O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 03 de Abril de 2015

É tão pesada a Cruz,

a Tua Cruz, Senhor,

que não sei como conseguiste erguê-la

nem como conseguiste erguer-Te

depois de, por três vezes,

ela Te ter feito cair.

 

Como foi possível, Senhor,

depois já de tanto sangue derramado?

Como foi possível, Senhor,

depois já de tantas atrocidades?

Como foi possível, Senhor,

depois da agonia, da flagelação, da coroação de espinhos?

 

Não concebo, mas percebo.

Tu conseguiste arcar com o peso do madeiro,

porque mais pesado que a Cruz era o peso do amor,

o peso do Teu infinito amor.

 

Não concebo, mas percebo:

o Teu amor emagreceu a Cruz,

o Teu amor encolheu a Cruz.

 

Quem olha para Ti, Senhor,

dá a impressão de que a Tua Cruz era leve.

Nada nem ninguém Te fez recuar.

 

Deixa-me, Senhor, pegar na Tua Cruz.

Ela está ao meu lado,

à minha beira.

 

A Tua Cruz continua pesada,

bem pesada,

em tantos lares, hospitais, ruas.

 

A Tua Cruz, Senhor,

tem hoje o nome de miséria,

injustiça, falsidade,

superficialidade e comodismo.

 

Deste-nos tanto,

dás-nos tudo.

E nós, tantas vezes,

recuamos e recusamos

dar-Te um tempo, uma hora, um dia.

 

Acorda-nos, Senhor,

desperta-nos da sonolência em que caímos.

Faz-nos olhar para Ti,

para a Tua Cruz, Senhor!

publicado por Theosfera às 15:00

 

  1. A Páscoa começa por ser um mistério de fragilidade. De uma fragilidade inteiramente assumida, francamente exposta e abertamente oferecida. Quando Se apresenta pronto para sofrer a morte, Jesus não esconde que «a carne é fraca» (Mt 27, 41).

A fragilidade é reveladora e é solidária. As pessoas são mais autênticas quando não escondem a sua fragilidade. Tony Blair percebeu isto quando escreveu que «ser humano é ser frágil».

 

  1. Jesus não fez exibições de força. A Sua maior força radicou na Sua capacidade de assumir a fraqueza. Os fortes podem ganhar batalhas. Mas são os frágeis que obtêm a maior vitória: a do amor.

Os fortes são vistos como vencedores porque eliminam os outros, porque se sobrepõem aos outros.

 

  1. Os frágeis são apontados como vencidos porque se esquecem de si, porque vivem em função dos outros.

Mas não é nesta fragilidade que reside a nossa salvação? Não é, portanto, nesta fragilidade que está a maior força? Os fortes vão destruindo vidas. Os frágeis são os que se sacrificam para que outros tenham vida.

 

  1. No fundo, Jesus foi entregue por inveja (cf. Mt 27, 18). Pilatos até fez tudo para O poupar. Só que as pressões do poder religioso, as ameaças de denúncia em Roma e a pressão de uma multidão ligada aos funcionários do Templo ditaram o veredicto.

Pilatos nada tinha contra Jesus, mas entre a defesa de um inocente e a preservação do seu lugar, a opção foi óbvia. A «oclocracia» é a coisa mais volátil que existe. As multidões dão para tudo e para o seu contrário. Variam tão rapidamente como o vento.

 

  1. Esta é uma semana que reclama, sobretudo, interioridade, recolhimento. Há uma densidade muito grande e um apelo muito fundo que nenhuma palavra conseguirá descrever.

O que nos é oferecido não pertence ao enigma, mas pertence ao mistério. Isto significa que o quadro que nos surge não é inatingível, mas também não é manipulável.

 

  1. O Cristianismo deve ser a única religião em que o Fundador é um mártir e morre como um abandonado.

A Sua proximidade com Deus não impede que experimente toda a amargura do drama humano.

 

  1. Divino, a partir de Cristo, não é, pois, a distância ontologicamente intransponível entre Deus e o Homem.

Divina é esta humanidade sem freio, é esta franqueza sem constrangimentos, é este amor sem vacilação, é esta entrega sem limites.

 

  1. Não é quando nos distanciamos do humano que nos aproximamos de Deus. É quando aterramos na sua maior profundidade que tocamos o divino.

Para Deus sobe-se descendo. Foi das profundidades da terra que Jesus irrompeu para Deus.

 

  1. O humano tão puramente humano de Jesus é uma respiração divina, um enclave da eternidade pelas inclementes estradas do tempo.

O desfecho de toda esta meditação não pode ser apenas o anúncio. A Páscoa não é só para proclamar. É, acima de tudo, uma oportunidade para melhor viver.

 

  1. Há um convite que fica. O caminho de Jesus não é tanto para ser explicado. É, sem dúvida, para ser conhecido. E é tão fascinante conhecer Jesus. O mais aliciante, contudo, é procurar viver.

Jesus é uma lição sem fim. Lição que não vem de qualquer cátedra, mas que tem a argamassa de uma vida tão humanamente cheia. Haverá algo mais divino que esta humanidade de Jesus?

 

 

publicado por Theosfera às 10:46

Consta que, um dia, Satanás apareceu a S. Martinho sob a figura de Cristo.

Mas nem assim o santo se deixou enganar: «Onde estão as tuas chagas?», perguntou.

De facto, não existe Cristo sem chagas.

Sabemos que as nossas chagas não sobrevivem sem Cristo.

Nas Suas chagas estão as nossas dores.

Nas Suas chagas está a cura para as nossas dores.

Pelas Suas chagas, «fomos curados»(Is 53, 5)!

publicado por Theosfera às 10:42

Podemos dizer que, neste dia, também a Igreja se volta para um «neue mitte», um novo centro.

 

 

 

Hoje, não há Missa. Tudo está centrado na Cruz.

 

 

 

Não se trata de fazer a apologia da dor, mas de estar em comunhão solidária com tantos que continuam a actualizar a Cruz.

 

 

 

Com eles, acreditamos que é possível vencer a Cruz. E chegar à Ressurreição!
publicado por Theosfera às 01:58

O que mais me impresssiona, nesta hora que é o nosso tempo, é o cansaço de Jesus, o sofrimento de Jesus e, simultaneamente, a persistência de Jesus.

Jesus aparece-nos cansado, doído e muito fatigado em tantas pessoas atiradas para as margens, em tantos rostos sofridos.

É Jesus que, neles, continua a sofrer, a gemer, a chorar.

Mas, ao mesmo tempo, Ele persiste. Ele nunca desiste.

Ele permanece. Ao seu lado. Na sua vida. No nosso mundo!

publicado por Theosfera às 00:56

Hoje não é só dia de abstinência. É também dia de jejum.

 

Não se trata só de não comer carne. Trata-se também de comer menos.

 

É claro que o foco não está no significante. Está no significado.

 

O importante não é a abstinência da carne e a privação de comida. O importante é, com esse, gesto, unirmo-nos a Jesus na Cruz e a Jesus nos pobres de hoje.

 

Nós, graças a Deus, ainda podemos optar por fazer abstinência e jejum. Muitos, porém, não podem fazê-lo. São obrigados a fazê-lo.

 

A nossa solidariedade também se faz com gestos.

 

Façamos sobretudo jejum das falsidades, das palavras agressivas, dos juízos apressados, da ostentação, da violência e da injustiça.

 

Eis, pois, uma boa oportunidade de exercitar o autodomínio, valor actualmente muito em baixa. E com resultados devastadores.

 

Quem se priva do que gosta de comer habituar-se-á a privar de gestos mais intempestivos e violentos.

publicado por Theosfera às 00:53

A conversão de S. João Gualberto ocorreu em Sexta-feira Santa quando, finalmente, encontrara o assassino de um parente seu.

Ele, armado com uma espada, preparava-se para a vingança após uma prolongada procura.

O assassino pediu clemência e ouviu como resposta: «Não por ti, mas por Aquele que, num dia como este, derramou o Seu sangue por todos nós».

Foi logo para um convento beneditino e mudou de vida.

publicado por Theosfera às 00:35

Hoje, dia 3 de Abril, fazia anos um grande benfeitor de Lamego e região: Mons. Ilídio Fernandes, que faleceu a 23 de Janeiro de 2005.

 

Apaixonado por Deus e devotado à pessoa humana, dedicava uma atenção especial ao mundo rural.

 

Ainda hoje, as obras por eles fundadas dão trabalho a muitas pessoas.

 

Não deixemos esquecer quem nunca nos esqueceu!
publicado por Theosfera às 00:01

Hoje, 03 de Abril (Sexta-Feira Santa), é dia de Sta. Ágape, Sta. Quiónia, Sta. Irene, Sta. Engrácia, S. Conrado de Saxónia, Sto. Estêvão da Hungria e S. Luís Scropussi.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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