O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 21 de Março de 2015

Saber é poder e poder é saber? Era bom que assim fosse.

Só que os factos, sempre teimosos, dizem que raramente assim é.

O saber e o pode têm tudo para se irmanar, mas dificilmente se encontram.

O poder parece querer tudo para ele.

O problema é que, sem saber, rapidamente se perde!

publicado por Theosfera às 11:56

Sorrir para alguém, sempre. Rir de alguém, nunca.

Da antiguidade chega-nos este (imprescritível) aviso de Epicteto: «Evitemos fazer o papel de zombeteiros e de trocistas. Porque tais defeitos nos farão cair insensivelmente nas maneiras baixas e grosseiras e farão com que as pessoas percam a consideração que sentem por nós».

A vida tem uma subtilíssima arte de devolver o que se faz. Quem faz cair dificilmente fica de pé.

A humildade há-de ser (sempre) o caminho!

publicado por Theosfera às 11:36

Assinala-se, neste Sábado, o Dia Mundial da Floresta, o Dia Mundial da Poesia, o Dia Mundial da Eliminação da Discriminação Racial e o Dia Europeu da Música Antiga.

Faz também 430 anos que nasceu o grande Johann Sebastian Bach!

publicado por Theosfera às 00:28

Hoje, 21 de Março, é dia do Trânsito de S. Bento (ocorrido, neste dia, em 543), S. Nicolau de Flue, Mártires de Alexandria e Sta. Benedita Cambiagio Frassinello.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 20 de Março de 2015

Não é (só) o sol que está em eclipse.

Em prolongado eclipse parece estar a terra.

De facto, é na terra que se assiste a um teimoso eclipse da verdade. E também da justiça. E também do respeito.

O eclipse do sol está em vias de pensar. Já o eclipse da verdade, da justiça e do respeito dá sinais de persistir.

Até quando?

publicado por Theosfera às 09:14

1. A Primavera traz um pouco do frio do Inverno e alguma coisa do calor do Verão.

 

2. A Primavera é um tempo de nuvens e de sol, de clareiras e de brilho, de sombras e de luz.

 

3. Na Primavera, há um misto de esperança e desânimo. Na Primavera, as pessoas são habitadas por um certo optimismo, que, não obstante, convive com alguma apreensão.

 

4. Na Primavera, estamos à espera de tudo, mas não temos ainda a garantia de nada. A Primavera é o amanhecer depois da noite, mas sem a certeza do que virá pela tarde.

 

5. A Primavera é o novo começo, o tempo da sementeira, o início da viagem. A Primavera é o tempo em que se lavam as roupas encardidas e em que se exibe um ar mais refrescante.

 

6. A Primavera é a altura em que se sentem alguns vendavais, mas em que sopram também algumas brisas.

 

7. A Primavera é quando já não nos fechamos totalmente em casa. É a altura em que as portas já não estão sempre fechadas e em que as janelas se vão abrindo. É o tempo em que se aspira o aroma das flores e vai desaparecendo o cheiro a mofo.

 

8. Algumas tempestades estarão para vir. Algum frio irá continuar. Mas o primeiro calor também se fará sentir. O sol irá apertar e poderá até queimar.

 

9. A Igreja não é o sol. Mas é chamada a aquecer os que a vida faz arrefecer com o desamparo e a injustiça.

 

10. Eu vejo a Primavera a despontar na Casa de Deus!

publicado por Theosfera às 05:25

Um Dia Mundial da Felicidade leva, desde logo, a pensar na sua ausência. Oxalá que se possa pensar também na sua urgência.

É que a felicidade vai passar a ter um dia. Continuará a infelicidade a ficar com os outros dias?

Já agora, importará saber que o Dia Mundial da Felicidade é assinalado a 20 de Março.

Neste momento, o calendário da ONU integra 120 dias mundiais e internacionais dedicados a temas diversos como às mulheres rurais (15 de Outubro), ao jazz (30 de Abril) ou às aves migratórias (14/15 de Maio).

O dia 20 de Março também é reconhecido como o Dia Internacional da Francofonia!

publicado por Theosfera às 03:14

Hoje, 20 de Março (dia de abstinência), é dia de Sta. Eufémia, S. Remígio de Estrasburgo, S. Francisco de Palau e Quer e Sta. Maria Josefina do Coração de Jesus.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 19 de Março de 2015

Neste dia de S. José, fará bem pensar na necessidade de a Igreja apresentar crescentemente um perfil josefino.

Uma Igreja de perfil josefino será uma Igreja atenta, não palavrosa, serena, acolhedora e actuante: na hora própria e no momento certo!

publicado por Theosfera às 23:30

É uma trivialidade, mas não deixa de ser também uma (pertinente) verdade.

A vida é composta de tudo.

Há tempo para agir e deve haver tempo para pensar.

Alturas houve em que lamentávamos a atitude dos que pensavam e não agiam.

Hoje, propendemos a lamentar o frenesim dos que agem sem pensar.

Pensar que não age é ociosidade. Acção que não pensa é temeridade.

Hoje, é tempo de pensar. Hoje, é tempo de agir.

Não adiemos o pensamento e a acção que esperam por nós!

publicado por Theosfera às 22:51

Pai meu, que já estás no céu, este dia também é teu.

Na terra deixaste saudade, o teu tempo desaguou na eternidade.

Nunca se apaga a tua imagem, que me acompanha sempre nesta viagem.

As lágrimas continuam a cair mesmo quando ainda te oiço sorrir.

Ao Pai, que é nosso, ofereço o que sou e o que posso.

Ele levou-te para junto de Si, mas em mim a tua presença não tem fim.

Que S. José e Maria abençoem este dia.

Neste dia do Pai, recebe a minha gratidão.

O teu lugar continua a ser o meu coração.

Não sei bem como é estar aí. Só sei que te sinto aqui.

Sempre aqui, meu querido e amado Pai!

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publicado por Theosfera às 00:15

Sobre o Dia do Pai, terá interesse saber que há várias datas para o celebrar.

São muitos os países que optaram pelo terceiro Domingo de Junho: África do Sul, Argentina, Canadá, Estados Unidos, França, Macau, Reino Unido, etc.

O Brasil assinala a comemoração no segundo Domingo de Agosto.

Portugal, Angola, Espanha, Itália, Cabo Verde, Andorra, Moçambique, Listenstain, Guiné-Bissau e Bolívia adoptaram o Dia de S. José, 19 de Março.

Já a Rússia prefere o dia 23 de Fevereiro e a Alemanha o dia da Ascensão.

Já agora, a comemoração mais antiga do Dia do Pai terá ocorrido na Babilónia.

Há mais de quatro mil anos, um jovem chamado Elmesu terá moldado em argila um cartão. Nele, desejava sorte, saúde e longa vida ao seu pai.

publicado por Theosfera às 00:14

O Evangelho nada diz sobre a morte de S. José. É também por escritos extra-bíblicos que nos chegam alguns relatos cuja veracidade não pode ser assegurada.

Um exemplo é a narrativa apócrifa «História de José, o Carpinteiro», que descreve detalhadamente o falecimento do santo.

Segundo o escrito, composto em língua copta, S. José morreu no dia 26 do mês egípcio de Epip (20 de Julho no nosso calendário), aos 111 anos, gozando sempre de óptima saúde, «com todos os dentes intactos» e trabalhando até ao seu último dia.

Avisado por um anjo sobre a iminente morte, vai ao Templo de Jerusalém adorar a Deus e, no regresso, contrai uma doença fatal que o faz sucumbir.

A maior consolação que encontra é em Jesus, o único que consegue acalmá-lo.

Rodeado pela Esposa e pelos filhos de um primeiro casamento, a sua alma é arrebatada pelos Arcanjos Miguel e Gabriel e conduzida ao Paraíso.

De acordo com o apócrifo, o próprio Jesus teria ungido com bálsamo o corpo de S. José, pronunciando sobre ele uma bênção.

Não se sabe ao certo onde se encontram os restos mortais de São José. Nas crónicas dos peregrinos que visitaram a Palestina, há algumas indicações acerca do sepulcro do santo.

Duas delas apontam Nazaré e outras duas Jerusalém no Vale do Cédron.

Não existem, no entanto, argumentos consistentes que respaldem qualquer destas alegações.

publicado por Theosfera às 00:13

Se os evangelhos canónicos são parcimoniosos em relação a S. José, os chamados «evangelhos apócrifos», que nunca foram reconhecidos pela Igreja, mostram-se bem mais prolixos.

Assim, o «Protoevangelho de Tiago» afirma que José era originário de Belém e, antes do matrimónio com a Virgem Maria, seria casado com uma mulher com quem teve seis filhos: quatro homens (Judas, José, Tiago e Simão) e duas mulheres (Lísia e Lídia). No entanto, teria ficado viúvo muito cedo e com os filhos para educar.

De acordo ainda com os apócrifos, José, já em idade avançada, uniu-se a um grupo de homens, todos descendentes de David.

O sacerdote Zacarias teria ordenado que todos os filhos da estirpe real fossem convocados para disputar o matrimónio com a Virgem Maria, futura Mãe de Jesus, à época com doze anos e que vivera nove anos no Templo de Jerusalém.

Por indicação divina, estes homens castos conduziram até ao altar os seus cajados, de entre os quais Deus faria florir o do eleito: José foi o escolhido.

Inicialmente hesitante devido à grande diferença de idade, foi admoestado por Zacarias a submeter-se à vontade divina, acolhendo a Virgem em sua casa.

publicado por Theosfera às 00:12

S. José é o típico caso em que a grandeza se entrelaça com a discrição.

Tão grande foi a sua missão. E tão pouco é dito sobre a sua pessoa.

Basta, porém, uma alusão para conhecer esta singularíssima pessoa.

O Evangelho de S. Mateus diz que era um homem justo (cf. Mt 1, 19).

Pela parcimónia de dados, podemos inferir que seria igualmente uma pessoa silenciosa, serena e trabalhadora.

O mesmo evangelista informa que seria um «tektón» (cf. Mt 13, 55), palavra que habitualmente se traduz por «carpinteiro», mas que também pode ser entendida no sentido, mais vasto, de «artesão».

publicado por Theosfera às 00:11

Hoje, 19 de Março (dia do Pai), é dia de S. José (padroeiro da Igreja, dos pais, dos trabalhadores, dos fabricantes de carro, dos marceneiros e da boa morte) e de S. Marcello Callo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 18 de Março de 2015

A nossa percepção da vida é, invariavelmente, a mesma.

As coisas boas parecem incertas e passageiras. Só as coisas más parecem certas e constantes.

Benjamin Franklin já se apercebera: «O ganho é transitório e incerto; mas, durante a vida, a despesa é constante e certa».

Temos de contar com as despesas e esperar que sobrevenha algum ganho.

Pode ser que, numa qualquer curva da existência, sejamos surpreendidos com luminosas surpresas!

publicado por Theosfera às 09:46

Hoje, 18 de Março, é dia de S. Cirilo de Jerusalém, Sto. Alexandre de Jerusalém, Sto. Eduardo e Sta. Maria Amada de Bouteiller.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 17 de Março de 2015

 

  1. A verdade embala e abala. Sentimo-nos seguros com ela e, ao mesmo tempo, incomodados por ela.

Diz a experiência que, por muito que lhe tentemos fugir, a verdade nunca deixa de nos perseguir.

 

  1. Ela mostra o que somos e desmonta o que aparentamos ser.

A verdade aparece muito para lá daquilo que (nos) parece.

 

  1. A verdade não gosta de adornos e dispensa enfeites. Ela costuma surgir sem coberturas nem cobertores.

A verdade descobre-se e descobre-nos.

 

  1. À primeira vista, o poder e a riqueza não querem nada com a verdade. E a verdade, por sua vez, parece não querer nada com a riqueza e o poder.

Há quem se disponha a qualquer «loucura» pela verdade. Mas também não falta quem imponha todas as «loucuras» contra a verdade.

 

  1. Há uma «loucura» que leva a dar a vida pela verdade. E há outra «loucura» que leva a tirar a vida por causa da verdade.

Em suma, dir-se-ia que quando a «loucura» anda por perto, a verdade não estará longe.

 

  1. O próprio Jesus, que veio dar testemunho da verdade (cf. Jo 18, 37), chegou a ser olhado como «louco»(cf. Mc 3, 21).

E a Cruz onde morreu foi, por muito tempo, depreciada como símbolo de uma «loucura»(cf. 1Cor, 1, 23).

 

  1. Como é que alguém divino podia humilhar-se assim (cf. Fil 2, 6-8)?

Acontece que a humildade foi sempre o pórtico da verdade. Para Simone Weil, só quem cai no mais baixo grau de humilhação «é capaz de dizer a verdade».

 

  1. Visitar a verdade obriga a descer até ao fundo. A verdade teima em esperar por nós no lado de baixo.

É por isso que a verdade vem pelos lábios dos que não têm ambições de poder nem avidez de riqueza. Verdadeiro é sobretudo o humilde e o pobre.

 

  1. As trevas que cobrem a terra quando Jesus Se abeira da morte (cf. Mc 15, 33) alertam que nada mais há para ver.

Está tudo ali. Está ali a verdade sobre Deus, a verdade sobre o homem, a verdade sobre a vida.

 

  1. Essa verdade tem o nome de amor. É um amor sem medida, que só está ao alcance de uma «loucura» desmedida.

Desperdiçar esta «louca» verdade não seria, para nós, a verdadeira loucura?

 

publicado por Theosfera às 10:22

Hoje, 17 de Março, é dia de S. Patrício (padroeiro dos mineiros), S. José de Arimateia e Sto. Ambrósio de Alexandria.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 16 de Março de 2015

A verdade é paradoxal. Está presente em tudo e deixa-se encontrar por todos.

Urge, por isso, procurá-la no mesmo, no diferente e até no contrário.

A verdade é o que une até o que parece separado.

Simone Weil dá um exemplo que faz luz.

Uma parede é o que separa as celas de dois prisioneiros. Mas é também o que lhes permite comunicar entre si «com pancadas na parede».

O mesmo se passa entre nós e Deus: «cada separação é um vinculo».

O que separa também une. O que une também separa?

publicado por Theosfera às 22:15

«Guarda os êxitos para ti e conserva os fracassos em ti. No fundo, muitos têm inveja dos teus êxitos. E não falta quem fique alegre com os teus fracassos. Lá em cima ou cá em baixo, conta com Deus. E basta!».
in «Ignota scientia», de Caius Rusticus.

publicado por Theosfera às 09:53

Muito se fala, no âmbito de discussões académicas, da honestidade intelectual. A bem dizer, fala-se mais da falta dela.

A honestidade qualifica, mas não é qualificável. Ou há honestidade ou não há honestidade seja onde for.

António Lobo Antunes é, a este respeito, muito claro: «Não há honestidades possíveis. Ou há honestidade ou não há».

Quem não é honesto intelectualmente será honesto?

publicado por Theosfera às 09:42

Creio que foi Tolstoi quem alertou para esta contradição insanável em que praticamente todos laboramos.

Se perguntarmos a alguém se o mundo deve mudar, ninguém diz «não».

Mas se perguntarmos se esse mesmo alguém tem de mudar, quem dirá «sim»?

A questão é que o mundo só muda se cada pessoa no mundo for mudando.

A única mudança que depende de nós é a mudança em nós!

publicado por Theosfera às 09:35

Há 41 anos, tinha apenas oito anos.

Só perto das dez da noite, tive conhecimento do que se passara pela madrugada.

Nesse dia aprendi uma palavra nova: «insurrectos».

Foi assim que o apresentador televisivo se referiu aos que se sublevaram contra o regime.

Na altura e a avaliar pela expressão facial do apresentador, fique com a impressão de que era uma palavra com um sentido pejorativo. E, para ele, era.

Os dicionários dizem que insurrecto é o revolucionário em acção. Não podia estar mais certo.

A revolução não foi a 16 de Março. Mas não demoraria muito tempo!

publicado por Theosfera às 00:07

Hoje, 16 de Março, é dia de Sta. Eusébia, Sto. Heriberto (invocado para pedir a chuva) e Sto. Abraão, solitário.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 15 de Março de 2015

A. Na Cruz também há luz

  1. Afinal, a Cruz também reluz, a Cruz também é luz. É por isso que, quando a Cruz se ergue, todas as luzes se apagam. Há trevas que ensombram a terra, quando Jesus Se abeira da morte (cf Mc 15, 33), para que nos possamos fixar na Sua luz, na Sua luz que brilha na Cruz.

Só essa luz ilumina, só essa luz elimina. Só essa luz ilumina os nossos olhos e elimina a nossa cegueira. Na Cruz, está a luz do mundo (cf. Jo 8, 12), a luz para cada pessoa que está no mundo. Sem essa luz, todas as luzes cegam. Sem essa luz, todas as luzes iludem luz, sem dar luz.

 

  1. Não é por acaso que o Filho do homem é elevado (cf. Jo 3, 14). É do alto da Cruz que Ele irradia toda a luz. Jesus garante ao seu nocturno visitante Nicodemos que «todo aquele que acredita tem n’Ele a vida eterna»(Jo 3, 15). Essa luz que se acende na Cruz tem o nome de fé. E, na verdade, quanta fé é necessária quando parece que toda a luz se esconde!

Na primeira encíclica que assinou, o Papa Francisco apresenta a fé como uma luz que brilha no meio da escuridão. É essa a luz que nos guia. É olhando para a Cruz que nos sentimos iluminados. A Cruz é a melhor nova na suprema prova. É a mais bela notícia que emerge na maior provação. É quando tudo se apaga que tudo se ilumina. É quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente (re)começa.

 

B. Na Quaresma também há alegria

 

3. Esta é uma luz que não resplandece tanto nos nossos olhos; esta luz há-de transparecer sobretudo na nossa vida. Quem tem uma vida de verdade está na luz porque aquilo que faz vem de Deus (cf. Jo 3, 21). Pelo contrário, quem pratica más acções odeia a luz (cf. Jo 3, 20). Daí que o Baptismo, sacramento eminentemente pascal, seja um acontecimento iluminador, um acontecimento de iluminação. O banho baptismal nos começos também era chamado «iluminação». E, no processo da preparação para o Baptismo, a terceira etapa é chamada «etapa de purificação ou iluminação».

De facto, ser baptizado é ser «iluminado». Os baptizados são «iluminados» («photismoi») não por uma luz própria, mas pela luz de Cristo elevado na Cruz e ressuscitado. Quando, depois da celebração do Baptismo, recaímos nas trevas, temos sempre novas oportunidades de nos reaproximar da luz. O Sacramento da Reconciliação devolve-nos a luz quando dela nos afastamos pelo pecado.

 

  1. É por tudo isto que a Quaresma é um tempo sério, mas não é um tempo triste. Como pode haver tristeza num tempo destes? A seriedade nunca é triste. É precisamente para nos lembrar a alegria da Quaresma que a liturgia deste Domingo tem uma tonalidade especial. Até é permitido usar o paramento cor-de-rosa. Aliás, houve uma altura em que este era conhecido como o «Domingo das Rosas», pois, na antiguidade, os cristãos costumavam oferecer rosas uns aos outros. Neste contexto, no século X surgiu o costume da «Bênção da Rosa». O Santo Padre, no IV Domingo da Quaresma, ia à Basílica de Santa Cruz de Jerusalém, levando na mão esquerda uma rosa de ouro que significava a alegria pela proximidade da Páscoa. A antífona de entrada, que o Missal hoje propõe, reforça este sentimento sem lugar a dúvidas: «Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância das suas consolações»(Is 66, 10-11).

Tal como sucede no terceiro Domingo do Advento, o quarto Domingo da Quaresma é conhecido como o «Domingo da Alegria». Neste caso, recebe também o nome de «Domingo Laetare», imperativo do verbo latino «laetor» que significa «alegrar-se». Portanto, «laetare quer dizer «alegra-te». É Deus que, efectivamente, nos dirige este apelo e faz este convite. Que cada um de nós se alegre. Que cada um de nós se alegre não por causa de alguma fortuna, mas por saber que Deus nos visita, que Deus nos acolhe. Haverá fortuna maior? Haverá fortuna igual?

 

C. O que todos devem saber

 

5. Que fortuna pode ser comparada ao amor de Deus e ao Deus amor? Jesus garante a Nicodemos que «Deus amou de tal modo o mundo que entregou o Seu Filho único, para que todo o homem que acredita n’Ele não se perca, mas tenha a vida eterna»(Jo 3, 16). Tocamos aqui o ápice da história da revelação, da história da salvação e, nessa medida, da história da humanidade. Segundo alguns peritos, esta passagem é a chave do Evangelho de S. João. Ou seja, é nesta afirmação que entendemos tudo o que está escrito neste livro e, mais vastamente, em toda a Sagrada Escritura.

O que está escrito neste livro é o que deve estar permanentemente inscrito na nossa vida. No fundo, é isto que importa anunciar, é isto o que todos devem saber: que Deus ama, que Deus nos ama. Acontece que não ama de qualquer maneira. Em Deus, o amor não é uma palavra vã nem um sentimento vago. Se repararmos, nesta frase há uma fortíssima sinonímia entre o verbo «amar» e o verbo «entregar». Isto significa que, ao contrário do que se pensa, «amar» não é sinónimo de «possuir», mas de «entregar». Para Deus, a vivência do amor não está na posse, mas na dádiva. Deus ama-nos de tal modo que nos dá o melhor que tem: o Seu Filho.

 

  1. Ressalve-se, a propósito, que esta é a primeira vez que, no Evangelho de S. João, aparece a referência ao Filho. Deus ama-nos de tal forma que nos entrega o Seu Filho. É uma oferta enorme que só pode vir de um amor maior, de um amor total. Deus põe o Seu (amado) Filho à nossa inteira disposição. É por isso que uns O aceitam e outros O rejeitam. Não há dúvida de que é preciso ser Deus para amar assim o homem. Tão abismado ficou seguramente S. João que, na sua Primeira Carta, sintetizou tudo dizendo: «Deus é amor»(1Jo 4, 8.16).

Se, por hipótese, esquecêssemos tudo, bastaria que nunca perdêssemos de vista que Deus é amor. Deus não tem amor, Deus é amor. Nós, humanos, temos amor e também temos desamor, também temos ódio. Deus não. Deus é amor. Como reparou François Varillon, «Deus não é senão amor». Está tudo aqui. Está aqui tudo o que importa saber e é importante fazer.

 

D. Muito precisamos de «vitamina C», de «vitamina Cristo»

 

7. Eu atrever-me-ia a propor que repetíssemos incessantemente esta passagem de Jo 3, 16. Nunca esqueçamos que «Deus amou de tal modo o mundo que entregou o Seu Filho único, para que todo o homem que acredita n’Ele não se perca, mas tenha a vida eterna». Meditemos longamente esta passagem ao longo deste dia, ao longo desta semana, ao longo desta Quaresma, ao longo de toda a vida. Balbuciemos esta frase palavra por palavra e mastiguemos duradouramente a mensagem que, nela, nos é proposta.

De facto, tão diferente é Deus! Nós amamos e, por isso, ficamos à espera de possuir Deus ama e, por isso, não se cansa de dar, de Se dar. Deus é um amor que dá, que Se doa, que perdoa. Tudo é perdoado por este amor. Nada há acima deste amor. Por conseguinte, não tenhamos medo de vir ao encontro deste amor. Amanhã já é tarde. O amor de Deus urge. O amor de Deus é urgente.

 

  1. Deus abastece-nos com doses intermináveis de «vitamina C», de «vitamina Cristo». Jesus Cristo é o amor de Deus presente, é o amor de Deus sem limites. Nem a morte O faz recuar. Tudo é dado para lá dos limites. Mesmo depois da morte, continua a dar-Se, a dar-Se-nos.

Deus não quer a condenação de ninguém. Ele «não enviou o Seu Filho para condenar o mundo, mas para ser salvo por Seu intermédio»(Jo 3, 17). O Seu amor é infinitamente maior que o nosso pecado. O Seu amor consegue afogar o nosso pecado. Deus é rico, não em riquezas, mas em misericórdia (cf. Ef 2, 4). Não temos nada a pagar, só temos muito — a bem dizer, temos tudo — a receber. Como refere S. Paulo, é de graça que estamos salvos (cf. Ef 2, 5). Assim sendo, nada podemos impor, tudo somos convidados a oferecer.

 

E. Misericórdia para com todos

 

9. Como imagem e semelhança de Deus, cada um de nós deve ser imagem e semelhança da Sua misericórdia. Sejamos sempre misericordiosos para com todos. A misericórdia tem, quase sempre, o nome de respeito pelas diferenças. Não neguemos, pois, a misericórdia aos que estão no erro. Mas também não recusemos misericórdia aos que, mesmo na fragilidade, nos alertam para a verdade.

Dizem alguns mestres que, não raramente, perdoamos mais o mal que se faz do que o bem que se pratica. Pode parecer despropositado recordar isto, mas, por vezes, parece que somos mais receptivos a quem difunde a maldade do que a quem anuncia a verdade.

 

  1. Precisamos de uma efectiva cultura do respeito não só para com alguns, mas para com todos. Se Jesus nos atrai para o Céu, com que legitimidade podemos transformar a vida de alguns irmãos nossos num inferno?

Aprendamos com Jesus. Com a explosão do Seu amor, demos uma oportunidade ao que de melhor está em nós. Deus semeou tanto bem na nossa vida. Não deixemos que esse bem fique lá num fundo tão fundo que ninguém consegue encontrar. Quando a mudança é para melhor, não tenhamos medo de mudar!

publicado por Theosfera às 16:37

Obrigado, Senhor, pelo Teu amor,

pelo Teu imenso amor.

 

Ninguém ama como Tu.

Amar assim, como Tu,

só ao alcance de Deus,

só ao alcance de Ti, que és Deus.

 

Tu amas dando a vida,

dando o sangue,

dando tanto,

dando tudo.

 

Tu, Senhor, não vens condenar.

Tu, Senhor, só vens salvar.

 

Tu sabes tudo,

Tu és a sabedoria.

 

Só não sabes conjugar o verbo «mandar»,

o verbo «impor», o verbo «oprimir».

 

Tu, Senhor, só sabes conjugar

o verbo «dar»,

o verbo «oferecer»,

o verbo «entregar»,

o verbo «servir»,

o verbo «amar».

 

Obrigado, Senhor, pela Luz.

Tu és a Luz.

Ilumina os nossos passos,

os passos do nosso caminho.

 

Que caminhemos na verdade.

que caminhemos na luz,

na luz que vem de Ti,

na luz que és Tu,

JESUS!

publicado por Theosfera às 10:52

O pensamento e o comportamento cruzam-se quase sempre.

O que afecta o pensamento acaba por afectar sempre o comportamento e vice-versa.

Segundo alguns estudiosos, o vazio apoderou-se do pensamento. É de temer que o mesmo vazio contamine o comportamento.

E quando predomina um vazio de referências, o resultado não é nada; é a possibilidade de tudo sem critério.

O melhor e o pior vão desfrutando do mesmo tempo de antena.

Em vez da transformação, tende a prevalecer a alienação. Em vez de ir ao encontro do outro, a pessoa vai-se transformando noutra.

O álcool, as drogas, a evasão e a violência são sintomas de esvaziamento.

A decadência é um perigo. Mas há uma porta que fica entreaberta.

Subsiste uma sede muito grande na alma humana. É preciso que as pessoas não desistam de a saciar!

publicado por Theosfera às 08:58

Comentando «A Paixão segundo São Mateus», o actor e cenógrafo inglês Gordon Craig (1872-1966) afirmou que o oratório de Johann Sebastian Bach seria «capaz de converter um ateu».

Não iria tão longe. Só Cristo converte.

Mas por algum motivo Bach é conhecido como o «quinto evangelista».

E, de facto, «A Paixão segundo São Mateus» (tal como, aliás, «A Paixão segundo São João») não deixa ninguém insensível.

Ficará alguém indiferente?

publicado por Theosfera às 08:12

Às vezes, a maneira mais astuta de nada mudar é mudar alguma coisa.

Deste modo, alguns iludem-se com os vislumbres de mudança. Mas rapidamente se apercebem de que tudo continua na mesma.

Uma mudança que não parte do fundo não chega a ser mudança.

É por isso que Jesus insiste na conversão.

A conversão não é feita só de mudanças na vida.

A verdadeira conversão é feita de uma (permanente) mudança de vida!

publicado por Theosfera às 07:58

Hoje, 15 de Março (Quarto Domingo da Quaresma), é dia de S. Raimundo de Calatrava, Sta. Luísa de Marillac, Sta. Lucrécia, S. Plácido Riccardi e S. Clemente Hofbauer.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 14 de Março de 2015

Podem ser marginalizados, mas não se sentem à margem.

Os cristãos estão no mundo com todos os sonhos e com todas as feridas.

Os cristãos não pairam em paisagens etéreas. Eles aterram em todos subterrâneos da vida.

Jan Patocka achava que o Cristianismo é uma espécie de «comunidade de abalados».

Os abalos abanam. Mas não conseguem destruir!

publicado por Theosfera às 21:52

É preciso parar para andar.

 

É preciso descer para subir.

 

É preciso dar para receber.

 

É preciso calar para falar.

 

É preciso deixar para acolher.

 

É preciso chorar para sorrir.

 

É preciso negar para afirmar.

 

É preciso despojar-se para se revestir.

 

É preciso cair para levantar.

 

É preciso fechar os olhos para ver.

 

É preciso morrer para viver.

 

As cinzas lembram-nos o ponto de onde partimos.

 

Somos terra. É na terra que se constrói o céu.

 

É pelo tempo que se vai à eternidade.

 

É na simplicidade e na humildade que se atinge a verdade e a felicidade.

publicado por Theosfera às 07:11

As asas do progresso levam-nos para a frente. Mas as raízes do progresso estão depositadas lá atrás, nas origens.

Agostinho da Silva percebeu: «Consiste o progresso do regresso às origens»~.

É das origens que partimos. É às origens que devemos sempre voltar!

publicado por Theosfera às 06:57

Hoje, 14 de Março, é dia de Sta. Matilde, Sta. Florentina e S. Giácommo Cusmáno.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 13 de Março de 2015

Hoje, 13 de Março, é dia de S. Rodrigo, S. Salomão, Sta. Eufrásia e S. Nicéforo.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quinta-feira, 12 de Março de 2015

 

Que mais há para dizer quando tudo já está dito? Que mais há para viver quando tudo já está vivido?

Tudo foi dito até à Cruz. Tudo foi vivido na própria Cruz.

O sangue falou mais alto que os lábios. O exemplo falou mais forte que as palavras.

Importante é redizer o que por Jesus é dito.

Urgente é reviver o que por Jesus é vivido. Os Seus passos têm de ser os nossos caminhos.

 

publicado por Theosfera às 12:22

Camilo bem avisou: «O tempo chega sempre, mas há casos que não chega a tempo».

Nem sempre o tempo chega a tempo. Mas acaba por chegar!

publicado por Theosfera às 09:37

Hoje, 12 de Março, é dia de S. Luís Oriene, Sta. Josefina, Sto. Inocêncio I e Sta. Ângela Salawa.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 11 de Março de 2015

Não é só o poder que é decidido pela maioria. Muitos comportamentos também são impostos pela maioria.

Num caso, a maioria decide pelo voto. No outro caso, a maioria impõe-se pelo hábito.

O problema é que só muito tarde damos conta do mal.

O poder escolhido por maioria nem sempre responde ao que se deseja. E os comportamentos impostos pela maioria raramente correspondem ao que se espera.

O aviso da Bíblia é, pois, sumamente pertinente: «Não irás atrás da maioria para o mal»(Êx 23, 2).

Aliás, para o mal nem atrás da maioria nem da minoria. Só que poucos reparam no mal que a maioria difunde.

Muitos deliciam-se em ser como a maioria. Mesmo que, muitas vezes, nenhum bem daí advenha!

publicado por Theosfera às 16:00

Não tem de haver contradição entre o dever e a vontade.

Importante é que aquilo que pode ser corresponda àquilo que tem de ser.

Nem sempre é possível fazer o que gostamos. Mas será impossível gostar do que fazemos?

A liberdade e o destino não estão condenados a ser adversários.

Martin Buber até achava que são noivos.

O destino do homem é a liberdade. E «só o homem que realiza a liberdade encontrará o seu destino»!

publicado por Theosfera às 11:59

 

Abundam as procissões dos Passos por estes dias.

É importante que não esqueçamos as procissões dos Passos de cada dia.

São procissões sem andores, mas com (imensas) dores.

O grande Padre Abel Varzim esteve atento.

Para ele, a verdadeira «procissão dos Passos é de todos os dias mas não tem andores, nem música, nem anjinhos. Tem dores, angústias, desesperos, lágrimas, lamentos, e chagas. São os ódios de raças, as lutas fratricidas, os colonialismos, os campos de concentração, a opressão das consciências, as limitações da personalidade e da liberdade humanas, a fome, o desemprego, os bairros de lata, os acidentes de trabalho e de estrada, as prepotências e desmandos do capital, a exploração de menores, a escravatura da mulher, os compadrios, as injustiças, os egoísmos. Tudo isto flagela, dilacera, crucifica o Corpo de Cristo, como nunca talvez na História da Humanidade».

 

publicado por Theosfera às 10:40

Há momentos em que o importante é parar.

Urge, pois, parar e reparar, isto é, voltar a parar.

É urgente reparar para ver mais e agir melhor.

Nessa altura, reparar já não será apenas voltar a parar, mas também recuperar o que a rotina da vida vai despedaçando.

Há tanto para andar. Mas também há que saber parar. E «re-parar»!

publicado por Theosfera às 10:29

Bela e portentosa demonstração de força foi dada, ontem à noite, por uma equipa de Portugal.

O resultado não oferece discussão e a qualidade de jogo não deixa lugar para a menor dúvida.

Acontece (sinal dos tempos) que esta equipa de Portugal não era uma equipa portuguesa.

Quando o jogo começou, eram onze estrangeiros que estavam em campo. E até o treinador não era português. Português era, curiosamente, o técnico da equipa que veio do estrangeiro.

Os portugueses brilham lá fora. Os estrangeiros pontificam cá dentro.

Dá que pensar.

Neste caso, até haveria lugar para os portugueses. O problema é que não haverá dinheiro que os segure.

Mas o mundo é mesmo assim. Somos habitantes de todas as terras. Qualquer lugar é nossa casa.

E, mesmo com estrangeiros, a noite de ontem acendeu muitos sorrisos em Portugal!

publicado por Theosfera às 10:12

Hoje, 11 de Março, é dia de Sto. Eulógio, S. Vicente Abade, S. Ramiro, S. Trófimo e S. Tales.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 10 de Março de 2015

 

  1. Jesus andou quase sempre pelas margens: pelas margens dos rios e pelas margens da vida.

Grande parte da Sua actividade decorreu à beira do mar da Galileia, cujo principal afluente — e também efluente — é o Jordão. Foi, aliás, nas margens deste rio que Ele foi baptizado (cf. Mc 1, 9).

 

  1. Ao longo da Sua missão, Jesus ia alternando de margens.

Passava de margem para margem (cf. Mc 4, 35), mas nunca deixou as margens. E jamais abandonou os que eram postos à margem (cf. Lc 16, 19-31).

 

  1. Curiosamente, alguns peritos, como John Meier, apresentam Jesus como «marginal».

Não se trata de marginal no sentido de contestatário ou de irrelevante, mas no sentido de alternativo.

 

  1. Jesus contestou sempre a hipocrisia e a auto-suficiência dos que se julgavam superiores (cf. Mt 23, 27).

A mensagem e a conduta de Jesus foram de tal modo relevantes que muitas multidões se formaram à Sua volta (cf. Mt 5, 1).

 

  1. O Seu programa era verdadeiramente alternativo.

Jesus não só não pertencia aos principais grupos do judaísmo como defendia um projecto de vida, em muitos casos, oposto ao deles.

 

  1. Proclama o perdão em vez da vingança (cf. Lc 6, 37) e estende o amor aos próprios inimigos (cf. Mt 5, 44).

Jesus não foge dos que falham (cf. Mt 11, 19). Sente-se bem com os doentes (cf. Mt 14, 14), os famintos (cf. Mt 15, 32), os pobres (cf. Mt 5, 1) e os perseguidos (cf. Mt 5, 10).

 

  1. Como se isto não bastasse, frequentava ambientes pouco recomendáveis (cf. Mc 2, 16).

Enfim, nunca hesitou em tomar partido pelos mais humildes (cf. Mt 25, 40).

 

  1. Jesus não era ambíguo nas palavras ou equívoco nas acções.

Quando teve de escolher, optou por quem estava em baixo e por quem ficava de fora.

 

  1. Aberto a todos, não quis ser imparcial. Preferiu os preteridos e incluiu sempre os excluídos.

Afagou as lágrimas dos pecadores (cf. Lc 7, 38) e fazia questão de tocar nas feridas dos sofredores (cf. Mc 1, 41). Jesus é o Deus que (nos) toca.

 

  1. Poderá Deus ser assim? Pena é que, vinte séculos depois, ainda não tenhamos percebido que Deus é (mesmo) assim.

É sempre nas margens que O conhecemos. Serão os marginalizados os que melhor O entenderão?

publicado por Theosfera às 10:51

Um passo atrás nem sempre atrasa.

Às vezes, um passo atrás é o primeiro passo para seguir em frente.

Chesterton assim o notou: «À beira de um precipício, só há uma maneira de seguir em frente: dando um passo atrás»!

publicado por Theosfera às 09:50

Não sabemos o que a comunicação ganha (leitores não será), mas vamos sabendo o que a imprensa vai perdendo: universalidade e imparcialidade.

As prioridades incidem, quase sempre, sobre o mesmo e a partir do mesmo. Muitas vezes, o que sobressai é o mesmo género de assuntos e sob o mesmo ponto de vista.

É totalmente legítimo. Mas é pouco estimulante.

O destaque é dado aos mesmos assuntos e a razão tende a ser atribuída aos mesmos quadrantes.

Acresce que, sendo a imprensa de papel mais consumida por quem tem mais idade, estão a afastar nomes que a maioria dos leitores mais admirava.

É certo que tudo muda. Mas mudará para melhor?

publicado por Theosfera às 09:41

O Verbo é Deus (cf. Jo 1,1) e Deus, mais do que substantivo, é verbo.

Deus é acção. Desde sempre e para sempre.

Deus é acção presente e presencializante.

Quando nos lembramos d'Ele, Ele já Se lembrou de nós.

Deus é o ser que (nos) faz ser!

publicado por Theosfera às 09:29

Hoje, 10 de Março, é dia dos Santos Mártires de Sebaste, S. Macário de Jerusalém e Sta. Maria Eugénia Milleret.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 09 de Março de 2015

«Faça barulho, por favor!».

Alguém já encontrou cartazes com este apelo ou palavras com esta ordem?

Pelo contrário, sobram pedidos de silêncio por tantas repartições e salas de aula.

O ruído colou-se a nós, o silêncio ocultou-se de nós.

Não se trata de cortar a palavra a ninguém, mas de criar condições para que nos possamos escutar.

Às vezes, é preciso fazer (um pouco de) silêncio para ouvir o grito que anda pelo ar!

publicado por Theosfera às 09:40

A verdade continua à nossa frente e mantém-se à nossa espera.

Tomas Halik notou que «a verdade é um livro que nenhum de nós leu até ao fim».

É preciso estar sempre atento a cada uma das suas páginas.

Não somos nós que as escrevemos. É fundamental que seja a verdade a «escrever-nos»!

publicado por Theosfera às 09:30

Hoje, 09 de Março, é dia de S. Domingos Sávio, Sta. Francisca Romana e S. Gregório de Nissa.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 08 de Março de 2015

Nós acreditamos, Senhor,

que Tu estás no templo,

mas cremos que estás mais ainda

em cada pessoa.

 

O verdadeiro culto

não está ligado a um lugar.

O verdadeiro culto é uma Pessoa,

és Tu, Senhor.

 

É em Ti que adoramos o Pai,

em espírito e verdade.

 

Mas também Te encontramos no Templo.

Por isso queremos que esta seja uma casa de oração.

 

Na casa de oração

deve haver respeito, silêncio,

um ambiente propício para escutar a Tua voz

e acolher a Tua presença.

 

Tu, Senhor, ficaste triste

pelo comportamento de muitos no Templo de Jerusalém.

Até fizeste um chicote de cordas pa expulsar os vendilhões.

 

O zelo pela casa do Pai devorava-Te, Senhor.

Tu não feriste ninguém.

Apenas marcaste uma posição firme

na defesa da dignidade da Casa de Deus.

 

Que nós saibamos respeitar

este lugar sagrado.

 

Que aqui escutemos a Tua Palavra.

Que nos sintamos bem conTigo.

 

E que saiamos daqui mais inundados com o Teu amor e a Tua Paz,

JESUS!

publicado por Theosfera às 11:16

Somos íncolas do tempo, mas habitamos desde sempre a eternidade.

Milan Kundera percebeu: «Existe uma parte de nós que vive fora do tempo».

No fundo, é no tempo que vamos construindo o edifício que se chama eternidade!

publicado por Theosfera às 08:52

A. A Páscoa e o Baptismo

  1. Neste terceiro Domingo da Quaresma, os catecúmenos começam a fazer os chamados «escrutínios» em ordem ao Baptismo, na Vigília Pascal. A este propósito, é bom não esquecer que a estruturação do tempo da Quaresma está muito ligada não só à celebração da Páscoa, mas também à celebração do Baptismo.

O Baptismo é um sacramento genuinamente pascal e a Páscoa — pode dizer-se — é um acontecimento verdadeiramente baptismal. De facto, no Baptismo existe uma «peshah», isto é, uma passagem, uma páscoa. No Baptismo, também nós passamos da morte à vida. Na Páscoa, Cristo vence a morte que é o pecado. Na Páscoa, Cristo dá a vida para que nós tenhamos vida (cf. Jo 10, 10).

 

  1. A partir do século III e para responder à necessidade de preparar devidamente o Baptismo, começou a ser estruturado o tempo da Quaresma. Como se depreende da própria palavra, com os escrutínios pretende-se conferir as disposições dos que se preparam para o Baptismo. É nesse sentido que, ao longo de três domingos, a comunidade ajuda os catecúmenos a «escrutinar» a sua debilidade e, ao mesmo tempo, a sua disponibilidade para receber a vida nova de Cristo.

    A finalidade destes escrutínios é, portanto, purificar os corações, conseguir um sério conhecimento de si mesmo e promover a vontade de seguir, fielmente, a Cristo. Estes escrutínios são feitos aos que são baptizados na idade adulta e às crianças em idade escolar que ainda não estão baptizadas.

 

B. Jesus é a vida nova no temp(l)o novo

 

3. Percebe-se, portanto, que a liturgia deste terceiro Domingo da Quaresma nos apresente Jesus como a vida nova: Jesus é a vida nova figurada no templo novo. Todos os templos caem — e o Templo de Jerusalém caiu pelo ano 70 —, só o novo templo Jesus prevalece. O templo material é, pois, uma evocação do templo espiritual que é Jesus e que devemos ser nós em Jesus (cf. 1Cor 3, 17). O novo templo inaugura um novo culto que pode obviamente fazer-se no templo material, mas que, em si mesmo, não está dependente de qualquer lugar. O novo culto não é um lugar, mas uma pessoa. Neste sentido, o definitivo culto não ocorre necessariamente em Garizim, em Jerusalém ou em Roma, mas «em espírito e verdade»(Jo 4, 23).

No entanto, Jesus respeita o tempo material e até fica seriamente incomodado com a falta de respeito que existe dentro do Templo. Com efeito, Jesus não veio destruir, mas aperfeiçoar — e, nessa medida, cumprir — o antigo (cf. Mt 5, 17). O zelo pela Casa do Pai devora-O (cf. Jo 2, 17). Pelo que não consente que se transforme a Casa do Pai numa casa de comércio (cf. Jo 2, 16). É por isso que não hesita em fazer um chicote de cordas para expulsar os vendedores e os cambistas, derrubando mesas e espalhando trocos pelo chão (cf. Jo 2, 15).

 

  1. Trata-se de um episódio que aparece na «secção introdutória» do Evangelho de S. João (cf. Jo 1,19-3,36). A cena ocorre no Templo de Jerusalém, construído por Herodes para agradar aos judeus. A construção iniciou-se em 19 a.C. e ficou praticamente concluída no ano 9 d.C., embora os trabalhos só tivessem sido dados por finalizados em 63 d.C.. Uma vez que os judeus dizem que o Templo estava a ser construído há 46 anos (cf. Jo 2, 20), então, fazendo as contas, este episódio ocorreu no ano 27 d.C..

Por coincidência, estávamos a poucos dias da Páscoa judaica, uma época em que grandes multidões se concentravam em Jerusalém. Só para se ter uma ideia da capacidade de mobilização que esta festa tinha, refira-se que Jerusalém, que teria à volta de 55.000 habitantes, chegava a atrair cerca de 125.000 peregrinos por altura da Páscoa.

 

C. O novo temp(l)o é indestrutível

 

5. No Templo sacrificavam-se à volta de 18.000 cordeiros, destinados à celebração pascal. Daí que o comércio relacionado com o Templo tivesse um aumento exponencial. Três semanas antes da Páscoa, começava a emissão de licenças para a instalação dos postos comerciais. O dinheiro arrecadado com a emissão dessas licenças revertia para o sumo sacerdote. Vendiam-se os animais para os sacrifícios e vários outros produtos destinados à liturgia do Templo. Havia, também, as tendas para os cambistas trocarem as moedas romanas correntes por moedas judaicas. É que os tributos dos fiéis para o Templo eram pagos em moeda judaica, pois não era permitido que moedas com a efígie de imperadores pagãos conspurcassem o tesouro do Templo.

Este comércio constituía uma mais-valia para a cidade e sustentava a nobreza sacerdotal, o clero e os empregados do Templo. Não admira, pois, que os chefes judaicos ficassem indignados com a atitude de Jesus, que os desafia a destruir aquele templo, garantindo que Ele, em três dias, o reedificaria (cf. Jo 2, 19).

 

  1. Só que Jesus não Se referia ao templo de pedra (cf. Jo 2, 20), mas ao templo do Seu corpo (cf. Jo 2, 219. No fundo, Jesus desafia os líderes que O questionam a suprimirem o templo que é Ele próprio, assegurando que, três dias depois, esse Templo estará outra vez erguido. O novo templo que é Jesus será indestrutível. Nada nem ninguém o poderão destruir. Jesus alude, evidentemente, à Sua ressurreição (cf. Jo 2, 22). A ressurreição certifica que Jesus vem de Deus e que a Sua actuação é a actuação de Deus.

É, sem dúvida, notável que Jesus Se apresente como o novo templo. Haja em vista que o Templo representava, para os judeus, a residência de Deus, o lugar onde Deus Se tornava presente no meio do Seu Povo. Sucede que, agora e a partir de agora, o lugar onde Deus reside é Jesus. É através de Jesus que o Pai oferece aos homens o Seu amor e a Sua vida.

 

D. Aquele que nos traz Deus, Aquele que nos leva para Deus

 

7. Jesus é o lugar de encontro entre o homem e Deus. É Jesus quem nos traz Deus, é Jesus quem nos leva até Deus. Nas palavras e nos gestos de Jesus, Deus revela-Se aos homens e manifesta-lhes o Seu amor, apontando-lhes caminhos de salvação. Consequentemente, somos convidados a olhar para Jesus e a descobrir no Seu Evangelho a proposta de vida nova que Deus nos quer apresentar.

Tenhamos presente que contemplar significa, na sua raiz etimológica, estar no templo. Contemplar é, pois, estar no novo — e definitivo — templo que é Jesus. Contemplar é estar com Deus em Jesus.

 

  1. Ao longo da história, o próprio Deus foi preparando o Seu povo para acolher a Sua proposta de vida. Já no Antigo Testamento, Deus aparece como libertador (cf. Êx 20, 2). Os Seus mandamentos são propostas de liberdade que reclamam, da nossa parte, respostas em liberdade. Trata-se de um conjunto de referências que devem orientar a nossa caminhada pela vida. São indicações que dizem respeito às duas dimensões fundamentais da nossa existência: a nossa relação com Deus e a nossa relação com os irmãos.

Os mandamentos pretendem ajudar-nos a deixar a escravidão do egoísmo, da auto-suficiência, da injustiça, do comodismo, das paixões e de todas as formas de exploração. Os mandamentos mostram — e cabalmente demonstram — que Deus está no centro da nossa vida e o ser humano deve estar no coração da nossa vida. Deus é o centro e, como disse S. João Paulo II, o homem é o caminho. Amando a Deus, amaremos a pessoa humana. Amando cada pessoa humana, estaremos a amar a Deus.

 

E. Uma loucura sábia

 

9. A lógica de Deus é totalmente diferente da nossa. É a lógica do Logos, a lógica do Verbo feito carne (cf. Jo 1, 14) Na Segunda Leitura, S. Paulo sugere-nos uma conversão à lógica de Deus, que é a lógica da Cruz. Na Cruz, tudo se desfaz e tudo se refaz. Desfaz-se uma lógica meramente proporcional, que leva a compensar quem faz bem e a castigar quem faz mal. Na Cruz, Deus age de modo diferente, diria oposto.

Deus faz o bem porque é bom e porque, como tal, não pode deixar de fazer o bem. Por isso, envia o Seu Filho para dar a vida por todos, independentemente dos seus merecimentos. Isto é considerado loucura («moria) e até demência («mania»), como nos vai dizer S. Justino.

 

  1. A lógica de Deus, que é a única lógica que salva, não é a lógica do poder, da riqueza ou da condição social, mas a lógica do amor total, do amor desmedido, até às últimas consequências. Muitos acham que tudo isto é pouco, que tudo isto é louco, mas é esta loucura que nos torna salvos. Simone Weil achava que é preciso ser louco para dizer a verdade. Foi talvez por isso que alguns, em tempos, confessavam: «Por Cristo me tornei louco para que menos tolo seja o mundo»!

Esta loucura é mais sábia que toda a sabedoria e esta fraqueza é mais forte que toda a força (cf. 1Cor 1, 25). É por isso que nós celebramos a Ressurreição, mas o nosso símbolo continua a ser a Cruz. É a Cruz que nos identifica como cristãos. A Ressurreição não anula a Cruz, mas dá sentido à Cruz. Aquele que dá a vida é o que volta à vida. A Cruz está sempre a ensinar-nos que é quando mais damos que mais temos. A Cruz está sempre a mostrar-nos que é quando nos damos inteiramente que nos reencontramos totalmente!

publicado por Theosfera às 08:14

Hoje, 08 de Março (Terceiro Domingo da Quaresma), é dia de S. João de Deus, padroeiro dos doentes e moribundos e protector dos enfermeiros católicos e respectivas associações.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

Sábado, 07 de Março de 2015

A Bíblia pode ser vista como uma longa palavra com 73 sílabas.

46 são soletradas no Antigo Testamento e 27 são entoadas no Novo Testamento.

Em relação à imagem de Deus, muitas dessas sílabas são completamente átonas. Quase O desfiguram. Basta pensar no Terror de Isaac, assim Deus é apresentado numa passagem genesíaca.

Entre desfiguramentos e aproximações, vamos gaguejando, sílaba a sílaba, até chegar a Lucas, sobretudo ao capítulo 15.

Aqui encontramos a sílaba tónica.

 Deus não castiga. Deus não condena. Deus abraça. Deus festeja.

Deus não é um polícia a escrutinar os nossos erros. Deus é o Pai que Se alegra com o nosso bem.

Deus é misericórdia.

A maior festa não é quando se dá o encontro. É quando ocorre o reencontro após o desencontro.

Porque é tão difícil, então, pronunciar devidamente a sílaba tónica?

Porque é que, ainda hoje, continua a prevalecer a linguagem do castigo sobre a cultura da bondade, da compaixão e do amor?

publicado por Theosfera às 12:55

A realidade é o que é e raramente é o que gostávamos que ela fosse.

Albert Maysles, anteontem falecido, «a realidade tem quase um curso divino, no sentido de que ela controla tudo e só podemos obedecer-lhe».

Talvez possamos também transformá-la. Pelo menos, a realidade da nossa vida pode ser transformada!

publicado por Theosfera às 09:08

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