Coisa habitual: a família é o lugar do amor.
Coisa, infelizmente, cada vez mais frequente: a família está também a ser um lugar de ódio.
A realidade é o que é: metade dos homicídios que se cometem no nosso país ocorre dentro da família.
Meditemos!
Coisa habitual: a família é o lugar do amor.
Coisa, infelizmente, cada vez mais frequente: a família está também a ser um lugar de ódio.
A realidade é o que é: metade dos homicídios que se cometem no nosso país ocorre dentro da família.
Meditemos!
O sonho não se alimenta apenas do que temos. Alimenta-se também do que não temos e até do que jamais viremos a ter.
Era por isso que Sebastião da Gama achava que devemos ir pelo sonho.
Para o sonho, «basta a esperança naquilo que talvez não teremos».
Mas, mesmo que não tenhamos na realidade, vamos tendo no sonho!
Se isto, que se passa entre nós, é uma crise, o que será a situação que ocorre nas águas do mar Egeu?
Dezasseis crianças morreram! E nós?
Hoje, 31 de Outubro, é dia de Sto. Afonso Rodrigues, Sto. Ângelo de Acri, S. Quintino (invocado contra a tosse), S. Wolfang e Sta. Joana Delanoue.
Um santo e abençoado dia para todos!
Com requintes de provocação, mas com muitas doses de pertinência, eis o que dizia Lewis: «Se está à procura de uma religião que o deixe confortável, definitivamente eu não lhe aconselharia o Cristianismo».
É bom que o percebamos. Cristo não veio aquietar, mas inquietar.
Ele é a paz, a paz da permanente inquietação.
Só os que ousam repousam. Só os que ousam repousam na paz!
Uma vez mais, na minha terra natal. Uma vez mais, no cemitério de Nossa Senhora da Guia.
Não foi certamente por acaso — nada é por acaso — que aqui foi construído o cemitério.
Foi seguramente porque entenderam que não haveria melhor lugar para eternamente repousar do que a presença da nossa querida Mãe.
A este propósito, será bom recordar que, etimologicamente, cemitério não o «lugar onde se morre», mas o «lugar onde se dorme».
É, pois, ao lado da Mãe que muitos dos Seus filhos dormem, afagados pela Mãe, embalados pela Mãe.
E é assim que a nossa dor e a nossa imensa saudade ficam um pouco mais aliviadas.
Sabemos que os nossos pais, os nossos familiares, os nossos vizinhos e os nossos amigos estão bem entregues: estão entregues ao cuidado da nossa querida e amada Mãe!
Tempos novos são tempos diferentes. Serão tempos melhores?
O povo sofrido vive na esperança e vai sobrevivendo em (prolongada) espera!
1. Diz um preclaro comentador que o centro desapareceu da cena política.
Segundo ele, a bissectriz diferenciadora estabelece-se crescentemente entre direita e esquerda.
2. Não sei.
O que sei é que, em relação à política, as pessoas parecem estar cada vez mais no meio.
3. Daí que o voto tenda a ser cada vez mais volátil de eleição para eleição.
O critério ideológico está diluído. Ou seja, há pessoas que variam entre partidos não só dentro da mesma área ideológica, mas também entre partidos de áreas ideológicas diferentes.
4. Era importante que se percebesse isto.
As pessoas optam em função de critérios de pendor sobretudo pragmático.
5. Perante a ausência de propostas ideologicamente vincadas, decidem com o propósito de que a sua vida seja melhorada. Ou com o desejo de que, pelo menos, não se complique ainda mais.
6. É por isso que o voto revela sobretudo dois estados de espírito.
As pessoas, quando votam, umas vezes escolhem, outra vezes protestam!
A fé tudo consegue, o amor tudo alcança.
Daí a pergunta pertinente de Balduíno de Cantuária, no século XII: «Que há de impossível para quem crê? E que há de difícil para quem ama?»
Usemos sempre a fé, calibrada pela infindável energia do amor!
Hoje, 30 de Outubro, é dia de S. Marcelo, S. Cláudio, Sta. Doroteia Swartz e S. Domingos Collins.
Um santo e abençoado dia para todos!
1. Neste dia 30 de Outubro, faz 243 anos que Nossa Senhora dos Remédios foi «usada» como grande «trunfo» para defender a continuidade da Diocese de Lamego, ameaçada de extinção.
2. Com efeito, a 12 de Novembro de 1869, saiu um decreto que suprimia algumas dioceses, entre as quais figurava Lamego.
O Bispo da altura, D. António da Trindade, que participou no Concílio Vaticano I, protestou logo «contra semelhante atentado».
3. A 30 de Outubro de 1872, fez uma exposição ao governo em prol da manutenção da Diocese.
Entre os argumentos a que recorreu, apontou «o majestoso templo da Senhora dos Remédios», muito frequentado por fiéis que, «da cidade e de longínquas terras, vêm prestar culto à Virgem perante a Sua formosa imagem trazida de Roma».
4. O certo é que a argumentação foi convincente e, ao contrário do que sucedeu com outras, a Diocese de Lamego manteve-se.
5. O facto foi festivamente assinalado na cidade.
Em 1881, o município promoveu um solene «Te Deum» e criou o «Dia de Gala» da Diocese.
6. Reconhecido pelo empenho do Prelado, a Câmara atribuiu o título de «cidadão benemérito» a D. António da Trindade!
Neste estendal de dias mundiais, chegou a vez do AVC.
Hoje, 29 de Outubro, assinala-se o Dia Mundial do AVC (Acidente Vascular Cerebral).
O objectivo é chamar a atenção para os perigos dos acidentes vasculares cerebrais e divulgar informações importantes como reconhecer um AVC.
Refira-se que o AVC é a principal causa de morte e de incapacidade em Portugal.
As regiões do interior são as mais afectadas, devido à falta ou atraso de assistência médica!
Hoje, 29 de Outubro, é dia de S. Narciso, Sta. Ermelinda e S. Miguel Rua.
Um santo e abençoado dia para todos!
Hoje, 28 de Outubro, é dia de S. Simão, S. Judas e S. Malchion.
Um santo e abençoado dia para todos!
Há um país que escolheu um humorista para presidente.
Faz sentido.
Já que uns não conseguem dispor bem as coisas, que venham outros dispor bem as pessoas.
Se as coisas nem sempre são bem dispostas, que, ao menos, as pessoas não continuem tão mal...dispostas!
É o tabaco, são as radiações, é a exposição ao sol, é a carne processada.
Toda a gente sabe que tudo isto pode provocar cancro. Não é preciso criar ondas de alarme.
É que, por este andar, ainda alguém acaba por dizer que a vida é, ela própria uma doença mortal.
Sim, porque se não vivêssemos, não morreríamos.
A morte vem sempre mais cedo do que pensamos e chega sempre mais depressa do que desejamos.
Há que tomar cautelas, sem dúvida. Mas sem criar um clima de ansiedade e perturbação!
Como dizer aquilo que não se diz? E, apesar disso, tanto se diz sobre a morte, tanto se escreve sobre a morte.
Nada é mais contrário à vida do que a morte. E, não obstante, nada está tão perto da vida como a morte. Ela entra em nossa casa, senta-se à nossa beira, caminha ao nosso lado até que, um dia, nos abocanha e nos leva com ela.
Benjamin Franklin observou, com evidente sarcasmo, que só temos duas coisas certas: a morte e os impostos.
Somos capazes de a vencer muitas vezes. Mas, quando ela vence, basta-lhe vencer uma vez. É uma vitória sem remissão, é um triunfo que não admite desforra.
Até Jesus chorou quando morreu (cf. Heb 5, 7). Até Jesus chorou quando soube da morte dos Seus amigos (cf. Jo 11, 35-36).
O nosso lugar na morte devia ser o silêncio. Acerca da morte, as palavras morrem nos lábios e os pensamentos como que secam na mente.
São tempos em que as lágrimas descem à terra: à terra onde repousam muitos que conhecemos, à terra onde jazem tantos que nunca deixamos de lembrar e amar.
É no cemitério que os vivos se encontram por causa dos mortos.
Sentimos que onde os mortos já estão nós, um dia, também estaremos.
E os mortos continuam a ficar no tempo com os que ainda vivem.
Que encontramos na história? A verdade ou a fuga à verdade?
Jean Cocteau pôs o dedo numa grande ferida: «a história é a verdade que se deforma, a lenda é a falsidade que se encarna».
Não devia ser, mas muitas vezes é.
Só que, regra geral, é muito tarde que se descobre a deformação da verdade e a «encarnação» da falsidade.
Por isso, façamos tudo para que a verdade se forme e para que nunca mais se deforme!
A actual situação do país levou muitos de nós a olhar para um texto praticamente desconhecido de muitos: a Constituição.
É ela a lei fundamental.
Compreende-se que, pela sua natureza, seja um texto complexo. Mas esperava-se que, pela sua importância, fosse também um texto minimamente claro.
É, de facto, espantoso que o mesmo texto dê para fundamentar as posições mais opostas.
E, o que é ainda mais assombroso, todas elas parecem ter fundamento!
Não basta demonstrar o erro. Acima de tudo, é fundamental mostrar a verdade.
John Locke assim pensava, assim sentia: «Uma coisa é mostrar a um homem que ele está errado e outra coisa é instruí-lo com a verdade».
É certo que há muitos que fogem da verdade. Mas é importante que não contribuamos para que a verdade fuja deles!
Hoje, 27 de Outubro, é dia de Nossa Senhora das Vitórias, S. Gonçalo de Lagos, S, Vicente, Sta. Sabina e Sta. Cristeta.
Um santo e abençoado dia para todos!
O saber vem pelo conhecer. Mas o saber é mais que conhecer.
A sabedoria requer sempre uma harmonia. Só que, habitualmente, não conseguimos ligar os saberes entre si nem ligar os saberes à vida.
Assim sendo, será possível haver sabedoria?
1. Nada pior para um doente do que não reconhecer que está doente.
Não menos danoso, entretanto, é quando a identificação da doença é imprecisa e o diagnóstico da enfermidade se revela superficial.
2. Toda a gente fala da crise. Mas quem se dispõe a ir à fundura da sua raiz? A crise económica e a crise política são, sem dúvida, um forte sintoma, mas não constituem a origem dos nossos males.
A prova é que a economia e a política, apesar de repetidos esforços, não têm sido capazes de vencer os nossos problemas. Parecem cercadas por uma atadura labiríntica que não (nos) deixa entrever uma luz.
3. Vivemos em crise, sim. Não só agora, mas também — e sobretudo — agora. Só que esta é uma entranhada crise social, cívica, civilizacional.
Como alertou o Papa Francisco, estamos a passar por uma aguda «crise de verdade». Não faltam sucessivos — e preocupantes — afloramentos desta crise. Mas será que estamos atentos? Ou não será que, à força do hábito, a indiferença já nem nos leva a reagir?
4. Anunciar uma decisão como irreversível tenderá a ser visto como jogada de mestre e como cartada forte.
O efeito pretendido será que outros cedam. Que a posição se consolide e o poder se reforce. Como corolário, será invocado o interesse comum quando aquilo que avulta é o reforço do interesse pessoal.
5. E quando o interesse pessoal é salvaguardado, até a decisão irreversível é rapidamente revertida.
Tudo se altera — até a palavra dada — para que o interesse se mantenha. Só o interesse é irreversível.
6. Que confiança poderá haver num cenário destes? Que crédito poderá ser reconhecido a pessoas que actuem assim?
É por isso que, como acentua o Papa, a resposta à crise de verdade não está só na competência nem no conhecimento. A superação da crise de verdade terá de passar também — e bastante — pela fé.
7. A fé é o terreno da confiança e o território da credibilidade.
A ligação entre a fé e a verdade é, por isso e como lembra o Santo Padre, «mais necessária do que nunca».
8. A fé não transporta uma verdade parcial, ditada pela técnica e imposta pelo interesse.
A fé transporta uma «verdade grande», a única «que ilumina o conjunto da vida pessoal e social».
9. Trata-se de uma verdade que coloca a dignidade da pessoa no centro, não o lucro. É uma verdade captada (mas não capturada) pela razão e emoldurada pelo amor.
É uma verdade que só se conhece quando se escuta e quando se vê. É uma verdade que corre no entendimento, mas que escorre pelo coração. É uma verdade que nos humaniza e fraterniza!
Um precioso conselho para quem tem a mais preciosa das tarefas: educar.
Dizia C. S. Lewis: «A tarefa do educador moderno não é derrubar florestas, mas irrigar desertos».
Sem dúvida.
Os desertos que crescem na alma humana anelam por ser irrigados.
Até ao fim!
Era bom que a classe política percebesse, de uma vez para sempre, que é representante do povo e não proprietária do povo.
É claro que toda a gente sabe isto. Só que, às vezes, não parece.
Os políticos são escolhidos para representar o povo. Mas, por vezes, fica a impressão de que se comportam como donos do povo.
Alexis de Tocqueville já deixou o alerta: «Os políticos são representantes do povo soberano e não representantes soberanos do povo».
Uma pequena diferença que faz toda a diferença!
Afinal, o que é que nos move?
A necessidade? A ambição?
Maquiavel não encontrava outras motivações: «Os homens, quando não são forçados a lutar por necessidade, lutam por ambição».
Esperemos que aprendam a lutar também (e sobretudo) por convicção, por compaixão, por solidariedade.
Quando perceberemos que só somos ajudando outros a ser?
Após uma semana em que imperou a crispação, esperemos que nesta semana predomine a moderação.
Todos os pontos de vista são óbvios para quem os defende, mas parece que não são tão óbvios para quem os escuta.
Era bom, por isso, que se passasse à fase do entendimento.
É fundamental que os políticos entendam e se entendam: que entendam a difícil situação do país e que se entendam para ultrapassar esta situação difícil do país.
Tal entendimento parece estar a funcionar à direita e, agora, também à esquerda.
Porque é que não se aposta num entendimento entre a direita e esquerda?
Mais do que uma coligação entre partidos, o país talvez necessite de uma aliança entre todos os quadrantes políticos.
Um governo «bi-polar» terá de ser uma miragem?
Não esgotemos as possibilidades antes de meditarmos nelas.
Portugal precisa de todos!
Hoje, 26 de Outubro, é dia de Sto. Evaristo e S. Boaventura de Potenza.
Um santo e abençoado dia para todos!
Precisamos de ver
e só Tu és a luz.
Precisamos de ver
por fora e por dentro.
Precisamos de ver a vida,
o passado, o presente e o futuro.
A fé salvou o cego.
A fé salva-nos a nós,
tantas vezes cegados pela mentira, pela insinuação e pela inveja.
A fé salva na esperança e no amor.
A fé é luz que ilumina e brilha.
A fé é luz que liberta e redime.
Hoje também,
Tu, Senhor, continuas a chamar,
a chamar por nós nesta situação difícil.
Ouve, Senhor,
o clamor dos pobres, dos aflitos e dos famintos.
Ouve, Senhor,
o grito dos sem-abrigo e dos sem-amor.
Ouve, Senhor,
a súplica dos desempregados e dos que têm salários em atraso.
Ouve, Senhor,
o pedido dos que querem dar pão aos seus filhos e não têm conseguem encontrar esse pão.
As prateleiras até estão cheias,
mas há corações que permanecem vazios.
Mas Tu, Senhor, fazes maravilhas.
Tu, Senhor, és a constante maravilha.
Por isso continuamos a soltar brados de alegria.
Apesar da crise,
apesar do sufuco e da tempestade,
nós sabemos que, neste tempo de fome,
nós dás o alimento.
Tu, Senhor, és o alimento,
o pão da Palavra e o pão da vida.
Vem connosco saciar a fome deste mundo:
a fome de pão,
a fome de justiça
e a fome de paz.
Há nuvens por debaixo do sol.
Mas há sol por cima das nuvens.
Obrigado, Senhor, por este pão.
Que ele chegue a todas as casas.
Que ele entre em todos os corações.
Obrigado, Senhor, pelos sonhos.
Um dia, as lágrimas hão-de regar as avenidas da vida.
E o sonho de um mundo melhor há-de sorrir para todos.
Tu, Senhor, és esse sonho,
um sonho que se realiza em cada instante.
O sonho és Tu,
JESUS!
A. Não basta ter olhos para ver
De facto, não basta ter olhos para ver até porque nem todos os olhos permitem ver. Nem todos os olhos permitem ver bem. Os olhos deste cego estavam fechados. Mas, muitas vezes, os nossos olhos podem permanecer tapados mesmo quando estão abertos. A cegueira não está só na impossibilidade. Pode estar também na ilusão.
Há muita cegueira quando nos recusamos a descer até à profundidade. Há muita cegueira quando não aterramos no que se mantém escondido. Ou, melhor, não é tanto a realidade que se esconde de nós; nós é que, muitas vezes, nos escondemos da realidade.
B. Também na fé precisamos de óculos
3. Não é por falta de aviso, porém, que nos comportamos assim. Antoine de Saint-Exupéry deixou o alerta quando afirmou que «o essencial é invisível aos olhos». O que ele queria dizer é que o mais importante da vida não se capta com estes olhos, com os olhos que temos na cabeça. O mesmo Saint-Exupéry assinalou que «só se vê bem com o coração». Ou seja, não se vê bem apenas por fora. Só se vê bem por dentro. Só se vê bem quando conseguimos chegar dentro e aterrar na profundidade.
É por isso que, como muito bem percebeu o Papa Bento XVI, «o programa do cristão é o coração que vê». Só o coração vê onde «há necessidade de amor». E só o coração «actua em consequência».
A fé oferece-nos, pois, aqueles «óculos» que podemos colocar por cima dos nossos olhos. É pelos «ocula fidei» (óculos da fé) que conseguimos ver o invisível. Por conseguinte, Deus deixou-nos uns óculos para podermos ver, para O podermos ver: os «óculos da fé». Quem quiser pode usá-los.
C. Fora de Jesus não há luz
5. Não olhemos apenas com os olhos. Procuremos ver com os olhos do coração, com os olhos da alma. Procuremos ver com os olhos de Deus. Só na Sua luz vemos a luz (cf. Sal 36, 10). Só na Sua luz encontramos luz. Deus é uma luz que o Seu Filho Jesus acende em nós. É por isso que o Concílio Vaticano II proclama que «Cristo, o Verbo Encarnado, revela o homem ao homem». Isto significa que, para sabermos quem somos, temos e procurar a luz de Cristo. Só Ele desvela o que, fora d’Ele, está velado. Aliás, o próprio Jesus Cristo teve o cuidado de nos esclarecer ao dizer que Ele é a luz do mundo (cf. Jo 8, 12).
Que fique, portanto, bem claro. Fora de Jesus, não há luz. Fora da Sua verdade é só obscuridade. Esta luz nunca se apaga. Pelo contrário, esta é uma luz que se apega. Não admira, por conseguinte, que Jesus queira que todos nós, Seus discípulos, também sejamos luz. «Vós sois a luz do mundo»(Mt 5, 14) — eis o que Ele nos diz no Sermão da Montanha. Com efeito, na terra nós somos a luz acendida por Jesus. Nós somos a luz que traz a luz de Jesus, a luz que é Jesus. A fé, como aprendemos logo no Baptismo, é um mistério de luz, um mistério de iluminação.
Ao falar dela mesma no Concílio Vaticano II, a Igreja não diz que é luz. A luz dos povos («lumen gentium») não é a Igreja; a luz dos povos é Cristo, presente na Sua Igreja para chegar a toda a humanidade.
D. Não tenhamos medo de gritar
7. Temos, portanto, que perceber que, por nós, não conseguimos nada. Sem Jesus, nada conseguiremos fazer (cf. Jo 15, 5) e nada conseguiremos ver. Sem Jesus, é só escuridão. Temos de fazer como este homem. Temos de ir ao encontro de Jesus.
Não tenhamos receio de chamar por Ele. Não tenhamos medo até de gritar por Ele. Ainda que muitos nos tentem calar, como tentaram calar o cego (cf. Mc 10, 47), gritemos por Jesus e nunca cessemos de gritar Jesus. Evangelizar também é gritar. Evangelizar é gritar Jesus. É que, se neste mundo há muita cegueira, também há nela uma persistente surdez. Não hesitemos, pois, em gritar. Gritemos Jesus com a voz. Gritemos Jesus com a alma. Gritemos Jesus com o testemunho de vida.
Este homem percebeu que, para continuar a ver, tinha de seguir Jesus. Nunca mais poderia largá-Lo. Nunca mais poderia afastar-se d’Ele. Jesus deu-lhe a luz. Jesus é a luz.
E. O caminho de Jesus é um caminho de luz
9. Aquele homem encontrou Jesus no caminho (cf. Mc 10, 46) e começou a seguir Jesus pelo caminho (cf. Mc 10, 52). É no caminho que se dá o encontro, é no caminho que se dá a mudança. Os caminhos de Jesus são os nossos caminhos para que os nossos caminhos sejam os caminhos de Jesus. Não foi Jesus quem (também) Se apresentou como o caminho (cf. Jo 14, 6)?
Não desanimemos. Enchamo-nos de coragem e levantemo-nos porque Jesus também chama por nós, também vem ao nosso encontro (cf. Mc 10, 49). Levemos esta palavra de ânimo a tantos que permanecem caídos. Deixemos que a Sua luz brilhe em todas as vidas.
Notemos que Jesus, aparentemente, não faz o que o cego pede. O cego pede «que eu veja»(Mc 10, 51) e Jesus responde «vai»(Mc 10, 52). Isto significa que a luz está em seguir Jesus. A luz está no caminho de Jesus. O caminho de Jesus é, pois, um caminho de luz. Para todos. Para nós também!
Ocupamos o tempo a proclamar a nossa independência e passamos a vida a reconhecer a nossa (estrutural) dependência.
Haverá alguém que não queira ser independente? E, no entanto, haverá alguém que não reconheça que é dependente?
Paul Verlaine sintetizou: «A independência foi sempre o meu desejo, mas a dependência foi sempre o meu destino».
O importante é que ninguém se sinta ferido nem subjugado!
Hoje, 25 de Outubro (30º Domingo do Tempo Comum), é dia de S. Crispim, S. Crispiniano, S. Crisanto, Sta. Daria, S. João Stone e Sta. Maria Jesus Masiá Ferragut.
Um santo e abençoado dia para todos!
Os relógios vão atrasar. Mas o tempo não vai parar.
Atrasemos, pois, os relógios. Mas não nos atrasemos na vida!
Hoje, 24 de Outubro, é dia de Sto. António Maria Claret, S. Proclo, S. José Baldo e S. Luís Guanella.
Um santo e abençoado dia para todos!
Tenho pensado muito nesta afirmação: «A morte de uma organização acontece quando os de baixo já não querem e os de cima já não podem».
Mas o que sentimos é que, muitas vezes, os de baixo não podem, embora queiram. E os de cima não querem, embora possam.
Seria bom que os de cima quisessem não complicar mais o que já é demasiado complicado!
James Lowell deixou o alerta: «Um espinho de experiência vale toda a selva de avisos».
É pena quando falta maturidade para passarmos das palavras alteradas aos actos positivos!
1. Uma mesma frase pode ter mais do que uma interpretação.
O artigo 187 da Constituição diz que «o Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais».
2. A discussão centra-se no sentido que deve ser dado a «tendo em conta os resultados eleitorais».
Quem conclui que o primeiro-ministro deve ser a pessoa indicada por quem ficou em primeiro lugar nas eleições sente que está certo.
Mas quem deduz que o primeiro-ministro deve ser a pessoa indicada pela maioria gerada pelas mesmas eleições também sente que não está errado.
3. Nenhuma dificuldade existe quando o vencedor é apoiado por uma maioria de deputados.
O problema é quando a força mais votada não detém maioria.
4. Nesse caso, a quem entregar a governação?
Quando uma maioria de oposição não actua em bloco, acaba por haver sempre quem (geralmente pela abstenção) viabilize o governo. E se a maioria rejeitar o governo?
5. Olhemos para o que se está a passar entre nós.
O Presidente interpreta a Constituição de uma maneira e a maioria do Parlamento parece interpretar a mesma Constituição de outra maneira.
6. Assim sendo, o governo indicado pelo Presidente arrisca-se a não ser aprovado pela maioria do Parlamento.
E um governo apoiado pela maioria do Parlamento arrisca-se a não ser aprovado pelo Presidente.
7. Como sair deste impasse?
Ainda acredito que o bom senso impere e que o bem do país desbloqueie o que, a esta hora, ameaça permanecer bloqueado.
8. Pelo tom dos discursos, não é de crer que haja grandes aproximações.
Cada um deve assumir a sua responsabilidade perante o povo. Mas receio que o «preço» de tudo isto venha a ser pago pelo mesmo povo.
9. O povo escolheu os seus representantes também para que eles dialoguem entre si.
E se experimentassem indicar um primeiro-ministro que pudesse ser aceite por todas as forças do Parlamento?
10. Lembrei-me, por exemplo, do Dr. Guilherme de Oliveira Martins.
É sério e tem boa aceitação em campos diferentes do espectro partidário.
11. É só uma sugestão, que sei antecipadamente não ter qualquer acolhimento.
Limito-me, por isso, a pedir que não prolonguem mais esta indefinição. Alguém sairá vencedor disto se o país vier a perder com tudo isto?
Talvez fosse útil voltar a reler Max Weber.
A «ética da convicção» é fundamental. Mas a «ética da responsabilidade» pode ser decisiva.
As duas não são incompatíveis. O bem comum clama por todos!
Hoje, 23 de Outubro, é dia de S. João de Capistrano, S. Servando, S. Germano e Sto. Arnulfo Reche.
Um santo e abençoado dia para todos!
Na conjuntura que estamos a viver, há argumentos consistentes de parte a parte.
Sendo argumentos tão diferentes (e, algumas vezes, opostos), reconheço que fazem sentido e têm legitimidade. O problema é que não se cruzam, desaguando num impasse.
Não será possível dar um passo em frente? Ou seja, além de insistir na razão de cada um, não será possível estar aberto às razões dos outros?
Em síntese, não será possível fundir em vez de continuar a confundir?
A experiência diz que o diálogo funde, enquanto o impasse só confunde.
Não terá chegado a hora de tentar alguma fusão? Já basta de com...fusão!
Já que há dias mundiais para tudo, tinha de haver um dia também para os gagos.
Esse dia chegou. Hoje é o Dia Internacional de Consciencialização para a Gaguez.
Em Portugal, parece que somos 100 mil os gagos. Pela minha modesta parte, não tenho orgulho, mas também não me sinto diminuído por ser gago.
Ser gago deixou de ser um problema. É uma identidade: é uma maneira de ser.
Foi assim, «gagamente», que me habituei a ser. E, graças a Deus, não me tenho sentido mal!
Deste respeito não hão-de fica fora o espaço sagrado e os actos sagrados. Nem será preciso invocar normas. Bastará seguir o bom senso.
Daí que o ambiente no espaço sagrado deva primar pelo silêncio.
É por isso que se pede que, antes das celebrações e como forma de ambientação, haja silêncio na igreja, na sacristia e até à volta do templo.
A vontade de conversar sobrepõe-se ao direito de meditar. Parece que se pode falar com todos menos com Deus. Parece que se ouve toda a gente, menos a voz de Deus.
Isto colide frontalmente com a natureza do lugar e das celebrações que nele decorrem.
Se intervém, arrisca-se a ser incompreendido e até maltratado. Se não intervém, acaba por consentir o que não pode aprovar. Ou seja, é uma situação sempre delicada.
Já se agenda quase todo o tipo de actividades para as igrejas.
Aliás, quem é apontado como estando errado acaba por ser quem tenta corrigir o erro.
Só que é complicado gerir as situações concretas e os factos que muitos dão como consumados.
Para glória de Deus. E bem-estar de todos!
Dói muito partir e ver partir. Mas conforta ainda mais chegar e ver chegar.
Charles Dickens até achava que «a dor de partir não é nada em comparação com a alegria do reencontro».
Há certos desencontros que tornam ainda mais saborosos os reencontros!
Em todos os campos da vida, este parece ser o tempo dos ambiciosos.
Gostava que esta fosse sobretudo a hora dos lúcidos.
Só que, pelo que mostra a experiência, raramente a ambição e a lucidez coexistem nos mesmos espíritos.
Os caminhos da lucidez parecem tapados A ambição costuma cegar. E não gosta de dar tréguas!
Todos temos uma missão na vida. Mas nem sempre somos nós que a escolhemos.
Já na antiguidade, Epicteto notara: «A tua tarefa é a de representares correctamente a personagem que te foi confiada; quanto a escolhê-la, depende de outro».
Afinal, nem só os toxicodependentes são dependentes. Dependentes somos todos. E já é bom quando nos apercebemos dessa dependência estrutural.
Há, porém, uma dependência que não oprime: a dependência de Deus.
A dependência de Deus é sempre libertadora. E sumamente felicitante!
Nem sempre as comparações funcionam.
Como alertou Santo Hilário de Poitiers, em cada comparação há uma semelhança e uma dissemelhança.
E pensemos no que Jean Cocteau nos ensina: «Uma garrafa meio vazia é também uma garrafa meio cheia, mas uma meia mentira nunca será uma meia verdade».
Meia mentira continua a ser mentira. A verdade nunca inclui a mentira.
O importante é que, ao darmos conta da mentira (na totalidade ou na parcialidade), nos disponhamos a aderir à verdade.
A verdade pode doer algum tempo. Mas a mentira dói sempre, por todo o tempo!
Hoje, 22 de Outubro, é dia de Sta. Josefina Léroux e suas Companheiras mártires, Sto. Abércio, Sta. Salomé, Sta. Nunilona e Sta. Alódia, S. Tiago Giaccardi e S. João Paulo II.
Um santo e abençoado dia para todos!
Hoje, 21 de Outubro, é dia de Sto. Hilarião, Sta. Úrsula e S. Gaspar del Búfalo.
Um santo e abençoado dia para todos!
O serviço e o poder têm uma lógica contraditória.
A lógica do serviço aproxima, a lógica do poder afasta.
Acresce que, como reparou Luigi Einaudi, «onde existem muitos para comandar, nasce a confusão».
Experimentemos mudar o «chip». Se todos estiverem dispostos a servir, tudo ficará mais claro.
O serviço ilumina, o poder elimina. E, não raramente, costuma cegar!
1. Mais um dia em que, pelos vistos, politicar se vai tornar sinónimo de complicar.
2. É verdade que não há nenhuma solução inteiramente óbvia. Há várias opções legítimas e diversos caminhos possíveis.
3. O que preocupa o cidadão é assistir a um debate crispado, em que as prioridades parecem invertidas.
Dá a impressão de que os interesses parciais estão a sobrepor-se ao interesse geral.
4. Os argumentos de parte a parte até são consistentes.
Mas dificilmente ocultarão a prioridade comum: chegar ao poder.
5. Será que a situação do país não merece um sacrifício adicional?
Se o povo é sacrificado, não o poderiam ser também os representantes do povo?
6. Porque é que não se entendem? Os programas são diferentes. Mas não poderão ser cruzados? ~
Afinal de contas, o programa que (mais) conta é a vontade dos nossos credores.
7. A bipolarização é, sem dúvida, clarificadora, mas a cooperação não será mais benéfica?
Dizem que o lugar da disputa política é o Parlamento. Mas não poderá ser também o Governo?
8. E, depois, uma coligação tem de ser mesmo entre partidos da mesma área política?
Não ocorrerá a ninguém que a situação do país talvez esteja a requerer uma coligação que envolva partidos de áreas políticas diferentes?
9. Tem sido invocado o que se passa noutros países.
Mas seria bom que se pensasse concretamente na Alemanha, onde existe uma coligação entre forças de áreas políticas diferentes. Creio que a actual cooperação não põe em causa a alternância que existe entre elas.
10. O ideal seria uma coligação entre todas as forças políticas. E, atenção, quando se fala em Parlamento, pensa-se em partidos. Mas o povo elegeu deputados, 230 deputados.
11. O futuro não pode ser decidido pelas direcções dos partidos.
É importante que cada deputado, no seu terreno, ausculte as populações e confira o que elas pensam acerca do que está a acontecer.
12. Os representantes devem, acima de tudo, ser a voz dos representados.
Apesar de tudo, ainda acredito no bom senso e na moderação!
Hoje, 20 de Outubro, é dia de S. Maria Bertila Boscardin, S. Contardo Ferrini, Sta. Iria, S. Caprásio e Sta. Madadelena de Nagasaky.
Um santo e abençoado dia para todos!
Dizia Voltaire que «as verdades são frutos que apenas devemos colher quando estão bem maduros».
Mas pergunto: será que, alguma vez, a verdade não estará madura?
E respondo: a verdade está sempre madura. Nós é que nem sempre estamos amadurecidos para a verdade.
Mas essa é uma lacuna que, a cada momento, podemos corrigir!
Hoje, 19 de Outubro, é dia de S. João Brebeuf, Sto. Isaac Jogues, S. Pedro de Alcântara e S. Paulo da Cruz.
Um santo e abençoado dia para todos!
Tu sabes tanto.
Tu sabes tudo, Senhor.
Mas não sabes conjugar o verbo «mandar».
Tudo só sabes conjugar o verbo «servir».
Tu ficaste triste e desapontado
quando os Teus discípulos se mostravam preocupados pelo poder,
pela ambição de mandar,
pelo desejo de possuir.
O Teu Reino, Senhor, não é de poder,
é de amor, esperança e paz.
Nestes tempos convulsos e incertos,
Tu és a bússola e o sentido,
o horizonte e a paz,
Obrigado, Senhor,
por estares sempre connosco
e por nos ensinares a servir.
Ajuda-nos a constituir uma Igreja do serviço,
da ajuda e da solidariedade.
Ajuda-nos a crescer na disponibilidade
e na mansidão.
Tu estás no meio de nós como quem serve.
Tu não vens para ser servido, mas para servir
e dar a vida por todos.
Que nós aprendamos conTigo.
Que nós queiramos servir.
Tu experimentaste a dor
e toda a espécie de provações.
Tu és, pois, o nosso Cireneu,
aquele que condivide a nossa Cruz.
Obrigado, Senhor, pela Tua bondade,
pelo Teu infinito amor
e pela Tua intensa paz.
Que tudo em nós faça ressoar
a beleza da vida que vem de Ti,
JESUS!
A. A fé mexe com tudo, até com o bolso
A fé é, por natureza, invasiva e incendiária. Ela pretende invadir todas as dimensões do nosso ser e incendiar todos os momentos da nossa vida. A fé não admite poupanças. A fé implica gastos. A fé exige que nos gastemos até ao último dia, até à derradeira gota do nosso suor.
A missão é para todos: para todas as pessoas, para todos os lugares e para todos os momentos. A missão não é só para os missionários até porque missionários temos de ser todos, em toda a parte. Quem não faz missão será cristão? Não. Quem não faz missão não é cristão.
B. Há que criar uma «cultura de missão», não de demissão
3. Hoje é, por isso, (mais) uma oportunidade para tomarmos consciência do que somos. Hoje é, por isso, (mais) uma oportunidade para percebermos que ser cristão é ser missionário. Neste sentido, há que compreender que a oração tem de desaguar na acção. E, concretamente, há que ter presente que a Missa é o começo — e o alimento — da Missão.
Qual é o campo da missão? É o campo da nossa vida. Onde está o cristão, aí tem de estar o missionário. Em casa e na rua, no trabalho e no lazer, nada pode ficar à margem da missão. Quem nega que é preciso levar o Evangelho às famílias, ao trabalho, à política, à cultura e ao desporto? A resposta pode não vir de todos, mas a proposta não pode deixar de chegar a todos.
Até sabemos o que deve ser feito, mas facilmente nos tranquilizamos sob o pretexto de que não é para nós, de que não temos tempo ou capacidade. Sobretudo quando se trata de uma missão mais delicada, em que o anúncio pode incomodar ou até ferir, multiplicam-se as escusas e os recuos. De facto, há quem saiba o que outros devem fazer, esquecendo que o importante é que cada um faça o que deve não se recusando a fazer o que pode. Em tudo — e sempre —, a missão, não a demissão! Jesus quer que sejamos missionários, não demissionários!
C. Até as redes sociais podem ser (fecundas) redes missionárias
5. Não nos esqueçamos de uma coisa: onde abundam as adversidades, aumentam também as possibilidades. Vamos deixar de fazer missão só porque o ambiente é adverso? É preciso estar onde as pessoas estão. E se há problemas, também há-de haver uma forma de lidar com os problemas.
É sabido que, hoje em dia — e em noite! —, as pessoas estão nas redes sociais. Será legítimo subestimar ou abandonar este novo mundo, ainda por cima tão densamente povoado? Tanta gente que por ali passa! Como não apresentar aí o Deus que nos enlaça, o Deus que sempre nos abraça? Estes novos meios também podem ser vistos como «novos púlpitos». Além do mais, eles podem ensinar-nos a importância de trabalhar em rede, interagindo com quem questiona, com quem inquieta, com quem procura.
É por isso que, concretamente em relação ao «facebook», diria: «nem sempre nem nunca». Tão perigoso é nunca estar no «facebook» como estar sempre no «facebook». O importante é saber estar no «facebook» como se deve saber estar na vida: com critério, com equilíbrio e sobretudo com sentido de missão e não apenas diversão.
D. O missionário ao serviço do Missionante
7. Habitualmente, pensamos nos destinatários e nos espaços da missão. Não basta, porém. É prioritário que pensemos sempre no conteúdo da missão. Ou seja, é importante pensar naqueles a quem levamos a missão, mas é decisivo pensar, antes de mais, n’Aquele que levamos na missão.
A missão não pode ficar à porta nem contentar-se com o limiar. É preciso sair para convidar outros a entrar. Há que não ter medo de falar de Jesus Cristo. A missão consiste em levar Jesus Cristo: em forma de Palavra, em forma de Pão, em forma de Caridade e Solidariedade, em forma de Justiça, em forma de Ternura e Amor.
Na missão, não pode haver jogos de ambição nem sonhos de poder. Essa foi a tentação dos missionários da primeira hora e acaba por ser a tentação dos missionários desta nossa hora. Daí a pertinência da advertência de Cristo. Na missão não se está pelo poder, mas pelo serviço. Ser missionário não é ser proprietário, é ser servo, é querer ser servidor. Tal foi, de resto, o testemunho do próprio Jesus Cristo, «que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida»(Mc 10, 45).
E. Uma vida «centrifugada» e não «centripetada»
9. É por isso que Jesus é apresentado como sacerdote e até como «sumo sacerdote»(Heb 4, 14). Ele não oferece coisas exteriores, oferece-Se a Si mesmo, oferece a própria vida. Como já anteviu Isaías, Ele é o servo que oferece a Sua vida por nós, sofrendo em nosso lugar: Ele tomou sobre Si «as nossas dores»(Is 53, 11).
Jesus nunca foi «a-pático». Jesus foi sempre — e literalmente — «sim-pático», isto é, sofreu por nós, sofreu em nosso lugar. Fez Suas as nossas dores para que nós possamos fazer nosso o Seu amor, o Seu desmedido amor. A existência de Jesus não é «centripetada»; é totalmente «centrifugada». É por isso que Ele é capaz de nos compreender e de Se compadecer por nós (cf. Heb 4, 15).
A missão também exige conversão. É decisivo haver uma conversão à missão e uma conversão na missão. A missão não existe para que Deus faça o que Lhe pedimos, mas para que nós façamos o que Deus nos pede (cf. Mc 10, 35-44). A missão não é, pois, uma questão de competência, mas de generosidade. Estamos dispostos a fazer o que Deus nos pede, o que Deus quer? Uma coisa é certa. Na nossa generosidade — muito mais do que nas nossas ambições — estará a nossa plena felicidade!
Só há verdade quando há totalidade.
Eis o que sabemos desde Aristóteles. Eis o que nos tem sido recordado por mestres como Hegel ou Hans Urs von Balthasar, entre outros.
Assim sendo e como alerta Paul Ricoeur, a comunicação, para ser verdadeira, teria de ser sempre total.
O problema é que, mesmo que o quisesse, dificilmente o conseguiria.
No que vemos, ouvimos e lemos, limitamo-nos, por isso, a parcelas, a aproximações.
Já é bom quando não há negações nem distorções. Se não nos pode dar (toda) a verdade, que, pelo menos, a comunicação não nos afaste dela!
Afinal, para mudar o mundo não é preciso muito.
A jovem (e já bastante sofrida) Malala entende que «uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo».
E, coisa nada despicienda, podem mudá-lo para melhor!
Um pouco de cacofonia para este dia.
Mas o importante é que não esmoreça nem desfaleça.
E nunca se esqueça. Quem resiste não é só quem existe. É sobretudo quem persiste!
Hoje, 17 de Outubro, é dia de Sto. Inácio de Antioquia (que gostava de se apresentar como «Teóforo», aquele que traz Deus), Sta. Zélia, S. Balduíno e S. Gilberto.
Um santo e abençoado dia para todos!