O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 05 de Abril de 2015

Já é Páscoa no tempo,

há alegria e esplendor,

vivacidade e contentamento.

Os foguetes vão estourar,

as flores vão brilhar,

as pessoas vão vibrar,

as casas vão encher

para Te acolher, Senhor.

Há dois mil anos,

removeste a pesada pedra do Teu sepulcro.

Pedimos-Te, Senhor,

que, hoje mesmo,

removas alguma pedra que ainda endureça os nossos corações:

a pedra do pecado,

a pedra do egoísmo,

a pedra da falsidade,

a pedra da injustiça, do ódio e da violência.

Aqui nos tens, Senhor,

não queremos ser sepultura mas berço.

Queremos que nasças sempre em nós

e queremos renascer sempre para Ti.

É tempo de Páscoa.

Exulta a natureza.

Vibram as crianças.

Cantem as multidões.

Que a Páscoa traga Paz,

Amor, Partilha e Felicidade.

Que os rostos sorriam,

que as mãos se juntem,

que os passos se aproximem,

que os corações se abram.

Obrigado, Senhor,

por morreres por nós.

Obrigado, Senhor,

por ressuscitares para nós.

Voltaste para o Pai e permaneces connosco.

Na Eucarista, és sempre o Emanuel.

Que Te saibamos receber

e que Te queiramos anunciar.

Hoje vais entrar em nossas casas.

Que nós nunca Te afastemos da nossa vida.

É Páscoa no tempo.

Que seja Páscoa na vida,

na nossa vida,

na vida da humanidade inteira.

publicado por Theosfera às 11:38

1. A Páscoa não é uma circunstância vaporosa de uma época distante.

Ela é a novidade perene oferecida ao homem e inscrita no tempo. Em cada tempo. Também no nosso tempo.

 

2. A referência ao «primeiro dia da semana» (Jo 20, 1) surge em nítido contraste com o dia anterior, o último dia.

No ocaso do último dia, respira-se morte. Já no alvorecer do primeiro dia, volta a despontar a surpresa da vida.

 

3. Maria de Magdala nem sequer se apercebe de que já se encontra num tempo novo.

Ela está persuadida de que a morte levou a melhor. As evidências parecem inultrapassáveis.

 

4. Mas eis que o sinal da morte está removido. A pedra no sepulcro seria como o ponto final num texto. Afinal, o texto iria continuar.

Resolve então avisar dois dos discípulos de Jesus: Pedro e João, duas personalidades e dois sinais.

 

5. Pedro representa a autoridade, João iconiza o amor. Pedro sai com João rumo ao sepulcro.

Ou seja, a autoridade não dispensa o amor na procura de Jesus.

 

6. Mas, a determinada altura, João antecipa-se. Na verdade, o amor vai sempre à frente e chega primeiro.

Como refere o comentário de Mateos-Barreto, «corre mais depressa o que tem a experiência do amor, o que foi testemunha do fruto da Cruz».

 

7. De facto, na hora da morte, só o amor (João) esteve presente. A autoridade (Pedro) ausentara-se.

Só o amor é capaz de vencer o medo.

 

8. João chega primeiro ao sepulcro. É pelo amor que se atinge a meta e que se chega a Deus.

Só que, como reconhece S. Paulo, o amor também sabe ser paciente (cf. 1Cor 13, 4). João vê o sepulcro vazio, mas não entra. Aguarda que Pedro venha.

 

9. Não se trata de um mero gesto de deferência. É, sobretudo, um gesto de reconciliação.

É que, com as negações de Pedro (cf. Jo 18, 15-17.25), a autoridade vacilara, vacilara no amor. Agora, o amor dá uma nova — e definitiva — oportunidade à autoridade.

 

10. Na Igreja de Jesus, a autoridade só faz sentido em função do amor. A autoridade é necessária. Mas ela apenas existe para tornar presente o essencial. E o essencial é o amor.

Porque, como alvitra o Evangelho (cf. Jo 20, 8), só com o amor se vê, só pelo amor se acredita.

publicado por Theosfera às 09:59

Hoje é dia de Páscoa. Mas não só hoje.

A Páscoa é hoje. A Páscoa é em cada hoje.

Não podemos transformar a Páscoa num dia de 24 horas.

Não é lícito reduzir a Páscoa a um conjunto de eventos que desperta a atenção e atrai as pessoas.

A Páscoa não pode ser vista como um móvel a que, anualmente, tiramos a poeira do esquecimento. E que, depois, devolvemos ao pó do desinteresse.

Não esqueçamos que Jesus não é encontrado no lugar da morte. «Não está aqui», disse alguém a quem O procurava no sepulcro (cf. Mc 16, 6).

Jesus está vivo. É urgente rejuvenescer os comportamentos.

Urge ter um olhar de Páscoa, um paladar de Páscoa, um cheiro a Páscoa. Urge, enfim, exibir uma vida toda ela pascal.

A Páscoa é a garantia de que o melhor, afinal, não é impossível. O inesperado também nos pode visitar.

As trevas nada podem contra a força suave deste sol que desponta. E que nunca voltará a deitar-se!

publicado por Theosfera às 08:51

 

Linda e sonora, esta manhã. Belo e luminoso, todo este dia.

O sol invade o céu. Os foguetes estalam nos ares.

A alma ergue-se, vitalizada pelo azul do firmamento e pelo vozear da natureza. Não são apenas as vozes que cantam. A própria natureza entoa um «aleluia» sem fim.

Tudo volta a começar, mesmo quando o fim parecia ter vindo para ficar.

A Páscoa é o triunfo da surpresa total.

Vale a pena acreditar. E nunca desistir!

 

publicado por Theosfera às 08:21

A. Nem a morte detém Jesus

  1. Por vezes, há coisas que não correm bem. Para Maria Madalena, então, os últimos dias tinham corrido mesmo muito mal. Naquela manhã, põe-se a caminho da sepultura. Ouvimos dizer que era «ainda escuro»(Jo 20, 1). Que melhor ambiente para chorar um morto? Afinal, escuridão atrai escuridão. Haverá maior escuridão que a morte? A escuridão da manhã daquele Domingo era como o prolongamento da escuridão da tarde de Sexta-Feira. Tudo continuava escuro. Escuro estava o tempo. Escura estava a alma. Que mais fazer senão chorar a escuridão: a escuridão da dor, a escuridão da saudade e, porventura, a escuridão do medo?

Tudo estava consumado (cf. Jo 19, 30). A pedra no sepulcro é como o ponto final num texto. Aquela pedra era o ponto final naquela vida: naquela vida que se tinha consumido e que a morte tinha consumado. Restava apenas o rasto. Mas até o rasto daquele corpo tinha desaparecido: «Tiraram o Senhor do túmulo»(Jo 20, 2). A morte é, de facto, o supremo desencontro. Como reencontrar aqueles de quem a morte nos desencontrou para sempre? Que pode haver depois do fim?

 

  1. Só que aquela morte não era o fim. Aquela morte foi o fim, mas o fim da morte como fim. A partir daquela morte, a morte deixou de ser o fim. É que, naquela noite, um novo dia amanhecera. E, naquela escuridão, uma nova luz se acendera. O chamado Evangelho de Nicodemos assegura que, «à meia-noite, um clarão de sol penetrou naquelas trevas e todos os recantos do Hades tornaram-se luminosos».

As trevas nada podiam contra aquela luz. E até a morte nada pôde contra aquela vida. Tal como a pedra do sepulcro, também as evidências são derrubadas. O que estava morto, afinal, está vivo.

 

B. Quando o homem desfaz, Deus refaz

 

3. Jesus ressuscitou, não revivesceu. A Ressurreição é novidade, não é regresso. É uma passagem para a frente, não é um passo atrás. Ressurreição não é ressuscitação. Jesus não é devolvido à vida anterior, mas entra numa vida nova. É por isso que ninguém O reconhece ao primeiro contacto (cf. Jo 20, 14). Jesus é o mesmo, mas está diferente. A Ressurreição não é dissolução, mas transformação. A Ressurreição é a novidade total. Neste sentido, compreende-se que não falte quem à Ressurreição chame «anástase» para significar precisamente a elevação de Jesus à vida plena.

É por isso que nós não evocamos alguém que já morreu; nós celebramos alguém que continua vivo. A Igreja, alicerçada na Páscoa da Ressurreição, não transporta a recordação de um ausente, mas oferece-nos a permanente celebração de uma presença.

 

  1. Nem sempre Deus está de acordo com o que os homens fazem. Em relação a Jesus, Deus desfaz — ou, melhor, refaz — o que os homens tinham feito. S. Pedro explica tudo isto com notável precisão. Jesus, «a quem deram a morte, suspendendo-O num madeiro, Deus O ressuscitou ao terceiro dia»(Act 10, 39-40). Nada — nem ninguém — faz frente a Deus. Nem a morte detém Deus. Sucede que é preciso passar pela morte para vencer a morte.

Como bem percebeu S. Gregório de Nazianzo, só é salvo o que é assumido. Em Jesus Cristo, Deus assume o que é humano para salvar o humano. E como a morte faz parte da condição humana, nem Deus, ao fazer-Se homem, quis passar ao lado da morte. Neste caso, não se trata de carência de ser, mas de superabundância de ser. Em Jesus Cristo, Deus fez Sua a nossa morte para que nós façamos nossa a Sua vida.

 

C. Volta à vida quem dá a vid

 

5. É fundamental não esquecer que a Páscoa não é só a Ressurreição. A Páscoa é a passagem da Cruz para a Ressurreição, é a passagem da morte para a vida. Aliás, há um hino deste tempo pascal que no-lo recorda com extremos de veemência: «Não há Ressurreição sem haver morte». E o próprio Ressuscitado não esconde as marcas da Cruz, instando com Tomé para que coloque o seu dedo nas Suas mãos (cf. Jo 20, 27).

Não é, pois, incorrecto falar, com Jurgen Moltmann, da «Ressurreição do Crucificado» nem da «Cruz do Ressuscitado». No fundo, a Ressurreição é a validação e o reconhecimento de toda a trajectória do Crucificado.

 

  1. A Visita Pascal, esse costume tão belamente arreigado na alma do povo, ilustra esta verdade profunda. Na Visita Pascal, anunciamos a Ressurreição transportando o Crucificado. Não é só por causa da extrema dificuldade em figurar um corpo ressuscitado. Tem todo o sentido transportar a Cruz em dia de Páscoa porque o que ressuscita é o mesmo que morre; o que volta à vida é o mesmo que dá a vida; se não morresse não ressuscitaria; o grão de trigo, para dar fruto, tem de morrer (cf. Jo 12, 24).

Acresce que o mistério de Cristo é sempre global, pelo que não se pode segmentar ou fracturar. Jesus integra a glória no sofrimento e eleva o sofrimento à glória. Ao entrar na nossa casa como ressuscitado, Jesus aparece na Cruz como que a dizer aos crucificados pelo sofrimento que está com eles. Jesus continua ao lado dos que choram, dos que sofrem. Eis, por conseguinte, a maior fonte de esperança para cada um de nós: Jesus sofre connosco, nós venceremos o sofrimento com Ele. Com Ele, nós venceremos o sofrimento e a própria morte. Não há nenhum motivo para cair no desespero. Temos todos os motivos para fortalecer a esperança.

 

D. Viver? Só com Cristo!

 

7. Os pés devem continuar na Terra, mas os olhos hão-de estar sempre dirigidos para o Céu. A Páscoa não aliena, responsabiliza. S. Paulo é muito claro: «Uma vez que ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto»(Col 3, 1). Pelo Baptismo, morremos com Cristo. Pelo Baptismo, ressuscitamos em Cristo.

Uma vida pascal é uma vida com Cristo. Não faz sentido viver sem Cristo: a nossa vida passou a ser Cristo (cf. Col 3, 4). É Cristo que vive em nós (cf. Gál 2, 20). A nossa autonomia não é afectada. Trata-se de uma autonomia «cristónoma». Como é que Cristo poderia afectar a nossa liberdade se foi para a verdadeira liberdade que Cristo nos libertou (cf. Gál 5, 1)? Pelo Seu exemplo, Ele mostrou que a verdadeira liberdade não consiste em ter, mas em dar. A liberdade suprema, que Cristo corporizou, consiste em dar tudo, em dar a vida (cf. Jo 10, 10).

 

  1. Cristo está vivo na nossa vida e nós só estamos vivos na vida de Cristo. Ele permanece vivo na Palavra e no Pão. Tal como aconteceu aos discípulos acabrunhados a caminho de Emaús, também nós, hoje, reconhecemos Cristo ao partir do pão, isto é, na Eucaristia (cf. Lc 24, 31). É por isso que a Eucaristia é, por excelência, o «mistério da fé».

Na Eucaristia, com efeito, anunciamos a Morte de Jesus e proclamamos a Ressurreição de Jesus. Trata-se, portanto, de um sacramento eminentemente pascal. Mas Jesus também permanece vivo na missão, no nosso testemunho ao longo da missão. Como Pedro e os apóstolos da primeira hora, também nós somos chamados a ser testemunhas de que Cristo está vivo. O testemunho é o melhor certificado de que Cristo está vivo na nossa vida e na vida do mundo. Muitos são os que dão a vida por causa de «um certo Jesus que morreu» e que nós testemunhamos «estar vivo» (Act 25, 19).

 

E. Afinal, dos fracos também reza a história

 

9. É esta a vida que nos traz vivos. É esta a vida que vale a pena anunciar a todos os vivos. É esta a vida que irradia desde aquele dia que o Senhor fez (cf. Sal 118, 24). Trata-se de um dia sem fim, de um dia que não escurece, de uma manhã que não anoitece. Temos, por isso, todas as razões para nos alegrar e cantar. O Aleluia é o cântico típico da Páscoa, pois verbaliza o louvor pela maior obra do Senhor.

A Páscoa já chegou e não apenas hoje. A Páscoa já chegou há muito tempo. A Páscoa chegou até nós para que nós cheguemos à Páscoa. A Páscoa está no tempo para que esteja sempre na nossa vida.

 

  1. A Páscoa é o silêncio que fala, a escuridão que brilha, a lágrima que sorri, o fim que (re)começa. Afinal, o inesperado vence o inevitável. Nós não tínhamos percebido que consumado não é o mesmo que terminado. Jesus tinha consumado a missão, mas não deu por terminada a presença. Foi do lugar da morte que Jesus regressou ao encontro dos vivos (cf. Jo 20, 15). Do máximo fracasso irrompe, assim, o máximo triunfo. O vencido desperta como vencedor.

Como reconheceu Tomas Halik, a Páscoa é «a vitória mediante a derrota». A vida renasce da morte. A luz reacende-se nas trevas. O dia acorda na noite. O sorriso é sulcado no pranto. Um novo começo se levanta após o fim. É do fundo que se sobe. É de baixo que se cresce. Dos fracos também reza a história. É na maior fraqueza que se manifesta a maior força (cf. 2Cor 12, 9). A Páscoa é a vitória do vencido. A Ressurreição põe a descoberto o que na morte jazia encoberto. Só quem desce às profundezas consegue atingir as alturas. Jesus ressuscitado volta a percorrer os nossos passos (Lc 24, 23-35) para que nós possamos prosseguir o Seu caminho. É por isso que os passos de uma vida pascal nunca serão simplesmente passos. Serão passos sempre em «compasso». Em «compasso» com Deus em direcção à humanidade. E em «compasso» com a humanidade em direcção a Deus!

publicado por Theosfera às 07:53

Hoje, 05 de Abril (Páscoa da Ressurreição do Senhor), é dia de S. Vicente Ferrer e Sta. Juliana de Cornillon.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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