O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 16 de Outubro de 2015

Mário Cláudio acha que «uma das grandes vantagens da idade é perder-se a vergonha».

Reconheço que perder a vergonha com a idade é um facto. Mas não sei se será uma vantagem.

A vergonha é, muitas vezes, o aconchego da decência.

O oposto da vergonha nem sempre é a coragem. Frequentemente, o oposto da vergonha é o descaramento.

A desvergonha está em alta. Será uma boa notícia?

publicado por Theosfera às 22:41

 O tempo passa em nós, passa por nós, mas dificilmente passa de nós.

As marcas que o tempo deixa fazem com que o tempo passado nos acompanhe em cada tempo presente!

publicado por Theosfera às 19:23

Antes de 1974, sabíamos que o ano lectivo começava, invariavelmente, a 7 de Outubro.

Já depois de 1974, raramente sabíamos quando começava. Podia começar a qualquer altura.

Recordo que éramos avisados quase em cima da data e lá íamos para a escola.

E nunca esqueci que, em 1978, o ano lectivo abriu precisamente a 16 de Outubro.

Porquê esta recordação? Porque estava eu a chegar ao Seminário e ouvi um colega mais velho dizer que já tinha sido eleito o Papa.

Quando lhe perguntei quem era, ele disse que se chamava Karol... Bem tentou dizer o resto do nome, mas era complicado.

Levou tempo a habituarmo-nos a soletrar «Wojtyla». Mas a empatia com João Paulo II foi instantânea e sempre crescente.

Daquele dia ficou o convite: «Não tenhais medo» e «abri,escancarai, as portas a Cristo»!

publicado por Theosfera às 19:00

Há os que alegam sempre nada ter a esconder.

E há os que, a cada passo, demonstram nada ter para dizer. Mesmo quando dizem. Sobretudo quando dizem, quando não param de dizer!

publicado por Theosfera às 16:10

Todos os dias são dias para muita coisa. Mas há quem insista em transformá-los em dias de (apenas) algumas coisas.

Há quem pretenda que cada dia seja dia de alguma coisa que esquecemos, de alguma coisa de que não cuidamos.

Como a telefonia nos costuma fazer companhia nas viagens, sempre dá para saber que este 16 de Outubro é dia mundial da alimentação e dia mundial da coluna.

E lá vêm as chamadas de atenção. Andamos a comer mal e também não nos posicionamos muito bem, fisicamente falando pelo menos.

Por entre todas estas evocações que nos fazem, uma reflexão aflora.

Nestes tempos convulsos, não há dúvida de que é preciso ter estômago para muita coisa e é fundamental manter a coluna vertebral direita no meio de tanta coisa!

publicado por Theosfera às 16:07

Muitos não gostam que as vítimas falem.

Alegam que estão a vitimizar-se. Esquecem que quem vitimiza são os que provocam vítimas.

Só que o grito das vítimas não é cómodo para quem as espezinha.

Daí que até o grito das vítimas queiram eliminar.

Mas tal grito é uma forma (quiçá, a última) de mostrar que (ainda) estão vivas. E prontas para a vida!

publicado por Theosfera às 15:59

Hoje, 16 de Outubro, é dia de Sta. Hedwiges, Sta. Margarida Maria Alacoque, Sta. Josefa Vanini e S. Gerardo Majela.

Faz também 37 anos que foi eleito o Papa João Paulo II.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 15 de Outubro de 2015

Ouvir certas pessoas a falar de bondade e amor é como ouvir um terrorista a dizer que é pacífico, um ditador a dizer que é democrata ou um arrogante a dizer que é humilde.

Pode falar muito e pode até falar bem. Só que ninguém acredita.

As pessoas escutarão o que dizem, mas olharão mais para o que fazem.

Há lábios onde a bondade e o amor estão presentes, mas em cujas vidas estão completamente ausentes.

O melhor seria não dizerem nada. Se querem falar, comecem por viver.

Se querem que acreditemos, dêem motivos para acreditar. Não são os lábios que convencem!

publicado por Theosfera às 20:41

Achava Hannah Arendt que «a política é o contrário da violência».

Só que, às vezes, não parece.

É certo que, em política, costumam ser utilizados «punhos de renda». Mas, mesmo assim, são punhos que ferem como punhais e desgastam como punhaladas.

Procuremos fazer tudo para que a política seja o que é destinada a ser: uma missão bela, uma actividade nobre!

publicado por Theosfera às 10:08

Acrescentar pode ser positivo. Excluir raramente deixa de ser negativo.

A tecnologia pode ajudar ao conhecimento. Mas será que está em condições de substituir o livro?

Umberto Eco, sempre pertinente e destemido, entende que «a leitura é uma necessidade biológica. Nenhum ecrã e nenhuma tecnologia conseguirão suprimir a necessidade da leitura tradicional».

Eu sinto o mesmo. Há lugar para tudo.

Na vida, terá de continuar a haver lugar para o livro!

publicado por Theosfera às 10:03

Hoje, 15 de Outubro, é dia de Sta. Teresa de Jesus e Sto. Eutímio, o Jovem.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:02

Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015

1. Até quando persistirá a crise? A partir de quando começará o crescimento?

Mas será que o crescimento é a solução? Há quem pense que a solução não passa pelo crescimento, mas pelo…decrescimento.

 

2. E, de facto, os que têm pouco teriam mais se os que têm mais se dispusessem a ter um pouco menos. Afinal, muitos cresceriam se alguns aceitassem decrescer.

Mais do que uma obrigação imposta do exterior, este deveria ser um imperativo assumido a partir do interior.

 

3. Sucede que a impressão que prevalece é outra, diametralmente oposta: os que têm mais continuam a ter muito e os que têm pouco têm cada vez menos, quase nada.

Está, pois, tudo invertido.

 

4. É neste contexto que Serge Latouche entende que o caminho não é o crescimento, mas o decrescimento.

A tese é controversa, mas merece atenção. A ideologia do crescimento tende a ignorar os limites. A tendência é para gastar sem cálculo e para consumir sem freio.

 

5. O problema é que os recursos naturais são limitados. Um crescimento infinito será compatível com um mundo finito?

Acresce que o crescimento não produz só bens. Também produz necessidades, muitas delas artificiais. E, não raramente, as necessidades crescem a um ritmo superior aos bens. Daí o estado de insatisfação generalizada.

 

6. Se repararmos, muitos protestos não vêm dos pobres de sempre. Muita contestação advém dos que não conseguem manter o nível de vida a que se tinham habituado.

Aliás, quando o impulso para consumir cresce, o índice de insatisfação aumenta. Dificilmente se obterá dinheiro bastante para satisfazer todos os apetites.

 

7. A alternativa proposta por Serge Latouche é «a abundância frugal». Todos terão acesso ao essencial e cada um abdicará, voluntariamente, do acidental.

A estratégia do decrescimento consiste «na autolimitação voluntária, na reabilitação do espírito da doação e da promoção da convivialidade».

 

8. É claro que tudo isto pressupõe uma mudança que, não sendo irrealizável, se afigura muito difícil: a mudança de mentalidade.

No fundo, ainda estamos à espera de que a realidade se adeque a nós em vez de sermos nós a adequarmo-nos à realidade.

 

9. A ostentação dispendiosa continua a ser uma forma de afirmação.

A frugalidade, a simplicidade, a poupança, o recato e a partilha deixaram de ser valores dominantes. Passaram a ser atitudes de poucas pessoas e de poucos momentos.

 

10. Precisamos de fazer todo um caminho por dentro. Precisamos de perceber que a realização pessoal não passa só pelo ter. A felicidade não é esbanjadora.

Precisamos de aprender que, às vezes, com pouco se consegue muito. E que, com menos, não é impossível obter mais. Mais alegria, mais criatividade, mais justiça, mais humanidade!

publicado por Theosfera às 10:47

Em relação à situação política, a esta hora, há muita gente entusiasmada e há muita gente (quase) deprimida.

Toda a gente está expectante. Alguém saberá a que porto iremos desaguar neste mar alterado de negociações?

Creio que não há motivos para grandes ilusões nem para especiais alarmismos.

Quem verdadeiramente decide não está cá dentro.

Quem tem o dinheiro tem o poder. E quem tem o dinheiro são os credores. São eles que mandam.

Não é exaltante. Mas é a (dolorosa) realidade!

publicado por Theosfera às 09:59

Dialogar é estimulante, mas também é perigoso.

Agatha Christhie entendia que «as conversas são perigosas quando temos algo a ocultar».

Mas também não são isentas de perigos quando temos algo a dizer.

As ocultações e as revelações têm sempre um preço.

Há correr riscos. Há que seguir a voz da consciência!

publicado por Theosfera às 09:51

Hoje, 14 de Outubro, é dia de S. Calisto, Sta. Madalena Panattieri e S. João Ogilvie.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:16

Terça-feira, 13 de Outubro de 2015
  1. Por hábito, todos gostamos de levar e trazer. Mas, por norma, não gostamos de quem leva e traz.

Se calhar, ainda gostamos um bocadinho de quem traz; de quem leva é que não costumamos gostar.

 

  1. Acontece que, se pensarmos bem, a missão consiste, antes de mais, em levar e trazer.

Levar e trazer é o que faz a missão acontecer.

 

  1. O missionário é, efectivamente, o que leva e traz.

É o que leva Cristo e é o que traz para Cristo. É o que leva Cristo às pessoas e é o que traz as pessoas para Cristo.

 

  1. Foi, aliás, o próprio Jesus que lançou as bases da missão. Antes de voltar para o Pai, ofereceu-nos uma certeza e deixou-nos uma ordem.

A certeza é que Ele iria ficar (cf. Mt. 28, 20). E a ordem era que nós saíssemos (cf. Mt. 28, 19).

 

  1. Concretizando, Jesus fica quando nós saímos; Jesus fica em nós quando nós saímos de nós; Jesus fica em nós quando somos capazes de ir além de nós.

Em síntese, Jesus fica em nós quando nós O levamos aos outros.

 

  1. O Papa Francisco lembra que, «hoje, ainda há muita gente que não conhece Jesus Cristo».

De facto, há muita gente que não conhece Jesus Cristo porque nunca ouviu falar d’Ele. E há muito gente que não conhece Jesus Cristo mesmo tendo ouvido falar d’Ele.

 

  1. Nesta tarefa, temos de nos mobilizar todos e de nos mobilizar sempre.

A missão não é só para alguns nem para alguns momentos. A missão é para todos e é para sempre.

 

  1. Foi por isso que o Vaticano II recordou que «a Igreja é, por natureza, missionária».

Não se pode, portanto, ser cristão sem ser missionário. Onde está o cristão, aí tem de estar a missão.

 

  1. Os padres, os bispos e os religiosos também precisam de ser evangelizados pelo povo. Cada um tem a sua missão e cada um tem muito a crescer com a missão dos outros.

O Evangelho não é privilégio de ninguém nem exclusivo de alguns; é dom para cada um e responsabilidade para todos.

 

  1. Ninguém se pode sentir demissionário; cada um deve sentir-se autenticamente missionário.

Somos chamados a viver sempre em estado de missão. E nunca em estado de demissão.

publicado por Theosfera às 10:07

Os tempos não estão fáceis. Há muita angústia nos espíritos e muita espuma de incerteza a toldar o horizonte.

Não percamos, porém, o alento nem estilhacemos a esperança.

O povo recorda que «não há mal que sempre dure». E, como nota Almada Negreiros, «os dias terríveis são, afinal, vésperas de dias admiráveis».

Há muita luz à espera que a deixem brilhar!

publicado por Theosfera às 09:36

Hoje, 13 de Outubro, é dia de Sto. Eduardo III, S. Fausto e Bem-Aventurada Alexandrina Maria da Costa.

Um santo e abençoado dia para todos.

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 12 de Outubro de 2015

Depois de tantas impressões (e não pequenas pressões), um pouco de descompressão.

O Presidente tem de indigitar um primeiro-ministro, após ouvir os partidos políticos e tendo em conta os resultados eleitorais.

Pelos vistos, as soluções que se perfilam têm muitos apoiantes, mas também têm bastantes opositores.

E se o indigitado fosse o deputado do PAN?

Pelo menos, não seria tão contestado à esquerda nem tão rejeitado à direita. Talvez conseguisse reunir mais apoios de um lado sem os perder no outro.

É claro que há o perigo de não se saber o que ele pensa sobre muitos temas.

Mas isso, mais que um perigo, até pode ser uma vantagem.

Na hora que passa, o que muitos pensam (e dizem) não nos deixa totalmente sossegados...

publicado por Theosfera às 13:54

Dizem (pelo menos, Manuel Vázquez Montalbán dizia) que «dar um nome àquilo que nos destrói ajuda-nos a defendermo-nos».

É possível.

Creio que se pensarmos, por exemplo, em «egoísmo», teremos um grande trabalho pela frente. A começar por nós.

Às vezes, em nós está o que mais nos pode destruir!

publicado por Theosfera às 09:41

Parece que está a ser difícil encontrar uma fórmula de governo para o país.

O motivo é que, pela primeira vez na nossa história democrática, todas as forças querem fazer parte de uma solução governativa.

Mais, todas as as forças se acham em condições de integrarem uma solução governativa.

Há quem veja aqui uma dificuldade. Porque é que não poderemos ver aqui uma possibilidade?

Os programas são diferentes e alguns até serão opostos. Mas será mesmo impossível conjugar as diferenças e ultrapassar as oposições?

Se olharem todos a sério para o país, talvez se encontre um caminho!

publicado por Theosfera às 09:33

Hoje, 12 de Outubro, é dia de Nossa Senhora do Pilar, Nossa Senhora de Aparecida, S. Serafim de Montegranaro, S. Vilfrido e S. João Beyzym.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 11 de Outubro de 2015

 

Nada é impossível para Ti.

Tudo é possível conTigo, Senhor.

 

Hoje em dia, precisamos de acreditar,

de não desistir

e de sempre caminhar.

 

Obrigado, Senhor, pelo estímulo

e pelo constante apoio.

 

O caminho é difícil, mas não é inviável.

Ele pode ser trilhado.

E, como aos discípulos de Emaús,

também hoje nos acompanhas.

 

És o nosso companheiro,

o que partilha a nossa vida.

 

Tu queres, Senhor, que saibamos os mandamentos.

Mas não chega.

 

Mais importante que saber é fazer.

Saber é necessário, mas fazer é decisivo.

 

Às vezes, falta-nos apenas uma coisa.

Mas essa coisa pode ser a mais importante.

 

É preciso dar aos pobres,

repartir com os pobres.

 

Como são actuais estas palavras.

Como é pertinente este apelo.

Como é urgente esta prioridade.

 

É aqui que está a sabedoria.

A sabedoria não está apenas no conhecimento.

A sabedoria está sobretudo no amor.

O amor é mais sábio que a sabedoria.

 

Essa sabedoria está na Tua Palavra

e no Teu Pão.

 

Obrigado, Senhor, por seres a Mesa

e o Pão.

 

Obrigado, Senhor, por nos dares tudo em abundância.

Obrigado por tanto. Obrigado por tudo.

 

Que nós saibamos repartir.

Neste momento de crise, aumenta a nossa solidariedade

e faz crescer o nosso amor!

publicado por Theosfera às 10:51

Confesso que me atordoa, com toneladas de aflição, esta cultura «zombie» em que estamos a mergulhar.

Deixamos que a morte se passeie à vontade durante a vida.

A morte já não é só o que vem depois da vida. A morte passou a ser a grande «intrusa» durante a vida.

Muitas vezes, já nos comportamos como mortos ao longo da vida. A morte já não é apenas o fim; é sobretudo esta triste desistência.

O súbito interesse pela cultura «zombie» dá (mesmo) muito que pensar!

publicado por Theosfera às 08:56

Mais que a incerteza que paira sobre a política confesso que me preocupa o desnorte de muitas vidas.

São muitos os que se afogam em álcool de noite e se resignam a dormir de dia.

São vidas que desistem de si mesmas.

Uns fecham portas, outros parecem desistir de as (re)abrir.

Acordemos!

publicado por Theosfera às 08:31

Depois de uma rápida «viagem» pela imprensa desta manhã, aflora ao meu espírito um desejo que aqui verto em forma de apelo: «Senhores políticos, politiquem; não joguem».

Deixem os jogos para os jogadores. Façam o que devem e não se recusem a fazer o que podem.

Politicar não é só fazer política. É, acima de tudo, pensar no país.

Olhem que o país não acaba nos gabinetes nem nas sedes partidárias.

A vossa missão é muito nobre. Nobilitem a confiança que o povo vos entregou. 

E dêem-nos motivos para não recearmos que um mar de incerteza nos afogue!

publicado por Theosfera às 08:18

Eis o grande problema.

Vergílio Ferreira diagnosticou-o: «Quando se apanha um mentiroso, ele pode perguntar-nos: "o que é a verdade?" E o mais provável é termos de o deixar seguir».

Porque, por mais que tentemos, acabaremos por notar que, para ele, a sua mentira terá mais valor do que a maior de todas as verdades.

É pena. Mas é a realidade!

publicado por Theosfera às 07:55

Hoje, 11 de Outubro (28º Domingo do Tempo Comum), é dia de Sta. Soledade Torres, Sto. Alexandre Sáuli e S. João XXIII, o Papa Bom.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 10 de Outubro de 2015

A. Um «quase discípulo» não é um discípulo

  1. Dizem os desportistas que as provas não são como começam, mas como acabam. É nos últimos instantes que se ganha, é nos últimos momentos que se perde. Às vezes, não tão poucas vezes assim, há quem faça «quase» tudo bem, mas vacile à beira do fim. Não basta ir à frente para chegar em primeiro. Só fica em primeiro quem terminar à frente. Há quem faça «quase» todo o percurso à frente, mas fique para trás quando o fim já está à vista. O «quase» não chega. Um «quase» vencedor não é um vencedor.

Somos convidados a ser discípulos de Jesus, mas a tempo inteiro e com a vida toda. Por conseguinte, importa que compreendamos que um «quase discípulo» não é um discípulo. Também na fé, a distância mais difícil de percorrer é a distância que vai do «quase» até ao «tudo». O «quase» traz consigo a ilusão de que é «tudo». Mas não é: «quase tudo» não é o mesmo que «tudo».

 

  1. Acontece que, frequentemente, não conseguimos ver a diferença e não queremos eliminar a distância. Falta-nos capacidade para ver que o «quase» não é o mesmo que «tudo». E falta-nos vontade para percorrer o caminho que vai do «quase» até ao «tudo». Só Cristo é a luz (cf. Jo 8, 12) que nos faz ver a diferença entre o «quase» e o «tudo». E só Cristo é o caminho (cf. Jo 14, 6) que nos permite vencer a distância entre o «quase» e o «tudo».

O que já temos é importante, mas o que ainda nos falta é que pode ser decisivo. E, tal como sucedeu a este homem que aborda Jesus, o que nos falta não é saber nem fazer; o que nos falta é dar, é darmo-nos.

 

B. A Lei já é bastante, mas ainda não é o bastante

 

3. Aquele homem sabia tudo e pensava que já tinha feito tudo. Para ele, era só continuar a fazer o que fazia. Quando Jesus enuncia os Mandamentos, ele exulta como o atleta que alcançou a meta: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude»(Mc 10, 20). Reconheçamos que não é coisa pouca — nem coisa fácil — cumprir os Mandamentos. É certo que nenhum de nós mata nem rouba. Mas quantos de nós podem assegurar que nunca levantaram falsos testemunhos? Quantos de nós podem garantir que nunca cometeram fraudes? Quantos de nós farão tudo por seu pai e sua mãe? (cf. Mc 10, 19).

Afinal, aquele homem já tinha feito bastante e até tinha feito bem o bastante que tinha realizado. A avaliar pela reacção de Jesus, ele estava mesmo a ser sincero. A afeição de Jesus é sinal de reconhecimento da autenticidade das suas palavras. Se já tinha feito tanto, não deveria custar fazer o que ainda faltava: vender o que tinha, dá-lo aos pobres e seguir Jesus (cf. Mc 10, 21). Tratava-se, no fundo, do corolário da sua — já bem conseguida — obra.

 

  1. Em boa verdade, Jesus, em coerência com o Seu ensinamento, estava a dizer que o Antigo Testamento era necessário, mas insuficiente. A antiga Lei já era bastante, mas ainda não era o bastante. Como sempre vincou desde o princípio, Jesus não veio destruir a Lei, mas cumprir a Lei (cf. Mt 5, 17). Jesus não é a anulação, mas o pleno cumprimento da Lei.

Isto significa que só no Novo Testamento se cumpre cabalmente o Antigo Testamento. Só seguindo Jesus, só sendo como Jesus, só dando a vida como Jesus é que a Lei fica integralmente cumprida. Afinal e como proclama o Concílio Vaticano II, o Antigo Testamento só está patente no Novo, o que equivale a reconhecer que o Novo Testamento já estava latente no Antigo.

 

C. Quando possuir significa ser possuído

 

5. Tal como, sem o tecto, a construção do edifício não está terminada, sem o Evangelho de Jesus, a antiga Lei também não está concluída. O Evangelho é a plenitude da Lei. É a Lei nova que coroa — e plenitudiza — a Lei antiga.

Só que aquele homem resolveu estacionar no antigo. Diz o texto sagrado que, perante a proposta de Jesus, ficou pesaroso e «retirou-se entristecido»(Mc 10, 22). Porquê? Porque tinha «muitos bens». Ou, como especificam algumas traduções, porque tinha «muitas propriedades»(Mc 10, 22).

 

  1. Como, porventura, acontece a tantos de nós, aquele homem sofria de «apraxia». Diz a ciência que a «apraxia» é uma desordem neurológica que se caracteriza por provocar uma perda da capacidade em executar movimentos e gestos precisos que conduziriam a um determinado objectivo. Aquele homem estava bloqueado pela posse. Estava mais habituado a conjugar o verbo «possuir» do que o verbo «repartir».

A bem dizer, ele era servo daquilo que o devia servir. Em vez de ser ele o senhor dos bens, os bens é que eram senhores dele. Em lugar de ser dono das suas propriedades, as suas propriedades é que eram donas dele. Ou seja, não era dono; estava dominado. Não possuía; estava (totalmente) possuído.

 

D. Não falta ter, falta dar (e sobretudo darmo-nos)

 

7. Pela Sua palavra, pela Sua vida e sobretudo pela Sua morte, Jesus veio ensinar-nos que nunca possuímos tanto como quando repartimos. É por isso que «há mais alegria em dar do que em receber»(Act 20, 35).

Só somos senhores quando somos livres. Quando não damos — e sobretudo quando recusamos a darmo-nos —, é porque não somos livres, é porque ainda estamos escravizados. E, não raramente, quem mais nos escraviza somos nós mesmos, são as nossas coisas, são os nossos bens.

 

  1. A esta luz, salta à vista que a riqueza não está no que se tem, mas no que se dá. Jesus era rico porque era pobre e, como reconheceu S. Paulo, veio enriquecer-nos com a Sua pobreza (cf. 2Cor 8, 9).

Será que estamos dispostos a aprender com Jesus? Será que já damos conta daquilo que nos falta? Será que já percebemos que aquilo que nos falta é o mais importante? Será que já notamos que aquilo que nos falta é «ser» e não «ter»? E será que já interiorizamos que outros poderão «ter» mais se nós nos dispusermos a «ser» melhores?

 

E. Não deixemos que o servo se torne (nosso) senhor

 

9. Era bom que incorporássemos que o dinheiro devia ser como os automóveis. O dinheiro também nasceu para circular, não para estacionar. Neste caso, o dinheiro deve circular por todos e não estacionar apenas por alguns. Se ele circular, ajudará a todos e não aprisionará ninguém. Não deixemos que o dinheiro seja, como alguém disse, «o grande senhor do século XXI». O dinheiro existe para ser servo. Não deixemos que o servo se torne (nosso) senhor.

O dinheiro deve ser guiado pela justiça e não dominado pelo lucro. Deste modo, procuremos pôr as pessoas à frente do dinheiro e não pôr o dinheiro à frente das pessoas. E em vez de estabelecermos «salários mínimos», procuremos definir «salários máximos». É bom compensar o mérito, mas a prioridade deve ser atender às necessidades e aos necessitados. O que alguns têm a mais outros têm a menos. O supérfluo de muitos será o essencial para tantos.

 

  1. Procuremos, então, vencer a última barreira. Também a nós pode faltar uma «última coisa» para pertencermos inteiramente a Jesus. Só que essa última coisa pode ser a mais importante, a mais decisiva. Não tenhamos medo de saltar essa última barreira, embora saibamos que o passo que, muitas vezes, mais custa dar é o último. Não estamos sós, porém. Contamos com Jesus e em Jesus nada é impossível (cf. Fil 4, 13). Em Jesus, até o impossível se torna possível. A «última coisa» que nos falta não é «ter»; a «última coisa» que nos falta até pode ser «deixar de ter».

Reside aqui a verdadeira sabedoria, aquela que devemos pedir incessantemente a Deus (cf. Sab 7, 7). A verdadeira sabedoria não passa pelo óbvio, mas pelo surpreendente. Deixemo-nos, por isso, surpreender por Deus e pelo Evangelho do Filho de Deus. Acima de tudo, nunca nos fiquemos pelo «quase». Para Deus, menos que tudo é nada. Afinal, o que dermos será sempre um «mínimo» diante d’Aquele que nos oferece sempre o «máximo»!

publicado por Theosfera às 12:06

Muitos são já os problemas que existem em casa. Maiores parecem ser os problemas que entram em casa.

Em tempos, era a televisão que trazia todos os dramas. Agora, até as redes sociais se fazem eco de todas as tragédias.

Há muito tempo, John Lennon notou que, «se toda exigisse paz em vez de uma televisão, então existiria paz».

O importante é que, com ou sem televisão, construamos a paz a partir da base, a partir do fundo, a partir de nós.

Se houver paz em nós,será mais fácil haver paz à volta de nós.

A paz é contagiosa!

publicado por Theosfera às 08:29

Hoje, 10 de Outubro, é dia de S. Daniel e seus Companheiros Mártires, S. Daniel Comboni, S. Miguel Píni e S. Tomás de Vilanova.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 09 de Outubro de 2015

Hoje, 09 de Outubro, é dia de Sto. Abraão, S. João Leonardo, S. Dionísio Areopagita, S. Luís Beltrão, Sto. António Prazzini e Sto. Inocêncio Camauro.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 08 de Outubro de 2015

A Igreja sempre exaltou o martírio e sempre condenou o suicídio. No plano dos conceitos, a diferença é clara: enquanto o suicídio consiste em tirar a vida, o martírio consiste em oferecer a vida. Só que, na prática, pode haver situações nebulosas, em que é difícil perceber se estamos diante de um martírio ou de um suicídio. Daí a necessidade de discernimento e de prudência.

O martírio é um dom que não é concedido a todos. E é preciso não confundir a disponibilidade para entregar a vida com uma espécie de jactância do martírio («jactatio martyrii»), denunciada por Tertuliano. Este teólogo antigo recordava que a fé «proíbe que cada um se entregue por si mesmo».

O caso de Santa Pelágia, que as agendas litúrgicas mencionam neste dia 8, dá que pensar.

Esta jovem de 15 anos foi acusada, em 302, de ser cristã, pelo que lhe foi dada voz de prisão. Subtil, recebeu bem os guardas e, quando estes se preparavam para a levar, pediu-lhes permissão para trocar de roupa. Obtida a autorização, dirigiu-se para o seu quarto. Querendo escapar aos ultrajes que a esperavam e a receando perder a sua virgindade, subiu ao tecto da casa, em Antioquia, e de lá se atirou para o chão, morrendo imediatamente.

Que pensar? Desde logo, o caso de Santa Pelágia não é único. O mesmo aconteceu com Santa Berniceia e Santa Prosdocéia que, detidas por soldados, pediram licença para se afastarem momentaneamente, atirando-se a um rio. Sucede que, mais do que de um suicídio, estamos diante de um acto assumido como um imperativo de consciência. No fundo, estas mártires não procuraram a morte, mas evitar que a sua honra fosse violada.

Outras santas virgens agiram deste modo. Foi o caso de Digna de Aquiléia, oferecida a um capitão como despojo. Tendo ficado os dois numa torre, disse a jovem ao capitão: «Se me queres possuir, segue-me». Assim aconteceu e, chegando ao ponto mais alto da torre, atirou-se ao rio, onde se afogou. Como escreveram os seus biógrafos, «com a sua morte, salvou a sua castidade»!

publicado por Theosfera às 10:49

Machado de Assis reconheceu que «esquecer é uma necessidade».

O problema é que também é uma impossibilidade.

E o pior é que aquilo que mais precisávamos de esquecer é o que estamos sempre a recordar!

publicado por Theosfera às 09:36

Hoje, 08 de Outubro, é dia de Sta. Pelágia, Sta. Taís e Sto. Artoldo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:20

Quarta-feira, 07 de Outubro de 2015

Hoje, 07 de Outubro, é dia de Nossa Senhora do Rosário e S. Marcos, Papa.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:17

Terça-feira, 06 de Outubro de 2015

 

  1. A superação da situação que o país atravessa reclama o contributo de todos.

 

  1. Assim sendo, é preciso ir mais além da mera legitimidade.

Creio ser indispensável apostar em novas possibilidades.


  1. O povo elegeu 230 deputados (faltam apurar quatro) não apenas para alternar, mas também para cooperar.
  2. Ser alternativa não impede a cooperação.

Procurar a cooperação não impede a alternativa.


  1. Não podemos estacionar eternamente (e porventura esterilmente) na dialéctica.

 

  1. Porque é que não se pode dar lugar à coexistência?

Porque é que, em vez de se insistir em muros, não se constroem pontes?


  1. Porque é que, em vez da lógica de uma maioria, não se aposta numa lógica de totalidade?
  2. Porque é que o governo não há-de ter representantes de todos os partidos?

Ou porque é que, pelo menos, não há-de resultar da negociação entre todos os partidos?


  1. Impossível?

Recordo que, na Grécia, na Alemanha e noutros países, existe uma coligação entre um partido de esquerda e um partido de direita. E faço notar que na Suécia há uma coligação entre seis partidos.

  1. No caso da Suécia, o acordo até foi firmado por duas legislaturas.

Isto significa que quem está na oposição sabe que, se for escolhido para chefiar o governo, pode contar com a cooperação de quem agora governa.


  1. O que se faz de melhor lá fora não poderá ser reproduzido cá dentro?

Não será hora de pensar mais no país do que nos partidos?


  1. Afinal, os partidos existem por causa do país.

E todos não são demais para fazer o que deve ser feito!

 

publicado por Theosfera às 20:01

  1. Será que, como alerta Armando Matteo, «a nova geração está a aprender a viver sem Deus e sem a Igreja»?

De facto, o problema hoje não está na contestação, mas na indiferença.

 

  1. Muitas pessoas já não se afirmam contra Deus ou contra a Igreja. Optam, simplesmente, por se posicionar sem Deus e sem a Igreja.

Não se perderam as referências ao divino. Parece tão-somente que deixou de haver disponibilidade para Deus.

 

  1. As prioridades passaram a ser outras. Como notou Armando Matteo, dá a impressão de que já não temos «antenas para Deus».

Isto não acontece apenas lá fora. Até em Igreja corremos o risco de viver longe de Deus.

 

  1. É certo que as grandes concentrações conseguem reacender algum alento.

Só que tais concentrações costumam ter muito impacto, mas pouco efeito. Definitivamente, não são as multidões que fidelizam os corações.

 

  1. Há quem não falte aos eventos de determinados dias, mas pareça faltar à vivência contínua de cada dia.

É, portanto, pertinente interpelar as pessoas. Mas temos de questionar também o nosso trabalho com as pessoas.

 

  1. Como estamos a enfrentar a «debandada» de que fala o Papa Francisco? Já nos apercebemos de que nem sempre o Cristianismo sabe a Cristo?

Às vezes, há mesmo um Cristianismo em que praticamente não se fala de Cristo.

 

  1. Assim sendo, será que as pessoas se afastam de Cristo? Ou não estarão, antes, a afastar-se de um Cristianismo com pouco Cristo?

A proposta de Cristo convence. O que nem sempre convence é a nossa proposta sobre Cristo.

 

  1. É por isso que não basta «cristianizar». É necessário — e cada vez mais urgente — «cristificar».

Não chega pertencer ao Cristianismo. É imperioso, antes de mais e acima de tudo, querer pertencer a Cristo.

 

  1. O «cristão» tem de ser «crístico». Tem de respirar Cristo. Tem de estar inteiramente «tatuado» por Jesus Cristo.

Resta-nos, pois, um caminho: voltar a Cristo, à Sua pessoa, à Sua mensagem, a toda a Sua vida.

 

  1. Não hesitemos em pôr as pessoas em contacto com Cristo. Não tenhamos medo de lhes oferecer mais «cristificação»: mais oração, mais reconciliação e mais missão.

É indispensável sair para que ninguém saia. Só uma «Igreja em saída» evitará a saída da Igreja!

publicado por Theosfera às 10:49

Hoje, 06 de Outubro, é dia de S. Bruno, Sta. Maria Francisca das Cinco Chagas, S. Diogo de San Vítores, Sta. Maria Ana Mógas de Funtcuberta, Sta. Fé e S. Francisco Gárate.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:12

Segunda-feira, 05 de Outubro de 2015

Não gosto de ouvir falar de derrotas nem de derrotados.

Até porque os derrotados podem passar a vencedores e os vencedores podem passar a derrotados.

Todos são necessários para tudo.

Quem está disposto a trabalhar pelo bem comum nunca perderá!

publicado por Theosfera às 09:33

Enquanto ia trabalhando, fui vendo, ouvindo e lendo as palavras desta noite.

Parece que, tal como o clima deste Domingo, vai haver temporal, mas ainda não vai haver tempestade.

Há muitas clivagens, mas (para já) ninguém quer rupturas.

O país disse o que pensava sobre os partidos. É importante que os partidos digam claramente o que pensam sobre o país. E o que estão dispostos a fazer pelo país.

Vai ser preciso falar mais. E vai ser necessário (sobretudo) fazer muito melhor!

publicado por Theosfera às 00:03

Hoje, 05 de Outubro, é dia de S. Plácido, Sta. Flor, S. Raimundo de Cápua, S. Bartolomeu Longo, Sta. Faustina, S. Francisco Xavier Seelos e St. Alberto Marvelli.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 04 de Outubro de 2015

A. Boas — e belas — notícias para as famílias

  1. Eis que, neste Domingo, somos presenteados com uma bela — e muito profunda — ressonância do Evangelho da Família. De facto, Deus também tem boas novas (boas notícias) sobre a família e para as famílias. Deus tem um projecto concreto para a família e uma proposta mobilizadora para fazer frente às nossas grandes inquietações sobre a família.

Neste Domingo, com efeito, somos ajudados a responder às duas perguntas fundamentais sobre a família: «em que consiste a família?» e «porque é que falham tantas famílias?».

  1. Desde logo, é importante saber que a família é, acima de tudo, uma criação divina, é uma invenção de Deus. Na linguagem própria do autor sagrado, a Primeira Leitura diz que, para Deus, «não é bom que o homem esteja só»(Gén 2, 18). Isto significa que Deus não nos criou para a solidão, mas para a relação. É pela relação que o homem realiza a sua semelhança com Deus (cf. Gén 1, 26).

É que o próprio Deus, sendo único, não é um. O próprio Deus, sendo único, não vive na solidão, mas em relação. Por conseguinte, a Santíssima Trindade é a primeira comunidade, a primeira família. Pelo que a família humana está destinada a ser a imagem por excelência da família divina.

 

B. A família que Deus quer

 

3. Tal como na família humana, também na família divina existe a conjugação entre a diferença e a unidade. O Pai é diferente do Filho e do Espírito Santo, o Filho é diferente do Pai e do Espírito Santo, o Espírito Santo é diferente do Pai e do Filho. E apesar disso — ou, melhor, por causa disso — todos estão unidos, formando uma família: a Santíssima Trindade. A unidade não exige que as pessoas sejam iguais. Pelo contrário, a unidade existe entre pessoas diferentes. O homem é diferente da mulher e a mulher é diferente do homem. E apesar disso — ou, melhor, por causa disso — são por Deus chamados a viver em unidade, em família.

É por este motivo que a família não nasce por uma decisão do homem e da mulher; a família nasce, antes de mais, por decisão de Deus. Neste sentido, o matrimónio não é uma questão a dois, é uma questão a três. O matrimónio não é apenas uma questão entre o homem e a mulher; é uma questão entre o homem, a mulher e Deus. É Deus quem os chama porque é Deus quem mais os ama. Nós acreditamos que é Deus que coloca este homem no caminho daquela mulher e esta mulher no caminho daquele homem.

 

  1. A última frase da Primeira Leitura torna tudo muito claro: «O homem deixará pai e mãe para se unir à sua mulher e os dois passarão a ser um só»(Gén 2, 24). Ou seja, Deus quer que o homem se una à mulher e que a mulher se una ao homem. Dessa união resulta uma coisa nova, uma coisa bela: a família. Deste modo, a família não nasce do domínio do homem sobre a mulher nem do domínio da mulher sobre o homem; a família nasce da união entre o homem e a mulher.

O homem e a mulher não deixam de ser o que são. A família, no pensamento de Deus, não anula nenhum dos seus membros. A família potencia e valoriza cada um dos seus elementos. A união não elimina, ilumina.

 

C. O amor entre o homem e a mulher é o amor de Deus no homem e na mulher

 

5. Jesus Cristo elevou esta união entre o homem e a mulher à dignidade de Sacramento. No fundo, a união entre o homem e a mulher é uma expressão do amor de Deus, do amor que é Deus e do amor que Deus tem por cada um de nós. Não espanta, por isso, que S. Paulo compare o amor entre os esposos ao amor que Cristo tem pela Sua Igreja, de que nós fazemos parte. Na Carta aos Efésios, ele pede aos esposos que se amem como Cristo amou a Igreja. E como é que Cristo amou a Igreja? Dando-se por ela, entregando-se por ela, oferecendo a vida por ela (cf. Ef 5, 25).

A esta luz, o amor que existe entre marido e esposa não é um somente um amor que nasceu entre um homem e uma mulher. Trata-se de um amor que, no homem e na mulher, foi depositado por Deus. É por isso que o homem e a mulher não se devem amar apenas como o seu amor, por muito grande que ele pareça. O homem e a mulher devem amar-se sempre com o amor de Deus, com o amor de Deus revelado em Cristo. Foi, aliás, o que nos pediu Jesus: que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou, como Ele nos ama (cf. Jo 15, 12).

 

  1. Assim sendo, percebe-se que a preparação para o matrimónio e a vivência do casamento deviam ser, sobretudo, tempos de oração, tempos de escuta. Uma vez que o amor entre o homem e a mulher vem de Deus, então cada homem e cada mulher deviam dispor-se a acolher o amor que Deus neles depositou. Na verdade, foi esse amor que os juntou e é esse amor que os faz sobreviver como pessoas e como família. João Paulo II disse, há muitos anos, que «família que reza unida permanece unida». Pelo que a falta de união começa, quase sempre, pela falta de oração. Inversamente, o reforço da oração contribuirá para o crescimento da união. É por isso que o tempo para Deus será sempre o tempo mais precioso para a família.
  2. D. Porque é que as famílias falham?
  3. 7. Se têm tudo para dar certo, porque é que tantas famílias falham, porque é que tantas famílias acabam? Apenas por uma razão: porque nos desligamos de Deus. Tal como um viajante pelo deserto desfalece se não encontra uma fonte, a família desmorona-se se não bebe a água pura que lhe chega da parte de Deus. Por muitas ilusões que tenhamos, é importante que percebamos que sem Deus nada somos. De resto, o Filho de Deus preveniu-nos com suma clareza: «Sem Mim, nada podeis fazer»(Jo 15, 5).

Para Jesus, é a nossa «dureza» que estraga tudo. É a nossa «dureza» que conduz à falência da família. É a «dureza» da nossa mente — e do nosso coração — que nos impede de ver a verdade da família e de cultivar a beleza da vida familiar.

 

  1. Perante as objecções dos Seus contemporâneos (cf. Mc 10, 2), Jesus remete a discussão para a fonte, para a origem, para a criação. Recorda, por isso, o proto-Evangelho da família. A família, no plano de Deus, consiste na união entre um homem e uma mulher (cf. Mc 10, 6-7). É, portanto, esta a família que Deus quer: a família entre um homem e mulher, abertos à geração de novas vidas. E se é esta a vontade de Deus, será legítimo que alguém a modifique? Jesus não deixa lugar a dúvidas: «O que Deus uniu, não o separe o homem»(Mc 10, 9).

Ficam, assim, bem vincadas as propriedades essenciais do matrimónio: unidade e indissolubilidade, com a consequente abertura à vida. Não se trata de um mero projecto ideal. Trata-se, obviamente, de um ideal — de um belíssimo ideal — que há-de tornar-se real, que há tornar-se realidade em cada dia.

 

E. Os problemas existem para serem vencidos, não para (nos) vencerem

 

9. Como tem recordado o Papa Francisco, a Igreja recebeu esta mensagem de Jesus, não se sentindo, portanto, em condições de a alterar. A Igreja é serva — não dona — da Palavra de Deus. Ela recebeu o encargo de a difundir, não de a modificar. Mas, então, e os problemas da família? Como lidar com tantos dramas, com tantas separações? Como ajudar tantas famílias que terminam e que, muitas vezes, mal chegaram a começar?

É claro que a Igreja, como não se têm cansado de repetir os seus pastores, tem de usar sempre de misericórdia. As portas da Igreja estarão sempre abertas e o coração da Igreja será um coração permanentemente sensível. Os que estão em maior dificuldade merecerão um maior acolhimento. Os que a vida mais feriu serão envolvidos por um acréscimo de compreensão, de solidariedade e de evangélica compaixão. Enfim, é preciso aproximar a mensagem das famílias. E é fundamental aproximar as famílias da mensagem.

 

  1. Não sendo ninguém excluído, também ninguém deverá ser iludido. Tal como o remédio para a doença não é a eliminação do doente, também a solução para os problemas da família não é a dissolução das famílias. O caminho só pode ser a revitalização da família e o apoio às famílias. Há muitos problemas nas famílias e há famílias com muitos problemas. Uma coisa, no entanto, é certa: os problemas existem não para nos vencerem, mas para serem vencidos por nós com a ajuda de Deus.

Queridas famílias, não comeceis a desistir e nunca desistais de começar. Queridas famílias que estais em maior dificuldade, não desistais de vós. Maridos, não desistais das vossas esposas; esposas, não desistais dos vossos maridos. Filhos, não desistais dos vossos pais. Netos, não desistais dos vossos avós. Acreditai que aquilo que nos parece sombrio em muitos fins de tarde acabará por ser novamente luminoso ao nascer de uma qualquer manhã. E nunca esqueçais que, como já dizia Sto. Agostinho, às vezes, é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa. A vossa família é muito bela. Não desperdiceis tanta beleza que Deus acendeu no vosso lar, no vosso coração, na vossa vida!

publicado por Theosfera às 15:50

A palavra faz quando a vida não desfaz.

Já dizia São Francisco: «É inútil caminhar para ir pregar, a não ser que o nosso caminhar seja a nossa pregação».

A vida é sempre mais eloquente que os lábios.

De pouco vale a loquacidade dos lábios se falhar a eloquência da vida!

publicado por Theosfera às 12:57

Obrigado, Senhor, por não nos deixares sós.

Obrigado por estares sempre connosco, sempre em nós.

 

A Tua presença é a nossa vida,

a cor dos nossos sonhos,

o horizonte do nosso olhar.

 

Tu és família,

uma família de amor formada pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo.

 

Que todas as famílias vivam esse amor.

Que o amor de todas essas famílias seja alimentado pelo Teu amor.

 

Que os problemas não vençam as famílias.

Que as famílias possam vencer os problemas.

 

Mas sem Ti nada se consegue.

ConTigo tudo se obtém,

tudo se alcança.

 

As famílias são um pequeno mundo.

Que o mundo possa ser uma grande família.

 

Que estejamos todos unidos.

Que sejamos sempre amigos.

Que sejamos sempre irmãos.

 

Que as famílias não sejam fonte de sofrimento.

Que as famílias sejam espaço de paz,

tolerância, concórdia e amor.

 

Que sejamos como as crianças:

simples, humildes e puras.

 

Que saibamos acolher as crianças,

os mais simples e os mais pequenos.

 

Que as crises nos deixem mais fortes.

Que não vacilemos no amor.

 

A eternidade é amor.

O amor é eterno.

 

Que saibamos alimentar o amor

com a Tua palavra e o Teu pão.

 

Obrigado, Senhor, por tanto.

Obrigado, Senhor, por tudo.

 

Mãe do amor formoso,

inspira os nossos corações,

lava o nosso espírito.

 

Faz projectar no mundo

a paz de Teu Filho,

a paz de JESUS!

publicado por Theosfera às 10:48

Nem sempre a dúvida desaparece no momento da decisão. Não podemos ficar à espera de que a luz brilhe na hora de escolher.

Às vezes, não poucas vezes assim, temos de optar no meio de sombras.

É difícil ver claro quando o horizonte se mostra sombrio. Mas se é preciso decidir, então decidamos.

Nem sempre é possível «deixar para trás a inquietação», como reconhece Nuno Júdice.

Mas ainda que subsista a inquietação, não podemos adiar mais a decisão! 

publicado por Theosfera às 07:57

Hoje, 04 de Outubro (27º Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Francisco de Assis, Sta. Calistena e Sto. Adaucto.

Retenhamos o conselho do «Poverello» e sejamos «simples, humildes e puros».

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 03 de Outubro de 2015

Será na solidão que venceremos a solidão?

Nem sempre é dramático estar só. Às vezes, pode ser muito belo estar só.

Estar só é o que, muitas vezes, nos permite sentir a presença d'Aquele que nunca nos deixa sós.

O paradoxo da solidão é que pode ser necessário ficar só para percebermos que nunca estamos sós!

publicado por Theosfera às 08:56

Se a violência está dentro, como não há-de estar fora?

Usam-se as armas porque se vendem armas, porque não se proíbe o comércio de armas.

O rastilho da violência é disparado a partir de um lugar: o coração do homem.

Enquanto não houver conversão por dentro, temos de temer o pior cá fora!

publicado por Theosfera às 08:34

O mais simples acaba por ser também o mais exigente.

«Sim» e «não» são, talvez, as palavras mais simples de dizer. Mas correspondem, sem dúvida, às decisões mais difíceis de tomar.

São, por isso e como já reconhecia Talleyrand, as palavras que «exigem maior reflexão».

Reflictamos, pois. Também hoje. Mas não apenas hoje!

publicado por Theosfera às 08:06

Hoje, 03 de Outubro, é dia de S. Francisco de Borja, S. Veríssimo, S. Máximo, Sta. Júlia, Sto. Evaldo e Sto. Evaldo (irmãos) e S. Columba Marmion.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 02 de Outubro de 2015

Nem sempre é possível agradar. Mesmo quando se quer, há momentos em que não se consegue.

Será possível falar agradavelmente do que é desagradável?

Há quem fique desagradado até diante de uma atitude agradável.

Voltaire notava que «nem sempre podemos agradar, mas podemos falar sempre agradavelmente».

Só que podemos ter de falar agradavelmente de temas que alguns poderão considerar pouco agradáveis. Mas esses podem ser os mais importantes, os mais necessários.

Fundamental é que a nossa preocupação seja fazer o que se deve.

Quem faz o que deve nem sempre agrada. Mas nunca deixa de ajudar!

publicado por Theosfera às 09:54

Hoje, 02 de Outubro, é dia dos Stos. Anjos da Guarda, S. Tomás de Bereford e Sto. António Chevrier. Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:33

Quinta-feira, 01 de Outubro de 2015

Há quem descubra facilmente o certo e o errado, mas nada diga e nada faça.

Só que a justiça não está em ver; está em agir.

Como reconheceu Theodore Roosevelt, «a justiça não consiste em ser neutro entre o certo e o errado, mas em descobrir o certo e sustentá-lo contra o errado».

Não penso na política, onde o certo e o errado estarão generosamente distribuídos por todos os quadrantes em doses equânimes.

Penso sobretudo na vida, onde a injustiça se passeia à nossa frente. E nós?

publicado por Theosfera às 10:15

Fazer previsões é uma tarefa delicada.

Basicamente, consiste em extrapolar para a totalidade o que se vê numa das suas parcelas.

Umas vezes, vê-se bem. Outras vezes, nem por isso.

É por isso que, muitas vezes, quem faz previsões é alguém que nos vai dizer amanhã porque é que aquilo que previu ontem não aconteceu hoje.

Mais do que prever o importante é agir.

Ajudar a acontecer é o melhor contributo para que possa...acontecer!

publicado por Theosfera às 09:45

Hoje, 01 de Outubro, é dia de Sta. Teresa do Menino Jesus e da Santa Face e S. Bavão.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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