Nesta questão da Grécia, avulta, uma vez mais, um problema: a extrema dificuldade de cada um em colocar-se no lugar do outro.
Curiosamente, foi um filósofo grego (no caso, Aristóteles) que reconheceu que a verdade está na totalidade. E, como é óbvio, nenhuma parte contém a totalidade.
Daí que até os argumentos mais poderosos abriguem as maiores fragilidades. Olhemos para o argumento do dinheiro e para o argumento do poder.
O devedor precisa de obter dinheiro, mas os credores também precisam de reaver o dinheiro. Se houver uma falência, perdem todos.
Quanto ao poder, o governo da Grécia alega que tem compromissos com o povo grego, que o elegeu.
Acontece que esse é também o argumento dos credores. Os governos da zona euro chamados a contribuir também alegam compromissos com o seu eleitorado.
Penso que a única solução está num acordo.
Com um acordo, todos perderão alguma coisa. Mas sem acordo, todos perderão mais. Uns deixarão de ter mais dinheiro e outros arriscam-se a perder o dinheiro já obtido.
«Alea jacta est»!