O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 11 de Junho de 2015
  1. Onde mora, afinal, a nossa identidade? Há quem diga que é na aventura. E há quem, como Eugénio de Andrade, garanta que é na poesia: «É na nossa poesia que se encontra o que os políticos tão afanosamente buscam: a nossa identidade».

Mas eu atrever-me-ia a ser bem mais modesto, mais prosaico. A nossa identidade está na nossa resistência. Em tantos séculos, já resistimos a quase tudo.

 

  1. Já estivemos lá em cima e caímos. Mas já fomos atirados para o fundo e fomos capazes de nos reerguer.

A persistência é mesmo o nosso segredo. Caímos quando menos se pensa. Mas também nos levantamos quando menos se julga.

 

  1. Em relação aos outros animais, temos tudo para ser diferentes, melhores. Mas, às vezes, parecemos iguais, para não dizer piores. Jules Renard só entrevia uma diferença: «Descobri finalmente aquilo que distingue o homem dos outros animais: são os problemas de dinheiro».

Não iria tão longe. Uma coisa, porém, é certa. Ninguém é tão humano como os homens. Mas também ninguém consegue ser tão desumano como os homens. Aproveitemos cada instante para corrigir a trajectória. Não nos desumanizemos mais. Procuremos humanizar-nos cada vez mais.

 

  1. Liderar é uma tarefa árdua. Requer não só competência. Reclama também muita subtileza. Não se lidera apenas na frente. Também se lidera (e bastante) na retaguarda. Não se lidera somente com palavras. Também se lidera (e bastante) com o silêncio.

O bom líder não interrompe a invectiva. Deixa que ela seja exposta até ao fim. Não a alimenta. Deixa que ela se esvazie, se de facto vazia for. Quem tem argumentos não agride. Quem agride é porque argumentos não tem.

 

  1. Vivemos numa sociedade livre? Sim. Vivemos numa sociedade mais livre que outras sociedades. Mas a liberdade, entre nós, também é vigiada e, não raramente, combatida. Há quem pague um preço muito elevado por ousar ser livre.

Aung San Suu Kyi sabe bem do que fala: «A liberdade de pensamento começa pelo direito de fazer perguntas». Há quem não suporte tal ousadia, sobretudo se tais perguntas puserem em causa lugares ou interesses. Ainda temos um longo, muito longo, caminho a percorrer. Ainda há medo nas nossas sociedades, nas nossas instituições. Ainda há medo de perguntar, medo de discordar, medo de cumprimentar, medo de ser visto. Medo de existir?

 

  1. Nos últimos tempos, habituámo-nos a programar e fizemos bem. Mas parece que, com isso, nos desabituámos de sonhar e fizemos mal.

O sonho desprograma todos os programas. O sonho vai mais além dos programas pré-determinados. O sonho está do lado da ousadia, da audácia, da criatividade.

Vivemos esmagados por uma elefantíase de programação. Quase nem damos espaço para o futuro ser futuro. Até o futuro já nos surge programado. Desde o tempo que vai fazer à evolução da economia, dá a impressão de que tudo está visto.

 

  1. Não nos desabituemos de sonhar. Renan avisou: «Nada de grande se faz sem sonho».

Eu diria mais. Sem sonho nada se faz. Nem de grande. Nem de pequeno. Nada.

 

  1. Uma opção tem de ser tomada. John Kennedy sinalizou-a: «A humanidade tem de acabar com a guerra antes que a guerra acabe com a humanidade».

Se adiarmos para tarde, pode ser tarde demais.

 

  1. Porque é que tão poucos suportam a verdade? A sabedoria judaica acha que é por causa do peso: «A verdade é pesada; por isso poucos a suportam».

Mas, pensando bem, o peso da verdade é bem leve. O peso da mentira é muito mais difícil de suportar.

 

  1. A dor dói, mas ensina. Ensina sobre o mundo. Ensina sobre a vida. Ensina sobre Deus.

Guerra Junqueiro assinalou: «Quem fraterniza com a dor, comunga no grémio de Deus»!

publicado por Theosfera às 11:46

Uma rápida passagem pela imprensa desta manhã mostra Lamego na condição de «complemento».

A reportagem do Dia de Portugal está centrada nos discursos, nas reacções aos discursos, nas condecorações e nas manifestações.

Lamego ocupa a posição de «complemento circunstancial de lugar onde», antecedido da preposição «em».

Há até um jornal onde tal complemento aparece apenas no terceiro parágrafo.

Era inevitável. Mas Lamego esteve irrepreensível na sua hospitalidade.

Os lamecenses acordam com a consciência do dever cumprido neste «regresso à normalidade».

Uma vez mais, Lamego portou-se bem com o país. Que o país se porte sempre bem com Lamego!

publicado por Theosfera às 07:54

Hoje, 11 de Junho, é dia de S. Barnabé, Sta. Paula Frassinetti, Sta. Maria Rosa Molas e Vallvé e Sta. Maria do Divino Coração.

 

Refira-se que S. Barnabé é chamado Apóstolo por S. Paulo porque com ele participou na primeira viagem missionária.

 

Foi, aliás, Barnabé que apresentou Paulo aos cristãos de Antioquia. No entanto, desentenderam-se.

 

Na segunda viagem, Barnabé queria levar o seu sobrinho Marcos, que os acompanhara na primeira viagem, mas que desistira.

 

Paulo foi intransigente. Barnabé era mais clemente (a apreciação é de S. Jerónimo).

 

Por isso é que a Bíblia faz uma apreciação do carácter de S. Barnabé que diz tudo: «Homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé»(Act 11, 24).

 

Um santo e abençoado dia para todos!
publicado por Theosfera às 00:00

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