O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 15 de Novembro de 2015

É um facto, já assinalado por Almeida Garrett: a sociedade já não é o que foi.

Mas avulta igualmente uma convicção, assinalada pelo mesmo escritor: a sociedade não pode continuar a ser o que é.

Se o presente teve lacunas, o presente continua a ter manchas.

O que será o futuro? Só Deus sabe.

Que seja diferente do passado. E que possa ser bem melhor do que o presente!

publicado por Theosfera às 21:47

Sabemos tanta coisa na vida. Parece que só não sabemos o que é viver.

Quando aprenderemos, de uma vez para sempre, que viver é conviver?

Quando perceberemos que, afinal, o outro faz parte de mim e que eu faço parte do outro?

Faltar ao respeito para com o outro é, no fundo, faltar ao respeito para comigo.

No limite, cada homicídio acaba por ser um suicídio. Quem mata também morre, mesmo que sobreviva.

A violência não se resolve com violência. A violência só se resolve com educação, com respeito, com paz!

publicado por Theosfera às 19:53

Tudo sobe para cima.
Tudo caminha para o alto.
Tudo tende para o fim.

 

E, na verdade, o que importa é o fim,
o fim para o qual nos chamas.

 

Tu, Senhor, chamas-nos para a felicidade,
para a alegria, para a justiça, para a paz.

Tu, Senhor, chamas-nos para Ti.

A vida é cheia de sinais.
É importante estar atento a eles.
É fundamental deixarmo-nos guiar por eles.

 

Neste mundo, tudo passa.
Nesta vida, tudo corre.
Neste tempo, tudo avança.
Só a Tua Palavra permanece, Senhor.

 

Obrigado por nos reunires,
por nos congregares,
por nos juntares.

 

De toda a parte Tu chamas,
Tu convocas,
Tu reúnes.

Obrigado, Senhor, pela esperança
e pelo ânimo,
Pelo vigor e pela presença.

 

O importante não é saber a hora do fim.
O fundamental é estar pronto, preparado, disponível.

 

Para Ti, Senhor, o fim não é destruição nem dissolução.
ConTigo, Senhor, o fim é plenitude, realização, felicidade.

Em Ti já sabemos o que nos espera.

Tu, Senhor, és a esperança e a certeza da esperança.

Tu já abriste as portas.
Tu já inauguraste os tempos últimos, os tempos novos.

 

ConTigo nada envelhece.
Em Ti tudo se renova.
Renova sempre a nossa vida,
JESUS!

publicado por Theosfera às 10:51

Há quem lute contra a tirania, mas sem revelar amor pela liberdade.

Já Platão notava que «muitos odeiam a tirania apenas para que possam estabelecer a sua».

Sem dúvida. Há quem lute contra a tirania para poder implantar a sua ditadura!

publicado por Theosfera às 08:19

Está visto que, neste mundo transformado em aldeia, não nos entendemos nem nos aceitamos. Nem quando nos entendemos nos aceitamos.

A globalização aproximou-nos e aproximou sobretudo as nossas distâncias. Estamos todos perto, mas sem que nos entendamos ou aceitemos.

O que, por estes dias se lê e se ouve, confirma que, por muito que viajemos, o nosso mundo parece terminar no nosso umbigo.

Émile Durkheim achava que «o nosso egoísmo era produto da nossa sociedade».

Talvez. Mas penso cada vez mais que a nossa sociedade é que está a ser um produto do nosso egoísmo.

Meditemos. E procuremos acordar!

publicado por Theosfera às 08:14

A. Neste mundo, tudo passa

  1. Sabemos que o mundo é feito de mudança. Mas não costumamos pensar que o mesmo mundo parece ser feito também de decadência. De facto, neste mundo tudo muda e tudo cai. Tudo se vai desgastando desde o princípio e tudo se gastará completamente no fim. O Evangelho avisa: até o sol deixará de dar luz, até a lua perderá o seu brilho, até as estrelas cairão (cf. Mc 13, 24-25). E a ciência não cessa de mostrar que, no universo, há estrelas a morrer e há estrelas que já morreram, arrastando na sua morte os corpos que delas dependiam.

O que é que não passa depois de tudo passar? Só Deus não passa. Tudo o resto passa, tudo o resto cai. Cai o pequeno, mas cai também o que se julga grande. Cai o pobre, mas cai também o rico. Cai o fraco, mas cai também o que se julga forte. Caem as vítimas, mas caem também os que oprimem as vítimas. Enfim, somos todos arrastados por uma corrente que nos leva para o fim. Somos todos chamados para um fim. E somos todos convidados para um bom…fim!

 

  1. Este discurso de Jesus não quer ser assustador. Pelo contrário, este discurso de Jesus só pretende ser mobilizador. Chamando a nossa atenção para a inexorável decadência de tudo quanto existe, proclama que só Deus subsiste. Como bem notou Santa Teresa, nesta vida «tudo passa, só Deus basta». Passarão todas as coisas que há na terra, passará a própria terra; só Deus — e Palavra de Deus — não passarão nunca (cf. Mc 13, 31).

Neste sentido, o grande apelo que Jesus nos faz é que não nos deixemos aprisionar por este mundo, mas que, neste mundo, nos fixemos em Deus. Quem está em Deus não acaba no fim já que, para o homem, Deus é o fim sem fim, é o fim que nunca terá fim.

 

B. Só em Deus existe o fim sem fim

 

3. Como bem percebeu Gandhi, «o que importa é o fim para o qual somos chamados». Deus é o fim para o qual todos nós somos — permanentemente — chamados. Nunca sossegaremos enquanto não encontrarmos este fim, enquanto não nos reencontrarmos na procura deste fim.

Sto. Agostinho confessou, com base na sua própria experiência: «Criastes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração anda inquieto enquanto não repousar em Vós». É que, como admiravelmente poetou o nosso Antero de Quental, «na mão de Deus, na Sua mão direita, descansa afinal o meu coração».

 

  1. Deste modo, salta à vista que fim não é destruição; é plenitude e há-de ser transformação. Ao vincar a decadência de tudo quanto existe, Jesus estabelece um contraste entre este mundo presente e o mundo futuro. E mais do que nos alertar para o inevitável fim de tudo quanto há no mundo, o que Jesus deseja é animar-nos na nossa peregrinação rumo à plenitude.

Cada um de nós é chamado a uma vida plena, a uma vida transformada. E nem sequer é preciso aguardar pelo fim dos tempos. Em cada momento, Deus oferece-nos uma vida plena, uma vida transformada. No fundo, enquanto no tempo caminhamos para a eternidade, vamos sentindo que o Eterno já habita no Tempo e que o Céu já mora na Terra.

 

C. O «Último» que nos leva até às «coisas últimas»

 

5. Jesus não nos esclarece apenas sobre as «coisas últimas» («éschata»). Acima de tudo, Jesus está sempre a oferecer-nos o que é «último» («éschaton»). Ele não nos deixa de instruir sobre as «coisas últimas» que acontecerão nos «últimos dias»(Mc 13, 24). Nessa altura, ocorrerá a última vinda de Jesus («parusia»), em que será consumada a transformação que Ele operou com o Seu mistério pascal: paixão, morte e ressurreição.

Mas o que é verdadeiramente último já está presente no meio de nós. Jesus é o «éschaton» que nos conduz até às «éschata». Ou seja, Jesus é «o Último» que nos conduz até às «coisas últimas». Dizendo ainda de outra maneira, Jesus é «o Fim» que nos conduz até ao fim e até para lá do fim.

 

  1. Assim sendo, não há motivos para andarmos alarmados com o fim do mundo. Há, sim, motivos — todos os motivos — para nos empenharmos no fim deste mundo. Quanto ao fim do mundo, Jesus tem o cuidado de ressalvar que ninguém sabe o dia e a hora; só o Pai sabe (cf. Mc 13, 32). O que Jesus quer é que nos envolvamos no fim deste mundo de injustiça, no fim deste mundo de mentira, no fim deste mundo de ódio, no fim deste mundo de corrupção.

Ele conta connosco para anteciparmos a eternidade no tempo e para trazermos o céu para a terra. Aliás, para nenhum de nós haverá céu sem terra: colheremos no céu o que formos semeando na terra. É o que decorre da parábola da figueira: quando os ramos ficam tenros e as folhas surgem, é sinal de que o Verão está perto e de que a colheita não está longe (cf. Mc 13, 28-29).

 

D. Não alarmados com o fim do mundo,

mas a trabalhar para o fim deste mundo

 

7. O céu é colheita, é transformação, é plenitude. Isto significa que alcançaremos o céu na medida em que nos formos transformando na terra. E uma vez que o céu é a felicidade, é importante que procuremos acabar com toda a infelicidade que ainda subsiste. Deus não quer que o mundo seja o contrário do céu. Deus não quer que passemos mal no mundo para passarmos bem no céu. Deus quer que sejamos felizes já neste mundo, para sermos inteiramente felizes no céu. Deus quer que o mundo seja o começo do céu, a sementeira do céu.

Tendo, entretanto, em conta que somos criados para Deus, então só vivendo em Deus é que seremos felizes. É por isso que podemos bater a todas as portas em busca da felicidade. Mas a felicidade só nos aparecerá quando batermos à porta de Deus, quando entrarmos definitivamente em Deus.

 

  1. É, pois, hora de acordar. Usando a linguagem do profeta Daniel, é hora de acordar para tantos que ainda estão a dormir (cf. Dan 12, 2). É hora de reentrar no caminho após tantos — e tão prolongados — descaminhos. Estas páginas não servem de susto, mas de esperança. É possível mudar, é urgente mudar. Não nos resignemos ao mundo como ele é; procuremos olhar para o mundo como ele pode ser. Nunca comecemos a desistir e nunca desistamos de (re)começar.

Nesta missão de trazer o céu para a terra, Deus é sempre nosso aliado. Será que nós queremos ser aliados de Deus? Nós contamos com Ele. Será que Ele pode contar connosco?

 

E. Os «hábitos na terra» e os «hálitos do céu»

 

9. Nós não somos daqui. A terra é um lugar de passagem e, pela amostra, de uma passagem rápida. É importante que não tenhamos um sabor a terra, mas que, na terra, exalemos sempre um sabor a céu. Os nossos «hábitos na terra» têm de procurar fazer soprar «hálitos do céu».

Por conseguinte, para que servem tantos ódios, tantas vinganças? Para que servem tantas ambições de fama e tantos sonhos de poder? Para que servem tantos atropelos aos outros, tantas calúnias a respeito dos outros?

 

  1. Olhemos para a frente, olhemos para o fim e nunca recuemos. Estejamos atentos e sejamos sempre vigilantes. Deixemo-nos de quezílias e de questiúnculas. Concentremo-nos no essencial, no perene e no definitivo. Não troquemos o eterno pelo instante, mas sejamos capazes de «trocar o instante pelo eterno».

E, acima de tudo, não tenhamos medo das dificuldades nem sequer das perseguições. Já Sto. Agostinho notou que, na vida, vamos caminhando entre «as perseguições do mundo e as consolações de Deus». Se as perseguições são grandes, as consolações são (infinitamente) maiores. Ser discípulo de Jesus não é ter uma vida fácil. Mas também não é a facilidade que nos leva à felicidade. E Jesus não nos prometeu a facilidade, mas a felicidade. Ele é a felicidade!

publicado por Theosfera às 05:48

Hoje, 15 de Novembro (33º Domingo do Tempo Comum), é dia de Sto. Alberto Magno, Sta. Madalena Morano e Sta. Maria da Paixão.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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