

Tendo, entretanto, em conta que somos criados para Deus, então só vivendo em Deus é que seremos felizes. É por isso que podemos bater a todas as portas em busca da felicidade. Mas a felicidade só nos aparecerá quando batermos à porta de Deus, quando entrarmos definitivamente em Deus.

 

  1. É, pois, hora de acordar. Usando a linguagem do profeta Daniel, é hora de acordar para tantos que ainda estão a dormir (cf. Dan 12, 2). É hora de reentrar no caminho após tantos — e tão prolongados — descaminhos. Estas páginas não servem de susto, mas de esperança. É possível mudar, é urgente mudar. Não nos resignemos ao mundo como ele é; procuremos olhar para o mundo como ele pode ser. Nunca comecemos a desistir e nunca desistamos de (re)começar.

Nesta missão de trazer o céu para a terra, Deus é sempre nosso aliado. Será que nós queremos ser aliados de Deus? Nós contamos com Ele. Será que Ele pode contar connosco?

 

E. Os «hábitos na terra» e os «hálitos do céu»

 

9. Nós não somos daqui. A terra é um lugar de passagem e, pela amostra, de uma passagem rápida. É importante que não tenhamos um sabor a terra, mas que, na terra, exalemos sempre um sabor a céu. Os nossos «hábitos na terra» têm de procurar fazer soprar «hálitos do céu».

Por conseguinte, para que servem tantos ódios, tantas vinganças? Para que servem tantas ambições de fama e tantos sonhos de poder? Para que servem tantos atropelos aos outros, tantas calúnias a respeito dos outros?

 

  1. Olhemos para a frente, olhemos para o fim e nunca recuemos. Estejamos atentos e sejamos sempre vigilantes. Deixemo-nos de quezílias e de questiúnculas. Concentremo-nos no essencial, no perene e no definitivo. Não troquemos o eterno pelo instante, mas sejamos capazes de «trocar o instante pelo eterno».

E, acima de tudo, não tenhamos medo das dificuldades nem sequer das perseguições. Já Sto. Agostinho notou que, na vida, vamos caminhando entre «as perseguições do mundo e as consolações de Deus». Se as perseguições são grandes, as consolações são (infinitamente) maiores. Ser discípulo de Jesus não é ter uma vida fácil. Mas também não é a facilidade que nos leva à felicidade. E Jesus não nos prometeu a facilidade, mas a felicidade. Ele é a felicidade!

publicado por Theosfera às 05:48

Hoje, 15 de Novembro (33º Domingo do Tempo Comum), é dia de Sto. Alberto Magno, Sta. Madalena Morano e Sta. Maria da Paixão.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 14 de Novembro de 2015

O mundo vive (literalmente) uma situação explosiva.

Por isso, deixemos nós também «explodir» a esperança.

Se ela está ausente de nós, não nos ausentemos nós dela.

«Quando a situação é mais dura — notava Vergílio Ferreira —, a esperança tem de ser mais forte»!

publicado por Theosfera às 08:04

Afinal, o que vale nesta vida?

Pelos vistos, não valem as instituições, não valem as decisões, não valem os compromissos, não vale a palavra e nem sequer parece valer a vida.

É um paradoxo com requintes de crueldade: quando nada vale parece valer tudo.

Como fazer?

Só nos resta um caminho: reavaliar o que tem valor, dar valor ao que tem valor!

publicado por Theosfera às 07:56

Hoje, 14 de Novembro, é dia de S. Nicolau de Tavelic, S. José de Pignatelli e S. Serapião.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015

Hoje, 13 de Novembro (1661º aniversário do nascimento de Sto. Agostinho), é dia de Sto. Estanislau Kostka, Sta. Agostinha Lívia Pietrantoni, S. Diogo de Alcalá, Sto. Homembom, Sto. Eugénio Bossinok e Sto. Artémis Zatti.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015

Acima de tudo, tenhamos calma.

Não vejo ninguém deprimido nem noto que alguém esteja especialmente entusiasmado.

Sinto que toda a gente está expectante e preocupada.

Há uma compreensível saturação ante o arcaísmo do discurso e a recorrência das acções.

O que as pessoas esperam, por isso, não é tanto que se vá pela direita ou pela esquerda. O que as pessoas esperam é que se vá ao fundo: ao fundo dos problemas e ao fundo das possibilidades.

Ir ao fundo implica uma linguagem de verdade e uma prática de justiça.

Não acenem com ilusões nas palavras. Digam o que podem fazer.

E, dentro do que podem fazer, façam alguma coisa por quem tanto tem sofrido!

publicado por Theosfera às 20:05

1. O interminável desfile de lugares-comuns não deixa nada de lado nem ninguém de fora.

Nós, cristãos, também somos afectados.

 

2. O mal dos lugares-comuns é que, à força da sua repetição, parecem dispensar a reflexão.

Afinal, se tanta gente os repete, é porque devem ser verdadeiros e, por isso, inquestionáveis.

 

3. Alguns lugares-comuns até serão aceitáveis. Só que podem levar a não olhar para outros dados igualmente credíveis.

Os lugares-comuns até podem conter muita verdade. Mas a parte que lhes falta acaba por fazer muita falta.

 

4. Ninguém nega que a Igreja tem de inovar. Aliás, Jesus Cristo é a novidade contínua e a renovação total.

Mas que inovação se pode levar ao exterior se o interior permanece cheio de nada e vazio de quase tudo?

 

5. Se o interior está vazio, como é que poderemos preencher o exterior?

Às vezes, o interior das pessoas assemelha-se ao interior do país: esquecido, abandonado, retalhado.

 

6. O exterior pode estar cheio, mas não está preenchido. Por vezes, até parece cheio de gente vazia. Urge ajudar a preencher o interior de quem está no exterior.

Edith Stein percebeu o essencial. Para ela, o importante não é vir do interior para o exterior; é ir do interior de mim ao interior do(s) outro(s).

 

7. É urgente partir.

Mas que pode levar às margens quem nunca esteve no centro, quem nunca percebeu o que é central?

 

8. Quem está nas margens precisa de saber o que, para nós, é central, prioritário e decisivo.

Para nós, central não podemos ser nós. Central só pode ser Cristo, só pode ser o Evangelho de Cristo.

 

9. É claro que necessitamos de uma pastoral de inovação, mas não em contraponto com uma pastoral de manutenção.

É óbvio que há muita coisa a inovar. Mas é elementar perceber que há também muita coisa a manter.

 

10. Acontece que a melhor maneira de manter a doutrina de Cristo é anunciar o Evangelho de Cristo. Se não anunciamos Cristo, como poderemos manter Cristo? Haveria o sério risco de, com o nosso desaparecimento, desaparecer também o que queremos manter.

O que nos foi entregue é para (continuar a) ser dado. O receio não é opção e a desconfiança não é caminho. Afinal, os outros também gostarão de conhecer Aquele que nós (já) encontrámos!

publicado por Theosfera às 11:10

Neste mundo de intriga, arriscamo-nos a conhecer mais os outros do que a nós mesmos.

O problema é que, dos outros, conhecemos sobretudo os defeitos.

Jean de la Bruyère avisava: «A demasiada atenção que se emprega em observar os defeitos dos outros faz que se morra sem ter tido tempo de conhecer os próprios».

Era bom que déssemos mais atenção ao oráculo de Delfos.

Conheçamo-nos a nós mesmos. Só Cristo nos permite conhecer quem somos.

N'Ele, entramos em nós. E nos outros!

publicado por Theosfera às 10:40

A cautela pode evitar grandes problemas, mas é incapaz de atrair grandes feitos.

Daí que Goethe tenha notado: «Há pessoas que nunca se perdem porque nunca se põem a caminho».

Se arriscamos, podemos perder. Mas se não arriscamos, estaremos perdidos!

publicado por Theosfera às 10:36

Porque é que se desconfia tanto da sociedade civil?

Se, na sociedade civil, há quem esteja disposto a gerir empresas como a RTP e a TAP, porque é que elas têm de continuar a sobrecarregar toda a população?

Os princípios tornam esta situação clara: o Estado só deve intervir, subsidiariamente, onde a sociedade não é capaz de agir.

As circunstâncias trazem uma conclusão indiscutível: a situação de emergência deve priorizar o apoio aos mais desfavorecidos.

O normal, em relação a qualquer empresa, é pagar pelo serviço que se pretende. Não se entende que, via impostos, obriguem todos a custear serviços que muitos nem sequer podem usar.

Não ponhamos a ideologia de lado, mas procuremos para a realidade de frente. Com serenidade e, se possível, com sentido de justiça e equidade!

publicado por Theosfera às 10:31

Há mais ensinamentos que aprendizagens. A vida está sempre a ensinar, mas nem sempre nos mostramos dispostos a aprender.

Depois de vermos que até o inevitável pode ser evitado e depois de notarmos que muita coisa irreversível acaba por ser revertida, há que estar preparado para tudo.

Cecília Meireles confidenciava ter aprendido «com a Primavera a deixar-se cortar e a voltar sempre inteira».

Cuidado, pois, com as palavras contundentes e com os juízos (apressadamente) definitivos!

publicado por Theosfera às 10:16

Todas as oportunidades devem ser aproveitadas, a começar pelas mais pequenas.

Já dizia Demóstenes que «pequenas oportunidades são, muitas vezes, o começo de grandes empreendimentos».

O problema é saber o que é uma oportunidade.

A lucidez é indispensável. O discernimento é decisivo!

publicado por Theosfera às 10:02

Hoje, 12 de Novembro (24º aniversário do massacre de Santa Cruz, em Díli), é dia de S. Josafat de Kuncevicz, S. Teodoro Studita e S. Cristiano e companheiros calmadulenses.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 11 de Novembro de 2015

Em democracia, o poder é escolhido pelos que votam. Mas o poder representa também os que se abstêm.

É claro que a abstenção não é um fenómeno homogéneo. Há uma panóplia de motivações para não votar. Mas todas elas convergirão no desencanto.

Em qualquer caso, há que ter em conta um dado objectivo: de eleição para eleição, cai crescendo a abstenção.

Creio que é preciso estar cada vez mais atento a uma «maioria sofrente» que já nem motivos encontra para escolher, para optar, para votar.

É preciso reverter a situação. que a margem do poder é estreita.

Que se aproveite essa estreita margem para apoiar quem tem sido posto à margem.

A amargura de muitos não é com a direita nem com a esquerda: é com o poder.

Que o poder apoie mais quem já não pode mais!

publicado por Theosfera às 08:37

Hoje, 11 de Novembro, é dia de S. Martinho de Tours e de S. Menas.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 10 de Novembro de 2015

 

  1. O eco não é a palavra, mas transporta a palavra.

O eco é a ressonância da palavra. É a palavra que não deixa de soar.

 

  1. A principal função do eco é, pois, a função ressoadora.

Trata-se de manter a palavra para lá do tempo em que foi pronunciada. E de a perpetuar para lá do espaço em que foi proferida.

 

  1. A Bíblia diz que tudo começou com a Palavra (cf. Jo 1, 1).

E testemunha que nada foi feito sem a Palavra (cf. Jo 1, 3).

 

  1. Na Igreja, há muitas palavras, mas ela não é a Palavra.

Em Igreja, cada palavra há-de ser eco da Palavra.

 

  1. A grande missão da Igreja é a missão ecóica, é a missão de ser eco.

Foi, aliás, o que Jesus pediu quando incumbiu os discípulos de levarem o Evangelho a toda a parte e a toda a gente (cf. Mc 16, 15; Mt 28, 20). Quem os ouvisse, a eles, haveria de O ouvir sempre, a Ele (cf. Lc 10, 10).

 

  1. Esta preocupação era muito vincada nos começos. A Igreja não anunciava as palavras que usava. O seu compromisso era ser o eco da Palavra recebida.

Foi este compromisso que levou os apóstolos a nunca calar o que tinham ouvido (cf. Act 4, 20).

 

  1. Mais do que criadora de palavras, a Igreja sempre se viu a si mesma como uma criação da Palavra («creatura Verbi»).

Por isso, quanto mais perto a Igreja estiver da Palavra, mais audível será a Palavra e mais transparente será a Igreja.

 

  1. Nem sempre é isso o que acontece, porém.

Há palavras que se interpõem diante da Palavra e que chegam a perturbar a escuta da Palavra. Em vez de serem eco da Palavra, não passam de ruído que mal deixam acolher a Palavra

 

  1. É claro que a Palavra não é um «fóssil». Mas será que é um mero «elástico»?

A Palavra encarna em todas as vidas. Mas será compatível com todas as atitudes que se tomam na vida?

 

  1. O importante é que a Palavra viva em cada pessoa. E que cada pessoa procure viver de acordo com a Palavra.

Uma Igreja ecóica é chamada a oferecer a Palavra que lhe é, continuamente, oferecida. Se possível, sem glosas. E sem filtros.

 

publicado por Theosfera às 10:58

Esperamos que a governação seja bem melhor que este «cacofónico» debate parlamentar.

Que falta de nível, que rudeza de linguagem. E, neste capítulo, não parece haver grandes diferenças.

Nos próximos tempos, muito necessário vai ser tranquilizar, cá dentro, quem mais precisa de apoio e acalmar, lá fora, quem nos costuma apoiar!

publicado por Theosfera às 10:49

 

  1. Há coisas que, quanto mais as damos, mais as temos. Indo mais longe, dir-se-ia que há coisas que só as temos na medida em que as damos.

De facto, há coisas que se não dermos, nunca as teremos.

 

  1. É o caso da misericórdia. Só tem misericórdia quem oferece misericórdia.

Aliás, como pode ter misericórdia quem não oferece misericórdia? Como pode alegar que a tem quem não a usa?

 

  1. É certo que a misericórdia está muito presente nos lábios. Mas também é verdade — uma penosa verdade — que a misericórdia está bastante ausente da vida.

E, às vezes, quem mais a faz vir aos lábios, menos a faz ver na (sua) vida.

 

  1. A bem dizer, a história da humanidade oscila permanentemente entre esta carência e esta urgência.

A história parece estar sempre a degolar a misericórdia. Onde encontrar, na história, os triunfos da misericórdia?

 

  1. A misericórdia parece estar sempre a ser encolhida — e engolida — pela severidade.

São, de facto, muito «tortos» — e tremendamente tortuosos — os caminhos daqueles que dizem cortar sempre «a direito».

 

  1. Um dos pecados originais da nossa vida foi a separação destas duas irmãs siamesas: a misericórdia e a justiça.

Dessa separação resultou uma entorse para cada uma. Sem misericórdia, a justiça altera-se. Sem justiça, a misericórdia adultera-se.

 

  1. Longe da companhia da misericórdia, a justiça tende a transformar-se em vingança.

Fora do manto da justiça, a misericórdia corre o risco de degenerar em indiferença.

 

  1. É, pois, nosso dever reagrupar o que propendemos a separar.

Chegou a hora de perceber que a justiça tem de ser misericordiosa e que a misericórdia tem de ser justa.

 

  1. Definitivamente, a misericórdia é o lar da justiça e a justiça é o lugar da misericórdia. Quando uma falta, as duas falham.

Todos sofremos quando a justiça se afasta da misericórdia e quando a misericórdia não se aproxima da justiça.

 

  1. A justiça não pode ser vista como condenação dos que pecam. E a misericórdia não pode ser entendida como branqueamento do pecado.

A justiça é misericordiosa quando dá mais uma oportunidade ao pecador. E a misericórdia é justa quando não se resigna ao pecado. E quando não trata o «enfermo» como se já estivesse «são». A misericórdia é paciente, persistente e sempre verdadeira!

publicado por Theosfera às 10:32

O problema não é tanto a hora da partida. O problema maior é nem sempre saber para onde ir.

Já Tennessee Williams tinha percebido: «Há uma hora de partida mesmo quando não há lugar certo para onde ir». E, mesmo assim, pode ser preciso ir!

publicado por Theosfera às 09:46

Ler e andar não são tudo, mas ajudam bastante.

Cervantes garantia: «Quem lê muito e anda muito, vai longe e sabe muito».

Também se caminha quando se lê. Também se aprende quando se caminha!

publicado por Theosfera às 09:36

A forma não é tudo, mas diz muito.

É por isso que, em vez de elevação no tom de voz, o povo gostaria de ver mais elevação nas atitudes.

A discordância é legítima e a alternância é sadia.

O que mais perturba o cidadão é perceber que essa alternância não se afirma mesmo quando a discordância é vincada.

Quem escuta o cidadão sofrido, nota que o problema não é com a direita ou com a esquerda: é com o poder.

Uma vez mais, estamos a assistir a uma mimetização de comportamentos no preciso momento em que se cavam diferenças.

Isto acontece de um lado para o outro.

Por exemplo, quem lança acusações de radicalismo não costuma primar pela moderação. E quem denuncia poses de arrogância também não tem o hábito de mostrar grande humildade.

Assim vai ser difícil reconquistar aqueles que se foram afastando!

publicado por Theosfera às 09:31

Hoje, 10 de Novembro, é dia de S. Leão Magno, Sto. André Avelino e Sta. Natalena.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 09 de Novembro de 2015

Porque amo muito o nosso país, confesso que me preocupa o ambiente que se está a viver.

O radicalismo não favorece a lucidez. Este é o tempo não de elevar a voz, mas de aterrar na realidade.

Procurem ver longe. Não deixem de estabelecer pontes em vez de muros.

Faz hoje 26 anos que caiu um muro lá fora. Não queiram reerguê-lo cá dentro!

publicado por Theosfera às 23:02

É bom esperar, mas não convém esperar demasiado. Sobretudo, não convém esperar demasiado nos homens.

Muito esperar leva, quase sempre, a muito frustrar.

Como reparou Condessa Diane, «aquele que nada espera da vida goza como uma surpresa o que ela lhe pode dar».

A seu tempo, pode ser que o tempo mude. E tudo melhore!

publicado por Theosfera às 09:22

Muitas vezes, a paciência é amarga. Mas, como notou Jean-Jacques Rousseau, «o seu fruto é doce».

Vale a pena ser paciente, mesmo que não seja fácil ser paciente sobretudo diante da injustiça.

Mas a impaciência também não consegue nada e, às vezes, complica bastante.

Deus não dorme. E, no devido tempo, despertará quem anda adormecido!

publicado por Theosfera às 09:17

Se aquilo que se diz correspondesse, efectivamente, àquilo que se faz, as atitudes seriam as mesmas?

A semântica é muito elástica. Fala-se muito de serviço, mas o que está em causa é o poder.

Se vale tudo, que não deixe de valer também a dignidade e a promoção do bem comum!

publicado por Theosfera às 09:12

Hoje, 09 de Novembro, é dia da Dedicação da Basílica de S. João de Latrão (sé catedral do Papa enquanto Bispo de Roma), S. Teodoro e S. Luís Morbióli.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 08 de Novembro de 2015

A. Não rica porque tem, mas rica porque dá

  1. Não há dúvida de que Jesus é o maior — para não dizer o único — revolucionário da história. Ele não só inova como renova, ou seja, não Se limita a trazer novidades; Ele mesmo é a novidade. Ele não muda apenas o exterior; Ele muda tudo a partir do interior. Ele não altera somente as estruturas; Ele transforma toda a vida, a começar pelos critérios para entender a vida. Para Jesus, o muito não é o critério para o pouco; o pouco é que é critério para o muito. Para Jesus, o grande não é critério para o pequeno; o pequeno é que é critério para o grande. No fundo, só o pequeno é verdadeiramente grande.

    Neste Domingo, aquele Jesus que proclama «felizes os pobres»(Mt 5, 3) apresenta-nos como modelo uma mulher pobre (cf. Mc 12, 42), que, no fundo, até era rica. Ela não é rica porque tem; ela é rica porque dá. Ao dar o pouco que era tudo o que tinha (cf. Mc 12, 44), ela mostrou ser mais rica que os maiores ricos. É que enquanto os outros davam do que tinham, ela deu o que tinha, o que faz toda a diferença. Ao dar esse pouco, ela deu tudo, deu-se a si mesma, deu o seu ser. Os outros eram ricos de ter, mas vazios de ser. Pelo contrário, esta mulher, vazia de ter, revelou que era imensamente rica de ser.

 

  1. Esta diferença encerra uma grande — enorme — lição. De facto, Deus não aprecia quem dá pouco, mas também não se satisfaz com quem dá muito. Deus gosta de quem dá tudo, de quem se dá todo, de quem se entrega completamente. Foi, aliás, essa a atitude do próprio Jesus. Como reconheceu S. Paulo, Jesus, que era rico, fez-Se pobre e enriqueceu-nos com a Sua pobreza (cf. 2Cor 8, 9).

Isto significa que a pobreza é a maior riqueza. Não se trata de um contraste nem sequer de um paradoxo. Ser pobre é sobretudo ser disponível, ser oblativo. Ser pobre é vencer as prisões que nos esganam dentro de nós. Ser pobre é não ser possuído; é repartir o que se possui, o que se é.

 

B. Pobreza não é o mesmo que miséria

 

3. Facilmente percebemos que pobreza não é o mesmo que miséria. O mal não está na pobreza. O mal está na miséria. Pelo que se todos soubessem ser pobres, a miséria terminaria. Miséria é quando não se tem. Pobreza é quando se reparte o que se tem. Daí que o Abbé Pierre tenha sinalizado a diferença: «A miséria é aquilo que impede um homem de ser homem. A pobreza é a condição para ser homem».

Assim sendo, é a pobreza que nos faz perceber que viver é conviver. É a pobreza que nos permite entender que não somos proprietários definitivos de nada, mas somente administradores provisórios de tudo. O que temos não nos pertence só a nós. De resto, nem nós mesmos somos donos de nós.

 

  1. É por isso que, ao contrário de Sartre, que achava que «o inferno são os outros», o mesmo Abbé Pierre proclamava que «o inferno é viver sem os outros». A miséria é infernal porque há corações que são como muros: são difíceis de abater. Jesus declara felizes os pobres (cf. Mt 5, 3) porque não suportam viver sem os outros, porque não estão condicionados pelo espaço, pelo tempo ou pela posse.

Os pobres são felizes porque vivem como expropriados. Não se sentem donos de nada nem tão-pouco se consideram donos de si. Eles são felizes porque sentem alegria na felicidade dos outros. Os pobres são felizes porque são, literalmente, «extro-vertidos», ou seja, vivem voltados para fora de si, são totalmente descentrados. O seu centro é Deus e são os irmãos, que eles encaram como filhos de Deus.

 

C. Só a dádiva cobre a dívida

 

5. Não há dúvida de que o século XX foi o século dos direitos humanos. Mas também foi o século da violação de muitos desses direitos. O século XXI terá de ser, pois, o século dos direitos de todos e dos deveres de cada um. Já o Abbé Pierre sintetizara: «O século XXI será fraterno ou fracassará». É urgente não ignorar que Deus está não só no Céu, mas também na Terra. É particularmente imperioso estar atento à presença soterrada de Deus nos que são atirados para a miséria.

Cada pessoa tem uma alma. Mas, «antes de lhe falarmos dela, coloquemos uma peça de roupa e um tecto por cima dessa alma. Depois disso, explicar-lhe-emos o que está lá dentro». Não se trata apenas «de dar algo de que viver, mas de oferecer aos infelizes razões para viver».

 

  1. A dívida não é só quando temos algo para pagar. A dívida existe também — e sobretudo — quando vemos alguém a necessitar. Regra geral, preocupamo-nos com as dívidas em relação aos bens. Era bom que nos preocupássemos com as dívidas que temos para com as pessoas. É que se pensarmos bem, todos somos devedores, todos estamos em dívida e todos devemos ser dádiva. Só a dádiva cobre a dívida!

Esta mulher pobre deu tudo para o templo de Deus. Sucede que, hoje em dia e como nos recorda S. Paulo, o verdadeiro templo de Deus é o ser humano (cf. 1Cor 3, 16). Foi por isso que Sto. Ireneu notava que «a maior glória de Deus é o homem vivo». Pelo que tudo aquilo que for feito ao ser humano acaba por ser feito ao próprio Deus. Daí que S. João nos avise: «Quem ama a Deus, ame também o seu irmão»(1Jo 4, 21).

 

D. Cuidado com as vistas curtas

 

7. Acresce que a atitude desta mulher pobre — que, afinal, era mais rica do que todos os ricos — mostra que, neste mundo, tudo é passageiro, tudo é perecível. Esta mulher pobre — mais rica do que todos os ricos — ensina-nos que, no presente, é preciso olhar para o futuro e avançar para o eterno.

Esta mulher não trocou o futuro pelo presente. Optou, antes, por orientar o presente em função do futuro. O presente há-de ser construção do futuro. Mas, para isso, é preciso estar disposto a transformar o presente, a não ficar amarrado às vistas curtas que acabamos por ter em cada presente. Já Xavier Zubiri olhava para o presente como «transcorrência», isto é, como passagem para o futuro. E, nessa medida, como porta aberta para o eterno.

 

  1. É possível que, muitas vezes, nos deixemos amarrar também pelas mesmas vistas curtas dos senhores importantes da época de Jesus. Só partilhamos as sobras. Se repararmos bem, gastamos tanto tempo e tanto dinheiro em inutilidades, em inanidades, em futilidades.

O que não fazemos, por vezes, para passearmos «longas vestes» e por registarmos «cumprimentos» nas praças (cf. Mc 12, 38)! As praças de hoje podem ser as redes sociais e os cumprimentos podem ser os «likes» que gostamos de exibir como padrão de afirmação pessoal. O que não fazemos para disputar os «primeiros assentos» e os «primeiros lugares» (cf. Mc 12, 39). Achamos que é assim que triunfamos.

 

E. Nunca perdemos quando (nos) damos

 

9. No fundo e como denunciou Jesus, corremos o risco de viver a fingir (cf. Mc 12, 40). Fingimos que rezamos, fingimos que partilhamos, fingimos que somos amigos. Será que fingimos que vivemos? Jesus nunca gostou do fingimento e tem palavras muito duras para com os fingidos (cf. Mc 12, 40).

É preciso ser e não fingir ser. É importante dar e não fingir que se dá. Aqui, a parcialidade não chega. Ser e dar só na totalidade. Somos sempre o que damos e devemos dar sempre o que somos. É fundamental que a nossa língua esteja em sintonia com a nossa alma. E é decisivo que o nosso exterior seja o eco do nosso interior.

 

  1. Só o pobre entende o pobre. Só quem passa por necessidades entende as necessidades. Só quem sente privações é sensível às provações. Aprendamos, então, com os pobres e peçamos a Deus que nos dê um coração de pobre. Aprendamos com Jesus, que nos enriquece com a Sua pobreza (cf. 2Cor 8, 9). Se meditássemos na riqueza que há pobreza, estaríamos mais atentos à pobreza de tantas riquezas. Com efeito, se olhássemos para a pobreza de tantas riquezas, pediríamos a Jesus que nos enriquecesse com a Sua pobreza. Porque era pobre, a mulher do Evangelho sabia valorizar o que existir fora de si. Percebeu a natureza do verdadeiro culto a Deus e quis contribuir.

Aliás, nós sabemos que, ainda hoje, quem mais contribui para o culto são os pobres, são os simples, são os humildes. Só que, tantas vezes, nós recebemos o dinheiro dos pequenos e fazemos agradecimentos aos grandes. Também em Igreja temos de perceber que, sem discriminar ninguém, são os pobres que nos dão lições. Assim fez Jesus. Jesus valorizou esta «pobre viúva»: porque não deu pouco, porque não deu muito, mas porque deu tudo. Como seria diferente o mundo se cada um de nós conjugasse mais o verbo «dar». Comecemos hoje. Nunca perdemos quando nos damos. Quando nos damos, deixamos de habitar só em nós. Quando nos damos, muitas portas se abrem para nós além de nós. Quando nos damos passamos a habitar naqueles a quem nos entregamos!

publicado por Theosfera às 13:37

É tanto o que dás, Senhor.

Tudo em Ti é dom, tudo em Ti é dádiva.

 

Tu dás o Pão, Tu dás a Palavra.

Tu és o Pão, Tu és a Palavra,

Pão que alimenta, Palavra que salva.

 

Tu apontas como exemplo uma pobre viúva.

Deu pouco, mas o pouco que tinha era muito, era tudo.

 

Assim és Tu para nós, assim queres Tu de nós.

O que queres não é que demos pouco, não é que demos muito,

mas que demos tudo.

 

Há muita gente que só olha para os grandes.

Mas são os mais pequenos que têm os gestos grandes,

os gestos maiores, os gestos de maior generosidade.

 

Ensina-nos, Senhor, a dividir

e ajuda-nos a saber multiplicar.

 

Afasta de nós todo o fingimento,

toda a duplicidade.

 

Ajuda-nos a sermos autênticos, sinceros, inteiros.

Faz de nós pessoas transparentes e serviçais.

 

Que não olhemos para as aparências nem para a posição social.

Que só queiramos fazer o bem e dizer a verdade.

 

Neste Ano da Fé, ajuda-nos a emoldurar a fé com o amor

pois só o amor é digno de fé.

 

Que não disputemos os primeiros lugares

e que saibamos abrir os lugares para os outros.

 

Que não queiramos tudo só para nós.

Que saibamos repartir com quem se aproxima de nós.

 

Que não queiramos convencer com as palavras dos lábios

e que apostemos sobretudo no testemunho de vida.

 

Que não queiramos ser os melhores.

Que aprendamos a dar o nosso melhor.

 

Que tudo em nós não seja só para nós.

Que tudo em nós seja para os outros.

Como a pobre viúva do Evangelho.

Como Tu, JESUS!

publicado por Theosfera às 11:15

Se repararmos bem, não é de hoje a propensão para violar segredos. A diferença está na escala.

Enquanto outrora um segredo podia falecer nos ouvidos de familiares e vizinhos, hoje arrisca-se a ser despedaçado à frente do mundo inteiro.

Basta soprar algo para a comunicação social ou plantar alguma coisa nas redes sociais.

O que impressiona mais, nesta espiral de devassa, é ver certas instituições embarcarem na onda.

Todos nos lembramos de ver pessoas, mesmo não crentes, recorrerem à Igreja para partilharem os seus dramas porque sabiam que dali nada transpirava.

É por isso que esta saga do «Vatileaks» me soa a mais um sintoma de decadência.

A bem dizer, as justificações dadas justificam muito pouco.

Segredo confiado tem de ser segredo guardado!

publicado por Theosfera às 08:34

Nem todo o passado está ultrapassado. Aliás, foi no passado que o futuro começou a germinar.

Como bem notou Raymond Aron, o passado só está ultrapassado quando deixa de ter futuro.

Aprendamos, pois, a olhar mais para o passado.

Aprendamos a ver melhor o futuro que nele foi crescendo!

publicado por Theosfera às 08:17

Hoje, 08 de Novembro (32º Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Carpo, S. Papilo, Sta. Agatónica, Sta. Isabel da Trindade e S. João Duns Escoto.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 07 de Novembro de 2015

Confesso que, embora acabe por embarcar na onda, me constrange esta contínua sucessão de «olás», «xauzinhos», «yás», «ok's», «boas» ou «tá tudo?»

Já nem uma nesga de tempo se arranja para completar um polido «boas tardes» ou um convencional «está tudo bem?»

Aliás, esta abreviação da linguagem acaba por indiciar a brevidade fugidia dos nossos encontros.

E já nem sequer falta um desaforado «porta-te mal» a sinalizar as despedidas.

Não escondo que tenho saudades de um convicto «louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo», de um respeitador «a bênção, meu Pai», de um auspicioso «até amanhã, se Deus quiser» ou, pelo menos, de um conciso «aDeus».

Dir-se-á: outros tempos, outros modos. Creio, porém, que eram modos que nunca deviam passar de moda!

publicado por Theosfera às 12:11

Para Jesus, o grande não é critério para o pequeno.

Para Jesus, o pequeno é que é critério para o grande.

Por isso, Ele deixou bem claro que quem quiser ser o primeiro tem de ser servo (cf. Mt 20, 27).

No mesmo registo, também assegurou quem é fiel no pouco é fiel no muito (cf. Lc 16, 10).

A fidelidade não começa no muito. A fidelidade vê-se muito em pouco.

As pequenas coisas, as pequenas atitudes e os pequenos gestos dizem muito. A bem dizer, dizem praticamente tudo!

publicado por Theosfera às 11:55

Xi e Ma vão encontrar-se hoje em Singapura.

É assim que eles se  tratam.

É que nenhum deles reconhece as funções que o outro desempenha nem o país a que cada qual pertence.

China e Taiwan estão de costas voltadas há quase 70 anos.

Mas este encontro pode ser um sinal e reiniciar um caminho.

Afinal, até os desavindos podem tornar-se bem-vindos!

publicado por Theosfera às 08:38

É elementar: antes de acontecer, é difícil ver como vai acontecer.

Sobretudo quando não há antecedentes, prever o que vai ocorrer é coisa temerária e missão (quase) impossível.

Aplicando a analogia, existe aquele raciocínio que diz: «Se um comprimido faz bem, três ou quatro comprimidos devem fazer melhor».

Só que o resultado não costuma ser positivo: três ou quatro comprimidos de uma vez não fazem melhor que um único comprimido.

O país estava à espera de um acordo e eis que nos são apresentados três acordos. É inclusivamente possível que tenha de haver um quarto acordo, de âmbito interno.

Vamos aguardar com serenidade.

Tudo isto é legítimo, tudo isto é novo. O importante é que seja bom. Para todos!

publicado por Theosfera às 08:12

Era importante que, na hora que passa, a cooperação prevalecesse. O país precisa de todos.

Esticar demasiado a corda é um jogo perigoso. Se ela parte, todos os que a esticam acabam por cair.

O Parlamento é eleito pelo povo, o Presidente da República é eleito pelo povo.

As posições de um e de outro podem invocar a vontade do povo. Se elas são contraditórias, gera-se um problema complicado.

Já houve casos em que o Presidente recusou propostas de governo vindas da maioria do Parlamento.

Ramallho Eanes não aceitou Vitor Crespo, proposto pela maioria AD, em 1983. Mário Soares não aceitou a solução proposta pelo PS, PRD e PCP, em 1987. Jorge Sampaio demitiu um Primeiro-Ministro proposto pela coligação PSD/CDS, em 2004.

A solução, em todos estes casos, foi devolver a palavra ao povo. Agora, tem de prevalecer o bom senso, a cooperação e o sentido do interesse nacional.

Não estiquem demasiado a corda. Não deixem partir a corda!

publicado por Theosfera às 07:58

Mais uma noite em que falou, em que falou muito.

Mais uma noite em que muito se falou do que outros falaram.

Não entro em considerações sobre questões concretas da política, que me merecem, aliás, o maior respeito.

Do que vem desta noite ressalta que o problema não é tanto o que se ouve dos lábios. O problema é o que não se tem visto nos actos.

Daí o acerto da advertência de Madeleine Scudéry: «As acções são muito mais sinceras que as palavras». E, muitas vezes, estão em total contradição com elas.

Esperemos que as palavras e os actos nos ajudem a (re)encontrar o caminho certo: com determinação e moderação!

publicado por Theosfera às 00:05

Hoje, 07 de Novembro, é dia de Sto. Herculano, S, Vicente Grassi, S. Vilibrordo, Sto. Ernesto, Sta. Catarina de Cattaro e S. Francisco de Palau e Quer.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 06 de Novembro de 2015

Nada tenho contra a opinião. Mas preocupa-me a presunção de que a mera opinião equivale, «ipso facto», a garantias de verdade e a doses de sabedoria.

Assim devia ser, assim costumava ser. Mas, pela amostra, assim parece ter deixado de ser.

Aceita-se que opinião seja interpretação. Mas custa a digerir que opinião tenha de ser distorção.

E isso acontece, amiúde, quando se omitem factos, quando se parcializam pontos de vista ou quando se precipitam conclusões definitivas.

A sabedoria, como percebeu Pierre Bourdieu, foi-se convertendo em «doxosofia». A procura do saber vai dando lugar à exibição de um presumido saber do opinador.

Abundam «doxósofos» que não param de falar. Não ouvem ninguém. Será que se ouvem a si mesmos?

Quem circula pelo lado de baixo da vida, nota que a realidade é tão diferente do que veiculam tão doutas «doxosofias»!

publicado por Theosfera às 11:05

A coisa mais difícil de recuperar depois de a perder: a confiança.

Aliás, era o que, há muitos séculos atrás, sentia Públio Siro: «Quem perdeu a confiança nada mais tem a perder». Já perdeu tudo. E, o que é pior, hipotecou as possibilidades de recuperar alguma coisa.

Por conseguinte, não percamos a confiança nem demos motivos para que alguém perca a confiança em nós.

Confiemos. E procuremos ser sempre confiáveis!

publicado por Theosfera às 09:24

Hoje, 06 de Novembro, é dia de S. Nuno de Santa Maria (D. Nuno Álvares Pereira), Sto. Inácio Delgado, S. Francisco Capillos, Sto. Afonso de Navarette e S. Leonardo de Noblat.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 05 de Novembro de 2015

Segundo a ruidosa publicidade que faz, há um concurso que insiste em formar «excêntricos». Ou «chêntricos», como diz apressadamente.

«Ex+cêntrico» indica que o «centro» está «fora». E, de facto, o centro de quem aposta está fora de si; está na fortuna que espera obter.

Se pensarmos bem, o cristão é (devia ser sempre) um «excêntrico».

O centro do cristão não pode estar de si; tem de estar fora de si.

O centro do cristão há-de ser sempre Cristo e aqueles a quem Cristo o envia.

Afinal, desde há dois mil anos, o Mestre anda a formar «excêntricos».

Estaremos dispostos a ser «excêntricos»?

Não há maior fortuna do que ser «excêntrico», do que cada ter o seu centro em Cristo!

publicado por Theosfera às 20:02

No «campeonato das acusações», a direita e a esquerda atribuem uma à outra a responsabilidade pela desocupação do centro.

Cada sector acusa o outro de estar acantonado no seu reduto.

É neste quadro que uma pergunta assoma à mente do cidadão. Se o centro está desocupado, porque é que não o reocupam?

Porque é que não se esforçam por se reencontrar nesse centro?

Nesse centro podem estar as mais de quatro milhões de pessoas que não se revêem em nenhuma força política.

Será que a ideologia impede que a direita e a esquerda se entendam à volta de um centro que permita ao país ultrapassar de vez esta crise?

publicado por Theosfera às 10:40

Como toda a gente, também não gosto da «troika».

Os seus métodos são frios, pelo que os seus procedimentos chegam a ser brutais.

Movida por um impulso descontrolado, parece que só sabe avançar. Não consegue parar nem, muito menos, recuar.

Assim sendo, como é possível gostar do programa da «troika»?

O problema é que todos nós precisamos do dinheiro da «troika». Não estamos, pois, em posição de a afrontar.

Se no seu estado normal já é tão severa, o que ela não será se for acossada.

A dolorosa aprendizagem dos outros deve ser um ensinamento para nós. Quem desafiou a «troika» não se saiu bem.

Não sejamos submissos, mas também não enveredemos pela provocação.

Talvez o diálogo possa amenizar a conhecida inflexibilidade «troikiana».

Caso contrário, os que dizemos defender serão os que mais irão sofrer: os pobres!

publicado por Theosfera às 10:18

Na constante procura de consolações, acabamos por viver sempre desconsolados.

Nicolas de Chamfort coloca o problema com espantosa crueza: «É tal a condição dos homens que procuram na sociedade consolação para os males da natureza e na natureza consolação para os males da sociedade».

Só que nem uma nem outra consolam verdadeiramente. A única consolação é a que vem de Deus.

E, como reparou Santo Agostinho, vamos vivendo entre as desconsolações do mundo e as consolações de Deus.

Às vezes, é preciso sentir as desconsolações do mundo para nos apercebermos da contínua consolação de Deus!

publicado por Theosfera às 09:54

Hoje, 05 de Novembro, é dia de S. Zacarias, Sta. Isabel, Sta. Francisca Amboise e S. Caio Coreone. Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 04 de Novembro de 2015

Se os nossos representantes olhassem fundamente para a realidade, notariam que as pessoas estão cansadas do que têm visto e não parecem entusiasmadas com o que lhes é dado ouvir.

Não será possível haver um entendimento que coloque alguma flexibilidade no rigor sem que o rigor desapareça totalmente de tal flexibilidade?

O povo sabe que se o rigor desaparecer, irá reaparecer de uma forma muito mais brutal. O que acontece lá fora não está impedido de surgir cá dentro.

O povo bem quer tomar um «banho de esperança». E  espera que quem o representa não deixe de tomar um indispensável «banho de realidade».

Entendam-nos. E, por favor, entendam-se!

publicado por Theosfera às 10:32

Bom é o governo que olha bem para a realidade e que selecciona correctamente as prioridades.

Os cidadãos podem propor, mas é a realidade que impõe.

E, nos tempos que correm, nem sempre o que a realidade impõe coincide com o que os cidadãos propõem.

A realidade determina (aliás, muito secamente) que, num país como o nosso, o programa de governo não é o programa do governo: é o programa dos credores.

É um programa muito duro, pouco justo e que não deixa grande espaço para alternativas: ou fazemos o que eles dizem ou cessam os apoios.

Entre pouco e nada, a escolha é óbvia. No entanto, esta atenção à realidade não nos deve desviar da principal prioridade: favorecer quem costuma ser mais desfavorecido e não empobrecer quem já é pobre.

Apesar dos constrangimentos da realidade, não nos desviemos da grande prioridade!

publicado por Theosfera às 09:54

Hoje, 04 de Novembro, é dia de S. Carlos Borromeu, S. Vital e Sto. Agrícola.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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