- O maior exemplo de coragem vem sempre de quem tem a coragem do exemplo.
É por isso que, como percebeu Jacques Maritain, «os melhores educadores são os santos». Nem sempre dizem o que fazem, mas fazem sempre o que dizem.
- Mais do que falar da pobreza, D. Óscar Romero foi alguém que viveu para os pobres e morreu pelos pobres.
Para ele, «a Igreja atraiçoaria o seu amor a Deus e a sua fidelidade ao Evangelho se deixasse de ser a voz dos sem-voz, a defensora dos pobres, a promotora de cada aspiração justa à libertação».
- Esta opção preferencial pelos pobres não discrimina ninguém.
Trata-se de «um convite para que todos assumam a causa dos pobres como a sua própria causa e a causa do próprio Cristo, que disse: "Tudo o que fizerdes ao mais pequenino dos Meus irmãos a Mim o fareis"(Mt 25, 40».
- Em D. Óscar Romero, tal compromisso não era retórico, mas efectivo.
Pelos pobres ele não deu só a voz, deu a vida. A disponibilidade era total e a coerência absoluta: «Como pastor, tenho de dar a vida por aqueles que amo».
- E D. Óscar amava os pobres, mas sem odiar os que os perseguiam.
Apenas achava que estavam a «perder o seu tempo».
- Não acreditava na morte sem ressurreição.
Por isso, garantiu: «Se me matarem, voltarei à vida no meu povo».
- Acresce que «um bispo pode morrer, mas a Igreja de Deus, que é o povo, nunca morrerá».
Ele sabia que cada membro da Igreja continuaria a ser uma espécie de «microfone de Deus, desfraldando o estandarte da verdade do Senhor e da Sua justiça».
- Até ao fim, pediu que se parasse com a violência. E nunca deixou de impedir que se respondesse com violência à violência.
A única violência que defendia era a «violência do amor».
- A violência que pregou não foi «a violência da espada, do ódio, mas a violência do amor, da fraternidade, a violência que escolhe transformar as armas em foices para o trabalho».
Enfim, o amor é a «a vingança dos cristãos».
- Samuel Butler notou que ninguém morre enquanto é recordado. D. Óscar Romero tornou-se imortal: a sua morte eternizou o exemplo da sua vida!


