O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 31 de Março de 2015

 

  1. Se toda a gente gosta de ganhar, como é que Deus iria gostar de perder?

Não espanta pois que, nas galerias dos vencedores, Deus ocupe um lugar único, um lugar cimeiro, um lugar central.

 

  1. Trata-se, aliás, de um lugar merecido, ainda que nem sempre reconhecido.

É, porém, um facto indesmentível. Deus detesta perder. Deus faz tudo para não perder.

 

  1. Há, entretanto, uma precisão a fazer.

É que enquanto nós não gostamos de perder nada, Deus não gosta de perder ninguém.

 

  1. Enquanto nós trocamos facilmente as pessoas pelas coisas, Deus dispõe-Se a sacrificar todas as coisas — e a sacrificar-Se a Si mesmo — para não perder nenhuma pessoa.

O que move Deus não é essa coisa que se chama dinheiro. Nem essa coisa que se chama poder.

 

  1. O que (co)move Deus são as pessoas, somos nós.

Por muito desprimoroso que possa parecer dizer isto, para Deus há certos fins que justificam todos os meios.

 

  1. É neste sentido que, como nota Miroslav Volf, «Deus abdica de Si mesmo para não perder a humanidade».

Deus sujeita-Se a perder tudo para não perder ninguém.

 

  1. Foi por isso que Deus veio até nós (cf. Jo 1, 14). Foi por isso que Deus nos enviou o melhor que tem: o Seu Filho (cf. Jo 3, 16)

Este, o Filho de Deus, deixou bem claro que não quer perder ninguém (cf. Jo 6, 39). Ele oferece a Sua morte pela nossa vida (cf. Jo, 10, 10).

 

  1. Enfim, foi por causa de nós que Deus, sendo sumamente rico, Se fez totalmente pobre (cf. 2Cor 8, 9).

Foi por causa de nós que Deus não quis possuir qualquer reino neste mundo (cf. Jo 18, 36). E é por causa de nós que Deus continua a trabalhar, a trabalhar incessantemente (cf. Jo 5, 17).

 

  1. Deus não sabe perder. Deus não sabe o que é perder. Deus vai ao ponto de deixar os que não se perderam para ir ao encontro dos que estão em vias de se perder (cf. Lc 15, 4).

Deus quer a nossa salvação, custe o que custar (cf. 1Cor 9, 22). E a nossa salvação custou o sangue de Seu Filho (cf. Jo 19, 34).

 

  1. Sendo assim, poderá alguém perder-se?

Todos ganhamos quando, em Cristo, nos dispomos a tudo perder!

 

publicado por Theosfera às 10:41

Quando é que Jesus morreu? Quando foi a Última Ceia?

Muitos têm sido os esforços. Enormes têm sido os trabalhos. Desde a exegese até à investigação histórica, não faltam hipóteses.

Uma das datas mais propostas é 7 de Abril do ano 30. 

A Bíblia é omissa quanto a pormenores, sabendo-se que os judeus seguiam um calendário lunar. Como reverter calendário para o calendário solar, que usamos, mas que já teve tantas versões? Não é fácil.

Daí que se saúde a paciente pesquisa de Colin J. Humphreys.

Após sopesar todas as possibilidades, avança uma data no livro «O mistério da Última Ceia». Segundo ele, «a Última Ceia foi na quarta-feira, 1 de Abril de 33 d.C., com a crucificação na sexta-feira, 3 de Abril de 33 d.C.».

Será?

publicado por Theosfera às 10:30

Confunde-se, habitualmente, o simples com o fácil.

Parece fácil ser simples.

Ser simples não é fácil. Mas é belo.

Acreditem. A simplicidade dá trabalho. Mas também dá encanto!

publicado por Theosfera às 10:10

Tudo o que se celebra nesta semana santa está sob o signo do mistério.

 

O omnipotente surge-nos sem poder. Ou, então, revestido do poder maior: o de Se entregar à morte.

 

Jesus está sempre com o Pai, mas confessa-Se abandonado pouco antes de expirar.

 

É por isso que as palavras deveriam estar amassadas em silêncio. As palavras, por vezes, podem apagar mais do que revelar.

 

Jesus aparece-nos descentrado de Si. Tudo n'Ele é amor, é dádiva, é entrega.

 

Importa não aprisionar Jesus em conceitos, até porque tudo em Jesus é libertação, justiça e verdade.

 

É nos caminhos da humanidade sofredora que, hoje, O voltamos a encontrar.

publicado por Theosfera às 09:54

A Páscoa traz muita gente à volta da Igreja. São mobilizados os crentes e envolvidos os não crentes.

 

Sucede que esta afirmação de pujança pode (insisto: pode) denunciar um certificado de debilidade.

 

O que atrai mais pessoas não é a liturgia. São as procissões, as tradições.

 

O problema não está no seu valor, que é grande. Está, cada vez mais, no seu enquadramento, que é problemático.

 

É que já não falta quem venda a Semana Santa como um cartaz turístico. E, de facto, há multidões que se arrastam para as localidades onde se promovem acções nesta altura do ano.

 

E não falta mesmo quem já fale de espectáculo!

 

Aqui é que bate o ponto. Um espectáculo implica não só acção, mas também actores e espectadores.

 

Ora, o que se representa, muitas vezes, é apreciado sobretudo pelo seu efeito cénico. Há uma certa distância entre quem representa e quem assiste.

 

E nota-se também uma cada vez maior ausência de espiritualidade, recolhimento.

 

Como agir?

 

É um novo desafio que temos pela frente: vivenciar o momento central da fé ou apostar numa oferta turística de grande consumo?

 

Viver é optar, como dizia Zubiri.

publicado por Theosfera às 09:53

1. Estamos em plena semana que tem o qualificativo de santa.

É uma semana que nos junta e que nos deve unir. É uma semana que nos faz correr, mas que também nos deve fazer parar. É uma semana que nos envolve no exterior e que nos deve transformar no interior.

 

2. É uma semana em que sentimos próximo o que é mais distante. Na Sexta-Feira Santa assinalamos a morte. Poucas horas depois, festejamos a vida.

Grande lição esta: a morte está aqui; a ressurreição mora já ali. Entre a morte e a vida há uma diferença tão grande e, ao mesmo tempo, uma distância tão pequena!

 

3. Jesus morreu? Jesus morre. Ele está na morte de tantas pessoas, sufocadas no patíbulo desta desumanidade infrene.

É por isso que a Cruz não foi, a Cruz é.

 

4. A fé não é alienante.

Não nos retira da vida. Atira-nos para as profundezas (mais obscuras) do mistério da existência.

 

5. Nesta semana em que somos confrontados com a dor do mundo na dor do Filho de Deus, fique a baloiçar em nós a palavra de Dietrich Bonhoeffer: «O Homem está chamado a sofrer com Deus no sofrimento que o mundo sem Deus inflige a Deus».

Em Cristo, Deus sofre connosco, em nós. Mesmo que não O sintamos.

 

6. Na visita pascal, iremos anunciar a ressurreição transportando o Crucificado.

Parece uma contradição. Mas é a verdade. E faz todo o sentido.

 

7. Antes de mais, é muito difícil figurar um corpo ressuscitado. Nem os discípulos reconheceram Jesus: era o mesmo mas com uma configuração diferente.

Depois, porque o que ressuscita é o mesmo que morre; o que volta à vida é o mesmo que dá a vida. Se não morresse, não ressuscitaria.

 

8. Não é, pois, em vão que Jürgen Moltmann usa expressões como «ressurreição do Crucificado» e «cruz do Ressuscitado».

O mistério de Cristo é sempre global, não se pode segmentar ou clivar. Jesus integra a glória no sofrimento e eleva o sofrimento à glória.

 

9. Eis, por conseguinte, a maior fonte de esperança para quem sofre: Ele sofre connosco, nós sofremos com Ele.

E n’Ele podemos vencer o sofrimento e a própria morte.

 

10. A Páscoa vai chegar ao tempo. Que ela chegue à vida.

À vida de cada um. À vida da humanidade inteira!

publicado por Theosfera às 09:14

Hoje, 31 de Março, é dia de Sto. Acácio de Antioquia, Sta. Balbina, S. Benjamim e S. Daniel.

Um santo e abençoado dia para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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